A noite do sétimo dia de Pessach é considerada um momento de especial proteção e elevado potencial espiritual. Assim como naquela noite o Povo de Israel foi protegido em meio ao perigo, essa mesma energia espiritual se renova a cada ano.
Por isso, há o costume, em muitas comunidades, de dedicar essa noite ao estudo da Torá, permanecendo acordado por várias horas — ou até durante toda a noite — como forma de se conectar com essa força espiritual.
Assim, essa data não é apenas uma lembrança histórica, mas uma oportunidade de vivenciar novamente um momento de milagre, proteção e fortalecimento da fé, que acompanha o Povo de Israel ao longo das gerações.
Durante Pessach, a proibição do chametz é tão rigorosa que não é permitido nem mesmo obter qualquer benefício dele.
Isso significa que não se pode, por exemplo, alimentar um animal com chametz, vendê-lo durante a festa ou utilizá-lo de qualquer forma que traga benefício.
Esse nível de rigor é incomum em comparação com outras leis alimentares do Judaísmo e destaca a singularidade de Pessach. A eliminação completa do chametz — tanto no consumo quanto na posse e no uso — reforça a importância espiritual desse período, marcado pela libertação e pela renovação interior.
Durante o Seder, há um momento chamado Yachatz, no qual a matsá do meio é quebrada em duas partes. A parte maior é reservada como afikoman, que será consumido no final da refeição.
O afikoman deve ser o último alimento ingerido na noite do Seder, de modo que seu sabor permaneça ao final da refeição. Após ele, não se come mais nada — apenas se continuam as etapas do Seder, incluindo a terceira e a quarta taças de vinho.
Dessa forma, a matsá permanece como a lembrança final da refeição, enquanto o Seder prossegue com as bênçãos, cânticos e a conclusão da narrativa da redenção.
O chametz pode ser vendido antes de Pessach por meio de um procedimento formal conhecido como venda do chametz (mechirat chametz). Nessa venda, o chametz é transferido legalmente para um não judeu durante o período da festa.
Essa prática permite que a pessoa não viole a proibição de possuir chametz, especialmente quando se trata de grandes quantidades ou de itens de valor. Após Pessach, o chametz pode ser readquirido.
O nome “Shabat HaGadol” está ligado a um evento ocorrido antes da saída do Egito, quando os Filhos de Israel separaram um cordeiro para o sacrifício de Pessach — um ato de grande coragem, já que esse animal era considerado sagrado pelos egípcios. Esse gesto ocorreu em um Shabat. Segundo a tradição, quando os egípcios perceberam o que estava acontecendo e compreenderam o propósito daquele ato, não conseguiram impedir os judeus, o que foi visto como um grande milagre. Por essa razão, o Shabat que antecede Pessach passou a ser chamado de “o grande Shabat”, marcando o início ativo do processo de redenção.
Durante o Seder, há a obrigação de reclinar-se para a esquerda ao beber o vinho e ao comer a matsá, como expressão de liberdade. Esse gesto era, na antiguidade, um sinal de status, pois pessoas livres se apoiavam de maneira relaxada durante as refeições, enquanto escravos permaneciam em posição rígida.
Ao adotar essa postura, cada participante expressa fisicamente a ideia central de Pessach: a passagem da escravidão para a liberdade. Assim, até a forma de sentar-se à mesa se torna parte da vivência simbólica e educativa da noite.
Durante o Seder de Pessach, cada participante é orientado a ver a si mesmo como se estivesse saindo do Egito. Esse princípio não é apenas simbólico, mas parte central da experiência da noite. Por isso, o Seder é estruturado com perguntas, respostas, explicações e alimentos simbólicos, criando uma vivência educativa e envolvente. A transmissão da história não ocorre apenas como relato do passado, mas como uma experiência pessoal, garantindo que cada geração se conecte diretamente com o significado da liberdade.
Antes de Pessach, há um cuidado especial não apenas em não consumir chametz, mas também em eliminá-lo completamente de casa. Esse processo inclui limpeza minuciosa, verificação detalhada (bedikat chametz) e a remoção total de qualquer traço de fermento.
Esse rigor não se aplica da mesma forma a outras proibições alimentares ao longo do ano. Em Pessach, a presença de chametz é totalmente evitada, refletindo não apenas uma lei alimentar, mas também um simbolismo profundo: a remoção do fermento representa a eliminação do orgulho e da arrogância, preparando a pessoa para vivenciar a liberdade de forma mais elevada e consciente.
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