A proximidade de Rosh Hashaná em Elul é marcada também pelo costume de escrever cartas e mensagens de bênção, desejando uns aos outros: “Ketivá vechatimá tová” — que sejamos inscritos e selados para um bom ano. Essa prática reforça a dimensão comunitária e afetiva de Elul, lembrando que não apenas nos aproximamos de D’us individualmente, mas também como Povo. Ao desejar o bem ao próximo, cada judeu participa da construção de um novo ano repleto de paz, saúde e bênçãos.
Na tradição judaica, Elul também é lembrado como o mês em que Moshe Rabenu permaneceu no Monte Sinai durante quarenta dias, até Yom Kipur, quando trouxe as segundas Tábuas da Lei. Esse período histórico de perdão Divino se repete a cada ano, transformando Elul em um tempo de misericórdia especial. Por isso, é costume intensificar as boas ações, o estudo da Torá e as preces nesse mês, aproveitando a oportunidade única de renovar a ligação pessoal e coletiva com D’us antes do início de um novo ano.
Uma das práticas do mês de Elul é recitar o Salmo 27. Esse salmo fala da confiança em D’us e, em muitas comunidades, é recitado diariamente desde o início de Elul até Hoshaná Rabá, no final de Sucot. O Salmo 27 expressa a certeza de que, mesmo diante de julgamentos e desafios, D’us protege e guia o Seu povo.
O Alter Rebe, fundador do movimento Chabad-Lubavitch, comparou o mês de Elul ao momento em que “o Rei está no campo”. Assim como um rei que deixa seu palácio e se aproxima do povo com acolhimento e bondade, em Elul, D’us Se aproxima de cada pessoa com amor especial. Essa metáfora ensina que, nesse mês, cada um de nós pode se voltar a D’us com maior facilidade e sinceridade, aproveitando essa proximidade para fortalecer sua ligação espiritual antes do julgamento de Rosh Hashaná.
Em Elul, é costume tocar o shofar diariamente (exceto em Shabat e na véspera de Rosh Hashaná). Esse costume remonta a Moshe Rabenu, que subiu ao Monte Sinai neste mês para receber as segundas Tábuas da Lei. O som do shofar desperta o coração do Povo Judeu para a teshuvá, lembrando que Elul é um mês de misericórdia e perdão Divino. Além disso, desde o início de Elul até Yom Kipur, é costume recitar o Salmo 27 (L’David Hashem Ori), que fala da confiança em D’us e de Sua proteção, reforçando a atmosfera de espiritualidade e preparação para os Yamim Noraim (Dias Temíveis).
O estudo da Torá não termina na compreensão — ele deve levar à prática. O Talmud registra um debate: o que é maior, estudar ou agir? A conclusão foi: “O estudo é maior, porque leva à ação.” O aprendizado da Torá refina o intelecto, eleva o coração e orienta a conduta. O estudo sem prática é incompleto. Por isso, a educação judaica enfatiza tanto o conhecimento quanto a ação: aprender as leis e aplicá-las na vida cotidiana — nas bênçãos, na honestidade, na bondade, na prece e no respeito ao próximo.
A mitzvá de devolver um objeto perdido é um pilar da ética da Torá. Quem encontra um item, mesmo algo pequeno como uma moeda ou um lenço, tem a obrigação de tentar devolvê-lo. Esse mandamento ensina respeito pela propriedade alheia, fortalece a confiança comunitária e reforça a responsabilidade pessoal. Ele se aplica mesmo quando envolve esforço ou incômodo, lembrando-nos de que os valores da Torá exigem não apenas boas intenções, mas ações concretas.
Quando Moshe desceu do Sinai e viu o Bezerro de Ouro, quebrou as primeiras Tábuas — mas, segundo o Talmud e o Midrash, D’us o elogiou por isso. Moshe agiu com amor e lealdade ao Povo Judeu, temendo que, naquele momento, devido ao pecado do bezerro de ouro, não fossem dignos de tamanho presente Divino. De forma notável, tanto as segundas Tábuas completas quanto as primeiras, quebradas, foram colocadas juntas na Arca Sagrada. Esse fato transmite uma lição profunda: mesmo a quebra, quando nasce da devoção sincera, é valorizada. A Torá não exige perfeição — acolhe a luta conduzida com amor e verdade.
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Acendimento das velas