O massacre de 7 de outubro de 2023 e a guerra que se seguiu representaram um divisor de águas para o Estado de Israel e o Povo Judeu. Seria natural esperar que o mundo demonstrasse solidariedade a Israel após o ataque terrorista mais letal de sua história e o maior massacre de judeus desde a 2a Guerra Mundial. Em vez disso, o que se viu foi uma explosão de antissemitismo em muitas cidades do mundo ocidental, antes mesmo que Israel lançasse sua resposta militar contra o Hamas e iniciasse os esforços para resgatar os reféns levados para Gaza. Por toda parte, protestos e manifestações eclodiram contra Israel justificando, celebrando ou buscando racionalizar o brutal ataque e seus responsáveis.
O que, a princípio, parecia apenas uma onda momentânea de ódio contra Israel revelou o ressurgimento de um antissemitismo em níveis não vistos desde o fim da 2a Guerra Mundial. Nas décadas que se seguiram ao Holocausto, acreditava-se que o antissemitismo violento havia sido relegado ao passado e se tornado socialmente inaceitável nas sociedades democráticas. O 7 de outubro e tudo o que se seguiu destruíram essa ilusão.
Segundo a Anti-Defamation League (ADL), os incidentes antissemitas nos Estados Unidos aumentaram 361% nos três meses após o início da guerra. Uma pesquisa dessa mesma instituição, de 2025, revelou que 1/3 dos judeus americanos foi vítima de episódios de antissemitismo ao longo do ano anterior, enquanto mais da metade deles passou a ocultar sua identidade judaica por medo. Esse fenômeno não se limita aos Estados Unidos. No Canadá, os judeus representam cerca de 1% da população, mas são alvo de 72% dos crimes de ódio registrados no país. Na França – que abriga uma das maiores comunidades judaicas do mundo – sucessivas ondas de violento antissemitismo abalaram profundamente a vida comunitária judaica. No Reino Unido, uma série de ataques antissemitas igualmente gerou temor e insegurança entre os judeus do país. E esses não foram os únicos países onde o antissemitismo se manifestou abertamente.
Fica claro, portanto, que o Holocausto não erradicou o antissemitismo, apenas o desacreditou temporariamente. O mais alarmante é o alcance e a velocidade com que voltou a emergir – como se estivesse latente por décadas, aguardando apenas um catalisador que o tornasse novamente aceitável.
Igualmente revelador foi o colapso da ideia de que antissionismo e antissemitismo sejam fenômenos distintos. Essa alegação tornou-se insustentável após os acontecimentos que se seguiram ao 7 de outubro: muitos dos que protestavam contra Israel tinham como alvo pessoas judias – e não cidadãos israelenses. Organizações terroristas que defendem a destruição de Israel passaram, em certos círculos, a ser tratadas como movimentos legítimos de “resistência”. Temas clássicos do antissemitismo – teorias conspiratórias, demonização e atribuição de culpa coletiva aos judeus – ressurgiram de pronto sob a roupagem do antissionismo.
A história jamais se repete exatamente igual: o mundo de hoje não é a Europa dos anos 1930. Ainda assim, a experiência histórica judaica emite sinais de alerta. O antissemitismo raramente começa com violência aberta, mas com retórica, falsas narrativas, legitimação intelectual do ódio e o silêncio – ou a indiferença – da sociedade. E frequentemente ultrapassa a retórica e se transforma em violência.
Mas a História Judaica não é apenas feita de perseguição; é também uma história de resiliência, continuidade e fé. Testemunhamos a mais intensa onda de antissemitismo desde a 2a Guerra Mundial, mas não estamos nos anos 1930. O Povo Judeu possui agora um Estado soberano e forte, capaz de defender seus cidadãos e servir de refúgio para judeus de todo o mundo. Diferentemente das gerações passadas, nós, judeus, já não somos indefesos.
Mas devemos, sim, buscar forças na extraordinária perseverança das gerações que sobreviveram a formas de ódio muito mais intensas do que as atuais, preservando, ao longo dos milênios, nossa aliança com D’us, com a Torá e com nossa identidade judaica. O ressurgimento do antissemitismo lembra que o ódio mais antigo da história não desapareceu. Mas serve, também, como confirmação da importância da unidade judaica e do papel central do Estado de Israel na vida de nós, judeus do mundo todo. A explosão de antissemitismo que hoje testemunhamos reforça a necessidade de termos um país forte e independente em nossa pátria ancestral e de permanecermos unidos.
Os inimigos do Povo Judeu, ao longo da história, repetidamente previram nosso desaparecimento. A própria história já lhes deu a resposta, confirmando a promessa Divina de que o Povo de Israel é uma nação eterna.
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