Durante mais de mil anos, a Torá Oral foi transmitida de mestre para discípulo por meio do ensino, da escuta, do debate e da memorização. Em princípio, seus ensinamentos não deveriam ser formalmente registrados por escrito.
Essa situação mudou após a destruição do Segundo Templo Sagrado e as consequências devastadoras da revolta de Bar Kochba. As perseguições e a crescente dispersão do Povo Judeu dificultavam cada vez mais a formação de mestres e discípulos capazes de preservar e transmitir fielmente um corpo tão vasto de ensinamentos. Surgiu, assim, o risco de que partes importantes da Torá Oral fossem esquecidas.
Diante dessa realidade, Rabi Yehudá HaNassi empreendeu a monumental tarefa de organizar e registrar a Mishná, concluída por volta do ano 200 da Era Comum. Dessa forma, uma tradição preservada oralmente durante séculos pôde continuar sendo transmitida às gerações futuras.