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29 Av 5786 | 12 agosto 2026

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Curiosidades

Nem todo alimento aparentemente casher pode ser consumido sem cuidados adicionais. Frutas, legumes e grãos, por exemplo, são em geral casher, mas precisam estar livres de insetos proibidos. Já o vinho e o suco de uva estão sujeitos a leis específicas de Cashrut e necessitam de supervisão adequada.

O mesmo princípio se aplica aos alimentos industrializados. Mesmo um produto aparentemente simples pode conter ingredientes ou ter sido produzido em equipamentos que levantem questões de Cashrut. Por isso, muitos produtos precisam de certificação confiável, atestando que sua composição e seu processo de fabricação foram supervisionados de acordo com a Lei Judaica.

A Cashrut, portanto, vai muito além de distinguir entre alimentos permitidos e proibidos. Ela envolve um conjunto detalhado de leis que acompanha os alimentos em diferentes etapas, desde sua origem e produção até sua preparação e consumo, transformando o próprio ato de comer em parte da vida judaica.

Dentro dos Tefilin encontram-se quatro passagens da Torá. Elas tratam de alguns dos fundamentos do Judaísmo: o Êxodo do Egito, a transmissão da Torá às futuras gerações, a unicidade de D’us proclamada no Shemá Israel e a responsabilidade do Povo Judeu perante o Criador.

Há, porém, uma diferença surpreendente entre as duas caixas. Nos Tefilin colocados sobre o braço, as quatro passagens são escritas em um único pergaminho. Já os Tefilin da cabeça possuem quatro compartimentos separados, cada um contendo seu próprio pergaminho com uma das quatro passagens.

Dessa forma, os Tefilin unem elementos físicos e espirituais: pequenas caixas e pergaminhos confeccionados segundo regras extremamente precisas tornam-se instrumentos para cumprir uma mitsvá da Torá e fortalecer a ligação entre a pessoa e D’us.

Entre os Treze Princípios da Fé Judaica, Maimônides inclui a crença na unicidade de D’us, na origem Divina da Torá, na autenticidade da profecia, na singularidade da profecia de Moshé Rabênu, na vinda do Mashiach e na ressurreição dos mortos.

Ao longo dos séculos, esses princípios foram amplamente aceitos pelo Povo Judeu como uma das formulações mais claras e importantes da fé judaica e continuam sendo estudados até hoje.

Com o tempo, muitos judeus passaram a recitar diariamente uma versão resumida desses princípios, conhecida pelas palavras “Ani Maamin” (“Eu creio”). Assim, os ensinamentos de Maimônides passaram a ocupar um lugar de destaque na vida espiritual judaica, fortalecendo a identidade e a fé do Povo Judeu.

A Mishná relata que, em Tu b’Av, as jovens de Jerusalém vestiam roupas brancas e dançavam nos vinhedos, enquanto os rapazes solteiros buscavam entre elas suas futuras esposas. Por esse motivo, a data tornou-se tradicionalmente associada ao amor, ao casamento e à formação de lares judaicos.

Mais profundamente, Tu b’Av ensina que a resposta judaica à destruição não é o desespero, mas a reconstrução. Após o luto de Tishá b’Av, o caminho para restaurar o futuro do Povo Judeu começa pela criação de novos lares, novas famílias e pelo fortalecimento da aliança entre D’us e Seu povo.

Embora seu nome, Shemonê Esrê, signifique literalmente “dezoito”, a Amidá possui dezenove bênçãos. Originalmente eram dezoito, mas uma décima nona bênção foi acrescentada posteriormente, sem que seu nome fosse alterado.

A estrutura da Amidá segue uma ordem cuidadosamente estabelecida: as três primeiras bênçãos são dedicadas ao louvor de D’us; as treze bênçãos centrais reúnem pedidos individuais e coletivos; e as três últimas expressam gratidão e confiança na bondade Divina.

Essa organização transmite uma importante lição espiritual: antes de apresentar nossos pedidos, reconhecemos a grandeza de D’us; depois de suplicar por Suas bênçãos, encerramos a oração expressando nossa gratidão.

Ao longo da história, diversas tragédias nacionais ocorreram em Tishá b’Av. Entre elas estão a destruição do Primeiro e do Segundo Templos Sagrados de Jerusalém, a queda da cidade de Betar durante a revolta de Bar Kochba, a expulsão dos judeus da Inglaterra (1290) e da Espanha (1492), além do início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando a Alemanha declarou guerra à Rússia nessa mesma data — conflito que abriu caminho para acontecimentos que culminariam no Holocausto.

Por essa impressionante sucessão de acontecimentos, Tishá b’Av tornou-se um poderoso símbolo da memória histórica do Povo Judeu. Mais do que recordar tragédias do passado, essa data fortalece a esperança de que o sofrimento dará lugar à Redenção e de que, no futuro, os dias de jejum serão transformados em dias de alegria.

O Talmud relata que as nações do mundo perderam algo precioso com a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém, sem sequer perceberem a dimensão dessa perda, referindo-se à bênção e à proteção que os sacrifícios proporcionavam a todos os povos. Já o Midrash Rabá ensina que, se as nações conhecessem o verdadeiro valor do Templo para elas próprias, teriam construído uma fortaleza ao seu redor para protegê-lo.

Esse ensinamento revela que o Beit HaMikdash nunca foi visto apenas como um lugar de culto do Povo Judeu. Sua missão era irradiar santidade, bênção e paz para toda a humanidade. Por essa razão, a reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém é apresentada pelos Profetas como parte essencial da futura Redenção, quando todas as nações reconhecerão D’us e viverão em paz.

Segundo o Talmud, a origem de Tishá b’Av como dia de luto remonta ao episódio dos Doze Espiões (Meraglim). Após ouvirem o relatório negativo apresentado pela maioria dos espiões enviados por Moshé para explorar a Terra de Israel, os Filhos de Israel choraram, duvidando da promessa de D’us de que herdariam a Terra Prometida. Os Sábios ensinam que essa noite de choro foi, precisamente, a noite de 9 de Av.

Ao longo da história, diversas outras tragédias também ocorreram nessa data, reforçando seu significado no calendário judaico. Apesar disso, os Profetas ensinam que, na Era Messiânica, os dias de jejum serão transformados em dias de alegria e celebração. Por essa razão, mesmo em meio ao luto, Tishá b’Av também expressa a esperança na Redenção e na reconstrução do Beit HaMikdash.

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