O que significa um alimento ser casher?
A palavra hebraica casher significa "apto" ou "adequado". Aplicada à alimentação, ela indica que determinado alimento é apropriado para consumo de acordo com as leis da Cashrut, estabelecidas pela Torá e detalhadas pela tradição da Lei Judaica.
Não basta, porém, que um alimento pertença a uma espécie permitida. No caso dos animais terrestres, por exemplo, a Torá determina que sejam ruminantes e tenham os cascos fendidos; já os peixes precisam possuir barbatanas e escamas. Além disso, a Cashrut estabelece regras sobre o abate dos animais, a retirada do sangue, a separação entre carne e leite e diversos outros aspectos da preparação e do consumo dos alimentos.
Assim, dizer que um alimento é casher significa que ele atende aos requisitos da Halachá aplicáveis à sua origem, composição e preparação. As leis da Cashrut mostram, dessa forma, como até uma atividade cotidiana como a alimentação pode ser vivida de acordo com a vontade de D'us.
Por que os judeus colocam Tefilin?
A colocação dos Tefilin é uma mitsvá ordenada pela Torá e mencionada, entre outras passagens, no próprio Shemá Israel. Os Tefilin são formados por duas pequenas caixas de couro que contêm pergaminhos com quatro passagens da Torá. Uma é colocada sobre o braço, direcionada ao coração, e a outra sobre a cabeça, acima da testa.
Segundo nossos Sábios, essa disposição possui um profundo significado: os Tefilin da cabeça estão associados ao intelecto, enquanto os do braço, colocados em direção ao coração, estão ligados às emoções. As tiras que se estendem pelo braço e pela mão simbolizam também a passagem dos pensamentos e sentimentos para a ação. Ao colocar os Tefilin, a pessoa expressa o desejo de dedicar sua mente, seu coração e suas ações ao serviço de D'us.
Assim, colocar Tefilin não é apenas cumprir um mandamento da Torá. É também estabelecer diariamente um vínculo espiritual com D'us, procurando direcionar os pensamentos, sentimentos e ações à Sua vontade.
Qual é o princípio mais fundamental da Fé Judaica?
Segundo Maimônides (Rambam), o fundamento de toda a fé judaica é a crença em D'us como o Criador de todas as coisas. Em seus Treze Princípios da Fé Judaica, ele ensina que D'us criou o Universo, o governa e continua a sustentá-lo a cada instante.
Para Maimônides, essa crença é a base sobre a qual repousam todos os demais princípios da fé. Segundo o Judaísmo, D'us não apenas deu origem ao mundo, mas é também a fonte permanente de sua existência: tudo o que existe depende continuamente de Sua vontade para continuar existindo.
Por essa razão, a crença em D'us é considerada o alicerce sobre o qual se sustentam todos os demais ensinamentos da Torá.
Por que Tu b’Av é um dos dias mais felizes do calendário judaico?
O Talmud ensina que o Povo Judeu nunca conheceu dias mais felizes do que Yom Kipur e Tu b'Av, o 15º dia do mês de Menachem Av. Embora Tu b'Av não seja uma festividade bíblica nem rabínica, essa data passou a simbolizar a renovação, a esperança e a reconstrução após o luto de Tishá b'Av, o dia mais triste do calendário judaico.
Apenas seis dias depois do jejum de Tishá b'Av, o calendário judaico nos conduz ao seu dia mais alegre. Essa passagem do luto para a alegria expressa um dos ensinamentos mais profundos do Judaísmo: os períodos de maior escuridão são seguidos por renovação, reconstrução e Redenção.
Por que a Amidá é considerada a oração mais importante do Judaísmo?
O Talmud refere-se à Amidá (Shemonê Esrê) simplesmente como "a Oração" (Tefilá), por considerá-la o ponto culminante de todas as preces judaicas. É por meio dela que a pessoa louva a D'us, apresenta seus pedidos e encerra a oração com palavras de agradecimento.
Recitada de pé — razão pela qual também é chamada de Amidá, palavra que significa literalmente "em pé" —, essa oração foi composta pelos Homens da Grande Assembleia, grupo que incluía profetas entre seus membros. Nossos Sábios ensinam que cada uma de suas palavras encerra profundo significado e poder espiritual.
Por isso, a Amidá ocupa o centro das orações diárias e é considerada um dos momentos mais solenes da liturgia judaica.
Por que Tishá b’Av é um jejum de mais de 24 horas?
Além de Yom Kipur, Tishá b'Av é o único jejum do calendário judaico que dura mais de 24 horas. Assim como em Yom Kipur, o jejum começa no pôr do sol (shekiá — o mesmo momento em que o Shabat se inicia às sextas-feiras) e termina apenas no anoitecer do dia seguinte.
Nesse período, não é permitido apenas comer e beber, mas também tomar banho ou lavar-se por prazer, ungir-se com óleos ou cremes, usar calçados de couro e manter relações conjugais. Em Tishá b'Av, também é restringido o estudo da Torá, sendo permitido apenas o estudo de textos relacionados ao luto, como o Livro de Eichá (Lamentações), o Livro de Jó e passagens talmúdicas sobre a destruição de Jerusalém.
Essas restrições expressam o profundo luto pela destruição dos dois Templos Sagrados de Jerusalém e pelas consequências espirituais e históricas de sua perda. Assim, Tishá b'Av é vivido como um dia de reflexão, arrependimento e esperança na futura Redenção.
O Templo Sagrado beneficiava apenas o Povo Judeu?
Não. Embora o Beit HaMikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém, fosse o centro da vida espiritual do Povo Judeu, sua influência se estendia a toda a humanidade.
Durante a festa de Sucot, eram oferecidos no Templo 70 touros, correspondentes às 70 nações do mundo mencionadas na Torá. Nossos Sábios ensinam que esses sacrifícios eram oferecidos como fonte de bênção, expiação e proteção para todos os povos do mundo.
Por isso, a destruição do Templo Sagrado não representou uma perda apenas para Israel. Segundo o Judaísmo, toda a humanidade foi privada de uma importante fonte de paz, bênção e proximidade com D'us.
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