O estudo da Torá não é reservado apenas a rabinos ou estudiosos. Em Pirkei Avot, o sábio Hillel ensina: “Uma pessoa ignorante não pode ser verdadeiramente piedosa.” Todo judeu é incentivado a estudar Torá diariamente — mesmo que apenas algumas linhas. O Alter Rebe ensinava que já se cumpre a mitsvá do estudo da Torá ao aprender uma única halachá pela manhã e outra à noite. A Torá é singular: embora infinitamente profunda, até mesmo um momento de estudo sincero é capaz de conectar a alma à eternidade.
O 9 de Av, conhecido como Tishá b’Av, é uma data de luto nacional para o Povo Judeu. Marca a destruição dos dois Templos de Jerusalém — o primeiro pelo Império Babilônico, em 586 a.E.C., e o segundo pelos romanos, no ano 70 E.C. Além dessas tragédias, muitos outros eventos dolorosos ao longo da história judaica também ocorreram nesse mesmo dia. Tishá b’Av é um dia de luto, reflexão e união nacional — em que lembramos o passado com dor, mas também com esperança pela reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém.
O Talmud afirma que aquele que estuda Torá sustenta o mundo inteiro. Isso não é uma hipérbole poética. Segundo a tradição judaica, a Torá não é apenas um código de ética — ela é a força vital espiritual do universo. Assim como o corpo precisa de alimento físico, a alma da criação depende da Torá.Quando uma pessoa estuda Torá, ela atrai luz Divina ao mundo. Por isso, o estudo da Torá é considerado equivalente — ou até superior — a muitas outras mitzvot, pois fortalece os próprios alicerces da existência.
O patriarca Jacob recebeu o nome Israel após lutar durante a noite com um ser misterioso — descrito pela Torá como um “homem”, mas tradicionalmente interpretado como um anjo ou emissário divino. Após perseverar na luta e se recusar a desistir, Jacob é abençoado por esse anjo, que lhe concede um novo nome: Israel — “aquele que lutou com D’us e com os homens e prevaleceu”.
Esse nome passou a simbolizar a força espiritual, física e moral do Povo Judeu ao longo da história, e foi adotado como o nome do moderno Estado Judeu: Israel.
O dia 9 de Av (Tishá beAv) é o mais trágico do calendário judaico. De acordo com a tradição, tanto o Primeiro Beit HaMikdash (Templo construído pelo rei Salomão) quanto o Segundo Beit HaMikdash (reconstruído no retorno do exílio babilônico) foram destruídos exatamente na mesma data — o 9 de Av — com cerca de seis séculos de diferença. O primeiro foi destruído pelos babilônios em 586 a.E.C.; o segundo, pelos romanos no ano 70 E.C.
Esse alinhamento não é visto como coincidência, mas como parte de uma realidade espiritual profunda. Tishá beAv tornou-se um dia nacional de luto e jejum, marcado por reflexões sobre as causas espirituais das destruições. Segundo a visão chassídica, dentro da escuridão desse dia está oculta a semente da redenção. Os profetas ensinam que, no futuro, este mesmo dia será transformado em festa e alegria, com a vinda de Mashiach e a reconstrução do Terceiro Beit HaMikdash — eterno e completo.
No Judaísmo, o dia começa ao anoitecer, conforme o relato da Criação: “E foi a tarde e foi a manhã, o primeiro dia” (Gênesis 1:5). Por isso, o Shabat se inicia ao pôr do sol de sexta-feira e se encerra na noite de sábado, com a cerimônia da Havdalá.
A Menorá original, usada no Templo de Jerusalém, tinha sete braços e era feita de ouro puro, conforme instruções detalhadas no livro de Êxodo. Já a Chanuquiá, usada na festa de Chanucá, possui oito braços (mais um suporte adicional, o shamash) para lembrar o milagre do azeite que durou oito dias, embora houvesse óleo suficiente para apenas um.
No Judaísmo, a vida cotidiana é permeada por bênçãos (berachot), que expressam gratidão e consciência da presença divina em todos os momentos. Há bênçãos para alimentos, aromas, paisagens naturais, trovões, relâmpagos, boas notícias — até mesmo ao ver uma árvore frutífera florescendo. Cada uma é uma forma de espiritualizar o cotidiano e reconhecer a mão de D’us em tudo.
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Acendimento das velas