As mulheres sempre estiveram na linha de frente da defesa de Israel. Seja como combatentes, comandantes, pilotos, engenheiras ou socorristas, desde antes mesmo da criação do Estado elas são parte integrante do esforço nacional de segurança. Ao longo das décadas, seu papel se expandiu e elas romperam barreiras, consolidando as diferentes unidades das Forças de Defesa de Israel.

Por UNIDADE DE PORTA-VOZES DAS FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL

As Forças de Defesa de Israel (FDI) constituem um dos poucos exércitos do mundo que recrutam mulheres por meio de conscrição obrigatória, permitindo que sirvam lado a lado com homens em funções operacionais e de combate. As mulheres servem nas FDI desde sua criação, em 1948. Durante a Guerra da Independência, o jovem Estado precisava de todo o efetivo disponível, e, sem hesitar, mulheres de todas as idades se voluntariaram. Atuavam com coragem em frentes médicas, logísticas e operacionais, contribuindo diretamente para a sobrevivência do país. Após a guerra, o recrutamento feminino tornou-se obrigatório e, nos primeiros anos, a maioria delas servia em funções administrativas, enfermagem, instrução e apoio. Com o tempo, as necessidades operacionais e a capacidade demonstrada pelas próprias soldadas ampliaram essas possibilidades.

Após a Guerra do Yom Kipur, as FDI passaram a integrar mulheres também em treinamentos de campo e formações operacionais. Na década de 1980, novas funções foram abertas, incluindo cargos técnicos, comunicações, instrução em unidades de combate e posições de comando. A grande transformação ocorreu na década de 1990, quando Alice Miller, movida pelo sonho de se tornar piloto, contestou judicialmente a proibição de mulheres no curso de pilotagem. Seu caso chegou à Suprema Corte de Israel, que decidiu a favor da igualdade de acesso. A decisão abriu as portas para mulheres na Força Aérea e desencadeou uma mudança estrutural em todo o exército, ampliando o acesso a cursos, especializações e posições de liderança.

Desde então, as mulheres passaram a ocupar funções que antes eram consideradas exclusivas dos homens, incluindo posições de combate. Pioneiras como Sheri Rahat, navegadora de F-16, e Roni Zuckerman, a primeira piloto de combate feminina, tornaram-se símbolos dessa nova era. Hoje, as mulheres servem lado a lado com homens em praticamente todas as áreas operacionais das FDI. Atualmente, 86% das funções militares estão abertas às mulheres; elas representam 39% dos recrutas e 27% do efetivo permanente, enquanto, nos últimos anos, o número de combatentes femininas nas forças terrestres cresceu significativamente. Em muitos batalhões mistos, as mulheres compõem cerca de 60% do efetivo e passam pelo mesmo treinamento físico e profissional que seus colegas homens, incluindo a extensão obrigatória do serviço nas funções de combate.

O primeiro batalhão de infantaria misto, o Caracal, criado em 2004, marcou um novo capítulo nessa história ao permitir que mulheres atuassem regularmente em missões operacionais na fronteira sul de Israel, evitando infiltrações terroristas e atividades criminosas. Desde então, inúmeras formações mistas operam em conjunto em diferentes frentes. No Comando da Frente Interna, mulheres da unidade de Busca e Resgate atuam sob intensa pressão, retirando civis dos escombros após ataques com foguetes e mísseis e salvando vidas em cenários de destruição.

Na unidade Oketz, especializada em cães militares, as soldadas participam de missões de combate, busca e resgate e operações em territórios hostis. Já na Yahalom, a unidade de elite da Engenharia de Combate, as mulheres completam o mesmo treinamento rigoroso que seus colegas homens, dominando explosivos, contraterrorismo, paraquedismo e operações especiais, participando ativamente de missões complexas em diferentes arenas. Além do campo de batalha, as mulheres também lideram em áreas tecnológicas, logísticas e de inteligência, desempenhando funções críticas que garantem a superioridade operacional das FDI. Mecânicas aeronáuticas, controladoras aéreas, oficiais de inteligência, engenheiras e comandantes assumem responsabilidades essenciais, diariamente. Muitas delas descrevem o serviço como uma missão de vida, marcada por coragem, confiança e senso de propósito, representando não apenas a defesa do país, mas também a construção de uma sociedade mais igualitária. O caminho percorrido pelas mulheres nas FDI é longo, mas continua em constante evolução. Cada nova geração encontra mais oportunidades abertas com base na capacidade, no profissionalismo e no mérito, e não no gênero. Como afirmou David Ben-Gurion, “não haverá segurança se as mulheres da nossa nação não souberem lutar”. Hoje, as mulheres das FDI incorporam essa visão diariamente, quebrando barreiras, liderando unidades e defendendo Israel com determinação e bravura.