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19 Elul 5786 | 01 setembro 2026

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Setembro 2026
Ed. 132

Carta do leitor

ANO XXXIII
N. 132
Setembro 2026
CARTA AO LEITOR: ANO XXXIII N.132 Setembro 2026

No anoitecer deste 11 de setembro, inicia-se o mês judaico de Tishrei, repleto de festividades: os dois dias de Rosh HashanáYom Kipur, os sete dias de Sucot e, por fim, Shemini Atseret e Simchat Torá. Cada uma destas tem temas e propósitos próprios, mas todas são inseparáveis da Terra de Israel, Eretz Israel, bem como de Jerusalém e do Templo Sagrado.

Rosh Hashaná ilustra essa ligação de forma clara. Sua mitsvá central, o toque do shofar, remete ao episódio em que Avraham levou seu filho Itzhak para ser sacrificado no Monte Moriá – futuro local do Templo Sagrado. As preces de Rosh Hashaná evocam o retorno do Povo Judeu à Terra de Israel, bem como à reconstrução de Jerusalém e do Templo Sagrado.

Uma das partes centrais da liturgia de Yom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico, relembra o serviço do Cohen Gadol, culminando com sua entrada no Kodesh HaKodashim, o recinto mais sagrado do Templo.

Sucot também está ligada à Terra de Israel: o mandamento de habitar a sucá evoca a proteção Divina que acompanhou os Filhos de Israel pelo deserto até a Terra Prometida. O fato de todas as festividades do mês de Tishrei estarem ligadas à Eretz Israel evidencia o lugar central que a Terra de Israel ocupa no Judaísmo. Embora o Povo Judeu tenha sobrevivido – e, em muitos períodos, prosperado – na Diáspora por quase dois mil anos, a vida no exílio nunca substituiu a ligação do povo com sua terra ancestral, e o período foi marcado por tragédias, cujo capítulo mais sombrio foi o Holocausto.

Há mais de dois mil anos, os judeus rezam diariamente pelo retorno à Terra de Israel. Essas preces permanecem no centro da liturgia judaica. Onde quer que tenham vivido, os judeus sempre se voltaram em oração para Jerusalém.

Afirmar que a Terra de Israel ocupa um lugar central no Judaísmo é, portanto, reconhecer uma verdade incontestável – um fato histórico.

Ainda assim, essa verdade precisa ser reiterada, pois uma das manifestações mais persistentes do antissemitismo contemporâneo é a tentativa de dissociar o Judaísmo do Estado de Israel, apresentando a ligação do Povo Judeu com a sua terra como uma “invenção política” recente.

Essa narrativa ignora uma realidade fundamental: milênios antes da criação do moderno Estado de Israel, o Povo Judeu já vivia em Eretz Israel, sua pátria ancestral. Mesmo durante o exílio, esse vínculo permaneceu no centro das preces e da vida religiosa judaica. Um vínculo que não se mede em décadas ou séculos, mas em milênios.

O retorno do Povo Judeu à Eretz Israell foi muito mais do que a culminação de um movimento político ou da busca pela autodeterminação nacional. Foi o retorno de um povo milenar à sua pátria ancestral após quase dois mil anos de exílio. Trata-se de uma das mais extraordinárias histórias da humanidade: a de um povo originário que recuperou sua terra ancestral, ao mesmo tempo em que reviveu sua antiga língua e restaurou sua vida nacional.

Em um momento de crescente antissemitismo e tentativas de distorcer a história do Povo Judeu, como o que estamos vivenciando, uma de nossas maiores responsabilidades é preservar e transmitir essa verdade. Não por acaso, Rosh Hashaná nos ensina que o futuro só pode ser construído quando preservamos a memória do passado. Embora seja conhecido como o Ano Novo Judaico, um de seus nomes mais antigos na tradição é Yom HaZikaron – o Dia da Lembrança. Não iniciamos um novo ano nos esquecendo do que veio antes. Ao contrário, a Torá descreve o toque do shofar como zichron teruá – uma recordação que desperta nossa memória e reafirma quem somos, de onde viemos e o legado que recebemos. Antes de projetarmos o futuro, somos convidados a recordar o passado.

O toque do shofar nos lembra que o futuro não se constrói sobre o esquecimento, mas sobre a memória. Levamos conosco nossa história, nossa fé e nossos valores para escrever o próximo capítulo de nossa existência como povo.

Que o Novo Ano seja bom e doce, repleto de paz para Israel e para todo o mundo.

Shaná Tová Umetucá!

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