O tradicional dreidel (sevivon, em hebraico) é um pião de quatro lados usado pelas crianças durante Chanucá. Em cada lado há uma letra hebraica: נ (nun), ג (gimel), ה (hei) e ש (shin), iniciais da frase Nês Gadôl Hayá Shám — “Um grande milagre ocorreu lá”.
Em Israel, o último lado traz a letra פ (pei), formando Nês Gadôl Hayá Pô — “Um grande milagre ocorreu aqui”.
A origem desse costume remonta ao período da opressão selêucida. Quando o estudo da Torá foi proibido, crianças do Povo Judeu usavam piões como artifício para despistar os soldados que faziam rondas; se fossem surpreendidas, rapidamente escondiam os textos sagrados e fingiam estar apenas brincando.
Com o tempo, o dreidel tornou-se um símbolo de perseverança espiritual e de fidelidade à Torá mesmo sob perseguição — lembrando que, assim como no passado, a educação e o estudo permanecem o coração do Povo Judeu.
A Halachá estabelece que a Chanukiá deve ser colocada à esquerda da porta de entrada, enquanto a mezuzá permanece à direita. Dessa forma, quem entra em casa fica simbolicamente “cercado por mitsvot”, indicando que a luz da Torá envolve e protege o lar.
Tradicionalmente, o local ideal é junto à porta que dá para a rua, para cumprir o princípio de divulgar o milagre. Em muitas comunidades da diáspora, no entanto, tornou-se comum colocá-la perto de uma janela, sobretudo em apartamentos ou casas onde a porta não é visível do exterior.
Ambas as práticas são corretas de acordo com a Halachá. O essencial é que as luzes de Chanucá sejam visíveis para quem está fora, sempre que possível. Quando isso não for viável — por segurança, condições climáticas ou estrutura do lar — também é permitido acender dentro da casa, em um local digno e apropriado.
Essa tradição transmite uma mensagem profunda:
a luz espiritual deve iluminar o interior do lar — mas, sempre que possível, também brilhar além dele, levando esperança e inspiração ao mundo.
A Halachá determina que as luzes de Chanucá devem ser acesas em um local visível, de preferência próximo a uma janela ou à porta que dá para a rua. O objetivo é cumprir a mitsvá de publicar o milagre.
Diferentemente de muitos rituais que são internos e reservados, o acendimento das luzes de Chanucá tem um propósito explicitamente público: proclamar abertamente a continuidade e a fidelidade do Povo Judeu à Torá, mesmo após séculos de perseguições.
Essa prática transmite uma mensagem universal: a luz espiritual não deve permanecer oculta. Chanucá ensina que cada pessoa carrega uma “pequena chama”, e que, quando compartilhada com o mundo, essa luz tem poder real de afastar grandes escuridões.
Na Havdalá, além do vinho, utilizam-se besamim — um conjunto aromático de ervas ou especiarias. O motivo desse costume é mencionado no Talmud: durante o Shabat, a pessoa recebe uma neshamá yeterá, uma “alma adicional” que amplia sua sensibilidade espiritual e seu descanso interior.
Ao término do Shabat, essa alma suplementar se retira, causando uma sensação espiritual de perda. O aroma dos besamim foi instituído justamente para revigorar e reconfortar o espírito, suavizando essa transição entre a santidade do Shabat e a rotina semanal.
Ao chamar alguém para uma aliá na leitura da Torá, utiliza-se o nome hebraico da pessoa seguido do nome de seu pai — por exemplo, Yaacov ben Itzchak. Essa prática reforça a continuidade espiritual entre as gerações e expressa a transmissão da identidade dentro do Povo Judeu.
O Midrash relata que um dos méritos que mantiveram o Povo Judeu digno da redenção no Egito foi o fato de que não abandonaram seus nomes hebraicos tradicionais. Mesmo cercados por pressões de assimilação, preservaram seus nomes — e, com eles, sua identidade espiritual.
Assim, o nome hebraico continua sendo uma herança sagrada: um vínculo vivo entre a pessoa, seus antepassados e D’us, que a acompanha em toda a sua jornada espiritual.
Os Sábios ensinam que, quando o Povo Judeu atravessou o Mar Vermelho, o mar se abriu em doze caminhos distintos, um para cada tribo. Essa tradição, registrada no Midrash Tehilim, simboliza que, embora exista uma única Torá e um destino comum, cada tribo — e cada indivíduo — percorre seu próprio caminho espiritual dentro do plano Divino.
O Talmud acrescenta que o mérito que levou ao milagre foi a própria determinação do povo: somente quando Nachshon ben Aminadav entrou nas águas com fé absoluta o mar finalmente se abriu. Esse episódio ensina que o milagre muitas vezes se manifesta apenas depois do primeiro passo — aquele movido por coragem, confiança e devoção.
Assim, a travessia do Mar Vermelho não é apenas um evento histórico, mas um modelo espiritual: D’us abre os mares da vida, mas cabe à pessoa avançar com fé, iniciando o caminho que leva à redenção e à proteção Divina.
Rachel, diferentemente de sua irmã Leah, passou muitos anos sem ter filhos. Ainda assim, jamais perdeu a esperança e continuou rezando com fé absoluta. Quando finalmente Yosef (José) nasce, Rachel explica o nome dizendo: “Que D’us me acrescente outro filho.”
Os Mestres Chassídicos observam que o nome Yosef — “acrescentar” — simboliza a capacidade de transformar desafios em crescimento. Rachel, mesmo após tantos anos de espera, não se limitou a agradecer pela bênção recebida: ela usou o momento para pedir mais, expressando sua confiança plena de que D’us continua concedendo vida, continuidade e futuro.
Essa postura de esperança ativa se tornou o legado espiritual de Rachel: ensinar que, mesmo diante de demoras e dificuldades, a fé pode não apenas sustentar, mas também elevar a alma, abrindo caminhos para novas e abundantes bênçãos.
Durante sua permanência na casa de Lavan, Yaacov enfrentou anos de enganos, manipulações e dificuldades, mas permaneceu íntegro e fiel à vontade Divina. Mesmo imerso em um ambiente moralmente corrompido, manteve seus princípios, trabalhou com honestidade e confiou na Providência.
Os Mestres Chassídicos explicam que essa fase da vida de Yaacov representa o desafio espiritual de cada pessoa: servir a D’us não apenas nos momentos de inspiração, mas também nas circunstâncias mais comuns do dia a dia, quando a espiritualidade parece distante.
O nome “Yaacov” vem da palavra ékev (calcanhar), indicando que até a parte mais “baixa” do ser humano — suas rotinas, seus esforços físicos e suas tarefas materiais — pode se tornar instrumento de santidade. Assim como Yaacov fez florescer bênçãos mesmo sob o domínio de Lavan, cada pessoa pode transformar os lugares e momentos comuns de sua vida em espaços de luz, fidelidade e ligação com D’us.
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Acendimento das velas