Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO VIII N.29 JUNHO 2000

Quando esta edição de Morashá chegar às suas mãos, estaremos comemorando Shavuot, a festa que marca a entrega da Torá ao povo judeu, aos pés do Monte Sinai. Um evento que não apenas mudou nossa história. Enquanto povo unido por valores e tradições, mas também influenciou a humanidade toda, introduzindo um código de ética e moral que, desde então, vem pautando as relações entre os seres humanos.

Dizem os nossos sábios que a Torá se refere ao povo judeu no plural até narrar os acontecimentos do Monte Sinai. A partir deste momento, passa para o singular. Segundo Rashi, esta mudança reflete a transformação no comportamento daqueles que chegaram ao Monte Sinai como se fossem um só homem, com um único coração e um único objetivo: Servir a D'us e aceitar Sua Lei. Sem tal espírito de união, a entrega da Torá jamais teria sido possível.

E comum ouvirmos neste mundo de tantas diferentes correntes políticas e de tão controversas opiniões que "já que somos tão fortes, podemos também ser generosos ao fazer a paz com nossos vizinhos". Mas…que força é esta que todos nos atribuem? Será que estão falando da força militar, de divisões, blindados, mísseis e aviões? Esta força foi, sem dúvida alguma, fundamental. Mas não teríamos sobrevivido a séculos de perseguição e a tantos obstáculos sem uma outra força. Aquela que está dentro de nós e que vem da certeza de termos um propósito na vida.

Somente um povo motivado por suas crenças e valores poderia ter enfrentado e sobrevivido aos eventos que escreveram nossa história no decorrer dos séculos. O Talmud afirma que somos o mais forte e o mais corajoso dos povos. Temos aí, ao mesmo tempo, uma crítica pela impetuosidade e agressividade judaica e um elogio pela tenacidade e determinação do povo judeu.

O que está acontecendo com nosso povo nos dias de hoje? Será que se D'us decidisse entregar a Torá agora, seria possível criar aquele mesmo espírito de união? Será que haveria força interior suficiente, entre os diversos segmentos do judaísmo, para criar as condições ideais para um evento de tamanha magnitude?

Inúmeras foram as vitórias que o povo judeu conseguiu quando esteve unido e imbuído de sua força interna. Conseguiu, como muitos de nós testemunhamos neste século, feitos incríveis, verdadeiras proezas milagrosas, quer no resgate de nossos irmãos, quer na defesa de nossas fronteiras, ou na ajuda aos sobreviventes do Holocausto a reconstruir suas vidas ao mesmo tempo que construíam um novo país.

E hoje? Precisamos estar unidos para enfrentar ondas de anti-semitismo como a que invadiu recentemente a Áustria e os ataques de neonazistas ao redor do mundo. Devemos estar mobilizados, sempre, contra a perseguição e a falta de liberdade que ainda hoje existe. O julgamento no Irã dos treze judeus presos sob a falsa acusação de espionagem, com flagrante desrespeito aos direitos humanos, vem como um grave sinal de alerta.

O rei Salomão disse, certa vez, que "a vitória na guerra não reside necessariamente na força das armas".

Esperemos que, inspirados por palavras tão sábias, consigamos perceber, cada vez mais, que a verdadeira força de nosso povo não está apenas no poderio físico, mas principalmente na herança milenar que recebemos e que é o segredo para a construção de uma sociedade melhor. Não podemos esquecer que cada judeu é responsável por todos os outros, pois a Torá não nos foi entregue até que cada um de nós tivesse aceito este compromisso.


Chag Sameach!

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CARTA AO LEITOR:
ANO VIII N.29 JUNHO 2000

Quando esta edição de Morashá chegar às suas mãos, estaremos comemorando Shavuot, a festa que marca a entrega da Torá ao povo judeu, aos pés do Monte Sinai. Um evento que não apenas mudou nossa história. Enquanto povo unido por valores e tradições, mas também influenciou a humanidade toda, introduzindo um código de ética e moral que, desde então, vem pautando as relações entre os seres humanos.

Dizem os nossos sábios que a Torá se refere ao povo judeu no plural até narrar os acontecimentos do Monte Sinai. A partir deste momento, passa para o singular. Segundo Rashi, esta mudança reflete a transformação no comportamento daqueles que chegaram ao Monte Sinai como se fossem um só homem, com um único coração e um único objetivo: Servir a D'us e aceitar Sua Lei. Sem tal espírito de união, a entrega da Torá jamais teria sido possível.

E comum ouvirmos neste mundo de tantas diferentes correntes políticas e de tão controversas opiniões que "já que somos tão fortes, podemos também ser generosos ao fazer a paz com nossos vizinhos". Mas…que força é esta que todos nos atribuem? Será que estão falando da força militar, de divisões, blindados, mísseis e aviões? Esta força foi, sem dúvida alguma, fundamental. Mas não teríamos sobrevivido a séculos de perseguição e a tantos obstáculos sem uma outra força. Aquela que está dentro de nós e que vem da certeza de termos um propósito na vida.

Somente um povo motivado por suas crenças e valores poderia ter enfrentado e sobrevivido aos eventos que escreveram nossa história no decorrer dos séculos. O Talmud afirma que somos o mais forte e o mais corajoso dos povos. Temos aí, ao mesmo tempo, uma crítica pela impetuosidade e agressividade judaica e um elogio pela tenacidade e determinação do povo judeu.

O que está acontecendo com nosso povo nos dias de hoje? Será que se D'us decidisse entregar a Torá agora, seria possível criar aquele mesmo espírito de união? Será que haveria força interior suficiente, entre os diversos segmentos do judaísmo, para criar as condições ideais para um evento de tamanha magnitude?

Inúmeras foram as vitórias que o povo judeu conseguiu quando esteve unido e imbuído de sua força interna. Conseguiu, como muitos de nós testemunhamos neste século, feitos incríveis, verdadeiras proezas milagrosas, quer no resgate de nossos irmãos, quer na defesa de nossas fronteiras, ou na ajuda aos sobreviventes do Holocausto a reconstruir suas vidas ao mesmo tempo que construíam um novo país.

E hoje? Precisamos estar unidos para enfrentar ondas de anti-semitismo como a que invadiu recentemente a Áustria e os ataques de neonazistas ao redor do mundo. Devemos estar mobilizados, sempre, contra a perseguição e a falta de liberdade que ainda hoje existe. O julgamento no Irã dos treze judeus presos sob a falsa acusação de espionagem, com flagrante desrespeito aos direitos humanos, vem como um grave sinal de alerta.

O rei Salomão disse, certa vez, que "a vitória na guerra não reside necessariamente na força das armas".

Esperemos que, inspirados por palavras tão sábias, consigamos perceber, cada vez mais, que a verdadeira força de nosso povo não está apenas no poderio físico, mas principalmente na herança milenar que recebemos e que é o segredo para a construção de uma sociedade melhor. Não podemos esquecer que cada judeu é responsável por todos os outros, pois a Torá não nos foi entregue até que cada um de nós tivesse aceito este compromisso.


Chag Sameach!


ANTISSEMITISMO

O CASO LEO FRANK

O CASO LEO FRANK

A prisão e posterior condenação de Leo Frank mostrou a profundidade e a força do anti-semitismo vigente no sul dos Estados Unidos no início do século XX. Atlanta, Geórgia, 1913.

Edição 29 - Junho de 2000

ANTISSEMITISMO

ANTI-DEFAMATION LEAGUE, MARCO CONTRA A DIFAMAÇÃO

ANTI-DEFAMATION LEAGUE, MARCO CONTRA A DIFAMAÇÃO

Criada para lutar contra o anti-semitismo e a discriminação das minorias no seio da sociedade americana, a ADL transformou-se em um dos maiores centros de combate ao preconceito, no mundo.

Edição 29 - Junho de 2000

ISRAEL HOJE

OS HERÓIS DOS CÉUS

OS HERÓIS DOS CÉUS

Eles são um dos maiores, senão o maior, dos mitos do Estado de Israel. Heróis de muitas guerras, representam a elite militar do país e povoam a imaginação de todos: são os pilotos da Força Aérea de Israel (FAI).

Edição 29 - Junho de 2000

HOLOCAUSTO

EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

Do gueto de Lodz, fui levado para Auschwitz. Após a seleção feita por Mengele, fui levado para o campo de ciganos, em Birkenau. O terror, os maus tratos e os assassinatos lá cometidos pelos guardas alemães, capos e dignitários, são difíceis de descrever. Não sei dizer como, mas sobrevivi. Fui levado de volta a Auschwitz e vendido como escravo a uma empreiteira.

Edição 29 - Junho de 2000

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

BIROBIDJAN, ENCLAVE JUDAICO NA ANTIGA URSS

BIROBIDJAN, ENCLAVE JUDAICO NA ANTIGA URSS

Durante a década de 1930, Stalin acenou para os judeus com a possibilidade de criar um centro de vida judaica em uma das repúblicas soviéticas. Os anos passaram e a realidade mostrou-se bem diferente

Edição 29 - Junho de 2000

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

BIROBIDJAN, ENCLAVE JUDAICO NA ANTIGA URSS

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Durante a década de 1930, Stalin acenou para os judeus com a possibilidade de criar um centro de vida judaica em uma das repúblicas soviéticas. Os anos passaram e a realidade mostrou-se bem diferente.

Edição 29 - Junho de 2000

SHABAT

O KIDDUSH

O KIDDUSH

O kidush é um preceito positivo santificar o dia de Shabat com palavras, como está escrito: Lembre do dia do Shabat para santificá-lo. Os sábios explicaram que cumprimos está santificação fazendo o kidush sobre um copo de vinho, pois esta é a base do

Edição 29 - Junho de 2000

SHABAT

UM DIA DIFERENTE

UM DIA DIFERENTE

O judaísmo é um código de lei extremamente complexo, em que muitos de seus preceitos são incompreensíveis pela mente humana e outros exigem um grande esforço intelectual para se começar a compreendê-los.

Edição 29 - Junho de 2000

LEIS, COSTUMES E TRADIÇÕES

O CASAMENTO

O CASAMENTO

A Torá nos ensina que os casamentos são 'combinados' nos Céus. Diz o Talmud (no tratado Sotá 2a): 'Quarenta dias antes da concepção é decretado nos Céus que a filha desta pessoa está prometida ao filho daquela outra'.

Edição 29 - Junho de 2000

MISTICISMO

SEFIROT, AS DEZ EMANAÇÕES DIVINAS

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Rabi Moisés de Leon, cabalista espanhol do século XIII, escreveu: 'As dez sefirot são o segredo da existência, o aparato da sabedoria, o meio pelo qual os mundos de cima e de baixo foram criados.

Edição 29 - Junho de 2000

CRÔNICAS E CONTOS

AMIGO DO RABINO

AMIGO DO RABINO

Esta é uma história que deve ser somada ao vasto repertório da vida cultural judaica, tão rica de casos e crônicas que vieram somando-se através dos anos, para se constituírem em uma vasta fonte de informações de outras eras.

Edição 29 - Junho de 2000

CRÔNICAS E CONTOS

NOTÁVEIS COINCIDÊNCIAS

NOTÁVEIS COINCIDÊNCIAS

Notáveis coincidências sobre o calor humano e devoção.

Edição 29 - Junho de 2000

BIOGRAFIAS

SIGMUND FREUD

SIGMUND FREUD

Ele abriu uma janela sobre o inconsciente - onde o desejo, a agressividade e a repressão lutam pela supremacia - e mudou nosso jeito de vermos a nós mesmos.

Edição 29 - Junho de 2000

ARTE E CULTURA

VIDA E DESTINO DAS LÍNGUAS JUDAICAS

VIDA E DESTINO DAS LÍNGUAS JUDAICAS

O ídiche, assim como o ladino ou judeu-árabe, línguas judaicas com rico passado, ao despontar um novo milênio provocam em nós a pergunta: conseguirão escapar do esquecimento? Antes de responder, vale a pena lembrar seu destino ao longo do século XX.

Edição 29 - Junho de 2000

SABEDORIA JUDAICA

AMIZADE

AMIZADE

O que é um amigo? Alguém com quem você fala todos os dias? Alguém com quem você sai para tomar um café e falar sobre como passou o dia? O termo amizade não tem um significado aceito universalmente. Em certas culturas é usado com extrema facilidade, em outras, como na Rússia, amizade implica profundos laços emocionais mais importantes do que qualquer outro tipo de relacionamento.

Edição 29 - Junho de 2000

JUDAISMO NO MUNDO

NO IRÃ, JUDEUS EM COMPASSO DE ESPERA

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Desde meados de abril, o mundo assiste com atenção um fato que está ocorrendo no Irã: o julgamento de 13 membros da comunidade judaica iraniana acusados por Teerã de espionagem a favor de Israel.

Edição 29 - Junho de 2000

JUDAISMO NO MUNDO

JUDAÍSMO NA TERRA DO DALAI LAMA

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Um jovem ortodoxo parte de Jerusalém para promover o judaísmo e os ensinamentos da Torá entre os turistas judeus que visitam a Índia. Cabalat Shabat e Seder de Pessach são algumas das atividades desenvolvidas.

Edição 29 - Junho de 2000

JUDAISMO NO MUNDO

APESAR DE TUDO HÁ JUDAÍSMO NA POLÔNIA

APESAR DE TUDO HÁ JUDAÍSMO NA POLÔNIA

Entre as pessoas com as quais comentei que iria passar uma semana na Polônia, recebi a resposta quase unânime:

Edição 29 - Junho de 2000

JUDAISMO NO MUNDO

O RENASCIMENTO DO VINHO

O RENASCIMENTO DO VINHO

Especialistas afirmam que o vinho casher tem a mesma qualidade que os vinhos clássicos e é tão bom que está atendendo ao paladar dos consumidores mais exigentes.

Edição 29 - Junho de 2000

CIÊNCIAS

INTERNET E FILHO DE ASSAD AMEAÇAM REVOLUCIONAR A SÍRIA

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O jovem coronel do Exército parece pretender liberalizar o regime, ao abraçar a era da informação e da tecnologia.

Edição 29 - Junho de 2000

SHAVUOT

SHAVUOT: O QUE É A TORÁ?

SHAVUOT: O QUE É A TORÁ?

Por que D-us a concedeu ao Povo de Israel, o povo judeu? Por que, de uma maneira geral, D-us a terá ofertado a mortais seres humanos?

Edição 29 - Junho de 2000