Os Sábios ensinam que o Shabat é chamado de me’ein Olam Habá — “uma amostra do Mundo Vindouro”. Durante esse dia, procura-se deixar de lado as preocupações materiais para vivenciar uma atmosfera de paz, alegria e elevação espiritual.
O Talmud também ensina que, ao entrar o Shabat, a pessoa recebe uma neshamá yeterá (“alma adicional”), isto é, um acréscimo de sensibilidade espiritual que lhe permite vivenciar mais intensamente a santidade do dia. Por isso, o Shabat não representa apenas uma pausa no trabalho, mas uma oportunidade de fortalecer a ligação com D’us, dedicar mais tempo à família, ao estudo da Torá e às mitsvot e renovar as forças espirituais.
Os Sábios ensinam que, embora Bein Hametzarim seja um período de luto, ele também carrega uma mensagem de esperança. O profeta Zecharia anuncia que, no futuro, os dias de jejum relacionados à destruição de Jerusalém serão transformados em dias de alegria e celebração para o Povo Judeu (Zecharia 8:19).
Por essa razão, o luto observado durante as Três Semanas não expressa desespero, mas sim a convicção de que a destruição não é definitiva. Ao recordar a perda do Beit HaMikdash e orar por sua reconstrução, o Povo Judeu reafirma sua esperança na Redenção e na restauração plena de Jerusalém.
Maimônides ensina que os jejuns públicos foram instituídos para despertar os corações para a teshuvá — o retorno a D’us — e levar cada pessoa a refletir sobre suas ações.
Por isso, 17 de Tamuz não é visto apenas como um dia de luto. O jejum convida cada pessoa a fortalecer sua ligação com D’us e a contribuir para a renovação espiritual que, segundo os Sábios, antecederá a reconstrução do Beit HaMikdash.
Assim, um dia marcado pelo luto transforma-se também em uma oportunidade de aproximação de D’us, crescimento espiritual e esperança na Redenção futura.
Segundo o Talmud, aquele que recita o trecho “Vayechulu” na noite de Shabat é considerado como se tivesse se tornado parceiro de D’us na Criação do mundo.
Essa afirmação baseia-se no fato de que, ao proclamar que D’us criou os Céus e a Terra em seis dias e descansou no sétimo, a pessoa presta testemunho de uma das verdades fundamentais do Judaísmo. Por essa razão, costuma-se permanecer de pé durante a recitação de “Vayechulu“, à semelhança de testemunhas que prestam depoimento. Esse ensinamento destaca que o Kidush não é apenas uma bênção antes da refeição, mas uma declaração pública da fé na Criação e na santidade do Shabat.
Embora a Amidá seja conhecida como Shemonê Esrê — expressão hebraica que significa “dezoito” —, a oração contém atualmente dezenove bênçãos nos dias de semana.
Durante o período de Rabban Gamliel II, em Yavneh, foi acrescentada a Birkat HaMinim, bênção composta por Shmuel HaKatan a pedido de Rabban Gamliel. Ela foi instituída para pedir proteção ao Povo Judeu contra aqueles que procuravam afastá-lo da Torá e perseguir a vida judaica.
Mesmo após essa inclusão, o nome tradicional Shemonê Esrê foi preservado, preservando também uma designação consagrada pela tradição judaica ao longo das gerações.
Os dias 12 e 13 de Tamuz são conhecidos em Chabad-Lubavitch como os Dias da Libertação (Yemei HaGeulá), pois representam duas etapas de um mesmo acontecimento: o anúncio oficial da libertação do Rebe Anterior e sua saída efetiva da prisão.
Após sua libertação, o Rebe declarou que essa redenção não dizia respeito apenas à sua pessoa, mas a todo o Povo Judeu e a todos aqueles que fortalecem o estudo da Torá e o cumprimento das mitsvot.
Por isso, muitas comunidades dedicam esses dias ao estudo da Torá, à realização de farbrenguens (encontros chassídicos) e ao fortalecimento da vida judaica, celebrando não apenas um acontecimento histórico, mas também o triunfo da fé e da liberdade religiosa sobre a perseguição.
Após sua libertação, Rabi Yosef Yitzhak Schneerson — o Rebe Anterior — declarou que a redenção do 12 de Tamuz não dizia respeito apenas a ele, mas a todo o Povo Judeu.
Essa mensagem transformou a data em um símbolo de esperança e renovação espiritual. Nas comunidades de Chabad-Lubavitch, é costume estudar seus ensinamentos, realizar encontros especiais e refletir sobre a importância de preservar e transmitir a vida judaica às futuras gerações.
Assim, o 12 de Tamuz é lembrado como uma celebração da perseverança do Judaísmo diante das adversidades e da força da fé para superar a perseguição.
Um dos Treze Princípios da Fé Judaica, sistematizados por Maimônides (Rambam), afirma que a Torá entregue por D’us a Moshé Rabênu é eterna e jamais será substituída por outra.
Por essa razão, o Judaísmo ensina que nenhum profeta ou líder religioso tem autoridade para alterar ou revogar os mandamentos da Torá. Decretos rabínicos podem ser instituídos para proteger e fortalecer sua observância, mas não para modificar seus preceitos nem para substituir a Torá em si.
Esse princípio revela por que a continuidade da Torá ocupa um lugar tão central na vida judaica — e por que sua transmissão fiel de geração em geração é considerada uma responsabilidade sagrada.
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