Segundo um famoso ensinamento de Rabi Levi Yitzchak de Berditchev, o nome Shabat Chazon possui um significado ainda mais profundo. Ele ensina que, nesse dia, D’us mostra à alma de cada judeu uma visão do Terceiro Templo, destinado a revelar-se plenamente na Era Messiânica.
Mesmo que a pessoa não tenha consciência dessa visão, ela deixa uma impressão espiritual capaz de despertar o desejo de aproximar-se de D’us, estudar mais Torá e cumprir mais mitsvot. Essa ideia baseia-se no ensinamento do Talmud de que, mesmo quando os olhos físicos não percebem determinada realidade, a dimensão mais profunda da alma é capaz de captá-la.
Por isso, o Shabat Chazon é conhecido não apenas como o Shabat que antecede Tishá b’Av, mas também como um dia de esperança e preparação para a futura Redenção, quando o Terceiro Templo será plenamente revelado.
Ainda que o Templo tenha sido construído pelo Rei Salomão, foi o Rei David quem dedicou grande parte de sua vida a prepará-lo.
Além de reunir ouro, prata, madeira e outros materiais, David transmitiu a Salomão os detalhes necessários para sua construção. Segundo a tradição judaica, também preparou o local onde seria erguido o Grande Altar, centro do serviço realizado no Templo.
A ligação entre David e o Templo tornou-se ainda mais evidente no dia de sua inauguração. O Talmud relata que as portas do Santo dos Santos somente se abriram quando Salomão pediu a D’us que Se lembrasse dos méritos de seu pai. Esse episódio simboliza que a obra preparada por David foi concluída por Salomão, unindo a preparação espiritual do pai à realização prática do filho.
A Torá registra o mandamento: “E Me farão um santuário, e Eu habitarei entre eles” (Êxodo 25:8). Os Sábios observam que o versículo não diz “habitarei nele”, referindo-se ao Mishkan, mas sim “habitarei entre eles”, referindo-se ao próprio Povo Judeu.
Com base nesse ensinamento, o Judaísmo explica que o Mishkan também tinha o propósito de inspirar cada pessoa a transformar sua própria vida em uma morada para a Presença Divina, por meio do estudo da Torá, do cumprimento das mitsvot e da prática do bem.
Por isso, embora o Mishkan e o Templo de Jerusalém não existam mais, toda sinagoga é considerada um Mikdash Me’at (“pequeno santuário”), conforme o ensinamento dos Sábios. Além disso, cada judeu pode criar um espaço para a presença de D’us em sua vida por meio de suas ações, palavras e pensamentos.
Ao apresentar as leis dos animais casher, a Torá menciona apenas quatro espécies de animais terrestres que possuem um dos dois sinais de cashrut, mas não o outro: o camelo, o shafan, a arnevet e o porco.
O artigo “Os animais casher e a autoria Divina da Torá”, publicado na edição 127 da Morashá, destaca que essa lista é extraordinária. Apesar dos enormes avanços da zoologia — que já identificou milhares de espécies de mamíferos ao longo de mais de três mil anos —, nenhuma quinta espécie de mamífero terrestre com essa combinação específica de características foi identificada. A tradição judaica vê nesse fato um dos indícios da origem Divina da Torá.
Mais do que estabelecer leis alimentares, essas passagens demonstram a extraordinária precisão da Torá e continuam despertando reflexão e estudo, tanto no campo da Halachá quanto na compreensão da autoria Divina do texto sagrado.
O texto do Kidush possui duas partes distintas. A primeira é formada por versículos da Torá que descrevem a conclusão da Criação e a santidade do Shabat. A segunda foi instituída pelos Sábios e explica o significado espiritual desse dia, lembrando tanto a Criação do mundo quanto o Êxodo do Egito.
Essa estrutura mostra que o Shabat não recorda apenas acontecimentos do passado. Todas as semanas, ele renova a consciência de que D’us é o Criador do Universo e Aquele que continua dirigindo a História, transformando a refeição da noite de Shabat em um momento de fé, gratidão e santificação.
Por isso, o Kidush é muito mais do que uma bênção antes da refeição: é uma declaração dos princípios fundamentais do Judaísmo, repetida semanalmente por gerações do Povo Judeu.
Os Sábios ensinam que a destruição do Segundo Templo marcou o início do longo exílio do Povo Judeu. Da mesma forma, sua reconstrução será um dos sinais mais marcantes da Redenção final.
Essa esperança permanece viva em diversos costumes preservados até hoje. Ao final da cerimônia de casamento, por exemplo, o noivo quebra um copo para recordar que nenhuma alegria pode ser completa enquanto o Beit HaMikdash permanecer destruído. Da mesma forma, nas três orações diárias, o Povo Judeu suplica pela reconstrução de Jerusalém e do Templo Sagrado.
Esses costumes expressam uma convicção que atravessa gerações: a de que a destruição não é definitiva e de que a plena manifestação da Presença Divina retornará ao mundo com a reconstrução do Beit HaMikdash.
É comum ver pequenos papéis colocados entre as pedras do Muro Ocidental. Neles, pessoas do mundo inteiro escrevem pedidos, agradecimentos e orações dirigidos a D’us.
Esse costume não significa que as orações sejam dirigidas ao Muro; ele expressa, na verdade, a tradição de rezar o mais próximo possível do local onde se encontrava o Kodesh HaKodashim (Santo dos Santos), considerado o ponto de maior santidade do Judaísmo. Muitas pessoas também recitam Tehilim (Salmos) nesse local, seguindo um costume preservado ao longo das gerações.
Milhões de visitantes passam pelo Muro Ocidental todos os anos. Para o Povo Judeu, porém, sua importância vai muito além do valor histórico: ele permanece como um símbolo vivo da fé, da continuidade judaica e da esperança na Redenção e na reconstrução do Beit HaMikdash.
No centro do Santo dos Santos encontrava-se a Even Shetiyá (“Pedra Fundamental”), sobre a qual repousava a Arca da Aliança durante o Primeiro Templo. O Talmud ensina que essa pedra recebeu esse nome porque foi a partir dela que D’us iniciou a Criação do mundo.
Segundo a tradição judaica, esse local também está ligado a alguns dos acontecimentos mais importantes da história bíblica, entre eles a Akedat Itzhak, quando Avraham demonstrou sua fé e obediência absolutas a D’us ao levar seu filho Itzhak para ser oferecido, até ser detido por ordem Divina, e a construção dos dois Templos Sagrados. Por isso, o Monte do Templo continua sendo reverenciado como o lugar mais sagrado do Judaísmo.
Mesmo após a destruição do Templo, a santidade desse local permanece. Nas orações diárias, o Povo Judeu continua pedindo a reconstrução do Beit HaMikdash, expressando a esperança na Redenção.
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