No anoitecer deste 11 de setembro, inicia-se o mês judaico de Tishrei, repleto de festividades: os dois dias de Rosh Hashaná, Yom Kipur, os sete dias de Sucot e, por fim, Shemini Atseret e Simchat Torá. Cada uma destas tem temas e propósitos próprios, mas todas são inseparáveis da Terra de Israel, Eretz Israel, bem como de Jerusalém e do Templo Sagrado.
Rosh Hashaná ilustra essa ligação de forma clara. Sua mitsvá central, o toque do shofar, remete ao episódio em que Avraham levou seu filho Itzhak para ser sacrificado no Monte Moriá – futuro local do Templo Sagrado. As preces de Rosh Hashaná evocam o retorno do Povo Judeu à Terra de Israel, bem como à reconstrução de Jerusalém e do Templo Sagrado.
Uma das partes centrais da liturgia de Yom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico, relembra o serviço do Cohen Gadol, culminando com sua entrada no Kodesh HaKodashim, o recinto mais sagrado do Templo.
Sucot também está ligada à Terra de Israel: o mandamento de habitar a sucá evoca a proteção Divina que acompanhou os Filhos de Israel pelo deserto até a Terra Prometida. O fato de todas as festividades do mês de Tishrei estarem ligadas à Eretz Israel evidencia o lugar central que a Terra de Israel ocupa no Judaísmo. Embora o Povo Judeu tenha sobrevivido – e, em muitos períodos, prosperado – na Diáspora por quase dois mil anos, a vida no exílio nunca substituiu a ligação do povo com sua terra ancestral, e o período foi marcado por tragédias, cujo capítulo mais sombrio foi o Holocausto.
Há mais de dois mil anos, os judeus rezam diariamente pelo retorno à Terra de Israel. Essas preces permanecem no centro da liturgia judaica. Onde quer que tenham vivido, os judeus sempre se voltaram em oração para Jerusalém.
Afirmar que a Terra de Israel ocupa um lugar central no Judaísmo é, portanto, reconhecer uma verdade incontestável – um fato histórico.
Ainda assim, essa verdade precisa ser reiterada, pois uma das manifestações mais persistentes do antissemitismo contemporâneo é a tentativa de dissociar o Judaísmo do Estado de Israel, apresentando a ligação do Povo Judeu com a sua terra como uma “invenção política” recente.
Essa narrativa ignora uma realidade fundamental: milênios antes da criação do moderno Estado de Israel, o Povo Judeu já vivia em Eretz Israel, sua pátria ancestral. Mesmo durante o exílio, esse vínculo permaneceu no centro das preces e da vida religiosa judaica. Um vínculo que não se mede em décadas ou séculos, mas em milênios.
O retorno do Povo Judeu à Eretz Israell foi muito mais do que a culminação de um movimento político ou da busca pela autodeterminação nacional. Foi o retorno de um povo milenar à sua pátria ancestral após quase dois mil anos de exílio. Trata-se de uma das mais extraordinárias histórias da humanidade: a de um povo originário que recuperou sua terra ancestral, ao mesmo tempo em que reviveu sua antiga língua e restaurou sua vida nacional.
Em um momento de crescente antissemitismo e tentativas de distorcer a história do Povo Judeu, como o que estamos vivenciando, uma de nossas maiores responsabilidades é preservar e transmitir essa verdade. Não por acaso, Rosh Hashaná nos ensina que o futuro só pode ser construído quando preservamos a memória do passado. Embora seja conhecido como o Ano Novo Judaico, um de seus nomes mais antigos na tradição é Yom HaZikaron – o Dia da Lembrança. Não iniciamos um novo ano nos esquecendo do que veio antes. Ao contrário, a Torá descreve o toque do shofar como zichron teruá – uma recordação que desperta nossa memória e reafirma quem somos, de onde viemos e o legado que recebemos. Antes de projetarmos o futuro, somos convidados a recordar o passado.
O toque do shofar nos lembra que o futuro não se constrói sobre o esquecimento, mas sobre a memória. Levamos conosco nossa história, nossa fé e nossos valores para escrever o próximo capítulo de nossa existência como povo.
Que o Novo Ano seja bom e doce, repleto de paz para Israel e para todo o mundo.
Shaná Tová Umetucá!
Um olhar sobre esses compositores judeus, cujas criações enriqueceram os palcos americanos, converge para históricos momentos teatrais vividos nas produções de artistas como Cy Coleman (Sweet Charity), Marvin Hamlisch (A Chorus Line), John ...
A Mishná constitui o núcleo da Torá Oral e a base sobre a qual se edifica o Talmud. Redigida em hebraico, em estilo conciso e altamente estruturado, foi compilada por volta do ano 200 da Era Comum por Rabi Yehudá HaNassi, no período que se ...
Este ano, Yom Kipur se inicia no domingo, 20 de setembro, e termina na noite de segunda-feira, 21 de setembro.
Na tarde da data mais reverenciada do ano judaico, durante a oração de Minchá, lê-se, como Haftará, o Livro de Yoná. Nas demais Haftarot do ano, recita-se apenas um trecho dos Nevi’im (Livros dos Profetas). Assim, só em Yom Kipur lemos uma ...
Mensagem enviada!
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Carregando
Acendimento das velas