O oitavo dia de Chanucá, Zot Chanucá, é visto como o momento de encerramento espiritual da festa e, segundo muitos Sábios, um dia especialmente propício à benevolência Divina. Por essa razão, várias comunidades têm o costume de aumentar a tsedacá especificamente nesse dia.
A base desse costume aparece em ensinamentos que comparam Zot Chanucá ao fechamento dos Dias de Julgamento iniciados em Rosh Hashaná. Assim como o serviço espiritual de Elul e Tishrei se “sela” em Hoshaná Rabá, a luz acumulada durante Chanucá é “selada” em Zot Chanucá. Nesse contexto, dar tsedacá — considerada uma das ações mais poderosas para trazer proteção e mérito — tem significado especial.
Além disso, a própria essência de Chanucá gira em torno da luz que cresce e se difunde. A tsedacá torna essa luz algo tangível no mundo físico: ela ajuda quem precisa, desperta compaixão e amplia a bondade.
Por isso, muitas pessoas têm o hábito de dar uma quantia adicional de tsedacá em Zot Chanucá, perpetuando a mensagem central da festa: cada ato de bondade acrescenta luz que perdura durante todo o ano.
Embora o milagre do azeite seja o mais lembrado, a tradição judaica ensina que o milagre militar também é central em Chanucá. A oração Al Hanissim, recitada durante os oito dias, destaca que o Eterno entregou “os fortes nas mãos dos fracos, os muitos nas mãos dos poucos” — descrevendo a vitória surpreendente dos Macabeus sobre o poderoso Império Selêucida.
Os selêucidas possuíam um exército profissional, armamento avançado e domínio militar sobre grande parte do Oriente Médio. Os Macabeus, por outro lado, eram um pequeno grupo de Cohanim e combatentes voluntários, movidos por fé e determinação, lutando pela sobrevivência espiritual do Povo Judeu.
A vitória militar permitiu a purificação do Templo e o retorno do serviço sagrado — tornando possível, posteriormente, o milagre do azeite. Por isso, Chanucá celebra dois milagres interligados: o triunfo improvável na guerra e a luz que ardeu além do natural.
Essa dupla celebração ensina que a salvação Divina pode se manifestar tanto por meio de acontecimentos espirituais quanto através de eventos no mundo físico — lembrando que a providência atua em todas as dimensões da existência.
O tradicional dreidel (sevivon, em hebraico) é um pião de quatro lados usado pelas crianças durante Chanucá. Em cada lado há uma letra hebraica: נ (nun), ג (gimel), ה (hei) e ש (shin), iniciais da frase Nês Gadôl Hayá Shám — “Um grande milagre ocorreu lá”.
Em Israel, o último lado traz a letra פ (pei), formando Nês Gadôl Hayá Pô — “Um grande milagre ocorreu aqui”.
A origem desse costume remonta ao período da opressão selêucida. Quando o estudo da Torá foi proibido, crianças do Povo Judeu usavam piões como artifício para despistar os soldados que faziam rondas; se fossem surpreendidas, rapidamente escondiam os textos sagrados e fingiam estar apenas brincando.
Com o tempo, o dreidel tornou-se um símbolo de perseverança espiritual e de fidelidade à Torá mesmo sob perseguição — lembrando que, assim como no passado, a educação e o estudo permanecem o coração do Povo Judeu.
A Halachá estabelece que a Chanukiá deve ser colocada à esquerda da porta de entrada, enquanto a mezuzá permanece à direita. Dessa forma, quem entra em casa fica simbolicamente “cercado por mitsvot”, indicando que a luz da Torá envolve e protege o lar.
Tradicionalmente, o local ideal é junto à porta que dá para a rua, para cumprir o princípio de divulgar o milagre. Em muitas comunidades da diáspora, no entanto, tornou-se comum colocá-la perto de uma janela, sobretudo em apartamentos ou casas onde a porta não é visível do exterior.
Ambas as práticas são corretas de acordo com a Halachá. O essencial é que as luzes de Chanucá sejam visíveis para quem está fora, sempre que possível. Quando isso não for viável — por segurança, condições climáticas ou estrutura do lar — também é permitido acender dentro da casa, em um local digno e apropriado.
Essa tradição transmite uma mensagem profunda:
a luz espiritual deve iluminar o interior do lar — mas, sempre que possível, também brilhar além dele, levando esperança e inspiração ao mundo.
A Halachá determina que as luzes de Chanucá devem ser acesas em um local visível, de preferência próximo a uma janela ou à porta que dá para a rua. O objetivo é cumprir a mitsvá de publicar o milagre.
Diferentemente de muitos rituais que são internos e reservados, o acendimento das luzes de Chanucá tem um propósito explicitamente público: proclamar abertamente a continuidade e a fidelidade do Povo Judeu à Torá, mesmo após séculos de perseguições.
Essa prática transmite uma mensagem universal: a luz espiritual não deve permanecer oculta. Chanucá ensina que cada pessoa carrega uma “pequena chama”, e que, quando compartilhada com o mundo, essa luz tem poder real de afastar grandes escuridões.
Na Havdalá, além do vinho, utilizam-se besamim — um conjunto aromático de ervas ou especiarias. O motivo desse costume é mencionado no Talmud: durante o Shabat, a pessoa recebe uma neshamá yeterá, uma “alma adicional” que amplia sua sensibilidade espiritual e seu descanso interior.
Ao término do Shabat, essa alma suplementar se retira, causando uma sensação espiritual de perda. O aroma dos besamim foi instituído justamente para revigorar e reconfortar o espírito, suavizando essa transição entre a santidade do Shabat e a rotina semanal.
Ao chamar alguém para uma aliá na leitura da Torá, utiliza-se o nome hebraico da pessoa seguido do nome de seu pai — por exemplo, Yaacov ben Itzchak. Essa prática reforça a continuidade espiritual entre as gerações e expressa a transmissão da identidade dentro do Povo Judeu.
O Midrash relata que um dos méritos que mantiveram o Povo Judeu digno da redenção no Egito foi o fato de que não abandonaram seus nomes hebraicos tradicionais. Mesmo cercados por pressões de assimilação, preservaram seus nomes — e, com eles, sua identidade espiritual.
Assim, o nome hebraico continua sendo uma herança sagrada: um vínculo vivo entre a pessoa, seus antepassados e D’us, que a acompanha em toda a sua jornada espiritual.
Os Sábios ensinam que, quando o Povo Judeu atravessou o Mar Vermelho, o mar se abriu em doze caminhos distintos, um para cada tribo. Essa tradição, registrada no Midrash Tehilim, simboliza que, embora exista uma única Torá e um destino comum, cada tribo — e cada indivíduo — percorre seu próprio caminho espiritual dentro do plano Divino.
O Talmud acrescenta que o mérito que levou ao milagre foi a própria determinação do povo: somente quando Nachshon ben Aminadav entrou nas águas com fé absoluta o mar finalmente se abriu. Esse episódio ensina que o milagre muitas vezes se manifesta apenas depois do primeiro passo — aquele movido por coragem, confiança e devoção.
Assim, a travessia do Mar Vermelho não é apenas um evento histórico, mas um modelo espiritual: D’us abre os mares da vida, mas cabe à pessoa avançar com fé, iniciando o caminho que leva à redenção e à proteção Divina.
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