No Judaísmo, evita-se contar pessoas diretamente por meio de números. Em vez disso, utilizam-se versículos bíblicos, palavras substitutivas ou expressões indiretas. Essa prática baseia-se na preocupação de não atrair juízo ou dano espiritual ao reduzir pessoas a uma contagem numérica. Por isso, em contextos comunitários — como ao verificar a presença de um minyan — costuma-se recitar um versículo com dez palavras, apontando para cada pessoa. Essa sensibilidade reflete a visão judaica de que cada indivíduo possui valor único e não deve ser reduzido a uma contagem impessoal.
No Judaísmo, a posição física do corpo durante a reza possui significado haláchico, mas não é absoluta. A Amidá deve ser recitada de pé, como sinal de reverência, enquanto outras partes da oração podem ser ditas sentadas. No entanto, se uma pessoa estiver doente, viajando ou em uma situação que impeça permanecer de pé com concentração, a Halachá permite rezar sentada ou até deitada, conforme a necessidade. Isso demonstra que, embora a forma externa seja importante, a prioridade é a kavaná — a atenção e a intenção do coração —, revelando que o Judaísmo preserva a dignidade da lei sem perder de vista a realidade humana.
Uma curiosidade pouco conhecida é que, na Halachá, a repetição mecânica de uma mitsvá sem atenção consciente é considerada válida, porém espiritualmente incompleta. A ação correta cumpre a obrigação legal, mas o ideal é que seja acompanhada de kavaná — intenção e consciência. Por isso, muitos textos haláchicos e éticos enfatizam a preparação mental antes de rezar, estudar ou cumprir uma mitsvá. Essa distinção revela que o Judaísmo valoriza não apenas a observância formal da lei, mas também o envolvimento interior, entendendo que a plenitude espiritual surge da união entre a ação correta e a intenção consciente.
Uma curiosidade pouco conhecida é que, segundo a Halachá, pensar em palavras de Torá possui valor espiritual mesmo sem pronunciá-las. Embora o estudo ideal envolva a verbalização — pois isso aprofunda a compreensão, a memorização e o envolvimento intelectual —, o simples pensamento direcionado à Torá já constitui uma forma autêntica de conexão com o Divino. Assim, uma pessoa impossibilitada de falar, ou que esteja em um local onde não possa estudar em voz alta, ainda assim alcança um nível real de Talmud Torá ao refletir sobre conceitos, versículos ou ensinamentos. Essa perspectiva ressalta que, no Judaísmo, a santidade não depende apenas da ação externa, mas também da intenção e da atividade interior da mente.
O oitavo dia de Chanucá, Zot Chanucá, é visto como o momento de encerramento espiritual da festa e, segundo muitos Sábios, um dia especialmente propício à benevolência Divina. Por essa razão, várias comunidades têm o costume de aumentar a tsedacá especificamente nesse dia.
A base desse costume aparece em ensinamentos que comparam Zot Chanucá ao fechamento dos Dias de Julgamento iniciados em Rosh Hashaná. Assim como o serviço espiritual de Elul e Tishrei se “sela” em Hoshaná Rabá, a luz acumulada durante Chanucá é “selada” em Zot Chanucá. Nesse contexto, dar tsedacá — considerada uma das ações mais poderosas para trazer proteção e mérito — tem significado especial.
Além disso, a própria essência de Chanucá gira em torno da luz que cresce e se difunde. A tsedacá torna essa luz algo tangível no mundo físico: ela ajuda quem precisa, desperta compaixão e amplia a bondade.
Por isso, muitas pessoas têm o hábito de dar uma quantia adicional de tsedacá em Zot Chanucá, perpetuando a mensagem central da festa: cada ato de bondade acrescenta luz que perdura durante todo o ano.
Embora o milagre do azeite seja o mais lembrado, a tradição judaica ensina que o milagre militar também é central em Chanucá. A oração Al Hanissim, recitada durante os oito dias, destaca que o Eterno entregou “os fortes nas mãos dos fracos, os muitos nas mãos dos poucos” — descrevendo a vitória surpreendente dos Macabeus sobre o poderoso Império Selêucida.
Os selêucidas possuíam um exército profissional, armamento avançado e domínio militar sobre grande parte do Oriente Médio. Os Macabeus, por outro lado, eram um pequeno grupo de Cohanim e combatentes voluntários, movidos por fé e determinação, lutando pela sobrevivência espiritual do Povo Judeu.
A vitória militar permitiu a purificação do Templo e o retorno do serviço sagrado — tornando possível, posteriormente, o milagre do azeite. Por isso, Chanucá celebra dois milagres interligados: o triunfo improvável na guerra e a luz que ardeu além do natural.
Essa dupla celebração ensina que a salvação Divina pode se manifestar tanto por meio de acontecimentos espirituais quanto através de eventos no mundo físico — lembrando que a providência atua em todas as dimensões da existência.
O tradicional dreidel (sevivon, em hebraico) é um pião de quatro lados usado pelas crianças durante Chanucá. Em cada lado há uma letra hebraica: נ (nun), ג (gimel), ה (hei) e ש (shin), iniciais da frase Nês Gadôl Hayá Shám — “Um grande milagre ocorreu lá”.
Em Israel, o último lado traz a letra פ (pei), formando Nês Gadôl Hayá Pô — “Um grande milagre ocorreu aqui”.
A origem desse costume remonta ao período da opressão selêucida. Quando o estudo da Torá foi proibido, crianças do Povo Judeu usavam piões como artifício para despistar os soldados que faziam rondas; se fossem surpreendidas, rapidamente escondiam os textos sagrados e fingiam estar apenas brincando.
Com o tempo, o dreidel tornou-se um símbolo de perseverança espiritual e de fidelidade à Torá mesmo sob perseguição — lembrando que, assim como no passado, a educação e o estudo permanecem o coração do Povo Judeu.
A Halachá estabelece que a Chanukiá deve ser colocada à esquerda da porta de entrada, enquanto a mezuzá permanece à direita. Dessa forma, quem entra em casa fica simbolicamente “cercado por mitsvot”, indicando que a luz da Torá envolve e protege o lar.
Tradicionalmente, o local ideal é junto à porta que dá para a rua, para cumprir o princípio de divulgar o milagre. Em muitas comunidades da diáspora, no entanto, tornou-se comum colocá-la perto de uma janela, sobretudo em apartamentos ou casas onde a porta não é visível do exterior.
Ambas as práticas são corretas de acordo com a Halachá. O essencial é que as luzes de Chanucá sejam visíveis para quem está fora, sempre que possível. Quando isso não for viável — por segurança, condições climáticas ou estrutura do lar — também é permitido acender dentro da casa, em um local digno e apropriado.
Essa tradição transmite uma mensagem profunda:
a luz espiritual deve iluminar o interior do lar — mas, sempre que possível, também brilhar além dele, levando esperança e inspiração ao mundo.
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Acendimento das velas