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Edição 113 - Dezembro de 2021


Joshua Angrist, americano-israelense, leva o Nobel de Economia

Os norte-americanos Joshua Angrist e Guido W. Imbens foram agraciados com a metade do prêmio Nobel de Economia, ficando a outra parte para o canadense David Card.

Joshua Angrist, nascido nos Estados Unidos, fez aliá para Israel em 1982, onde viveu até 1985. Retornou ao país, posteriormente, como professor de Economia na Universidade Hebraica de Jerusalém, antes de voltar para os EUA para lecionar no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Segundo o comitê do Nobel, os três economistas dividiram o prêmio por seus “novos insights sobre a economia do trabalho” e por demonstrarem “as conclusões sobre causa e efeito a que se pode chegar a partir de experimentos naturais”. Esses experimentos usam situações da vida real para descobrir seus impactos no mundo. Permitem que os economistas tirem conclusões sobre causa e efeito em situações sociais complexas quando não podem realizar estudos controlados. Tal abordagem se disseminou por outras áreas, revolucionando a pesquisa empírica.

Angrist iniciou seu trabalho com experimentos naturais em pesquisas realizadas sobre o sistema israelense de educação. “Percebi que havia muita coisa interessante acontecendo no sistema educacional de Israel. Uma delas, por exemplo, que ditava o tamanho das turmas, remonta-se à era talmúdica”, explica o pesquisador. Em Israel, o número máximo de alunos por classe é 40, determinação essa baseada em uma teoria desenvolvida no século 12 por Maimônides. Se o número de alunos for 41, eles são divididos em duas turmas.

Seu trabalho sobre a economia da educação discute uma série de questões sobre as abordagens e resultados educacionais. O desempenho das escolas, sua eficácia e desigualdade no sistema educacional são o foco do trabalho de Joshua Angrist. 

Médico, cientista e sionista

O Dr. Morton Scheinberg, médico clínico, reumatologista e pesquisador de renome mundial em doenças autoimunes, que desenvolveu seu trabalho no Hospital Israelita Albert Einstein, no Hospital e Centro de Reabilitação da AACD e nos hospitais da Beneficência Portuguesa deixou este mundo em 27 de setembro de 2021.

O Dr Morton era um judeu e sionista apaixonado. Durante anos foi um dos colaboradores da Morashá, enriquecendo nosso conhecimento com seus artigos sobre o legado dos médicos judeus e a medicina na Alemanha nazista. Ele era parte de um movimento, entre as sociedades médicas, que prega a alteração do nome de uma doençaquando seu descobridor tinha um passado nazista ou foi umcriminoso de guerra, ainda que tivesse feito descobertas de vulto para a história da Medicina. Vale lembrar que um dos grandes reconhecimentos na vida de um médico é quando o seu nome é atribuído a uma enfermidade por ele descoberta.

Entre os casos apontados pelo Dr. Morton em seus artigos sobressaía-se o do patologista alemão e nazista “dedicado”, o Dr. Friedrich Wegener, que identificou uma enfermidade que passou a ser conhecida como Doença de Wegener. Outro foi Hans Reiter, que descobriu uma forma de artrite conhecida como Síndrome de Reiter. No período do pós-guerra, descobriu-se que Reiter conduzira experimentos humanos nos campos de concentração nazistas.

Desde o início de sua carreira, o Dr. Morton foi pioneiro em suas pesquisas, desenvolvendo tratamentos inovadores para doenças autoimunes, doenças inflamatórias em que o sistema imunológico ataca seus próprios tecidos. Foi o caso, por exemplo, de sua abordagem ao Lúpus. Desenvolveu um tratamento que se tornou o padrão ouro para a doença, passando também a ser aplicado em outras doenças autoimunes.

Em 2002, no Hospital e Centro de Reabilitação da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), Dr. Morton criou o centro de pesquisas clínicas dedicadas a tratamentos inovadores nas doenças reumáticas autoimunes inflamatórias, que acarretam em sua progressão deficiências físicas e perda de movimento.

Em 2019 iniciou a implantação do primeiro núcleo no Brasil dedicado à educação médica continuada, e de pesquisa e tratamento das doenças autoimunes nos hospitais da Beneficência Portuguesa de São Paulo. O projeto, visava ao diagnóstico mais rápido dessas enfermidades, que acometem um em cada cinco indivíduos. O projeto inclui treinamento de médicos e estudantes, organização de seminários e congressos.

Médico e cientista apaixonado, Morton Scheinberg teve sua vida marcada por uma constante busca da melhora clínica de seus pacientes. Fez avanços importantes no tratamento de doenças autoimunes, como no caso da Psoríase e Esclerose Múltipla e na introdução das terapias biológicas. Publicou 250 trabalhos em revistas indexadas.

Colin Powell, o Secretário de Estado americano que falava iídiche

Colin Powell, falecido em 18 de outubro de 2021, foi o primeiro Secretário de Estado negro dos Estados Unidos. Amigo verdadeiro do Povo Judeu, apreciava a importância fundamental da relação Estados Unidos-Israel.

Colin Powell falava iídiche como segunda língua e adorava surpreender os judeus com essa habilidade. Dos 13 anos até seu segundo ano no City College de Nova York, Powell trabalhou
para a Sickser’s, uma loja no Bronx cujos proprietários eram judeus. Muitos dos clientes da loja também o eram e o iídiche era o idioma oficial.

Em um discurso proferido em 2017 perante o Congresso Judaico Mundial, Powell falou da “alegria em todo o bairro” do Bronx quando David Ben-Gurion declarou a independência de Israel, em 1948. “Lágrimas correram, celebrações por toda parte, e não eram apenas os judeus que celebravam, todos nós estávamos comemorando com os judeus. Todos compartilhando sua alegria, a alegria de ter uma pátria”, disse Powell.

Ele era também um admirador das forças armadas de Israel. “Passei a conhecer e a admirar os soldados das Forças de Defesa de Israel”, declarou, certa vez. “Passei a entender o compromisso de sangue que tínhamos com Israel. Estudei as guerras de 1948, 1956, 1967 e 1973. E como soldado profissional americano, fico maravilhado com o profissionalismo e o sucesso das Forças de Defesa de Israel”.

Quando Colin Powell conheceu Yitzhak Shamir, então primeiro-ministro de Israel, antes da primeira Guerra do Golfo, em 1991, ele disse: Men kent reden yiddish, “podemos falar em iídiche”, para a surpresa de Shamir. Pelo menos duas vezes, dirigindo-se ao American Israel Public Affairs Committee (Comitê de Relações Públicas Estados Unidos-Israel), ele brincou sobre suas habilidades nessa língua.

IsraAID resgata afegãos

IsraAID (Agência internacional humanitária de Israel) organizou a retirada secreta de 167 refugiados afegãos. Foram, até agora, duas operações resultantes do empenho humanitário colaborativo de governos, organizações, ativistas e patrocinadores.  

O complicado processo foi idealizado e liderado por ativistas como Aaron G. Frenkel, empresário e filantropo internacional. Na década de 1980, Frenkel utilizou suas conexões no setor aeronáutico para ajudar a Agência Judaica a transportar judeus da Europa Oriental e da ex-União Soviética, antes de seu colapso. Seu papel foi fundamental na emigração de cerca de um milhãode judeus.

“Quando ocorrem eventos perturbadores como a atual situação no Afeganistão, temos a obrigação de agir como verdadeiros líderes”, disse. Em 6 de setembro, 42 mulheres, meninas e seus familiares, todos em estado de grande vulnerabilidade, foram retirados do Afeganistão e levados para os EAU.  Novamente, em 2 de outubro último, 125 afegãos, entre os quais juízes, ciclistas, jornalistas, apresentadores de TV, ativistas de direitos humanos, familiares de diplomatas afegãos, artistas, policiais e cientistas foram retirados do país e levados para a Albânia.

Todas essas pessoas são especialmente vulneráveis de acordo com a lei do Talibã e correm o risco de sofrer represálias por parte deles. Muitas das mulheres e mocinhas desses grupos eram símbolo do empoderamento e liderança femininos em seu país.

Após escapar do Afeganistão, os refugiados passaram a salvo por países vizinhos a caminho dos EAU e da Albânia, antes de se estabelecerem no Canadá, França ou Suíça.

David Julius, vencedor do Nobel de Medicina

Dois neurocientistas norte-americanos, David Julius, judeu de origem russa, e Ardem Patapoutian, um libanês de ascendência armênia, foram homenageados em conjunto pela descoberta, individual, dos principais mecanismos que ampliam o conhecimento das nossas sensações de calor, frio e pressão. Seu trabalho aborda a grande questão de como sentimos o ambiente que nós cerca.

“A descoberta revolucionária dos laureados, este ano, nos permite entender de que maneira o calor, o frio e a força mecânica podem desencadear impulsos nervosos que nos permitem perceber e adaptar-nos ao mundo”, afirmou o júri do Nobel.  “Suas descobertas dos receptores de temperatura vêm melhorando o tratamento da dor causada por várias doenças. Em nossa vida, aceitamos essas sensações sem tentar entendê-las, mas de que maneira os impulsos nervosos são desencadeados de modo a tornar perceptíveis a temperatura e a pressão? É esta a pergunta que os laureados, este ano, com o Prêmio Nobel, responderam”.

​David Julius nasceu em 1955 e cresceu em Brighton Beach, Nova York, onde, à época, viviam grandes contingentes de imigrantes judeus russos. Os avós de Julius haviam fugido do antissemitismo na Rússia czarista em busca de uma vida melhor. Ele é professor na Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Alguns cientistas expressaram seu desapontamento com o fato de os comitês do Nobel não terem dado importância às pesquisas por vacinas contra a COVID-19 desenvolvidas usando a tecnologia do RNA mensageiro. Mas, as indicações tinham que ser enviadas até 1o de fevereiro, pouco mais de dois meses após as primeiras vacinas com o mRNA terem sido administradas, antes, portanto de que seu impacto sobre a pandemia fosse claro. Esse timing impossibilitou que a tecnologia da vacina concorresse ao prêmio, este ano.