O antissemitismo nunca desapareceu dos Estados Unidos, mas, por décadas após a Shoá, permaneceu socialmente inaceitável e marginalizado, visto por muitos como um resquício do passado restrito a grupos extremistas. Nas últimas décadas do século 20, pesquisas mostravam os judeus entre os grupos religiosos mais admirados pelos americanos, enquanto o apoio dos Estados Unidos a Israel seguia amplamente bipartidário. Essa sensação de segurança começou a se desfazer no século 21, quando o antissemitismo voltou a ocupar o espaço público sob novas formas e justificativas.
No mundo contemporâneo, redes sociais, podcasts e outras plataformas digitais ampliaram a velocidade e o alcance da difusão de estereótipos antissemitas, teorias conspiratórias e discursos de ódio. Ideias antes restritas a grupos extremistas passaram a alcançar milhões de pessoas e a integrar o debate público.
Com cerca de 7,5 milhões de judeus, a comunidade judaica dos Estados Unidos é organizada, próspera e influente. Episódios de antissemitismo nunca deixaram de existir, mas os Estados Unidos se tornaram o país onde, pela primeira vez na história da Diáspora, uma grande comunidade judaica vivia com segurança, liberdade, prosperidade e plena integração à sociedade. Durante boa parte do século 20, os judeus chamavam o país de goldene medina (“o país de ouro”), expressão em iídiche que sintetizava essa percepção.
Esse cenário começou a mudar na década de 2010. A nova onda de antissemitismo deixou de se restringir ao debate político e passou a afetar diretamente o cotidiano da comunidade judaica, abalando a sensação de segurança que, por décadas, caracterizara a experiência judaica nos Estados Unidos.
Os números confirmam essa transformação. Ao longo da década de 2020, a Anti-Defamation League (ADL) passou a registrar sucessivos recordes de incidentes antissemitas. Em 2024, foram contabilizados 9.354 episódios de assédio, vandalismo e agressão – o maior número desde o início da série histórica, em 1979. Pela primeira vez, mais da metade desses incidentes envolvia referências a Israel ou ao Sionismo.
As duas faces do novo antissemitismo
O ressurgimento do antissemitismo nos Estados Unidos não ocorreu de forma homogênea. Um dos conceitos usados para interpretar o fenômeno é a “teoria da ferradura” (horseshoe theory), segundo a qual os extremos do espectro político, apesar de suas diferenças ideológicas profundas, tendem a se aproximar em determinadas posições. Adversárias na maior parte das questões, a extrema direita e a extrema esquerda passaram a convergir na difusão de narrativas que recolocaram os judeus – ou, mais frequentemente, o Estado Judeu – no centro da hostilidade política e de teorias conspiratórias.
Essa convergência não é inédita. Ideologicamente antagônicos, o Nazismo e o Comunismo soviético perseguiram sistematicamente os judeus. Hoje, a convergência não se manifesta por alianças políticas, mas pela disseminação de narrativas semelhantes: a extrema direita retrata os judeus como uma elite global com influência desproporcional sobre governos, bancos e meios de comunicação, enquanto a extrema esquerda apresenta Israel como a principal expressão do colonialismo, do imperialismo e da opressão.
O ressurgimento do antissemitismo nos Estados Unidos foi favorecido pelo enfraquecimento da confiança nas instituições e pela polarização política crescente. Em períodos de instabilidade, é comum que as sociedades busquem supostos “responsáveis” por problemas complexos. E, ao longo da história, os judeus frequentemente foram transformados em bodes expiatórios.
Na extrema direita, falsas acusações inspiradas nos Protocolos dos Sábios de Sião voltaram a circular sob novas roupagens. Publicados na Rússia Czarista em 1903 como suposto registro de um plano judaico de dominação mundial, Os Protocolos são uma falsificação: o jornal britânico The Times provou, em 1921, que o texto fora plagiado de uma sátira política francesa sem qualquer relação com os judeus. Ainda assim, a teoria da conspiração segue sendo reciclada até hoje.
Na esquerda radical, a crítica às políticas dos governos israelenses passou, em certos ambientes, a se confundir com a rejeição à própria legitimidade de Israel como Estado Judeu. Negava-se, assim, apenas ao Povo Judeu, o direito à autodeterminação nacional, enquanto antigos estereótipos antijudaicos – como os libelos de sangue e a acusação de que os judeus seriam a origem de todos os males do mundo – passaram a ser projetados sobre o Estado de Israel e, por extensão, sobre os judeus da Diáspora.
Esse processo atingiu um novo patamar após o massacre perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Em amplos setores da opinião pública, Israel e os judeus passaram rapidamente de vítimas do ataque a supostos responsáveis pelo conflito. O massacre foi relativizado, negado ou até celebrado em diversos ambientes, enquanto os judeus de diferentes países passaram a ser responsabilizados pelas ações do governo israelense. Para muitos judeus americanos, aquele foi o momento em que a sensação de segurança construída ao longo de décadas começou a desmoronar.
Os sinais de alerta
Para muitos judeus americanos, o primeiro grande choque ocorreu em agosto de 2017. Na cidade de Charlottesville, na Virgínia, centenas de supremacistas brancos, neonazistas e integrantes da chamada Alt-Right participaram da manifestação “Unite the Right ” (“Unir a Direita”). Na véspera do comício, marcharam com tochas acesas pelo campus da Universidade da Virgínia, entoando slogans como “Jews will not replace us” (“Os judeus não nos substituirão”) e “Blood and Soil ” (“Sangue e Solo”), tradução do lema nazista alemão Blut und Boden. Pela primeira vez em décadas, slogans explicitamente antissemitas e símbolos nazistas foram exibidos de forma ostensiva em uma manifestação de repercussão nacional. Charlottesville tornou-se um divisor de águas: para muitos judeus, a marcha revelou que o antissemitismo já não estava restrito às margens da sociedade.
Um ano depois, em 27 de outubro de 2018, ocorreu o atentado antissemita mais grave da história dos Estados Unidos. Durante os serviços religiosos de Shabat na sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh, um extremista de direita assassinou onze pessoas e feriu outras seis. Antes do ataque, ele havia publicado mensagens nas redes sociais acusando organizações judaicas de assistência a refugiados – como a HIAS (Hebrew Immigrant Aid Society) – de promover a imigração em massa e ameaçar a “integridade racial” da sociedade americana.
O massacre transformou a rotina da comunidade judaica americana. Depois de Pittsburgh, sinagogas e instituições judaicas em todo o país reforçaram seus esquemas de segurança, ampliando o controle de acesso, a vigilância e o treinamento para emergências. A Secure Community Network, organização que coordena a segurança de instituições judaicas nos Estados Unidos, viu os pedidos de assistência saltarem de 500, nos dez meses anteriores ao ataque, para 3.000 no ano seguinte.
Outros atentados reforçaram a percepção de que a violência contra judeus tornara-se uma ameaça concreta. Em abril de 2019, no último dia de Pessach, um atirador invadiu a sinagoga Chabadde Poway, na Califórnia, matou uma mulher e feriu outras três pessoas, entre elas o rabino da congregação. Pouco antes, o atirador havia publicado um manifesto repleto de referências antissemitas e supremacistas.
Ao mesmo tempo, aumentaram as agressões físicas contra judeus, sobretudo em bairros do Brooklyn, em Nova York, com grande concentração de população judaica ortodoxa, como Crown Heights, Borough Park e Williamsburg. Judeus ortodoxos, identificados por suas vestimentas tradicionais, passaram a ser alvo frequente de insultos e ataques.
Pela primeira vez em décadas, muitos judeus passaram a questionar se poderiam continuar usando em público símbolos de sua identidade religiosa – como uma kipá, um chapéu preto ou um pingente com o Maguen David (a Estrela de David) – com a mesma tranquilidade de antes.
A normalização do discurso antissemita
A Internet não criou o antissemitismo, mas acelerou sua difusão. Algoritmos das redes sociais privilegiam conteúdos que despertam reações emocionais fortes, e discursos de ódio e teorias conspiratórias se encaixam perfeitamente nesse critério. Ideias antes restritas a pequenos grupos extremistas passaram a circular no debate público, contribuindo para normalizar o que antes era considerado inaceitável.
Após os ataques de 7 de outubro de 2023, as redes sociais se tornaram um dos principais campos de disputa pela narrativa do conflito. Milhões de imagens, vídeos e depoimentos passaram a circular diariamente, dificultando a distinção entre fatos comprovados, desinformação e fake news. Pesquisadores registraram um salto de até 100 vezes na circulação de conteúdo falso nas duas primeiras semanas após o ataque, incluindo imagens e vídeos produzidos com inteligência artificial.
Se não bastasse a disseminação de propaganda falsa contra Israel, há hoje um fenômeno ainda mais preocupante por suas possíveis consequências políticas: alguns dos podcasters e influenciadores digitais mais populares dos Estados Unidos – tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda – produzem conteúdo sistematicamente hostil a Israel e, em muitos casos, antissemita. Vários deles são ex-jornalistas ou ex-apresentadores da televisão tradicional, da qual se afastaram ou foram desligados, alguns após sucessivas controvérsias envolvendo teorias conspiratórias e declarações polêmicas. Enquanto os grandes veículos de comunicação mantinham mecanismos de controle editorial capazes de limitar esse tipo de discurso, os podcasts independentes não estão sujeitos a esse tipo de supervisão.
Esses programas alcançam milhões de espectadores em todo o mundo. Seu enorme sucesso demonstra que narrativas anti-Israel e antissemitas podem gerar enorme audiência – e, consequentemente, maior receita, já que a remuneração dos podcasters costuma depender diretamente do tamanho de seu público. Ainda não se sabe quantos americanos acompanham regularmente esse tipo de conteúdo nem até que ponto ele molda suas opiniões. O que já parece evidente, porém, é que muitos desses comunicadores exercem hoje influência política significativa. Figuras de destaque do governo americano, incluindo o próprio vice-presidente JD Vance, já concederam entrevistas a podcasters que promovem discursos antissemitas ou deslegitimam Israel e, em alguns casos, recusaram-se a condenar publicamente comentaristas de extrema direita associados a teorias antissemitas, alegando amizade pessoal ou rejeitando o que chamam de “testes de pureza ideológica”. Do outro lado do espectro político, parlamentares democratas ligados à ala mais progressista também já participaram de programas apresentados por podcasters de extrema esquerda conhecidos por manifestar simpatia pelo Hamas e hostilidade explícita à existência do Estado de Israel.
Nas últimas décadas, outro fenômeno ganhou força na esquerda radical, sobretudo em setores influenciados pelos estudos pós-coloniais. Desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel passou gradualmente a ser retratado como um projeto colonial, imperialista e racista – culminando na Resolução 3379 da ONU, de 1975, que classificou o Sionismo como forma de Racismo. Essa interpretação, promovida pela propaganda soviética durante a Guerra Fria, foi posteriormente incorporada por setores do meio acadêmico e de movimentos sociais. Em 1991, a resolução foi revogada em votação na Assembleia Geral.
Nesse contexto, a esquerda radical passou a interpretar o conflito israelo-palestino quase exclusivamente sob a ótica da relação entre colonizadores e colonizados. Em determinados ambientes, a crítica às políticas dos governos israelenses evoluiu para a negação da legitimidade da própria existência de Israel como Estado Judeu, tornando cada vez mais difusa a distinção entre antissionismo e antissemitismo.
O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) tornou-se um dos principais exemplos dessa evolução. Seus defensores o apresentam como uma suposta campanha não violenta de pressão política, mas seus objetivos vão além da crítica às políticas israelenses e buscam deslegitimar a própria existência de Israel como Estado Judeu. Essa leitura é reforçada por declarações do cofundador do movimento, Omar Barghouti, que já afirmou publicamente se opor “a um Estado Judeu em qualquer parte da Palestina”. Esse ambiente ideológico encontrou sua expressão mais visível nos campi universitários americanos após 7 de outubro de 2023.
As universidades americanas
Já nos primeiros dias após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 – e antes do início da ofensiva terrestre israelense em Gaza –, estudantes de universidades americanas organizaram as primeiras manifestações e cartas públicas sobre o conflito. Nos meses seguintes, o movimento se intensificou: em abril de 2024, ocupação de edifícios e acampamentos se espalharam por dezenas de campi pelo país, com o caso da Universidade Columbia sendo o mais emblemático. Nenhum outro espaço refletiu de forma tão intensa o novo debate sobre antissionismo e antissemitismo.
Em diversas instituições foram registrados episódios de intimidação contra estudantes judeus. Muitos relataram insultos, ameaças, pichações e dificuldades para circular usando kipá, Estrela de David e outros símbolos judaicos, além de terem sido excluídos de organizações estudantis por se declararem sionistas. Na UCLA, estudantes judeus disseram ter sido impedidos por manifestantes de entrar em uma área do campus apelidada de “zona de exclusão de judeus” – episódio que levou a universidade a proibir esse tipo de prática. Em pesquisas realizadas nos dois primeiros meses após 7 de outubro de 2023, 73% dos estudantes judeus relataram ter testemunhado ou vivenciado antissemitismo diretamente. Em muitos casos, professores e administradores foram acusados de não responder adequadamente a essas denúncias.
A repercussão nacional levou o Congresso dos Estados Unidos a convocar as presidentes de Harvard, da Universidade da Pensilvânia e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ao serem questionadas se defender o genocídio dos judeus violava o código de conduta estudantil de suas instituições, todas as três responderam que a resposta “dependeria do contexto” em que as declarações fossem proferidas. As respostas provocaram forte reação da opinião pública, de ex-alunos, grandes doadores e lideranças políticas dos dois partidos norte-americanos.
A crise ultrapassou os limites do ambiente universitário. Em 2025, o Departamento de Educação dos Estados Unidos abriu investigações formais contra 60 universidades por suposta falha no combate ao antissemitismo.
Para muitos judeus americanos, os acontecimentos de 2023 e 2024 marcaram uma mudança profunda de percepção. O debate sobre Israel deixou de ser apenas uma questão de política internacional e passou a afetar diretamente a liberdade de expressão, a identidade e o sentimento de segurança dos estudantes judeus nos campi universitários.
Zohran Mamdani e o futuro de Nova York
A eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York, cidade que abriga a maior comunidade judaica fora de Israel, em novembro de 2025 –, tornou-se um dos símbolos das transformações pelas quais passa a política americana. Embora Mamdani rejeite as acusações de antissemitismo e tenha prometido ampliar os recursos destinados ao combate aos crimes de ódio, suas posições em relação a Israel despertaram forte preocupação entre os judeus.
Mamdani já afirmou que se opõe ao direito de Israel de existir como Estado Judeu. Acusou repetidamente Israel de cometer genocídio em Gaza e recusou-se a condenar o slogan “Globalize the Intifada” (“Globalizem a Intifada”). Ele também já disse que o ativismo pró-palestino foi o que o levou à política.
Ainda mais significativo é o movimento político do qual emergiu Mamdani. Ele pertence aos Democratic Socialists of America (DSA), organização que endossou oficialmente o movimento BDS em 2017 e que, na Convenção Nacional do DSA de 2025, aprovou uma resolução que torna passível de expulsão qualquer membro que afirme publicamente que “Israel tem o direito de se defender”. Embora ainda represente uma minoria dentro do Partido Democrata, a influência da DSA cresce rapidamente, sobretudo entre jovens militantes e candidatos, contribuindo para moldar parte da agenda da ala progressista americana.
A importância da eleição de Mamdani, portanto, vai muito além da cidade de Nova York. Sua vitória demonstra como ideias que, até recentemente, permaneciam à margem da política passaram a integrar o debate público e a conquistar espaço eleitoral. Para muitos judeus americanos, esse talvez seja o aspecto mais preocupante: não apenas a eleição de um prefeito, mas o avanço, dentro de um dos dois grandes partidos dos Estados Unidos, de um movimento marcado por sua hostilidade ao Estado Judeu.
O fim da aliança Estados Unidos-Israel?
O maior perigo do novo antissemitismo nos Estados Unidos não está apenas no aumento dos incidentes antissemitas, mas na possibilidade de que correntes políticas antes periféricas remodelem a cultura política americana – e, com isso, o futuro da comunidade judaica dos Estados Unidos e da aliança estratégica entre os dois países.
As universidades formam os futuros políticos, jornalistas, juízes, diplomatas e líderes empresariais do país. Narrativas que ganham força nas universidades influenciam o debate público e moldam a percepção das futuras lideranças americanas. Se as universidades americanas – sobretudo as de elite – mantiverem um viés marcadamente anti-Israel, isso tende a se refletir, cedo ou tarde, em toda a sociedade americana, especialmente na política e na mídia tradicional.
A mesma transformação ocorre no universo digital. Podcasts, redes sociais e outras plataformas tornaram-se poderosos instrumentos de formação da opinião pública, especialmente entre os jovens. A crescente normalização de narrativas anti-Israel – em muitos casos, indistinguíveis do antissemitismo – já se reflete nas pesquisas: em fevereiro de 2026, pela primeira vez desde que o Instituto Gallup começou a medir a opinião americana sobre o conflito, em 2001, os americanos demonstraram mais simpatia pelos palestinos do que pelos israelenses. A divisão geracional é ainda mais expressiva. Entre os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), a simpatia por Israel permanece majoritária. Já entre a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), o quadro se inverte, com maior apoio aos palestinos. Como os políticos tendem a responder às mudanças na opinião pública, essa transformação poderá, com o tempo, influenciar também a política externa dos Estados Unidos em relação a Israel.
Durante mais de meio século, o apoio a Israel constituiu um raro consenso bipartidário em Washington. Hoje, esse consenso já não pode ser dado como certo. Embora o Partido Republicano continue majoritariamente favorável a Israel, o apoio republicano caiu a seu nível mais baixo desde 2004. Do outro lado do espectro, muitos líderes democratas ainda defendem a aliança, mas a ala progressista tornou-se abertamente hostil a Israel. O resultado é que setores crescentes tanto da esquerda quanto da direita passaram a adotar posições mais críticas ao Estado Judeu.
Se os Estados Unidos deixarão de ser a goldene medina – o “país de ouro” que sucessivas gerações de judeus acreditaram ter encontrado – ainda é impossível afirmar. Há, porém, uma conclusão que já parece difícil de evitar: o Estado de Israel não pode mais partir do pressuposto de que a opinião pública americana – e a aliança estratégica construída sobre ela – permanecerão inalteradas. Uma das maiores lições da História Judaica é que nenhuma realidade política é permanente. Aquilo que durante décadas parecia inquestionável pode, com surpreendente rapidez, tornar-se parte do passado.