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14 Sivan 5786 | 30 maio 2026

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Curiosidades

Judeus não podem comer ou possuir chametz durante Pessach. Não podemos nem alimentar animais com chametz durante os oito dias desta festa judaica. Num lar judaico, mesmo os animais de estimação só podem comer alimentos que sejam casher para Pessach.

O oitavo dia de Chanucá, Zot Chanucá, é visto como o momento de encerramento espiritual da festa e, segundo muitos Sábios, um dia especialmente propício à benevolência Divina. Por essa razão, várias comunidades têm o costume de aumentar a tsedacá especificamente nesse dia.

A base desse costume aparece em ensinamentos que comparam Zot Chanucá ao fechamento dos Dias de Julgamento iniciados em Rosh Hashaná. Assim como o serviço espiritual de Elul e Tishrei se “sela” em Hoshaná Rabá, a luz acumulada durante Chanucá é “selada” em Zot Chanucá. Nesse contexto, dar tsedacá — considerada uma das ações mais poderosas para trazer proteção e mérito — tem significado especial.

Além disso, a própria essência de Chanucá gira em torno da luz que cresce e se difunde. A tsedacá torna essa luz algo tangível no mundo físico: ela ajuda quem precisa, desperta compaixão e amplia a bondade.

Por isso, muitas pessoas têm o hábito de dar uma quantia adicional de tsedacá em Zot Chanucá, perpetuando a mensagem central da festa: cada ato de bondade acrescenta luz que perdura durante todo o ano.

Embora o milagre do azeite seja o mais lembrado, a tradição judaica ensina que o milagre militar também é central em Chanucá. A oração Al Hanissim, recitada durante os oito dias, destaca que o Eterno entregou “os fortes nas mãos dos fracos, os muitos nas mãos dos poucos” — descrevendo a vitória surpreendente dos Macabeus sobre o poderoso Império Selêucida.

Os selêucidas possuíam um exército profissional, armamento avançado e domínio militar sobre grande parte do Oriente Médio. Os Macabeus, por outro lado, eram um pequeno grupo de Cohanim e combatentes voluntários, movidos por fé e determinação, lutando pela sobrevivência espiritual do Povo Judeu.

A vitória militar permitiu a purificação do Templo e o retorno do serviço sagrado — tornando possível, posteriormente, o milagre do azeite. Por isso, Chanucá celebra dois milagres interligados: o triunfo improvável na guerra e a luz que ardeu além do natural.

Essa dupla celebração ensina que a salvação Divina pode se manifestar tanto por meio de acontecimentos espirituais quanto através de eventos no mundo físico — lembrando que a providência atua em todas as dimensões da existência.

O tradicional dreidel (sevivon, em hebraico) é um pião de quatro lados usado pelas crianças durante Chanucá. Em cada lado há uma letra hebraica: נ (nun), ג (gimel), ה (hei) e ש (shin), iniciais da frase Nês Gadôl Hayá Shám — “Um grande milagre ocorreu lá”.

Em Israel, o último lado traz a letra פ (pei), formando Nês Gadôl Hayá Pô — “Um grande milagre ocorreu aqui”.

A origem desse costume remonta ao período da opressão selêucida. Quando o estudo da Torá foi proibido, crianças do Povo Judeu usavam piões como artifício para despistar os soldados que faziam rondas; se fossem surpreendidas, rapidamente escondiam os textos sagrados e fingiam estar apenas brincando.

Com o tempo, o dreidel tornou-se um símbolo de perseverança espiritual e de fidelidade à Torá mesmo sob perseguição — lembrando que, assim como no passado, a educação e o estudo permanecem o coração do Povo Judeu.

A Halachá estabelece que a Chanukiá deve ser colocada à esquerda da porta de entrada, enquanto a mezuzá permanece à direita. Dessa forma, quem entra em casa fica simbolicamente “cercado por mitsvot”, indicando que a luz da Torá envolve e protege o lar.

Tradicionalmente, o local ideal é junto à porta que dá para a rua, para cumprir o princípio de divulgar o milagre. Em muitas comunidades da diáspora, no entanto, tornou-se comum colocá-la perto de uma janela, sobretudo em apartamentos ou casas onde a porta não é visível do exterior.

Ambas as práticas são corretas de acordo com a Halachá. O essencial é que as luzes de Chanucá sejam visíveis para quem está fora, sempre que possível. Quando isso não for viável — por segurança, condições climáticas ou estrutura do lar — também é permitido acender dentro da casa, em um local digno e apropriado.

Essa tradição transmite uma mensagem profunda:
a luz espiritual deve iluminar o interior do lar — mas, sempre que possível, também brilhar além dele, levando esperança e inspiração ao mundo.

Por Que Acendemos a Chanukiá Perto de Janelas ou Portas?

A Halachá determina que as luzes de Chanucá devem ser acesas em um local visível, de preferência próximo a uma janela ou à porta que dá para a rua. O objetivo é cumprir a mitsvá de publicar o milagre.

Diferentemente de muitos rituais que são internos e reservados, o acendimento das luzes de Chanucá tem um propósito explicitamente público: proclamar abertamente a continuidade e a fidelidade do Povo Judeu à Torá, mesmo após séculos de perseguições.

Essa prática transmite uma mensagem universal: a luz espiritual não deve permanecer oculta. Chanucá ensina que cada pessoa carrega uma “pequena chama”, e que, quando compartilhada com o mundo, essa luz tem poder real de afastar grandes escuridões.

Na Havdalá, além do vinho, utilizam-se besamim — um conjunto aromático de ervas ou especiarias. O motivo desse costume é mencionado no Talmud: durante o Shabat, a pessoa recebe uma neshamá yeterá, uma “alma adicional” que amplia sua sensibilidade espiritual e seu descanso interior.

Ao término do Shabat, essa alma suplementar se retira, causando uma sensação espiritual de perda. O aroma dos besamim foi instituído justamente para revigorar e reconfortar o espírito, suavizando essa transição entre a santidade do Shabat e a rotina semanal.

Ao chamar alguém para uma aliá na leitura da Torá, utiliza-se o nome hebraico da pessoa seguido do nome de seu pai — por exemplo, Yaacov ben Itzchak. Essa prática reforça a continuidade espiritual entre as gerações e expressa a transmissão da identidade dentro do Povo Judeu.

O Midrash relata que um dos méritos que mantiveram o Povo Judeu digno da redenção no Egito foi o fato de que não abandonaram seus nomes hebraicos tradicionais. Mesmo cercados por pressões de assimilação, preservaram seus nomes — e, com eles, sua identidade espiritual.

Assim, o nome hebraico continua sendo uma herança sagrada: um vínculo vivo entre a pessoa, seus antepassados e D’us, que a acompanha em toda a sua jornada espiritual.

Os Sábios ensinam que, quando o Povo Judeu atravessou o Mar Vermelho, o mar se abriu em doze caminhos distintos, um para cada tribo. Essa tradição, registrada no Midrash Tehilim, simboliza que, embora exista uma única Torá e um destino comum, cada tribo — e cada indivíduo — percorre seu próprio caminho espiritual dentro do plano Divino.

O Talmud acrescenta que o mérito que levou ao milagre foi a própria determinação do povo: somente quando Nachshon ben Aminadav entrou nas águas com fé absoluta o mar finalmente se abriu. Esse episódio ensina que o milagre muitas vezes se manifesta apenas depois do primeiro passo — aquele movido por coragem, confiança e devoção.

Assim, a travessia do Mar Vermelho não é apenas um evento histórico, mas um modelo espiritual: D’us abre os mares da vida, mas cabe à pessoa avançar com fé, iniciando o caminho que leva à redenção e à proteção Divina.

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