Por que o Shofar é feito preferencialmente do chifre de um carneiro?
Embora o Shofar possa ser confeccionado com chifres de diferentes animais casher permitidos pela Halachá, em Rosh Hashaná dá-se preferência ao chifre de um carneiro. A razão está ligada a um dos episódios mais marcantes da Torá: a Akedat Itzhak, a amarração de Itzhak.
Quando Avraham estava prestes a oferecer seu filho Itzhak em sacrifício, um anjo o impediu de prosseguir. Avraham então avistou um carneiro preso pelos chifres e o ofereceu a D'us no lugar de seu filho. Por isso, o chifre do carneiro tornou-se um símbolo da Akedá e da extraordinária devoção demonstrada por Avraham e Itzhak.
Ao ouvirmos o Shofar em Rosh Hashaná, evocamos, assim, o mérito de nossos Patriarcas e pedimos que D'us nos julgue com misericórdia. Um instrumento aparentemente simples torna-se uma ligação entre o momento presente e um dos acontecimentos fundamentais da história espiritual do Povo Judeu.
Por que comemos maçã em Rosh Hashaná?
A maçã que comemos em Rosh Hashaná não simboliza apenas o desejo de um ano doce. Segundo os ensinamentos da Cabalá, essa fruta possui um significado espiritual mais profundo: o Zohar se refere ao Paraíso como Chakal Tapuchin Kadishin — o “Pomar das Maçãs Sagradas”.
Essa associação também aparece na interpretação de um episódio da Torá. Quando Itzhak sente o aroma de seu filho Yaacov, declara: “O cheiro do meu filho é como o cheiro do campo que o Eterno abençoou”. Rashi explica que se trata do aroma do Gan Eden, comparado a um pomar de maçãs.
A maçã também aparece no Shir HaShirim como símbolo do relacionamento entre D'us e o Povo Judeu. Assim, ao comê-la em Rosh Hashaná, evocamos não apenas doçura, mas também o Gan Eden e o amor de D'us por Seu povo, expressando a esperança de que o novo ano seja repleto de bênçãos.
Por que Rosh Hashaná dura dois dias até em Israel?
Rosh Hashaná é diferente das demais grandes festas judaicas. Em outras festividades, como Pessach ou Sucot, as comunidades da Diáspora observam um dia adicional de Yom Tov — costume adotado na Antiguidade, quando o início de cada mês era determinado em Jerusalém após o testemunho de pessoas que haviam avistado a lua nova. Como essas festas começam no meio do mês, havia tempo para que a notícia sobre o início do novo mês fosse conhecida em Israel, mas nem sempre para que chegasse às comunidades mais distantes, que passaram a observar um dia adicional por precaução.
Rosh Hashaná, porém, começa no primeiro dia de Tishrei — exatamente o dia em que o novo mês era declarado. No início desse dia, ainda não se sabia se as testemunhas chegariam a tempo para que aquele próprio dia fosse declarado Rosh Chodesh. Essa incerteza podia existir até mesmo em Jerusalém. Por isso, Rosh Hashaná passou a ser observado durante dois dias também em Israel. Esse costume permaneceu até hoje, mesmo após a fixação do calendário judaico.
Segundo ensinamentos cabalísticos e chassídicos, os dois dias não são apenas consequência dessa antiga incerteza relacionada ao calendário: eles também expressam dimensões espirituais distintas e complementares da festividade, formando um único processo de renovação.
Por que Rosh Hashaná representa o nascimento de um novo mundo?
Segundo os ensinamentos da Cabalá, a Criação não foi um acontecimento que ocorreu apenas uma vez, no início da existência. D'us sustenta continuamente tudo o que existe, renovando a Criação a cada momento. Em Rosh Hashaná, porém, essa renovação assume uma dimensão especial.
A ideia é que o novo ano não constitui simplesmente a continuação daquele que terminou. Em Rosh Hashaná ocorre uma renovação mais profunda: o mundo é, espiritualmente, criado de novo. Por isso, a festividade é descrita não apenas como o nascimento de um novo ano, mas como o nascimento de um novo mundo.
Esse ensinamento também dá a Rosh Hashaná um significado pessoal. Assim como o mundo é renovado, cada pessoa recebe a oportunidade de não se limitar a pequenos ajustes em relação ao passado, mas de reconsiderar suas prioridades, seus valores e a direção de sua vida. Rosh Hashaná representa, assim, a possibilidade de um verdadeiro novo começo.
Quais são os três pilares que sustentam o mundo?
O Pirkei Avot ensina que o mundo se sustenta sobre três pilares: Torá, Avodá e Guemilut Chassadim — o estudo e cumprimento da Torá, o serviço Divino e a prática de atos de bondade.
Esses três pilares representam dimensões complementares da vida judaica. A Torá desenvolve a sabedoria e ensina como conduzir a vida de acordo com a Vontade Divina. A Avodá, hoje expressa especialmente pela oração e pelo cumprimento das mitsvot, fortalece nossa ligação com D'us e nos ensina a viver com santidade. Já Guemilut Chassadim nos conduz à bondade, à generosidade, à justiça e à preocupação com o próximo.
A mensagem é que nenhuma dessas dimensões, isoladamente, é suficiente. Uma vida judaica plena deve unir sabedoria, santidade e bondade. Fortalecer apenas um ou dois desses pilares deixa incompleta a missão espiritual do ser humano.
Por que os pais abençoam os filhos antes de Yom Kipur?
Antes do início de Yom Kipur, existe o costume de os pais abençoarem seus filhos. É um momento especialmente significativo, realizado às vésperas do dia em que o Povo Judeu se volta a D'us em busca de perdão e de um novo começo.
Nessa bênção, os pais pedem que seus filhos sejam selados no Livro da Vida e que o amor a D'us permaneça sempre em seus corações. Assim, além de desejar vida e bênçãos para o novo ano, expressam o desejo de que os filhos mantenham uma ligação profunda e duradoura com D'us e com o Judaísmo.
O costume transforma os momentos que antecedem Yom Kipur em uma ocasião de profunda conexão entre as gerações. Antes de seguirem para a sinagoga e iniciarem as orações do dia mais reverenciado do calendário judaico, pais e filhos compartilham um momento dedicado à bênção, ao amor e à continuidade espiritual.
Por que o Shofar é comparado a um despertador espiritual?
Maimônides ensina que o som do Shofar em Rosh Hashaná funciona como um chamado para despertar aqueles que estão espiritualmente adormecidos. Seu toque nos convida a interromper a rotina, refletir sobre a maneira como estamos vivendo e avaliar se estamos utilizando bem um dos maiores presentes que recebemos de D'us: o tempo.
Rosh Hashaná marca o início de um novo ano e também dos Dez Dias de Teshuvá. Por isso, o Shofar nos conclama a examinar nossas ações, corrigir nossos erros e reconsiderar nossas prioridades. Seu som nos lembra de que o tempo perdido não pode ser recuperado e de que sempre podemos escolher viver de maneira mais significativa.
Assim, o Shofar não anuncia apenas a chegada de um novo ano. Ele representa um chamado à transformação: despertar, fazer Teshuvá e aproveitar melhor as oportunidades que D'us nos concede para crescer espiritualmente, cumprir mitsvot e praticar o bem.
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Acendimento das velas