O mês de Elul é tradicionalmente visto como um tempo de proximidade com D’us, e por isso muitos têm o costume de intensificar os atos de tzedaká. O Alter Rebe ensina no Tanya que a caridade possui um poder especial de atrair bênçãos materiais e espirituais, sendo considerada “equivalente a todas as mitzvot”. Em Elul, essa prática ganha ainda mais significado, pois simboliza a preparação para um novo ano em que buscamos não apenas receber bênçãos, mas também sermos canais de bondade e generosidade para o próximo.
Uma tradição de Elul é verificar regularmente os tefilin e as mezuzot da casa, assegurando que estejam casher e em bom estado. Esse costume simboliza que, assim como buscamos corrigir e fortalecer nosso interior, também cuidamos dos objetos sagrados que nos conectam a D’us no dia a dia. A inspeção dos tefilin e das mezuzot em Elul é considerada uma forma prática de teshuvá, lembrando que o retorno a D’us envolve tanto o coração quanto ações concretas.
A proximidade de Rosh Hashaná em Elul é marcada também pelo costume de escrever cartas e mensagens de bênção, desejando uns aos outros: “Ketivá vechatimá tová” — que sejamos inscritos e selados para um bom ano. Essa prática reforça a dimensão comunitária e afetiva de Elul, lembrando que não apenas nos aproximamos de D’us individualmente, mas também como Povo. Ao desejar o bem ao próximo, cada judeu participa da construção de um novo ano repleto de paz, saúde e bênçãos.
Na tradição judaica, Elul também é lembrado como o mês em que Moshe Rabenu permaneceu no Monte Sinai durante quarenta dias, até Yom Kipur, quando trouxe as segundas Tábuas da Lei. Esse período histórico de perdão Divino se repete a cada ano, transformando Elul em um tempo de misericórdia especial. Por isso, é costume intensificar as boas ações, o estudo da Torá e as preces nesse mês, aproveitando a oportunidade única de renovar a ligação pessoal e coletiva com D’us antes do início de um novo ano.
Uma das práticas do mês de Elul é recitar o Salmo 27. Esse salmo fala da confiança em D’us e, em muitas comunidades, é recitado diariamente desde o início de Elul até Hoshaná Rabá, no final de Sucot. O Salmo 27 expressa a certeza de que, mesmo diante de julgamentos e desafios, D’us protege e guia o Seu povo.
O Alter Rebe, fundador do movimento Chabad-Lubavitch, comparou o mês de Elul ao momento em que “o Rei está no campo”. Assim como um rei que deixa seu palácio e se aproxima do povo com acolhimento e bondade, em Elul, D’us Se aproxima de cada pessoa com amor especial. Essa metáfora ensina que, nesse mês, cada um de nós pode se voltar a D’us com maior facilidade e sinceridade, aproveitando essa proximidade para fortalecer sua ligação espiritual antes do julgamento de Rosh Hashaná.
Em Elul, é costume tocar o shofar diariamente (exceto em Shabat e na véspera de Rosh Hashaná). Esse costume remonta a Moshe Rabenu, que subiu ao Monte Sinai neste mês para receber as segundas Tábuas da Lei. O som do shofar desperta o coração do Povo Judeu para a teshuvá, lembrando que Elul é um mês de misericórdia e perdão Divino. Além disso, desde o início de Elul até Yom Kipur, é costume recitar o Salmo 27 (L’David Hashem Ori), que fala da confiança em D’us e de Sua proteção, reforçando a atmosfera de espiritualidade e preparação para os Yamim Noraim (Dias Temíveis).
O estudo da Torá não termina na compreensão — ele deve levar à prática. O Talmud registra um debate: o que é maior, estudar ou agir? A conclusão foi: “O estudo é maior, porque leva à ação.” O aprendizado da Torá refina o intelecto, eleva o coração e orienta a conduta. O estudo sem prática é incompleto. Por isso, a educação judaica enfatiza tanto o conhecimento quanto a ação: aprender as leis e aplicá-las na vida cotidiana — nas bênçãos, na honestidade, na bondade, na prece e no respeito ao próximo.
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Acendimento das velas