Na manhã de 7 de outubro, por volta das 6h30, jovens militares israelenses foram despertadas pelo alerta de uma infiltração em massa de terroristas provenientes de Gaza. Não imaginavam que entrariam para a história das Forças de Defesa de Israel como a primeira companhia de tripulação de tanques exclusivamente feminina em combate – nem que […]
Na manhã de 7 de outubro, por volta das 6h30, jovens militares israelenses foram despertadas pelo alerta de uma infiltração em massa de terroristas provenientes de Gaza. Não imaginavam que entrariam para a história das Forças de Defesa de Israel como a primeira companhia de tripulação de tanques exclusivamente feminina em combate – nem que sua atuação seria decisiva para conter ataques no sul do país.
As jovens integravam uma companhia de tanquistas vinculada ao Batalhão Caracal, unidade mista de infantaria de combate das FDI criada para integrar mulheres às funções combatentes. O batalhão opera no sul do país e está subordinado à Brigada Sagi, no Comando Sul. Baseada em Nitzana, na fronteira com o Egito, a companhia era comandada pela capitã Karni Gez.
Com o início do ataque, as tanquistas receberam ordem de avançar rapidamente para o norte. A companhia partiu em três tanques Merkava IV e em um Humvee blindado; os blindados foram, excepcionalmente, autorizados a trafegar por vias civis, em alta velocidade.
À medida que se aproximavam da área de conflito, depararam-se com brechas na cerca e com um número cada vez maior de terroristas avançando em direção ao território israelense, alguns portando RPGs (lançadores de granadas antitanque). Um dos tanques e sua tripulação permaneceram para conter a brecha e impedir novas infiltrações, enquanto os demais blindados seguiram para pontos críticos, dividindo-se entre o Kibutz Sufa e o Kibutz Holit.
Em Holit, uma das comandantes relatou que, ao chegar ao kibutz, encontrou o portão principal fechado e sinais da presença de terroristas na área. O tanque, então, rompeu o portão para entrar e apoiar a defesa local. No primeiro grande contato, as tripulações afirmaram ter alternado o uso de metralhadoras e disparos de canhão, em meio a informações fragmentadas e ao caos nas comunicações.
Um aspecto recorrente nos depoimentos foi a improvisação no uso do sistema de armas do blindado. Segundo entrevistas exibidas pela televisão israelense e reportagens posteriores, as militares ainda não haviam sido treinadas naquela configuração específica do sistema e precisaram aprender sob pressão. “Em 10 minutos, viramos especialistas: como operar, como atirar, como frear”, disse uma das comandantes.
Em diferentes pontos do setor, as tripulações relataram ter usado a mobilidade e a presença física dos blindados para avançar rapidamente sob ameaças imediatas, bloquear rotas de infiltração e forçar a dispersão de grupos armados, mantendo o combate por horas.
De acordo com reportagens baseadas em entrevistas e em informações atribuídas às FDI, o engajamento se estendeu por cerca de 17 horas, resultando em cerca de 50 terroristas mortos. A história ganhou ampla repercussão pública após ser tema de reportagens televisivas, que exibiam imagens do blindado rompendo o portão do Kibutz Holit, reconstituindo o “dia de combate” das tripulações.
O episódio também inspirou uma adaptação para o cinema. Tankistas – foi anunciado como um longa-metragem baseado nessa companhia de soldadas operadoras de tanques, com direção de Ayelet Menahemi e roteiro de Eleanor Sela. O papel principal ficou com Swell Ariel Or, a atriz que interpretou Luna Ermoza na série A Mais Bela de Jerusalém.