Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXIII N.93 SETEMBRO 2016

O período que se inicia em Rosh Hashaná e se encerra no término de Yom Kipur é chamado de Yamim Noraim – os Dias Temíveis – pois essa é a época do ano em que D’us julga o destino de todo indivíduo para o ano que se inicia.

Estas duas festividades máximas do ano judaico são os dias em que o D’us julga todas as pessoas e é natural temer o veredicto. Contudo, o Talmud ensina que, em Rosh Hashaná, o Povo Judeu se comporta de maneira atípica. Quando uma pessoa é levada a julgamento, ela sente ansiedade e medo e, assim, dá pouca atenção à aparência física. Mas em Rosh Hashaná nós, judeus, nos vestimos bem, comemos e bebemos e nos alegramos.  O motivo disso, explica o Talmud, é termos confiança  de que D’us nos beneficiará com Seu perdão e despejará sobre nós bênçãos extraordinárias. Rosh Hashaná é, portanto, um dia de celebração.

Por um lado, os Yamim Noraim são os dias mais temíveis do ano, por outro, é a época em que a Shechiná, a Presença de D’us, se manifesta com mais intensidade no mundo. Assim, constituem as datas mais auspiciosas para o crescimento espiritual. São também os dias em que nossas orações e súplicas são mais bem recebidas nos Céus. Como ensinou o profeta Isaías, deve-se procurar D’us quando Ele pode ser encontrado e invocá-lo quando está próximo. Evidentemente, D’us se encontra sempre em todo lugar, mas nestas datas torna-se mais fácil encontrá-Lo. Assim, em Rosh Hashaná e Yom Kipur, nós, judeus, rezamos para sermos inscritos e selados no livro da Vida.

Yom Kipur – o ápice dos Dias Temíveis – aparenta ser uma data triste. É um dia de orações e confissão de pecados. No entanto, ensinam nossos Sábios que Yom Kipur é a data mais feliz do calendário judaico, pois  é o dia do perdão e expiação para o Povo Judeu. Podemos nos arrepender de nossos erros, de nossas transgressões e obter o perdão Divino, a qualquer hora, em qualquer dia. Mas Yom Kipur é o dia mais auspicioso para que isso ocorra. É a data para perdoar e ser perdoado, tanto por pecados cometidos contra D’us como por falhas cometidas contra outras pessoas.

A Cabalá enfatiza a grande importância de o homem estar sempre alegre. Os místicos ensinam que a alegria quebra todas as barreiras e limitações e pode até gerar milagres, pois quando uma pessoa está verdadeiramente feliz, atrai grandes bênçãos dos Céus.

Isso vale especialmente para os Yamim Noraim.  É inegável que são dias de extrema importância, em  que todos os seres são julgados e todos nossos atos são escrutinizados pelo Tribunal Celestial. Portanto, são dias que exigem que cada um de nós faça uma contabilidade espiritual e um autojulgamento. Mas são também uma época de imensa alegria e luz espiritual. Os Cabalistas ensinam que se nos comportarmos com júbilo e confiança em Rosh Hashaná e Yom Kipur – se depositarmos nossa confiança em D’us, tendo certeza de que Ele nos perdoará e nos abençoará com um ano maravilhoso, Ele honrará nossa confiança. Se emanarmos alegria, paz interior e confiança em D’us, Ele certamente nos retribuirá em igual medida. Esse deve ser nosso estado de espírito em Rosh Hashaná e em Yom Kipur, mesmo que o ano que se encerrou tenha sido de desafios e tribulações.

Em julho deste ano faleceu Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, vencedor do Prêmio Nobel e grande escritor. Minha família perdeu um amigo muito querido, Israel perdeu um devotado defensor e a humanidade perdeu um grande homem que lutou contra a indiferença e as perseguições ao redor do globo. Elie Wiesel escreveu sobre a esperança: “O mais extraordinário nas vítimas do Holocausto foi a sua capacidade de manter a esperança naquelas horas tão amargas. O otimismo e a esperança de um final feliz, sem dúvida, foi o que manteve a vontade de sobreviver nos judeus, e eles demonstravam essa esperança através de seu culto, sua confiança na família e em seu desejo de vencer…”. 

Neste Rosh Hashaná e Yom Kipur, que possamos atrair, por meio de sentimentos positivos, para nós mesmos e para nossa família, para os judeus da Diáspora, de Israel, e para o povo do Brasil, um Shaná Tová Umetuká  – um ano bom e doce.

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXIII N.93 SETEMBRO 2016

O período que se inicia em Rosh Hashaná e se encerra no término de Yom Kipur é chamado de Yamim Noraim – os Dias Temíveis – pois essa é a época do ano em que D’us julga o destino de todo indivíduo para o ano que se inicia.

Estas duas festividades máximas do ano judaico são os dias em que o D’us julga todas as pessoas e é natural temer o veredicto. Contudo, o Talmud ensina que, em Rosh Hashaná, o Povo Judeu se comporta de maneira atípica. Quando uma pessoa é levada a julgamento, ela sente ansiedade e medo e, assim, dá pouca atenção à aparência física. Mas em Rosh Hashaná nós, judeus, nos vestimos bem, comemos e bebemos e nos alegramos.  O motivo disso, explica o Talmud, é termos confiança  de que D’us nos beneficiará com Seu perdão e despejará sobre nós bênçãos extraordinárias. Rosh Hashaná é, portanto, um dia de celebração.

Por um lado, os Yamim Noraim são os dias mais temíveis do ano, por outro, é a época em que a Shechiná, a Presença de D’us, se manifesta com mais intensidade no mundo. Assim, constituem as datas mais auspiciosas para o crescimento espiritual. São também os dias em que nossas orações e súplicas são mais bem recebidas nos Céus. Como ensinou o profeta Isaías, deve-se procurar D’us quando Ele pode ser encontrado e invocá-lo quando está próximo. Evidentemente, D’us se encontra sempre em todo lugar, mas nestas datas torna-se mais fácil encontrá-Lo. Assim, em Rosh Hashaná e Yom Kipur, nós, judeus, rezamos para sermos inscritos e selados no livro da Vida.

Yom Kipur – o ápice dos Dias Temíveis – aparenta ser uma data triste. É um dia de orações e confissão de pecados. No entanto, ensinam nossos Sábios que Yom Kipur é a data mais feliz do calendário judaico, pois  é o dia do perdão e expiação para o Povo Judeu. Podemos nos arrepender de nossos erros, de nossas transgressões e obter o perdão Divino, a qualquer hora, em qualquer dia. Mas Yom Kipur é o dia mais auspicioso para que isso ocorra. É a data para perdoar e ser perdoado, tanto por pecados cometidos contra D’us como por falhas cometidas contra outras pessoas.

A Cabalá enfatiza a grande importância de o homem estar sempre alegre. Os místicos ensinam que a alegria quebra todas as barreiras e limitações e pode até gerar milagres, pois quando uma pessoa está verdadeiramente feliz, atrai grandes bênçãos dos Céus.

Isso vale especialmente para os Yamim Noraim.  É inegável que são dias de extrema importância, em  que todos os seres são julgados e todos nossos atos são escrutinizados pelo Tribunal Celestial. Portanto, são dias que exigem que cada um de nós faça uma contabilidade espiritual e um autojulgamento. Mas são também uma época de imensa alegria e luz espiritual. Os Cabalistas ensinam que se nos comportarmos com júbilo e confiança em Rosh Hashaná e Yom Kipur – se depositarmos nossa confiança em D’us, tendo certeza de que Ele nos perdoará e nos abençoará com um ano maravilhoso, Ele honrará nossa confiança. Se emanarmos alegria, paz interior e confiança em D’us, Ele certamente nos retribuirá em igual medida. Esse deve ser nosso estado de espírito em Rosh Hashaná e em Yom Kipur, mesmo que o ano que se encerrou tenha sido de desafios e tribulações.

Em julho deste ano faleceu Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, vencedor do Prêmio Nobel e grande escritor. Minha família perdeu um amigo muito querido, Israel perdeu um devotado defensor e a humanidade perdeu um grande homem que lutou contra a indiferença e as perseguições ao redor do globo. Elie Wiesel escreveu sobre a esperança: “O mais extraordinário nas vítimas do Holocausto foi a sua capacidade de manter a esperança naquelas horas tão amargas. O otimismo e a esperança de um final feliz, sem dúvida, foi o que manteve a vontade de sobreviver nos judeus, e eles demonstravam essa esperança através de seu culto, sua confiança na família e em seu desejo de vencer…”. 

Neste Rosh Hashaná e Yom Kipur, que possamos atrair, por meio de sentimentos positivos, para nós mesmos e para nossa família, para os judeus da Diáspora, de Israel, e para o povo do Brasil, um Shaná Tová Umetuká  – um ano bom e doce.


SUPLEMENTO

Grandes Festas
Edição 93 - Setembro de 2016

PERSONALIDADES

Elie Wiesel, a consciência da humanidade

Elie Wiesel, a consciência da humanidade

No dia 2 de julho deste ano de 2016, aos 87 anos de idade, Elie Wiesel deixou este mundo. Talvez quem melhor o tenha definido foi o comitê do Prêmio Nobel da Paz de 1986:  “Um dos mais importantes líderes espirituais em uma época em que a violência, a repressão e o racismo continuam a caracterizar o mundo... Um mensageiro para a humanidade; sua mensagem é de paz, reconciliação e dignidade humana”.

Edição 93 - Setembro de 2016

ISRAEL HOJE

Relações entre Israel e Egito, do tatame à diplomacia

Relações entre Israel e Egito, do tatame à diplomacia

Diplomacia e esporte, nos últimos meses, evidenciaram diferentes momentos das relações entre Israel e Egito. No tatame olímpico do Rio de Janeiro, o judoca egípcio Islam El Shehaby protagonizou cena lamentável, ao se recusar a cumprimentar, no final da luta, o atleta israelense Or Sasson. A hostilidade desportiva, no entanto, contrastou com o reaquecimento do diálogo entre Jerusalém e Cairo, colocando os vínculos bilaterais em nova fase, marcada pela intensificação.

Edição 93 - Setembro de 2016

ISRAEL HOJE

Explosão de cores em Israel

Explosão de cores em Israel

Seja no verão, no inverno, na primavera ou no outono, é sempre tempo de se admirar as flores em Israel.  Aliando tecnologias avançadas às condições naturais do país, os produtores israelenses estão conquistando  o mercado europeu com a singularidade das várias  espécies cultivadas no país, assim como aquelas que  crescem como dádivas da natureza.

Edição 93 - Setembro de 2016

HOLOCAUSTO

O julgamento de Nuremberg

O julgamento de Nuremberg

Nuremberg, dia 16 de outubro de 1946. Dez homens  fortes do 3º Reich condenados à morte pelo Tribunal  Militar Internacional são enforcados. Era Hoshaná Rabá  - o dia em que D'us sela os veredictos de Rosh Hashaná  para o ano seguinte.

Edição 93 - Setembro de 2016

HOLOCAUSTO

Os réus

Os réus

Cada um dos 22 homens fortes do Terceiro Reich,  que o Tribunal Militar Internacional levou a julgamento entre novembro de 1945 e outubro de 1946, teve uma participação integral e necessária na criação do III Reich. Cada um, à sua maneira, colocou suas “expertises” a serviço de Hitler para que fossem atingidos os objetivos do  Führer de dominar a Europa e primordialmente exterminar todo e qualquer judeu.

Edição 93 - Setembro de 2016

ROSH HASHANÁ

Tefilá, Tzedacá e Teshuvá

Tefilá, Tzedacá e Teshuvá

Rabi Lazar dizia: “Três coisas anulam um decreto severo: Tefilá (Oração), Tzedacá (Caridade) e Teshuvá (Arrependimento)” (Talmud Yerushalmi, Taanit 9b).

Edição 93 - Setembro de 2016

YOM KIPUR

Algumas leis relacionadas com Yom Kipur

Algumas leis relacionadas com Yom Kipur

Neste ano, Yom Kipur se inicia no dia 11 de outubro, terça-feira, às 17:50h (em São Paulo), e termina na noite do dia 12 de outubro, às 18:44h (em São Paulo).


Edição 93 - Setembro de 2016

LEIS, COSTUMES E TRADIÇÕES

Uma introdução às Leis da Cashrut

Uma introdução às Leis da Cashrut

Através da história do Povo Judeu, o cumprimento das leis da Cashrut tem sido um atributo inconfundível da identidade judaica. Quando um judeu volta ao Judaísmo – quando inicia sua jornada espiritual e abraça a Torá – o mandamento que ele mais provavelmente adota é a obediência às leis alimentares judaicas. Talvez, mais do que qualquer outra mitzvá da Torá,  as leis da Cashrut enfatizam que o Judaísmo é muito mais do  que uma “religião”, no sentido convencional.

Edição 93 - Setembro de 2016

ARTE E CULTURA

Romance gráfico em quadrinhos

Romance gráfico em quadrinhos

Na Holanda sob ocupação nazista, escondido num sótão por mais de dois anos, Emmanuel, um jovem judeu, criou as aventuras do detetive Dompie Stompie, uma graphic novel, romance gráfico em quadrinhos, para se comunicar com  sua futura esposa, Hetty, que estava num esconderijo a poucos quilômetros de distância.

Edição 93 - Setembro de 2016

ARTE E CULTURA

A arte de Issachar Ber Ryback

A arte de Issachar Ber Ryback

Pintor, artista gráfico e escultor, Ryback, nascido na Ucrânia no final do século 19, foi um dos nomes mais importantes da arte judaica da avant-garde russa. Nas palavras do poeta francês Edouard Roditi, “Ryback pode ser reconhecido como um artista cuja genialidade pode ser comparada apenas com a de Marc Chagall”. O pintor jamais esqueceu suas origens - os temas judaicos, os personagens e as cenas do cotidiano do shtetl eram uma constante em suas obras.

Edição 93 - Setembro de 2016

HISTÓRIA DE ISRAEL

Meu irmão Jonathan

Meu irmão Jonathan

Quem hoje tem 40 anos de idade, ou está chegando aos 50, decerto não vivenciou aqueles dias tensos de junho e julho de 1976, portanto há quatro décadas, quando um avião da Air France, partindo de Tel Aviv, foi sequestrado por terroristas e levado para o aeroporto de Entebe, em Uganda. A aeronave conduzia 246 passageiros, dos quais 77 eram cidadãos de Israel. No dia 4 de julho, uma espetacular ação de comandos israelenses pôs fim ao cativeiro dos reféns.

Edição 93 - Setembro de 2016