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5 Av 5786 | 19 julho 2026

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Por que o Shabat antes de Tishá b’Av é chamado de Shabat Chazon?

O Shabat que antecede Tishá b'Av é chamado de Shabat Chazon ("Shabat da Visão") porque, nesse dia, é lida na sinagoga a Haftará que começa com as palavras "Chazon Yeshayahu" ("A visão de Isaías"). Nessa profecia, Isaías adverte o Povo de Israel sobre suas falhas espirituais, mas a leitura termina com uma mensagem de esperança: o anúncio de que Jerusalém será redimida.

Por isso, esse Shabat ocupa um lugar único no calendário judaico. Embora anteceda o dia mais triste do ano, sua mensagem não é apenas de luto. Ela também transmite esperança, lembrando que a destruição dos dois Templos Sagrados não representa o fim da história do Povo Judeu, mas faz parte de um processo que culminará na Redenção.

Assim, o Shabat Chazon convida cada pessoa a refletir sobre suas atitudes e, ao mesmo tempo, fortalecer a confiança de que Jerusalém e o Beit HaMikdash serão plenamente restaurados no futuro.

Por que o Rei David não construiu o Templo de Jerusalém?

Embora tenha sido o responsável por conquistar Jerusalém e transformá-la na capital do Povo Judeu, o Rei David não foi escolhido para construir o Beit HaMikdash, o Templo Sagrado. Os Profetas relatam que D'us reservou essa missão a seu filho, o Rei Salomão.

Segundo a tradição judaica, o Templo simboliza a paz entre D'us e a humanidade. Como David havia travado numerosas guerras — ainda que todas em defesa do Povo Judeu e por ordem Divina —, D'us determinou que a construção de Sua Casa fosse realizada por Shlomo (Salomão), cujo nome deriva da palavra hebraica shalom ("paz").

Isso não diminuiu a importância de David HaMelech. Pelo contrário: ele reuniu os materiais para a construção do Templo, preparou seus planos e recebeu orientação profética sobre o local onde ele seria erguido. Assim, embora não tenha construído o Templo com suas próprias mãos, foi ele quem lançou as bases para sua edificação.

O que era o Mishkan, o Tabernáculo?

O Mishkan (Tabernáculo) foi o primeiro santuário construído pelo Povo Judeu para o serviço de D'us. Erguido no deserto após o Recebimento da Torá no Monte Sinai, era uma estrutura portátil que acompanhava os Filhos de Israel durante suas jornadas até a Terra de Israel. Somente séculos mais tarde, o Mishkan seria substituído pelo Beit HaMikdash, o Templo de Jerusalém.

O Mishkan foi construído de acordo com instruções detalhadas transmitidas por D'us a Moshé Rabenu. Cada um de seus utensílios, materiais e medidas possuía uma finalidade específica. A Torá dedica quatro parashiotTerumá, Tetsavê, Vaiak'hel e Pekudei — à descrição de sua construção, demonstrando a importância desse santuário na vida espiritual do Povo Judeu.

Mais do que um local de culto, o Mishkan simbolizava a presença de D'us entre o Povo Judeu e ensinava que a santidade pode manifestar-se também no mundo material quando este é colocado a serviço do Criador.

Como a Torá identifica os animais casher?

A Torá estabelece critérios claros para identificar quais animais terrestres são casher. Para que um animal possa ser consumido, ele precisa reunir simultaneamente duas características: ser ruminante e possuir os cascos completamente fendidos. Se apresentar apenas uma dessas características — ou nenhuma delas —, o animal não é casher.

A vaca, a ovelha e a cabra, por exemplo, atendem aos dois critérios e, por isso, são casher. Já o camelo rumina, mas não tem os cascos completamente fendidos; o porco, por sua vez, tem os cascos fendidos, mas não rumina. Por essa razão, ambos são proibidos para consumo segundo a Torá.

Esses critérios mostram que a cashrut não se baseia na aparência do animal nem em considerações de higiene ou saúde, mas em mandamentos estabelecidos por D'us na Torá — leis que, desde os tempos de Moshé Rabênu, orientam a alimentação do Povo Judeu.

Por que o Kidush menciona a Criação do mundo e o Êxodo do Egito?

O texto do Kidush da noite de Shabat recorda dois acontecimentos fundamentais da história judaica: a Criação do mundo e o Êxodo do Egito. À primeira vista, esses dois temas parecem não ter relação entre si, mas ambos expressam princípios centrais da fé judaica.

Ao recordar a Criação, o Kidush proclama que D'us é o Criador dos Céus e da Terra e que o Shabat é um testemunho permanente desse fato. Ao mencionar o Êxodo do Egito, recorda que o mesmo D'us que criou o Universo continua governando Sua Criação, conduz a História e exerce Sua Providência sobre o mundo e sobre o Povo Judeu. Assim, cada vez que o Kidush é recitado, a pessoa reafirma dois dos fundamentos do Judaísmo: que D'us criou o mundo e continua presente, guiando Sua Criação e acompanhando a humanidade.

Por que o Terceiro Templo é tão importante no Judaísmo?

O Judaísmo ensina que o Terceiro Templo (Beit HaMikdash) será reconstruído na era da Redenção e jamais será destruído. Sua reconstrução representa uma das maiores esperanças do Povo Judeu e é mencionada diariamente nas orações, especialmente na Amidá, em que se pede o restabelecimento de Jerusalém e da Casa de D'us.

O Templo não era apenas um local de oração. Era o centro espiritual do mundo, onde a Shechiná — a Presença Divina — manifestava-se de forma mais intensa e de onde emanavam bênçãos para toda a humanidade. Além disso, mais de 180 das 613 mitsvot da Torá estão diretamente ligadas à existência do Beit HaMikdash e, por isso, não podem ser plenamente cumpridas enquanto ele não for reconstruído.

Assim, a reconstrução do Terceiro Templo simboliza muito mais do que a restauração de um edifício. Ela representa a renovação da ligação entre D'us e a humanidade, o pleno cumprimento da Torá e o início da era da Redenção, caracterizada pela paz e pelo conhecimento de D'us.

Por que o Kotel – o Muro Ocidental – é o lugar mais sagrado para oração?

O Muro Ocidental (Kotel HaMaaravi) é o mais sagrado remanescente do Monte do Templo (Har HaBayit), em Jerusalém, onde se erguia o Beit HaMikdash, o Templo Sagrado. Ele não fazia parte do Templo propriamente dito, mas sim do muro de sustentação construído pelo Rei Herodes, no século I a.E.C., para expandir e sustentar a grande explanada sobre a qual o Templo estava edificado. Das quatro muralhas que sustentavam essa explanada, o Muro Ocidental é a única que permanece, em grande parte, desde o período do Segundo Templo.

Desde a destruição do Segundo Templo, no ano 70 E.C., o Muro Ocidental tornou-se o local de oração mais importante e visitado do Judaísmo.

Segundo os Sábios, a Shechiná — a Presença Divina que habitava o Templo — jamais se afastou do Muro Ocidental. Por isso, ao longo de quase dois mil anos de exílio, judeus de todas as partes do mundo dirigiram-se ao Kotel para rezar, agradecer a D'us e pedir pela reconstrução do Beit HaMikdash.

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