Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XVIII N.74 DEZEMBRO 2011

Chanucá e Purim são festas judaicas que não são mencionadas na Torá, pois celebram eventos ocorridos após a sua entrega no Monte Sinai. Mas a Torá faz menção, ao menos de forma implícita, a essas festas.

Nossos Sábios dizem que na Torá há uma alusão a Purim em um verso de Deuteronômio, em que D’us afirma: “Eu certamente terei ocultado minha Face naquele dia”, pois o nome da heroína da história, Esther, deriva da palavra hester – “oculto” –, e o próprio tema dessa festa é a sobrevivência e o triunfo do Povo Judeu em meio à ocultação Divina.

Mas, onde na Torá se encontra uma alusão à Chanucá? Quase um ano após o Êxodo do Egito, no primeiro dia do mês de Nissan, o Povo Judeu, sob a liderança de Moshé, santificou o Mishkan, o Tabernáculo. Nesse dia, líderes das tribos de Israel trouxeram oferendas para celebrar esse evento extraordinário – a inauguração da morada Divina na Terra. Mas Aaron, irmão de Moshé, o líder da tribo de Levi, foi excluído. D’us o consolou ao lhe revelar que seu serviço Divino para a inauguração do Tabernáculo seria até maior do que o das outras tribos, pois caberia a ele preparar e acender a Menorá. Nachmânides explica que o serviço de acender a Menorá era mais elevado do que as oferendas porque fazia alusão ao acendimento de uma futura Menorá – a de Chanucá. D’us transmitiu a Aaron que seu papel era maior, pois chegaria o dia no qual o serviço do Templo seria descontinuado, e a Torá, quase esquecida. Seria apenas pela fé e bravura dos Hashmonaim, uma família de Cohanim, descendentes de Aaron, que o Templo seria reconquistado e purificado, e a Menorá, novamente acesa. D’us, portanto, confortou Aaron ao lhe informar que seus descendentes seriam responsáveis por salvar o Povo Judeu.

Durante quase dois mil anos, o Povo Judeu viveu longe de sua terra e, até hoje, sem o Templo de Jerusalém. Mas mesmo nas mais escuras noites do exílio, os judeus nunca deixaram de acender as velas de Chanucá. Esta festa está entrelaçada com Purim não apenas porque ambas celebram milagres e salvações, mas porque as luzes de Chanucá ensinam que quando há escuridão no mundo – quando D’us oculta sua Face e há sofrimento humano, cabe ao Povo Judeu difundir luz e esperança.

Durante os oito dias da festa de Chanucá, milhões de judeus ao redor do mundo acenderão velas. Estas representam tudo que há de bom e positivo no universo: D’us e sua Torá, a alma humana, a sabedoria, o conhecimento e a liberdade. Acendemos as luzes de Chanucá para não esquecer uma lição fundamental: fomos banidos da Terra de Israel, nosso Templo foi destruído, mas a luz do judaísmo e o brilho da alma humana nunca serão apagados.

A luz que foi acesa por Aaron HaCohen naquele 1º de Nissan se recusa a apagar. A cada ano, percorre os lares judaicos e se torna cada vez mais forte. Hoje, já não existe mais o Templo, nem sua Menorá, mas durante as oito noites de Chanucá, milhões de Chanuquiot, mini-símbolos do Templo sagrado, serão acesas por judeus. Estas Chanuquiot serão acesas em lugares públicos ou nas janelas das residências para compartilhar com todos os seres humanos, independentemente de nacionalidade ou religião, as lições desta festa: que cedo ou tarde, a luz prevalecerá sobre a escuridão, a liberdade sobre a tirania, a esperança sobre o desespero e o bem sobre o mal.

Chanucá Sameach a todos!

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CARTA AO LEITOR:
ANO XVIII N.74 DEZEMBRO 2011

Chanucá e Purim são festas judaicas que não são mencionadas na Torá, pois celebram eventos ocorridos após a sua entrega no Monte Sinai. Mas a Torá faz menção, ao menos de forma implícita, a essas festas.

Nossos Sábios dizem que na Torá há uma alusão a Purim em um verso de Deuteronômio, em que D’us afirma: “Eu certamente terei ocultado minha Face naquele dia”, pois o nome da heroína da história, Esther, deriva da palavra hester – “oculto” –, e o próprio tema dessa festa é a sobrevivência e o triunfo do Povo Judeu em meio à ocultação Divina.

Mas, onde na Torá se encontra uma alusão à Chanucá? Quase um ano após o Êxodo do Egito, no primeiro dia do mês de Nissan, o Povo Judeu, sob a liderança de Moshé, santificou o Mishkan, o Tabernáculo. Nesse dia, líderes das tribos de Israel trouxeram oferendas para celebrar esse evento extraordinário – a inauguração da morada Divina na Terra. Mas Aaron, irmão de Moshé, o líder da tribo de Levi, foi excluído. D’us o consolou ao lhe revelar que seu serviço Divino para a inauguração do Tabernáculo seria até maior do que o das outras tribos, pois caberia a ele preparar e acender a Menorá. Nachmânides explica que o serviço de acender a Menorá era mais elevado do que as oferendas porque fazia alusão ao acendimento de uma futura Menorá – a de Chanucá. D’us transmitiu a Aaron que seu papel era maior, pois chegaria o dia no qual o serviço do Templo seria descontinuado, e a Torá, quase esquecida. Seria apenas pela fé e bravura dos Hashmonaim, uma família de Cohanim, descendentes de Aaron, que o Templo seria reconquistado e purificado, e a Menorá, novamente acesa. D’us, portanto, confortou Aaron ao lhe informar que seus descendentes seriam responsáveis por salvar o Povo Judeu.

Durante quase dois mil anos, o Povo Judeu viveu longe de sua terra e, até hoje, sem o Templo de Jerusalém. Mas mesmo nas mais escuras noites do exílio, os judeus nunca deixaram de acender as velas de Chanucá. Esta festa está entrelaçada com Purim não apenas porque ambas celebram milagres e salvações, mas porque as luzes de Chanucá ensinam que quando há escuridão no mundo – quando D’us oculta sua Face e há sofrimento humano, cabe ao Povo Judeu difundir luz e esperança.

Durante os oito dias da festa de Chanucá, milhões de judeus ao redor do mundo acenderão velas. Estas representam tudo que há de bom e positivo no universo: D’us e sua Torá, a alma humana, a sabedoria, o conhecimento e a liberdade. Acendemos as luzes de Chanucá para não esquecer uma lição fundamental: fomos banidos da Terra de Israel, nosso Templo foi destruído, mas a luz do judaísmo e o brilho da alma humana nunca serão apagados.

A luz que foi acesa por Aaron HaCohen naquele 1º de Nissan se recusa a apagar. A cada ano, percorre os lares judaicos e se torna cada vez mais forte. Hoje, já não existe mais o Templo, nem sua Menorá, mas durante as oito noites de Chanucá, milhões de Chanuquiot, mini-símbolos do Templo sagrado, serão acesas por judeus. Estas Chanuquiot serão acesas em lugares públicos ou nas janelas das residências para compartilhar com todos os seres humanos, independentemente de nacionalidade ou religião, as lições desta festa: que cedo ou tarde, a luz prevalecerá sobre a escuridão, a liberdade sobre a tirania, a esperança sobre o desespero e o bem sobre o mal.

Chanucá Sameach a todos!


COMUNIDADES DA DIÁSPORA

O desaparecimento de uma antiga comunidade judaica

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Em menos de meio século, a antiga comunidade judaica líbia, que sobrevivera durante séculos de domínio estrangeiro e fervor islâmico, foi definhando até se extinguir por completo.

Edição 74 - Dezembro de 2011

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

Judeus na Líbia

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A história da Líbia é, na realidade, a história de três regiões geográficas distintas – Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan – povoadas por diferentes tribos, entre as quais não há, praticamente, ligação alguma, a não ser durante os períodos em que se encontravam sob domínio estrangeiro.

Edição 74 - Dezembro de 2011

BRASIL

Nos passos de Branca Dias

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Quem visitar o Alto da Sé, em Olinda, não deve deixar de ir à casa de número 526 da Rua Bispo Azeredo Coutinho. Neste local, bem ao lado da igreja, talvez tenha funcionado uma sinagoga quinhentista, no interior da residência do casal Branca Dias e Diogo Fernandes, líderes da comunidade criptojudaica de então e pioneiros na produção de açúcar em Pernambuco.

Edição 74 - Dezembro de 2011

BRASIL

Museu do Holocausto abre em Curitiba

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Há algum tempo, nossa sociedade brasileira enfrenta críticas por não cultivar, com a devida intensidade, eventos históricos. Projetos recentes, no entanto, apontam na direção contrária, e a comunidade judaica traz relevantes contribuições para manter a lembrança de episódios do passado nacional e da história contemporânea.

Edição 74 - Dezembro de 2011

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Herança judaica em Portugal

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Muito já se escreveu sobre a herança de judeus na Península Ibérica. Depois de uma visita a 15 cidades portuguesas, incluindo as sinagogas e museus de Lisboa, Belmonte, Castelo de Vide e tomar, pode-se concluir que a herança judaica foi muito forte e altamente representativa.

Edição 74 - Dezembro de 2011

BIOGRAFIAS

O herói que comandou o Exodus

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Há quem diga que o Exodus foi um navio que fundou uma nação e este é, inclusive, o título de um livro. Exagero à parte, de fato, a presença de um comitê das nações unidas no porto de Haifa, em 1947, que testemunhou a dramática jornada do Exodus, influenciou o relatório que recomendou à assembléia geral a partilha da antiga palestina em dois estados, um árabe, outro judeu.

Edição 74 - Dezembro de 2011

ARTE E CULTURA

Groucho Marx

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Não faltam grandes humoristas judeus: Efraim Kishon, Sholem Aleichem, Woody Allen, Jerry Lewis e tantos outros. Mas Groucho Marx é, provavelmente, o melhor de todos. O sucesso que o humor judaico americano faz no mundo deve-se a ele.

Edição 74 - Dezembro de 2011

JUDAISMO NO MUNDO

Judeus e Prêmio Nobel

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O Prêmio Nobel é o reconhecimento de maior prestígio dado a homens ou mulheres que, com seu trabalho, contribuíram para o bem e o progresso da humanidade.

Edição 74 - Dezembro de 2011

PROFETAS E SÁBIOS

O Vidente de Lublin

O Vidente de Lublin

Muitos entre os mestres Chassídicos tinham o poder de prever o futuro, mas nenhum teve igual visão ao Rabi Yaacov-Yitzhak Horowitz, o Chozé de Lublin.

Edição 74 - Dezembro de 2011

PURIM

Purim e a Providência Divina

Purim e a Providência Divina

Purim é uma festividade judaica única. Enquanto as demais festas religiosas enfatizam a espiritualidade – em Chanucá, por exemplo, acendemos velas que simbolizam a alma do homem e a Torá – Purim é guardada cumprindo-se quatro mandamentos, três do quais envolvem alimentos e bebidas.

Edição 74 - Dezembro de 2011

CHANUCÁ

CELEBRANDO CHANUCÁ

CELEBRANDO CHANUCÁ

Ano após ano, à época de Chanucá, as luzes são acesas em todos os lares judaicos para celebrar os acontecimentos daqueles dias, com cânticos de louvor a D'us. assim, os caminhos de Israel são iluminados pela mensagem eterna: "a luz espiritual de Israel nunca será apagada".

Edição 74 - Dezembro de 2011