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*Tradução: Google Translate

5 Heshvan 5787 | 16 outubro 2026

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Curiosidades

Segundo os ensinamentos da Cabalá, a última Minchá do ano possui um significado espiritual singular. Enquanto o sol se põe e Rosh Hashaná se aproxima, o mundo entra, simbolicamente, em um estado de “sonolência”, como se a vitalidade do ano que termina estivesse chegando ao fim.

Com a entrada de Rosh Hashaná, inicia-se gradualmente um novo despertar. Esse processo alcança um momento especialmente significativo na manhã seguinte, com os toques do Shofar, que representam também o despertar do universo para um novo ciclo.

Assim, a última oração do ano e as primeiras horas de Rosh Hashaná marcam uma passagem espiritual entre dois períodos: o encerramento da vitalidade do ano que termina e o despertar para a renovação do ano que começa.

A Amidá de Mussaf de Rosh Hashaná possui uma estrutura que não encontramos nas orações comuns do restante do ano. Sua parte central é organizada em torno de três grandes temas: Malchuyot — Realeza, Zichronot — Recordações, e Shofarot — Shofar.

Em Malchuyot, proclamamos D’us como Rei do Universo. Em Zichronot, evocamos a aliança eterna entre D’us e o Povo Judeu. Já Shofarot recorda momentos fundamentais associados ao Shofar: sua presença na Revelação Divina no Monte Sinai e o Grande Shofar que, segundo os Profetas, anunciará a futura Redenção. Assim, a oração de Mussaf nos conduz por três dimensões fundamentais de Rosh Hashaná: reconhecer a Realeza Divina, reafirmar a ligação entre D’us e Seu povo e conectar o presente aos grandes momentos da história espiritual do Povo Judeu — do Sinai à futura Redenção.

Muito antes de se tornar um dos símbolos mais conhecidos de Rosh Hashaná, o Shofar já acompanhava alguns dos momentos mais importantes da história do Povo Judeu.

A Torá menciona seu som na Revelação Divina no Monte Sinai, quando o Povo Judeu recebeu a Torá. Mais tarde, o Shofar esteve associado à conquista de Jericó e, no antigo Israel, era utilizado em diferentes ocasiões: para anunciar acontecimentos públicos, alertar sobre perigos, convocar para a guerra e acompanhar momentos solenes.

Também era tocado em determinadas ocasiões relacionadas ao serviço no Templo Sagrado e tinha um papel especial no Yovel, o Ano do Jubileu. Assim, o mesmo som que ouvimos em Rosh Hashaná atravessa milhares de anos de história judaica, estando associado à Revelação Divina, à vida nacional do Povo Judeu e à esperança de Redenção.

Embora tanto o açúcar quanto o mel sejam doces, eles podem representar duas formas diferentes de doçura em Rosh Hashaná. O açúcar simboliza uma bondade que se apresenta claramente como positiva desde o início. O mel, por sua vez, é produzido por abelhas, cujo ferrão pode causar dor, e por isso simboliza uma bênção que inicialmente pode estar oculta em uma experiência difícil.

Essa ideia é associada ao episódio bíblico de Sansão, que encontrou um enxame de abelhas e mel dentro do corpo do leão que havia matado. Dessa experiência surgiu sua famosa charada: “Do comedor saiu comida e do forte saiu doçura”. A imagem transmite a possibilidade de que algo doce possa emergir até mesmo de uma situação adversa. Por isso, o mel pode representar em Rosh Hashaná um pedido particularmente profundo: que até aquilo que inicialmente pareça difícil possa revelar-se uma fonte de bondade e bênção.

Segundo a Cabalá e o Chassidismo, Rosh Hashaná não representa apenas o começo de um novo ano, mas uma renovação da própria vitalidade da Criação. Os ensinamentos do Arizal, posteriormente desenvolvidos por Mestres Chassídicos, explicam que a vitalidade Divina que sustenta o mundo é renovada nessa data.

Por meio das orações, da Teshuvá e, especialmente, da mitsvá de ouvir o Shofar, o Povo Judeu coroa D’us como Rei e participa espiritualmente dessa renovação.

Assim, Rosh Hashaná é entendido não apenas como o aniversário da criação de Adam e Chavah, mas como um momento em que o vínculo entre o Criador e toda a Criação é renovado para o ano que se inicia.

Segundo a Cabalá, existem diferentes ciclos de renovação espiritual do mundo. Há uma renovação diária, associada ao ciclo do nascer e do pôr do sol; uma renovação mensal, marcada pelo surgimento da lua nova em Rosh Chodesh; e uma renovação anual, em Rosh Hashaná.

Mas a renovação de Rosh Hashaná é considerada diferente das demais. Os ciclos dos dias e dos meses podem ser comparados a batimentos cardíacos: cada um é distinto, mas todos fazem parte de um movimento contínuo. Em Rosh Hashaná, porém, a renovação ocorre em um nível mais profundo, como se um ciclo inteiro chegasse ao fim para que uma realidade nova pudesse começar.

Essa concepção ajuda a explicar por que Rosh Hashaná significa literalmente “cabeça do ano”, e não simplesmente “primeiro dia do ano”. Assim como a cabeça orienta o restante do corpo, Rosh Hashaná estabelece espiritualmente a direção do período que está começando.

No Judaísmo, a oração é chamada de “serviço do coração”. Após a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém, as preces passaram a ocupar o lugar central que antes cabia ao serviço realizado no Templo, especialmente às oferendas.

Por isso, a sinagoga é chamada pelos Sábios de Mikdash Me’at — um “pequeno Santuário”. Ao rezar, não recitamos apenas palavras: realizamos uma forma de Avodá, o serviço Divino que, em outros tempos, era desempenhado pelos Cohanim no Templo. Essa ideia atribui uma dimensão especial às orações diárias. Mesmo sem o Templo Sagrado, cada pessoa pode transformar a própria oração em um ato de serviço a D’us e fazer de sua ligação com Ele uma parte concreta da vida cotidiana.

Ao término de Yom Kipur, fazemos Havdalá, como ocorre na saída do Shabat. Há, porém, uma diferença interessante: não recitamos a bênção sobre os aromas, os bessamim.

A Havdalá marca o encerramento de Yom Kipur e a passagem do período sagrado para os dias comuns. A ausência da bênção dos bessamim é uma das particularidades que distinguem essa Havdalá daquela que normalmente realizamos ao término do Shabat.

Assim, até mesmo os últimos momentos de Yom Kipur possuem leis próprias. Depois de um dia dedicado ao jejum, à oração e à Teshuvá, a Havdalá assinala formalmente seu encerramento e nosso retorno à rotina cotidiana.

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