Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXV N.98 DEZEMBRO 2017

A festa de Chanucá celebra dois milagres ocorridos há mais de dois milênios: a vitória militar dos Macabeus sobre os sírio-gregos e o fenômeno sobrenatural de um único jarro de azeite que manteve acesa a Menorá do Templo por oito dias.

Milagres impressionantes e inspiradores, sem dúvida. Contudo, cabe a pergunta: por que Chanucá foi instituída como uma de nossas festas? Afinal, ao longo da história judaica, ocorreram milagres em abundância, e excetuando-se Pessach e Purim, não há festas judaicas que os celebrem. O Tanach e o Talmud relatam muitos deles. Alguns exemplos: Yehoshua fez o sol parar, os profetas Eliyahu e Elishá realizaram ressurreições e Rabi Chanina ben Dosa fez o vinagre queimar. Além da vitória dos Macabeus, ocorreram outras vitórias militares milagrosas na antiga Israel; por exemplo, a conquista de Jericó por Yehoshua. E, de fato, continuam ocorrendo até hoje no moderno Estado de Israel. A Guerra de Independência também foi uma vitória dos poucos contra os muitos, dos fracos contra os fortes. A incrível vitória na Guerra dos Seis Dias constituiu outro milagre. A reviravolta e subsequente vitória na Guerra de Yom Kipur foi ainda outro triunfo militar milagroso. Qual, então, a singularidade de Chanucá? Por que se tornou uma festa celebrada por todo o Povo Judeu, geração após geração?

Há muitas respostas para essa pergunta. Uma delas é que Chanucá comemora, também, seu significado histórico para o Povo Judeu. Os Macabeus lutaram uma guerra contra um inimigo aparentemente invencível, mas era necessário que vencessem, pois nada menos que o futuro do judaísmo estava em jogo. Esses guerreiros judeus não tinham nem a força, nem os armamentos, nem os homens, nem o treinamento militar necessário para vencer a poderosa máquina de guerra sírio-grega. Mas possuíam uma dupla porção do espírito judaico que está disposto a lutar, longa e arduamente, e fazer qualquer sacrifício em prol do judaísmo e de seu povo. Chanucá é uma festa celebrada por todo o Povo Judeu porque, não fosse pela vitória dos Macabeus, é bem provável que nosso povo tivesse sido completamente assimilado pelos helenistas e o judaísmo deixado de existir.

Outro motivo é que Chanucá celebra não apenas o milagre do azeite, mas também as lições desse evento sobrenatural. Indiscutivelmente, ao longo de nossa história, ocorreram fenômenos muito mais impressionantes do que o do azeite. Contudo, esse milagre ensina uma lição singular, de importância fundamental para o Povo Judeu durante os quase dois mil anos em que não tínhamos nem país nem exército. Essa lição nos mostrou que se há um pouco de luz, é possível sobreviver a qualquer escuridão. As mensagens transmitidas pelas luzes de Chanucá foram especialmente relevantes nas épocas mais difíceis de nossa história: a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém por Roma e o subsequente exílio de nosso povo; a Inquisição Espanhola que, assim como os sírio-gregos, tentou converter os judeus e forçá-los a abandonar o judaísmo; e, acima de tudo, o Holocausto, que exterminou quase sete milhões de judeus. Muitos acreditavam que os judeus nunca se reergueriam após o genocídio e o sofrimento ímpar a que foram submetidos. No entanto, nosso povo nunca se esqueceu do simples milagre do azeite. Não surpreende, portanto, que alguns judeus acendessem algo que se assemelhasse a uma Chanuquiá nos campos de extermínio: isso lhes dava força, fazendo-os recordar que nosso povo é capaz de sobreviver mesmo a situações impossíveis. O milagre do azeite celebrado em Chanucá lembra que não há escuridão nesse mundo que possa extinguir a luz eterna do Povo Judeu. Houve vários episódios em nossa história em que tínhamos apenas “um pequeno jarro de azeite puro” e parecia não haver quantidade suficiente para sobreviver à escuridão. Mas, milagrosamente, a luz se manteve acesa, iluminando e permitindo que nosso povo sobrevivesse até o alvorecer.

Ao longo dos milênios, enfrentamos muitos impérios e forças opressoras poderosas. Mas sobrevivemos a todos eles. Nossa luz não se apagou e nunca se apagará, e prevalecerá, sempre, sobre a escuridão.

Chanucá Sameach!

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXV N.98 DEZEMBRO 2017

A festa de Chanucá celebra dois milagres ocorridos há mais de dois milênios: a vitória militar dos Macabeus sobre os sírio-gregos e o fenômeno sobrenatural de um único jarro de azeite que manteve acesa a Menorá do Templo por oito dias.

Milagres impressionantes e inspiradores, sem dúvida. Contudo, cabe a pergunta: por que Chanucá foi instituída como uma de nossas festas? Afinal, ao longo da história judaica, ocorreram milagres em abundância, e excetuando-se Pessach e Purim, não há festas judaicas que os celebrem. O Tanach e o Talmud relatam muitos deles. Alguns exemplos: Yehoshua fez o sol parar, os profetas Eliyahu e Elishá realizaram ressurreições e Rabi Chanina ben Dosa fez o vinagre queimar. Além da vitória dos Macabeus, ocorreram outras vitórias militares milagrosas na antiga Israel; por exemplo, a conquista de Jericó por Yehoshua. E, de fato, continuam ocorrendo até hoje no moderno Estado de Israel. A Guerra de Independência também foi uma vitória dos poucos contra os muitos, dos fracos contra os fortes. A incrível vitória na Guerra dos Seis Dias constituiu outro milagre. A reviravolta e subsequente vitória na Guerra de Yom Kipur foi ainda outro triunfo militar milagroso. Qual, então, a singularidade de Chanucá? Por que se tornou uma festa celebrada por todo o Povo Judeu, geração após geração?

Há muitas respostas para essa pergunta. Uma delas é que Chanucá comemora, também, seu significado histórico para o Povo Judeu. Os Macabeus lutaram uma guerra contra um inimigo aparentemente invencível, mas era necessário que vencessem, pois nada menos que o futuro do judaísmo estava em jogo. Esses guerreiros judeus não tinham nem a força, nem os armamentos, nem os homens, nem o treinamento militar necessário para vencer a poderosa máquina de guerra sírio-grega. Mas possuíam uma dupla porção do espírito judaico que está disposto a lutar, longa e arduamente, e fazer qualquer sacrifício em prol do judaísmo e de seu povo. Chanucá é uma festa celebrada por todo o Povo Judeu porque, não fosse pela vitória dos Macabeus, é bem provável que nosso povo tivesse sido completamente assimilado pelos helenistas e o judaísmo deixado de existir.

Outro motivo é que Chanucá celebra não apenas o milagre do azeite, mas também as lições desse evento sobrenatural. Indiscutivelmente, ao longo de nossa história, ocorreram fenômenos muito mais impressionantes do que o do azeite. Contudo, esse milagre ensina uma lição singular, de importância fundamental para o Povo Judeu durante os quase dois mil anos em que não tínhamos nem país nem exército. Essa lição nos mostrou que se há um pouco de luz, é possível sobreviver a qualquer escuridão. As mensagens transmitidas pelas luzes de Chanucá foram especialmente relevantes nas épocas mais difíceis de nossa história: a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém por Roma e o subsequente exílio de nosso povo; a Inquisição Espanhola que, assim como os sírio-gregos, tentou converter os judeus e forçá-los a abandonar o judaísmo; e, acima de tudo, o Holocausto, que exterminou quase sete milhões de judeus. Muitos acreditavam que os judeus nunca se reergueriam após o genocídio e o sofrimento ímpar a que foram submetidos. No entanto, nosso povo nunca se esqueceu do simples milagre do azeite. Não surpreende, portanto, que alguns judeus acendessem algo que se assemelhasse a uma Chanuquiá nos campos de extermínio: isso lhes dava força, fazendo-os recordar que nosso povo é capaz de sobreviver mesmo a situações impossíveis. O milagre do azeite celebrado em Chanucá lembra que não há escuridão nesse mundo que possa extinguir a luz eterna do Povo Judeu. Houve vários episódios em nossa história em que tínhamos apenas “um pequeno jarro de azeite puro” e parecia não haver quantidade suficiente para sobreviver à escuridão. Mas, milagrosamente, a luz se manteve acesa, iluminando e permitindo que nosso povo sobrevivesse até o alvorecer.

Ao longo dos milênios, enfrentamos muitos impérios e forças opressoras poderosas. Mas sobrevivemos a todos eles. Nossa luz não se apagou e nunca se apagará, e prevalecerá, sempre, sobre a escuridão.

Chanucá Sameach!


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