Existe uma profunda relação entre o sopro utilizado para tocar o Shofar e a alma humana. Em hebraico, as palavras neshamá — “alma” — e neshimá — “respiração” — compartilham a mesma raiz, expressando uma ligação entre a vida espiritual e o próprio ato de respirar.

A Torá relata que, ao criar o primeiro ser humano, D'us soprou nele uma alma. Em Rosh Hashaná, aniversário da criação de Adam e Chavah, utilizamos novamente o sopro — desta vez, para produzir o som do Shofar. Segundo os ensinamentos chassídicos, esse som representa o anseio da alma de retornar à sua Fonte e restabelecer sua ligação mais profunda com D'us.

Por isso, o Shofar não precisa produzir uma melodia elaborada nem transmitir uma mensagem por meio de palavras. Seu som simples nasce do próprio sopro e expressa aquilo que as palavras nem sempre conseguem comunicar: o desejo mais íntimo da alma de se aproximar de seu Criador.