Por que os judeus rezam voltados para Jerusalém?
Os judeus em todo o mundo dirigem suas orações na direção de Jerusalém. Essa prática baseia-se no ensinamento de que o Beit HaMikdash era o centro espiritual do mundo e o local escolhido por D'us para que Sua Presença se manifestasse de forma mais intensa.
O Rei Salomão, ao inaugurar o Primeiro Templo, pediu que D'us ouvisse as preces dirigidas àquele lugar. Com base nos ensinamentos do Talmud, a Halachá estabelece que, sempre que possível, a pessoa deve orientar-se durante a oração da Amidá da seguinte forma: quem está fora da Terra de Israel volta-se em direção à Terra de Israel; quem está em Israel, em direção a Jerusalém; quem está em Jerusalém, em direção ao Monte do Templo; e quem está no Monte do Templo, em direção ao local onde ficava o Kodesh HaKodashim (Santo dos Santos).
Assim, voltar-se para Jerusalém durante a oração não é apenas uma questão de orientação geográfica, mas uma forma de expressar a unidade do Povo Judeu e sua ligação permanente com o lugar mais sagrado do Judaísmo.
Qual é o dia mais sagrado do Judaísmo?
Muitas pessoas acreditam que Yom Kipur é o dia mais sagrado do Judaísmo. No entanto, segundo a Halachá, o Shabat possui a mais elevada santidade entre os dias do calendário judaico. Sua santidade não depende da proclamação do Beit Din nem da santificação do calendário, pois foi estabelecida pelo próprio D'us desde a Criação do mundo.
A Torá apresenta o Shabat como um sinal eterno entre D'us e o Povo Judeu, recordando que o Criador fez os Céus e a Terra em seis dias e santificou o sétimo. Por essa razão, todas as semanas o Shabat retorna com a mesma santidade, convidando cada pessoa a interromper suas atividades cotidianas, dedicar-se à oração, ao estudo da Torá e à convivência familiar.
Mais do que um dia de descanso, o Shabat representa um encontro semanal com a santidade. Ele fortalece a ligação entre o Povo Judeu e D'us e recorda que toda a Criação tem sua origem no Criador.
O que significa a expressão “Bein Hametzarim”?
Bein Hametzarim — expressão hebraica que significa literalmente "entre os estreitos" — é o nome dado ao período de três semanas que vai de 17 de Tamuz a Tishá b'Av. O termo foi extraído do Livro de Eichá (Lamentações 1:3), tradicionalmente atribuído ao profeta Yirmiyahu, que descreve a angústia do Povo Judeu no contexto da destruição de Jerusalém.
Durante esse período, o Povo Judeu recorda a destruição do Primeiro e do Segundo Beit HaMikdash (Templo Sagrado) e outras tragédias de sua história. À medida que Tishá b'Av se aproxima, as práticas de luto tornam-se gradualmente mais intensas, refletindo a crescente solenidade desses dias.
Assim, Bein Hametzarim não representa apenas a lembrança de acontecimentos passados, mas também um período dedicado à introspecção, ao fortalecimento espiritual e à esperança pela reconstrução do Beit HaMikdash.
Por que se jejua em 17 de Tamuz?
O jejum de 17 de Tamuz marca o início de Bein Hametzarim, o período de três semanas de luto que culmina em Tishá b'Av. Em 17 de Tamuz, jejuamos do amanhecer ao anoitecer para recordar acontecimentos trágicos da história do Povo Judeu e despertar para a autorreflexão e o arrependimento.
Segundo o Talmud, cinco acontecimentos trágicos ocorreram em 17 de Tamuz, entre eles a quebra das Tábuas da Lei por Moshé, após o episódio do Bezerro de Ouro, e o rompimento das muralhas de Jerusalém, que antecedeu a destruição do Segundo Templo Sagrado.
Mais do que recordar acontecimentos do passado, o jejum convida cada pessoa à introspecção, ao fortalecimento do compromisso com a Torá e as mitsvot e à esperança pela futura Redenção e reconstrução do Beit HaMikdash.
O que é a oração da Amidá?
A Amidá, também conhecida como Shemonê Esrê, é considerada a principal oração da liturgia judaica e o ponto central das orações diárias. Seu nome, Amidá, significa "posição em pé", pois essa oração é recitada de pé, com reverência diante de D'us.
Instituída pelos Homens da Grande Assembleia durante o período do Segundo Templo, a Amidá reúne louvores, pedidos e agradecimentos dirigidos a D'us. Nos dias de semana, ela é recitada três vezes ao dia: em Shacharit, Minchá e Maariv. No Shabat, em Yom Tov e em Rosh Chodesh, acrescenta-se a oração de Mussaf, e em Yom Kipur recita-se também a Neilá.
Mais do que uma sequência de bênçãos, a Amidá representa o momento central da oração judaica, quando cada judeu se coloca diante de D'us para expressar louvor, suas necessidades pessoais e coletivas e sua gratidão a D'us.
Por que o dia 13 de Tamuz é celebrado em Chabad-Lubavitch?
Este domingo é 13 de Tamuz, data que marca a libertação efetiva de Rabi Yosef Yitzhak Schneersohn, o Rebe Anterior, da prisão soviética. Embora a notícia oficial de sua libertação tenha sido anunciada em 12 de Tamuz, foi apenas no dia seguinte que ele deixou a prisão e recuperou sua liberdade.
O Rebe havia sido preso por sua intensa atuação em prol da preservação do Judaísmo na então União Soviética. Inicialmente condenado à morte, sua sentença foi sucessivamente comutada até que sua libertação fosse finalmente decretada. Esse episódio tornou-se um símbolo da vitória da fé e da vida judaica sobre a perseguição religiosa.
Por que o dia 12 de Tamuz é celebrado em Chabad-Lubavitch?
Este Shabat coincide com o dia 12 de Tamuz, uma data marcante na história do movimento Chabad-Lubavitch.
Nesse dia, em 1927, o Rebe Anterior — Rabi Yosef Yitzhak Schneerson — recebeu a notícia oficial de sua libertação pelo regime soviético, após ter sido preso por sua atuação em defesa do Judaísmo. Sua saída efetiva ocorreu no dia seguinte, 13 de Tamuz.
Sua prisão e posterior libertação tornaram-se um símbolo de resistência espiritual diante da perseguição religiosa. Por isso, o 12 de Tamuz é celebrado como uma ocasião de gratidão a D’us e de renovação do compromisso com o estudo da Torá e o cumprimento das mitsvot.
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