Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXIV N.94 DEZEMBRO 2016

No calendário judaico, há duas festas instituídas por nossos Sábios: Chanucá e Purim. Os eventos que celebramos em Chanucá ocorreram em uma época em que o judaísmo estava ameaçado. Isto é, a guerra dos sírio-gregos não era contra os judeus como povo, mas sim, contra a Torá – a religião judaica e suas leis, valores e ideais. A história de Purim, por outro lado, trata de um homem maligno que visou a exterminar todos os judeus. A guerra de Haman não era contra o judaísmo, e sim, contra o Povo Judeu. Assim, a primeira celebra a continuidade espiritual da nação judaica ao passo que a segunda comemora sua sobrevivência física.

Essa diferença se reflete em seus respectivos mandamentos. Chanucá é a festa das luzes: durante oito noites, acendemos azeite de oliva ou velas. No judaísmo, o azeite representa a sabedoria; a vela simboliza a alma; e a luz é a metáfora mais comum utilizada para se referir à Torá e à espiritualidade. O mandamento de acender as velas dessa festa celebra o triunfo da Torá e da alma. Por outro lado, os mandamentos de Purim simbolizam a materialidade: faz-se uma refeição festiva; enviam-se alimentos já prontos para consumo aos amigos; e doa-se dinheiro para que os necessitados também possam alegrar-se nessa data. Já que esta festa celebra a sobrevivência física do nosso povo, observam-se os seus mandamentos por meio de elementos físicos, necessários para a sobrevivência.

Aparentemente, o tema central de Chanucá é a alma e o de Purim, o corpo. Contudo, uma reflexão mais profunda nos leva a concluir que Chanucá também celebra a materialidade e que os mandamentos de Purim também possuem um fundo espiritual. Com efeito, o azeite utilizado para acender as luzes da Chanuquiá representa a sabedoria, mas também constitui um alimento rico e saboroso. No que concerne a Purim, inegavelmente se trata de um dia em que se alimenta o corpo, mas a festa é antecedida por um jejum: o Jejum de Esther. Ademais, um dos quatro mandamentos dessa festa é ouvir a leitura da Meguilá, um dos livros do Tanach.

Torna-se evidente, portanto, que no judaísmo, o espiritual e o material estão entrelaçados. Chanucá enfatiza a espiritualidade, mas seus mandamentos e tradições também refletem a materialidade. Já Purim é uma festa cujos mandamentos aparentam ser de cunho materialista, mas, na realidade, contêm um fundo de espiritualidade. Isso nos ensina que tanto o corpo como a alma são sagrados e devem ser muito bem preservados. A Torá revela que a alma, o sopro Divino, é o que dá vida ao corpo, mas que sem um organismo vivo e saudável lhe é praticamente impossível desempenhar sua missão neste mundo. A Cabalá ensina que o ser humano é um microcosmo de todo o universo. Quando ele mantém paz e harmonia entre corpo e alma – quando estes se encontram em equilíbrio e agem em conjunto – unem-se os Céus e a Terra.

Neste ano deixaram este mundo dois homens que marcaram a história de nosso povo. Lutaram, de forma diferente, para garantir um futuro melhor para todos nós, judeus. O Rav Joseph Haim Sitruk zt”l, Rabino Chefe da França durante duas décadas, liderou os judeus da França e do mundo de língua francesa em direção à espiritualidade, para que a luz da Torá brilhasse cada vez mais forte. Como outros grandes líderes espirituais do Povo Judeu, o Grão Rabino Sitruk personificou o tema das luzes de Chanucá. Dizia que nós, judeus, “temos uma herança fabulosa, mas infelizmente muitos de nós não a conhecemos”. Portanto, cada judeu tem o dever de receber e transmitir o judaísmo – algo que  ele fez durante toda a sua vida.  Já Shimon Peres z”l, foi um grande estadista que, seguindo o exemplo de Mordechai e Esther, utilizou seus talentos e sua grande habilidade política para garantir a segurança e o futuro do Estado de Israel e do Povo Judeu. Peres, um dos pais do Estado de Israel, dedicou a vida para assegurar que nenhum inimigo pudesse novamente ameaçar a sobrevivência de nosso povo – para que nós, judeus, pudéssemos ter, após 2.000 anos de exílio e sofrimentos indescritíveis, um Estado Judeu – forte e seguro.

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXIV N.94 DEZEMBRO 2016

No calendário judaico, há duas festas instituídas por nossos Sábios: Chanucá e Purim. Os eventos que celebramos em Chanucá ocorreram em uma época em que o judaísmo estava ameaçado. Isto é, a guerra dos sírio-gregos não era contra os judeus como povo, mas sim, contra a Torá – a religião judaica e suas leis, valores e ideais. A história de Purim, por outro lado, trata de um homem maligno que visou a exterminar todos os judeus. A guerra de Haman não era contra o judaísmo, e sim, contra o Povo Judeu. Assim, a primeira celebra a continuidade espiritual da nação judaica ao passo que a segunda comemora sua sobrevivência física.

Essa diferença se reflete em seus respectivos mandamentos. Chanucá é a festa das luzes: durante oito noites, acendemos azeite de oliva ou velas. No judaísmo, o azeite representa a sabedoria; a vela simboliza a alma; e a luz é a metáfora mais comum utilizada para se referir à Torá e à espiritualidade. O mandamento de acender as velas dessa festa celebra o triunfo da Torá e da alma. Por outro lado, os mandamentos de Purim simbolizam a materialidade: faz-se uma refeição festiva; enviam-se alimentos já prontos para consumo aos amigos; e doa-se dinheiro para que os necessitados também possam alegrar-se nessa data. Já que esta festa celebra a sobrevivência física do nosso povo, observam-se os seus mandamentos por meio de elementos físicos, necessários para a sobrevivência.

Aparentemente, o tema central de Chanucá é a alma e o de Purim, o corpo. Contudo, uma reflexão mais profunda nos leva a concluir que Chanucá também celebra a materialidade e que os mandamentos de Purim também possuem um fundo espiritual. Com efeito, o azeite utilizado para acender as luzes da Chanuquiá representa a sabedoria, mas também constitui um alimento rico e saboroso. No que concerne a Purim, inegavelmente se trata de um dia em que se alimenta o corpo, mas a festa é antecedida por um jejum: o Jejum de Esther. Ademais, um dos quatro mandamentos dessa festa é ouvir a leitura da Meguilá, um dos livros do Tanach.

Torna-se evidente, portanto, que no judaísmo, o espiritual e o material estão entrelaçados. Chanucá enfatiza a espiritualidade, mas seus mandamentos e tradições também refletem a materialidade. Já Purim é uma festa cujos mandamentos aparentam ser de cunho materialista, mas, na realidade, contêm um fundo de espiritualidade. Isso nos ensina que tanto o corpo como a alma são sagrados e devem ser muito bem preservados. A Torá revela que a alma, o sopro Divino, é o que dá vida ao corpo, mas que sem um organismo vivo e saudável lhe é praticamente impossível desempenhar sua missão neste mundo. A Cabalá ensina que o ser humano é um microcosmo de todo o universo. Quando ele mantém paz e harmonia entre corpo e alma – quando estes se encontram em equilíbrio e agem em conjunto – unem-se os Céus e a Terra.

Neste ano deixaram este mundo dois homens que marcaram a história de nosso povo. Lutaram, de forma diferente, para garantir um futuro melhor para todos nós, judeus. O Rav Joseph Haim Sitruk zt”l, Rabino Chefe da França durante duas décadas, liderou os judeus da França e do mundo de língua francesa em direção à espiritualidade, para que a luz da Torá brilhasse cada vez mais forte. Como outros grandes líderes espirituais do Povo Judeu, o Grão Rabino Sitruk personificou o tema das luzes de Chanucá. Dizia que nós, judeus, “temos uma herança fabulosa, mas infelizmente muitos de nós não a conhecemos”. Portanto, cada judeu tem o dever de receber e transmitir o judaísmo – algo que  ele fez durante toda a sua vida.  Já Shimon Peres z”l, foi um grande estadista que, seguindo o exemplo de Mordechai e Esther, utilizou seus talentos e sua grande habilidade política para garantir a segurança e o futuro do Estado de Israel e do Povo Judeu. Peres, um dos pais do Estado de Israel, dedicou a vida para assegurar que nenhum inimigo pudesse novamente ameaçar a sobrevivência de nosso povo – para que nós, judeus, pudéssemos ter, após 2.000 anos de exílio e sofrimentos indescritíveis, um Estado Judeu – forte e seguro.


PERSONALIDADES

O Grão Rabino Joseph Haim SitruK, ZT'L

O Grão Rabino Joseph Haim SitruK, ZT'L

No dia 25 de setembro deste ano de 2016, aos 72 anos, Rav Joseph Haim Sitruk zt”l, Rabino Chefe da França durante duas décadas, deixou este mundo. Homem de reflexão e ação, dedicou a vida a servir nosso povo, lutando para a difusão do judaísmo e para que as especificidades do judaísmo fossem respeitadas pela sociedade maior: “Exijo o direito de praticar a religião judaica no seio da República Francesa!”

Edição 94 - Dezembro de 2016

PERSONALIDADES

Uma lenda: A vida de Bob Dylan

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Cantor e compositor e pioneiro da canção de protesto, Dylan é um dos maiores nomes da música do século 20. Aclamado sobretudo pelo lirismo de suas letras, tornou-se, este ano, o primeiro músico a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Suas letras e músicas são atemporais.

Edição 94 - Dezembro de 2016

PERSONALIDADES

Shimon Peres: um grande estadista

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Shimon Peres poderia traçar sua própria história em paralelo à de seu país, o Estado de Israel, ao qual dedicou sua vida e alma. Lutou incansavelmente para fortalecer a segurança militar do país e, com o mesmo ardor, para trazer a paz sempre que esta lhe parecia factível. “Quando éramos atacados, eu fui um falcão. Quando poderíamos fazer a paz, me tornei uma pomba”.

Edição 94 - Dezembro de 2016

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

Turquia: há um futuro para os judeus?

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A comunidade judaica da Turquia é uma das poucas ainda presentes em um país de maioria muçulmana. Desde a criação da República, na década de 1920, até hoje, o país tem passado por inúmeras mudanças que afetaram a vida dos judeus. A hostilidade e discriminação já existentes nas primeiras décadas da nação turca atingiram novos patamares com a subida ao poder do Partido Islâmico que governa atualmente a Turquia.

Edição 94 - Dezembro de 2016

VARIEDADES

Os primeiros sinais da era Donald Trump

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A vitória do republicano Donald Trump na eleição presidencial de novembro, após a mais corrosiva campanha da história recente dos EUA, gerou polêmicas e reações diversas na comunidade judaica norte-americana e no governo de Israel.

Edição 94 - Dezembro de 2016

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Um evento glorioso

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O ano de 2017 assinalará o 120o aniversário da realização do Primeiro Congresso Sionista Mundial, ocorrido a partir do dia 25 de agosto de 1897 na cidade de Basileia, Suíça. Este evento, um dos mais impactantes na vida judaica em todos os tempos, deveu-se à visão, talento, audácia e perseverança de um jovem, então com 37 anos, húngaro de nascimento e vienense de formação, chamado Theodor Herzl.

Edição 94 - Dezembro de 2016

LEIS, COSTUMES E TRADIÇÕES

O Dia 10 de Tevet

O Dia 10 de Tevet

O dia 10 do mês hebraico de Tevet é um dia de jejum e de luto nacional para o Povo Judeu, pois marca o início do sítio a Jerusalém pelos exércitos de Nabucodonozor, no ano de 425 A.E.C, e a subsequente destruição do Primeiro Templo Sagrado. Essa data é considerada o início da dispersão de nosso povo e de todas as provações e tragédias que se seguiram.

Edição 94 - Dezembro de 2016

ARTE E CULTURA

Um Êxodo Judaico para uma Nova Terra

Um Êxodo Judaico para uma Nova Terra

Se é que se pode dizer que um evento de tal magnitude teve um lado positivo, a Inquisição o teve para os judeus da Espanha e Portugal: o fato de empurrá-los para as Américas, onde, de modo geral, encontraram tolerância e oportunidades que lhes tinham sido negadas na Europa.

Edição 94 - Dezembro de 2016

CHANUCÁ

As Luzes de Chanucá

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Aproximadamente há 2.100 anos, a Terra de Israel estava  ocupada pelo império sírio-grego, governado por Antioco. Homem do mal, ele  emitiu uma série de decretos com o propósito de forçar o Povo Judeu a abandonar  o judaísmo e a adotar a ideologia e os rituais helenistas. Dentre seus esforços  para extirpar o judaísmo, ele declarou ilegal o estudo da Torá e o cumprimento  de vários de seus principais mandamentos. Ademais, os sírio-gregos profanaram o  Tempo Sagrado de Jerusalém com seus ídolos.

Edição 94 - Dezembro de 2016