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14 Sivan 5786 | 30 maio 2026

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Curiosidades

Judeus não podem comer ou possuir chametz durante Pessach. Não podemos nem alimentar animais com chametz durante os oito dias desta festa judaica. Num lar judaico, mesmo os animais de estimação só podem comer alimentos que sejam casher para Pessach.

A mitzvá da prece não se limita aos serviços formais ou ao ambiente da sinagoga. De acordo com o Rambam (Maimônides), a Torá ordena que todo judeu clame a D’us em momentos de necessidade (Hilchot Tefilá 1:1). Mais tarde, os Sábios instituíram rezas fixas para o dia a dia, mas a essência da prece continua sendo a comunicação pessoal e sincera com o Criador. Seja em hebraico ou em qualquer outro idioma, rezar é um ato íntimo de fé, dependência e conexão com Aquele que criou o universo.

No Monte Sinai, o Povo Judeu declarou: “Na’assê venishmá” — “Faremos e ouviremos”. O Talmud elogia essa atitude como a mais elevada expressão de fé e amor, pois o povo aceitou os mandamentos de D’us antes mesmo de saber quais eram. Esse compromisso incondicional tornou-se o alicerce da relação do Povo Judeu com a Torá e é celebrado todos os anos na festa de Shavuot, quando renovamos a aceitação da Torá com a mesma devoção e alegria.

A Cabalá ensina que a Torá possui uma alma — assim como um ser humano. Por isso, o estudo da Torá pode transformar tão profundamente uma pessoa: é uma alma se conectando à alma Divina presente na Torá. O Alter Rebe (Rabbi Shneur Zalman de Liadi), fundador do movimento Chabad-Lubavitch, ensinava que, ao estudar a Torá, a pessoa une seu intelecto à vontade e à sabedoria de D’us de um modo que nenhuma outra mitzvá proporciona. Essa conexão é absoluta — a mente humana torna-se um receptáculo para o Infinito.

É notável que o nome de Moshe Rabenu esteja ausente de toda a porção da Torá chamada Tetzavê — a única parashá, desde o seu nascimento, em que não é mencionado. Os comentaristas explicam que, ao suplicar ao Todo-Poderoso que perdoasse o Povo Judeu após o pecado do Bezerro de Ouro, Moshe declarou: “Apaga-me do Teu livro” caso D’us não os perdoasse. Embora D’us tenha concedido o perdão, suas palavras se concretizaram, ainda que simbolicamente, com a omissão de seu nome dessa parashá. Esse fato revela a humildade e a devoção de um verdadeiro líder judeu — alguém disposto a abrir mão até mesmo do reconhecimento eterno pelo bem de seu povo.

Neste Shabat, 15 do mês de Menachem Av (Tu B’Av), o calendário judaico assinala uma das datas mais festivas do ano. No período do Templo Sagrado, as jovens de Israel vestiam-se de branco e dançavam nos vinhedos, para que jovens solteiros pudessem encontrá-las e formar novos lares em santidade. O Talmud ensina que não havia dias tão alegres para o Povo Judeu quanto Yom Kipur e Tu B’Av — ambos ligados à renovação espiritual e à união de almas destinadas.

Antes da leitura pública da Torá na sinagoga, a pessoa que recebe a aliyá recita bênçãos que louvam D’us por “nos ter escolhido dentre todas as nações e nos dado a Sua Torá.” Essa declaração não expressa superioridade, mas sim uma responsabilidade sagrada. A Torá é um legado Divino confiado ao Povo Judeu para promover a elevação e o aperfeiçoamento do mundo. Essa bênção nos recorda que o estudo da Torá vai muito além de um exercício intelectual — trata-se de um ato espiritual de gratidão, conexão e aceitação de uma missão sagrada.

A Torá é muito mais do que um sistema legal ou moral. Segundo os escritos cabalísticos, ela é uma “vestimenta” de D’us — um meio pelo qual Ele Se revela no mundo. O Baal Shem Tov ensinava que cada palavra da Torá contém uma vitalidade divina, e que estudá-la é como dialogar com o próprio D’us. No pensamento chassídico, a Torá é comparada à luz: ela dissipa a escuridão espiritual, desfaz a confusão interior e guia a alma rumo à verdade e à proximidade com o Divino.

O estudo da Torá não é reservado apenas a rabinos ou estudiosos. Em Pirkei Avot, o sábio Hillel ensina: “Uma pessoa ignorante não pode ser verdadeiramente piedosa.” Todo judeu é incentivado a estudar Torá diariamente — mesmo que apenas algumas linhas. O Alter Rebe ensinava que já se cumpre a mitsvá do estudo da Torá ao aprender uma única halachá pela manhã e outra à noite. A Torá é singular: embora infinitamente profunda, até mesmo um momento de estudo sincero é capaz de conectar a alma à eternidade.

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