Dois anos após o dia mais trágico da história do Estado de Israel — 7 de outubro de 2023, quando ocorreu o maior ato de terrorismo já vivenciado no país e a maior matança de judeus desde o Holocausto — é tempo de olhar para o passado com clareza, extrair suas lições e encarar o futuro com propósito e determinação. israel ainda carrega feridas abertas, e novos desafios surgem antes que os anteriores tenham sido superados. A superação, a resiliência e a continuidade, contudo, sempre fizeram parte da condição israelense.

Por UNIDADE DE PORTA-VOZES DAS FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL

Criada para proteger todos os cidadãos do Estado de Israel, a Tzvá Haganá LeYisrael – as Forças de Defesa de Israel (FDI) – conta, desde 1948, com jovens de geração em geração chamados a reafirmar essa missão diante de ameaças constantes.

Hoje, com o acordo de cessar-fogo e o possível encerramento da mais longa guerra da história israelense, as FDI honram os companheiros que tombaram no campo de batalha e os que retornaram feridos – homens e mulheres que pagaram o mais alto preço para proteger o Povo Judeu em sua terra e assegurar o futuro do país. Alguns perderam parte do corpo; outros, a tranquilidade da mente. Todos os que foram à guerra deixaram para trás algo de si para que Israel permanecesse de pé. Seu sacrifício é o testemunho silencioso de uma nação que continua a resistir, mesmo diante de inenarrável sofrimento.

Nas Forças de Defesa de Israel, a coragem assume muitas formas. Às vezes, é avançar sob fogo cerrado; em outras, é simplesmente levantar-se no dia seguinte, conviver com as lembranças e se preparar para os desafios que estão por vir. É a força de liderar mesmo ferido, de falar apesar do trauma, de reconstruir a vida após perder parte dela.

A seguir, apresentamos os relatos que não são histórias isoladas, mas expressões de uma mesma essência: a recusa em permitir que o desespero defina o destino – individual e coletivo – do Povo de Israel. São os testemunhos de homens e mulheres – e, por meio deles, de uma nação inteira – que aprendem a se reerguer e a se curar juntos.

Major D

“Mesmo com um buraco no estômago, ainda sou o comandante.”

Foi o que disse o major D. ao recordar os acontecimentos em Rafah – aqueles poucos minutos que mudariam sua vida e a de seus soldados. Uma explosão sob o veículo blindado que deixou quatro militares gravemente feridos. Ele próprio sofreu ferimentos profundos, mas continuou a comandar. Apenas quando se certificou de que todos haviam sido socorridos, deixou seu corpo ceder.

O sargento Yishai Orbach z”l correu para ajudá-lo e foi morto por um segundo disparo de RPG. “Yishai foi um herói”, afirma o major D. com voz firme. “Cada soldado sob fogo age conforme nossos valores: foco, camaradagem, autocontrole. É isso que nos define.”

“Quando cheguei à reabilitação, após várias cirurgias, liguei para o meu comandante e disse: ‘Estou voltando. Pode levar tempo, mas voltarei mais forte’.” E cumpriu a promessa.

No centro de reabilitação, não havia patentes – apenas companheiros de armas. “Estávamos lado a lado: soldados, oficiais, pacientes. Todos travando um tipo diferente de guerra.”

Para o major D., a esperança se tornou parte da própria missão. “Atrás de cada soldado ferido há uma família que luta com ele. Eu lhes digo: sorriam primeiro. Depois vem a cura, o corpo humano sabe se curar – deixem-se surpreender por isso.”

Em breve, D. retornará ao comando da unidade de elite Yahalom. “Enquanto a missão não estiver concluída”, afirma, “lá estarei”.

Yuval Ben Nun

“Os flashbacks não cessam – mas decidi não ficar em silêncio.”

Para o ex-médico paraquedista Yuval Ben Nun, a guerra não terminou quando voltou para casa. “Tenho lembranças recorrentes, ansiedade, noites sem sono. As memórias não me deixam em paz. Mesmo assim, escolhi falar – por mim, por quem vive o mesmo e por aqueles que não voltaram.”

Yuval havia enfrentado inúmeros cenários de violência – tiroteios, esfaqueamentos, ataques terroristas – e acreditava estar preparado para tudo. O dia 7 de outubro mostrou o contrário. Embora já dispensado, ele correu para o Sul assim que soube do ataque. “Não podia permanecer inerte”, recorda.

No cruzamento de Shuva, tratou os feridos da Brigada Golani sob fogo intenso, levando-os ao Hospital Soroka em meio a explosões. “Enrolava cigarros para mantê-los acordados”, conta. Meses depois, um dos soldados o reconheceu: “Você é o médico que fez os cigarros para mim”. – “Aquele instante”, diz Yuval, “valeu tudo”.

Ao retornar, foi atingido por uma dor ainda maior. “Soube que meus companheiros haviam morrido. Desabei. Nenhuma palavra me consolava.”

Enquanto enfrentava o transtorno de estresse pós-traumático, a guerra voltou a atingir sua casa: seu irmão gêmeo, tenente Shahar Ben Nun z”l, caiu em combate em Gaza. “Desde então, cada passo que dou não é apenas meu – é também o dele.” Em meio à escuridão, Yuval encontrou apoio em Reggie, seu cão de serviço, que o ajuda a lutar contra a ansiedade.

Sua mensagem é simples, mas profunda: “A dor não desaparece, mas é possível aprender a conviver com ela. Fale. Deixe que alguém o compreenda – é assim que começa a cura”.

Capitão Adi Timor

“Consegui ficar em pé na prancha de surfe com a prótese de perna – foi pura euforia.”

O capitão (res.) Adi Timor recorda, com o rosto sério, o momento que mudou sua vida. “Senti uma explosão e tudo ficou escuro.” A detonação que o feriu tirou-lhe uma perna e a vida de seus dois companheiros, Elisaf Shushan e Ohad Ashur z”l.

Antes da guerra, Adi havia batalhado por seu lugar nas forças de combate. “Comecei em uma função não combatente, melhorei meu perfil médico, entrei para o Reconhecimento de Paraquedistas, tornei-me oficial – era o meu sonho.”

No dia 7 de outubro, ele estava na praia. Semanas depois, foi chamado novamente à linha de frente, em Gaza. “Entramos casa por casa, desmantelando a infraestrutura do Hamas. Foi então que a emboscada ocorreu.”

Acordou semanas depois no Hospital Sheba, sem a perna. “Eu estava vivo, mas havia perdido tanto.” Começou então a segunda batalha – a da recuperação. “Tive que reaprender a engolir, a ficar em pé por alguns segundos, a mover o braço. Perdi vinte quilos. O corpo estava em choque. Cada pequeno movimento se tornou uma vitória.”

Dez meses depois, Adi voltou ao mar. “Eu estava com medo, mas quando consegui me levantar na prancha, senti pura euforia. Talvez não seja perfeito – mas me deixou esperançoso.”

Ele resume sua experiência com serenidade: “O medo é natural. Mas se lutarmos o bastante, quase tudo é possível”.

Liza Bezernik

“Doeu, mas foi um processo. Em situações extremas, não há escolha.”

Foi assim que Liza Bezernik descreveu o dia em que um foguete caiu próximo à fronteira com o Líbano. “O veículo quase capotou. As janelas se estilhaçaram. A soldada ao meu lado deslocou o braço – mas tínhamos de continuar.”

Liza havia se alistado como técnica de comunicações – uma função aparentemente distante do combate. Mas seu trabalho a mantinha logo atrás das linhas de frente, garantindo a conectividade que, muitas vezes, significava a diferença entre vida e morte. “Sem nós, haveria caos no campo de batalha.”

Então veio a explosão que alterou o curso de sua vida. “Só mais tarde percebi a gravidade dos ferimentos. A adrenalina me protegeu.”

A recuperação foi lenta e difícil. “Chorei, sofri – mas foi um processo. Em situações extremas, você simplesmente sobrevive. Aos poucos, pude ler, tomar café, treinar. Reaprendi a viver. Minha vida era minha outra vez.”

Ela faz uma pausa. “O ferimento me ensinou a valorizar o essencial – especialmente esta comunidade de veteranos feridos das FDI. Eles se tornaram minha família. Mesmo com dor, me senti renascer.”

Yonatan Ben Shabbat

“Um dia, pretendo ser pai e correr com meus filhos na grama.”

Para Yonatan Ben Shabbat, soldado da Brigada Givati que cresceu em Mea Shearim, o serviço militar era um sonho – e um chamado. Durante uma missão em Rafah, dois terroristas emergiram de um túnel e colocaram explosivos sob seu veículo blindado. “Nem tive tempo de fechar a porta antes que explodisse”, recorda.

“Quando despertei no hospital, percebi que estava vivo. Mas, toda vez que fechava os olhos, ainda estava lá.” A reabilitação tornou-se uma segunda vida. “Foi um processo longo, cheio de cirurgias e de frustrações, mas também de bondade. Pessoas que eu nem conhecia vieram me ajudar. Essa é a força desta nação.”

Sua determinação permanece intacta. “O mais importante é escolher a vida”, afirma. “Hoje estou em uma cadeira de rodas, mas trabalho todos os dias para voltar a andar. Um dia, serei pai – e correrei com meus filhos na grama.”

Desde o início da guerra em Gaza, mais de 20.000 soldados das FDI foram feridos. Cada um deles carrega uma história diferente. São testemunhos vivos da coragem e da resistência moral e espiritual que sustentam o Estado de Israel – e suas forças armadas – desde a fundação do país.

A missão das Forças de Defesa de Israel não termina quando cessam os combates. Ela se manifesta em cada soldado que permanece disposto a defender o Estado de Israel diante de qualquer ameaça futura e, ao mesmo tempo, decide reconstruir sua própria vida com coragem e propósito. Nesses homens e mulheres se reflete o espírito de um povo milenar que, mesmo diante da perda e do sofrimento, sempre escolhe a vida – um povo que sabe erguer-se dos abismos mais profundos e reconstruir-se. É dessa escolha constante pela vida que nasce a verdadeira esperança.

Apesar das importantes vitórias alcançadas por Israel nesta guerra, foi altíssimo o preço pago pelas forças armadas – e pela sociedade como um todo. Cerca de 1.150 membros das forças de segurança israelenses – entre soldados, policiais, agentes do Shin Bet e integrantes de unidades de defesa – perderam a vida. Segundo o Ministério da Defesa, aproximadamente 42% dos caídos tinham menos de 21 anos, em sua maioria jovens em serviço militar obrigatório.

O custo humano do conflito é devastador: 1.973 pais perderam um filho, 351 mulheres ficaram viúvas e 885 crianças tornaram-se órfãs.

Mas, em meio a tudo isso, Am Israel Chai Vekayam!

O espírito do Povo de Israel está vivo e floresce!