O Shabat entre Rosh Hashaná e Yom Kipur é chamado de Shabat Shuvá — o Shabat do Retorno — e também de Shabat Teshuvá. À primeira vista, essa associação parece contraditória. A Teshuvá costuma envolver arrependimento, remorso e reflexão sobre os erros cometidos, enquanto o Shabat é um dia de alegria, prazer e tranquilidade espiritual. Por isso, não recitamos o Vidui, a confissão dos pecados, no Shabat.

Os ensinamentos místicos do Judaísmo explicam que existem diferentes níveis de Teshuvá. O primeiro envolve reconhecer os erros, arrepender-se e abandonar comportamentos inadequados. Existe, porém, uma forma mais elevada de Teshuvá que não depende da existência de pecados: consiste simplesmente em buscar uma proximidade cada vez maior com D'us.

É essa Teshuvá mais elevada que caracteriza especialmente o Shabat Shuvá. Em vez de olhar apenas para aquilo que precisa ser corrigido, somos convidados a olhar para aquilo que ainda podemos alcançar. Como D'us é Infinito, também não há limite para nossa aproximação a Ele. Por isso, até mesmo os Tzadikim podem fazer Teshuvá — não necessariamente porque tenham cometido transgressões, mas porque sempre é possível alcançar um nível espiritual mais elevado.