Rosh Hashaná é diferente das demais grandes festas judaicas. Em outras festividades, como Pessach ou Sucot, as comunidades da Diáspora observam um dia adicional de Yom Tov — costume adotado na Antiguidade, quando o início de cada mês era determinado em Jerusalém após o testemunho de pessoas que haviam avistado a lua nova. Como essas festas começam no meio do mês, havia tempo para que a notícia sobre o início do novo mês fosse conhecida em Israel, mas nem sempre para que chegasse às comunidades mais distantes, que passaram a observar um dia adicional por precaução.
Rosh Hashaná, porém, começa no primeiro dia de Tishrei — exatamente o dia em que o novo mês era declarado. No início desse dia, ainda não se sabia se as testemunhas chegariam a tempo para que aquele próprio dia fosse declarado Rosh Chodesh. Essa incerteza podia existir até mesmo em Jerusalém. Por isso, Rosh Hashaná passou a ser observado durante dois dias também em Israel. Esse costume permaneceu até hoje, mesmo após a fixação do calendário judaico.
Segundo ensinamentos cabalísticos e chassídicos, os dois dias não são apenas consequência dessa antiga incerteza relacionada ao calendário: eles também expressam dimensões espirituais distintas e complementares da festividade, formando um único processo de renovação.