Neste Shabat, 15 do mês de Menachem Av (Tu B’Av), o calendário judaico assinala uma das datas mais festivas do ano. No período do Templo Sagrado, as jovens de Israel vestiam-se de branco e dançavam nos vinhedos, para que jovens solteiros pudessem encontrá-las e formar novos lares em santidade. O Talmud ensina que não havia dias tão alegres para o Povo Judeu quanto Yom Kipur e Tu B’Av — ambos ligados à renovação espiritual e à união de almas destinadas.
Antes da leitura pública da Torá na sinagoga, a pessoa que recebe a aliyá recita bênçãos que louvam D’us por “nos ter escolhido dentre todas as nações e nos dado a Sua Torá.” Essa declaração não expressa superioridade, mas sim uma responsabilidade sagrada. A Torá é um legado Divino confiado ao Povo Judeu para promover a elevação e o aperfeiçoamento do mundo. Essa bênção nos recorda que o estudo da Torá vai muito além de um exercício intelectual — trata-se de um ato espiritual de gratidão, conexão e aceitação de uma missão sagrada.
A Torá é muito mais do que um sistema legal ou moral. Segundo os escritos cabalísticos, ela é uma “vestimenta” de D’us — um meio pelo qual Ele Se revela no mundo. O Baal Shem Tov ensinava que cada palavra da Torá contém uma vitalidade divina, e que estudá-la é como dialogar com o próprio D’us. No pensamento chassídico, a Torá é comparada à luz: ela dissipa a escuridão espiritual, desfaz a confusão interior e guia a alma rumo à verdade e à proximidade com o Divino.
O estudo da Torá não é reservado apenas a rabinos ou estudiosos. Em Pirkei Avot, o sábio Hillel ensina: “Uma pessoa ignorante não pode ser verdadeiramente piedosa.” Todo judeu é incentivado a estudar Torá diariamente — mesmo que apenas algumas linhas. O Alter Rebe ensinava que já se cumpre a mitsvá do estudo da Torá ao aprender uma única halachá pela manhã e outra à noite. A Torá é singular: embora infinitamente profunda, até mesmo um momento de estudo sincero é capaz de conectar a alma à eternidade.
O 9 de Av, conhecido como Tishá b’Av, é uma data de luto nacional para o Povo Judeu. Marca a destruição dos dois Templos de Jerusalém — o primeiro pelo Império Babilônico, em 586 a.E.C., e o segundo pelos romanos, no ano 70 E.C. Além dessas tragédias, muitos outros eventos dolorosos ao longo da história judaica também ocorreram nesse mesmo dia. Tishá b’Av é um dia de luto, reflexão e união nacional — em que lembramos o passado com dor, mas também com esperança pela reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém.
O Talmud afirma que aquele que estuda Torá sustenta o mundo inteiro. Isso não é uma hipérbole poética. Segundo a tradição judaica, a Torá não é apenas um código de ética — ela é a força vital espiritual do universo. Assim como o corpo precisa de alimento físico, a alma da criação depende da Torá.Quando uma pessoa estuda Torá, ela atrai luz Divina ao mundo. Por isso, o estudo da Torá é considerado equivalente — ou até superior — a muitas outras mitzvot, pois fortalece os próprios alicerces da existência.
O patriarca Jacob recebeu o nome Israel após lutar durante a noite com um ser misterioso — descrito pela Torá como um “homem”, mas tradicionalmente interpretado como um anjo ou emissário divino. Após perseverar na luta e se recusar a desistir, Jacob é abençoado por esse anjo, que lhe concede um novo nome: Israel — “aquele que lutou com D’us e com os homens e prevaleceu”.
Esse nome passou a simbolizar a força espiritual, física e moral do Povo Judeu ao longo da história, e foi adotado como o nome do moderno Estado Judeu: Israel.
O dia 9 de Av (Tishá beAv) é o mais trágico do calendário judaico. De acordo com a tradição, tanto o Primeiro Beit HaMikdash (Templo construído pelo rei Salomão) quanto o Segundo Beit HaMikdash (reconstruído no retorno do exílio babilônico) foram destruídos exatamente na mesma data — o 9 de Av — com cerca de seis séculos de diferença. O primeiro foi destruído pelos babilônios em 586 a.E.C.; o segundo, pelos romanos no ano 70 E.C.
Esse alinhamento não é visto como coincidência, mas como parte de uma realidade espiritual profunda. Tishá beAv tornou-se um dia nacional de luto e jejum, marcado por reflexões sobre as causas espirituais das destruições. Segundo a visão chassídica, dentro da escuridão desse dia está oculta a semente da redenção. Os profetas ensinam que, no futuro, este mesmo dia será transformado em festa e alegria, com a vinda de Mashiach e a reconstrução do Terceiro Beit HaMikdash — eterno e completo.
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