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19 Elul 5786 | 01 setembro 2026

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Curiosidades

O dia 18 de Elul, conhecido como Chai Elul, possui significado especial na história do Chassidismo. Foi nessa data, no ano de 1698, que nasceu o Baal Shem Tov.

Exatamente 36 anos depois, também em 18 de Elul, ele saiu da reclusão em que vivia e começou a divulgar publicamente seus ensinamentos. A partir de então, passou a viajar entre comunidades, aproximando-se de pessoas de todas as condições sociais e levando-lhes sua mensagem de fé, esperança e alegria.

Assim, a mesma data passou a marcar dois momentos decisivos de sua trajetória: seu nascimento e o início de sua missão pública. Chai significa “vida” em hebraico — associação que tornou Chai Elul especialmente simbólico para um movimento que procurou insuflar nova vitalidade espiritual no Povo Judeu.

A primeira estrofe após o refrão do Lechá Dodi começa com as palavras Shamor veZachor — “Guarda e Recorda”. Elas se referem às duas formas pelas quais a Torá apresenta o mandamento do Shabat nos Dez Mandamentos.

Shamor — “Guarda” — refere-se à obrigação de preservar a santidade do Shabat, abstendo-se das atividades proibidas. Zachor — “Recorda” — refere-se aos mandamentos positivos do dia, como o Kidush, a oração, o estudo da Torá, o descanso e as refeições festivas.

O Talmud ensina algo extraordinário: embora Shamor e Zachor apareçam separadamente na Torá, D’us pronunciou as duas palavras simultaneamente no Monte Sinai, de uma maneira que o ser humano seria incapaz de reproduzir. A mensagem é que os dois aspectos do Shabat são inseparáveis: guardar o dia e santificá-lo por meio de ações positivas fazem parte de uma única experiência.

Assim, logo no início do Lechá Dodi, somos lembrados de que viver plenamente o Shabat significa tanto nos afastarmos do cotidiano quanto preenchermos o dia com santidade, alegria e aproximação com D’us.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, em Rosh Hashaná não se confessam pecados. A ênfase principal das orações do dia não está em enumerar nossas transgressões, mas em reconhecer D’us como Rei, recordar Sua Providência e pedir que o novo ano seja marcado por vida, bênção e paz.

O arrependimento e a confissão tornam-se mais explícitos ao longo dos Dez Dias de Teshuvá, culminando em Yom Kipur. Em Rosh Hashaná, porém, o foco central é estabelecer a direção espiritual do ano que começa: reconhecer o governo de D’us e refletir sobre a missão que desejamos cumprir.

Por isso, mesmo sendo o Dia do Julgamento, Rosh Hashaná é celebrado com júbilo e esperança. A reverência diante de D’us não é incompatível com a alegria — ela nasce justamente da confiança em Sua bondade e da possibilidade de iniciar um novo ano mais próximos d’Ele.

Nossos Sábios ensinam que, durante os Dez Dias de Teshuvá, cada boa ação pode assumir um significado ainda mais especial. Maimônides ensina que a pessoa deve imaginar a si própria e o mundo inteiro como se estivessem perfeitamente equilibrados em uma balança: uma única boa ação poderia inclinar essa balança para o lado do mérito, trazendo redenção e salvação para si e para o mundo.

Essa perspectiva ensina que ninguém deve considerar suas ações pequenas ou insignificantes. Uma mitsvá, um ato de Tzedacá, uma oração ou um gesto de bondade pode ter consequências muito maiores do que conseguimos perceber.

Por isso, nos dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, existe uma ênfase especial em aumentar a prática de boas ações, a Tzedacá e o cumprimento das mitsvot. A mensagem é poderosa: cada pessoa deve agir como se suas escolhas pudessem fazer a diferença não apenas em sua própria vida, mas também no destino do mundo.

O simbolismo da romã em Rosh Hashaná remonta a um ensinamento específico do Talmud, baseado em um versículo do Shir HaShirim (Cântico dos Cânticos). A partir desse versículo, os Sábios ensinam que mesmo aqueles do Povo Judeu que parecem espiritualmente “vazios” estão repletos de mitsvot, assim como uma romã é repleta de sementes.

A imagem transmite uma mensagem profunda: mesmo quando os méritos de uma pessoa não são imediatamente visíveis, ela pode possuir inúmeras boas ações e qualidades espirituais.

Por isso, em Rosh Hashaná, a romã representa não apenas o desejo de realizar muitas mitsvot no ano que se inicia, mas também a confiança no valor espiritual e nos méritos presentes em cada integrante do Povo Judeu.

O Maharal de Praga explica que uma bênção Divina pode existir inicialmente em estado potencial no plano espiritual e que um ato físico pode contribuir para que ela se concretize no mundo físico. Por isso, o Judaísmo frequentemente une intenção espiritual e ação física: colocamos Tefilin, fazemos o Kidush sobre o vinho e seguramos as Quatro Espécies em Sucot.

Os alimentos simbólicos de Rosh Hashaná seguem esse mesmo princípio. Ao comê-los enquanto recitamos nossas preces por um ano bom, damos expressão concreta às nossas esperanças e orações. Segundo essa explicação, esses atos ajudam a canalizar as bênçãos espirituais para a realidade física.

Por isso, os alimentos simbólicos de Rosh Hashaná possuem um significado muito mais profundo do que seu sabor ou aparência: eles unem pensamento, oração e ação em um momento no qual pedimos a D’us que nos conceda um Shaná Tová Umetucá — um ano bom e doce.

O vinho ocupa uma posição singular na tradição judaica. Enquanto sobre as frutas das árvores se recita a bênção Borê Peri Ha’Etz, o vinho possui sua própria bênção: Borê Peri Haguefen — “que cria o fruto da videira”. No Kidush, essa bebida acompanha a proclamação de que o Shabat é um dia sagrado, distinto dos seis dias da semana.

Há ainda um significado místico associado ao vinho. Segundo a explicação cabalística apresentada no artigo, o vinho — especialmente o tinto — está relacionado a Guevurá, atributo de severidade e julgamento, enquanto a água representa Chessed, bondade e amor. Por isso, existe o costume cabalístico de acrescentar uma pequena quantidade de água ao vinho do Kidush, simbolizando a harmonização entre esses dois atributos Divinos.

Dessa forma, até os elementos físicos utilizados no Kidush carregam significado espiritual. A taça de vinho não é apenas parte da refeição de Shabat: ela participa de um ritual que transforma um ato cotidiano, como beber, em uma expressão de santidade e de ligação com D’us.

Nem todo alimento aparentemente casher pode ser consumido sem cuidados adicionais. Frutas, legumes e grãos, por exemplo, são em geral casher, mas precisam estar livres de insetos proibidos. Já o vinho e o suco de uva estão sujeitos a leis específicas de Cashrut e necessitam de supervisão adequada.

O mesmo princípio se aplica aos alimentos industrializados. Mesmo um produto aparentemente simples pode conter ingredientes ou ter sido produzido em equipamentos que levantem questões de Cashrut. Por isso, muitos produtos precisam de certificação confiável, atestando que sua composição e seu processo de fabricação foram supervisionados de acordo com a Lei Judaica.

A Cashrut, portanto, vai muito além de distinguir entre alimentos permitidos e proibidos. Ela envolve um conjunto detalhado de leis que acompanha os alimentos em diferentes etapas, desde sua origem e produção até sua preparação e consumo, transformando o próprio ato de comer em parte da vida judaica.

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