Por que Rosh Hashaná é um dia de julgamento e também de alegria?
Rosh Hashaná é chamado de Yom HaDin — o Dia do Julgamento — porque, segundo o Talmud, D'us julga nesse período o mundo e todos os seus habitantes. Ainda assim, a data não é vivida como um dia de tristeza ou desespero. Pelo contrário: vestimos roupas festivas, realizamos refeições especiais e celebramos a santidade do dia.
Essa aparente contradição expressa uma ideia fundamental do Judaísmo. Em Rosh Hashaná, a pessoa se coloca diante de D'us com profunda reverência, consciente da importância do julgamento, mas também com confiança em Sua bondade e misericórdia. Por isso, a atmosfera do dia combina solenidade e alegria.
Rosh Hashaná é também o aniversário da criação da humanidade e o momento em que, simbolicamente, proclamamos D'us como Rei do Universo. Assim, a solenidade do julgamento não elimina a alegria: ambas se unem na consciência do privilégio de estar diante do Rei dos reis e de iniciar um novo ano confiando em Sua bondade e misericórdia.
O que realmente significa fazer Teshuvá?
A palavra hebraica Teshuvá costuma ser traduzida como “arrependimento”, mas seu significado literal é “retorno”. No Judaísmo, fazer Teshuvá não significa apenas lamentar os erros cometidos ou decidir cumprir mais mitsvot. Significa retornar a D'us, à Torá, à própria herança espiritual e à dimensão mais pura da alma.
Esse conceito ganha importância especial durante os Dez Dias de Teshuvá, que começam em Rosh Hashaná e terminam ao final de Yom Kipur. Esses dias constituem um período particularmente propício para refletir sobre nossas ações, aproximar-nos de D'us e tomar boas decisões para o novo ano.
A Teshuvá, portanto, não se concentra apenas no passado e naquilo que fizemos de errado. Ela também olha para o futuro: é um processo de crescimento e reconexão com aquilo que há de mais elevado em cada pessoa. Como D'us é Infinito, a Teshuvá não possui um ponto final — mesmo as pessoas mais justas e espiritualmente elevadas podem continuar avançando em direção a Ele.
Por que comemos romã nos jantares de Rosh Hashaná?
A romã é um dos alimentos mais conhecidos de Rosh Hashaná. Ao comê-la, pedimos a D'us que nossos méritos e nossas mitsvot sejam numerosos como as sementes dessa fruta. A romã tornou-se, assim, um símbolo de abundância espiritual e do desejo de iniciar o novo ano acumulando boas ações.
Esse simbolismo possui raízes profundas na tradição judaica. A romã é uma das Shivat HaMinim — as Sete Espécies pelas quais a Terra de Israel é especialmente louvada — e o Talmud utiliza essa fruta como símbolo da abundância de mitsvot. Nossos Sábios chegam a ensinar que mesmo aqueles que parecem espiritualmente "vazios" entre o Povo Judeu estão repletos de mitsvot como uma romã é repleta de sementes.
Por isso, ao comer romã em Rosh Hashaná, não pedimos apenas um ano de prosperidade material. Expressamos também o desejo de que o novo ano seja espiritualmente fértil, repleto de oportunidades para cumprir mitsvot, praticar boas ações e aproximar-nos de D'us.
Por que comemos alimentos simbólicos em Rosh Hashaná?
Comer alimentos simbólicos em Rosh Hashaná não é apenas uma tradição folclórica nem uma superstição. Trata-se de uma prática mencionada pelo Talmud e codificada no Shulchan Aruch, o Código de Lei Judaica. Nas refeições festivas, diferentes alimentos são acompanhados por pequenas preces, conhecidas como Yehi Ratzon, nas quais expressamos nossos pedidos e esperanças para o ano que se inicia.
Segundo o sábio medieval Rabi Menachem Meiri, um dos propósitos desses alimentos é direcionar nossos pensamentos para os temas essenciais de Rosh Hashaná: oração, arrependimento e a decisão de praticar boas ações. Dessa forma, aquilo que comemos torna-se um lembrete concreto das bênçãos espirituais e materiais que desejamos para o novo ano.
Assim, quando comemos maçã com mel, romã e outros alimentos simbólicos, não atribuímos poder mágico a esses alimentos. Eles fazem parte de um ritual destinado a despertar a reflexão, a oração e a confiança em D'us no início de um novo ano.
Por que o Kidush é recitado sobre uma taça de vinho?
O Kidush da noite de Shabat cumpre o mandamento da Torá de “lembrar” e santificar o Shabat. Essa santificação, porém, não é expressa apenas por meio de palavras: tradicionalmente, o Kidush é recitado sobre uma taça de vinho casher — ou de suco de uva casher —, unindo a declaração verbal a um ato concreto.
Essa prática reflete um princípio importante do Judaísmo: os mandamentos da Torá têm o propósito de santificar o mundo, unindo o material ao espiritual. Por isso, uma bebida física torna-se parte do cumprimento de uma mitsvá e da santificação do Shabat. O vinho possui ainda uma ligação especial com o serviço Divino, pois era utilizado nas libações oferecidas no Mishkan e, posteriormente, no Beit HaMikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém.
Assim, ao recitar o Kidush sobre o vinho, a pessoa não apenas proclama a santidade do Shabat: transforma um elemento do mundo material em instrumento para cumprir a vontade de D'us.
O que significa um alimento ser casher?
A palavra hebraica casher significa "apto" ou "adequado". Aplicada à alimentação, ela indica que determinado alimento é apropriado para consumo de acordo com as leis da Cashrut, estabelecidas pela Torá e detalhadas pela tradição da Lei Judaica.
Não basta, porém, que um alimento pertença a uma espécie permitida. No caso dos animais terrestres, por exemplo, a Torá determina que sejam ruminantes e tenham os cascos fendidos; já os peixes precisam possuir barbatanas e escamas. Além disso, a Cashrut estabelece regras sobre o abate dos animais, a retirada do sangue, a separação entre carne e leite e diversos outros aspectos da preparação e do consumo dos alimentos.
Assim, dizer que um alimento é casher significa que ele atende aos requisitos da Halachá aplicáveis à sua origem, composição e preparação. As leis da Cashrut mostram, dessa forma, como até uma atividade cotidiana como a alimentação pode ser vivida de acordo com a vontade de D'us.
Por que os judeus colocam Tefilin?
A colocação dos Tefilin é uma mitsvá ordenada pela Torá e mencionada, entre outras passagens, no próprio Shemá Israel. Os Tefilin são formados por duas pequenas caixas de couro que contêm pergaminhos com quatro passagens da Torá. Uma é colocada sobre o braço, direcionada ao coração, e a outra sobre a cabeça, acima da testa.
Segundo nossos Sábios, essa disposição possui um profundo significado: os Tefilin da cabeça estão associados ao intelecto, enquanto os do braço, colocados em direção ao coração, estão ligados às emoções. As tiras que se estendem pelo braço e pela mão simbolizam também a passagem dos pensamentos e sentimentos para a ação. Ao colocar os Tefilin, a pessoa expressa o desejo de dedicar sua mente, seu coração e suas ações ao serviço de D'us.
Assim, colocar Tefilin não é apenas cumprir um mandamento da Torá. É também estabelecer diariamente um vínculo espiritual com D'us, procurando direcionar os pensamentos, sentimentos e ações à Sua vontade.
Mensagem enviada!
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Acendimento das velas