Morashá
Tu b'Shvat: O Homem é a árvore do campo Foto Ilustrativa

Tu b'Shvat: O Homem é a árvore do campo

“Como os dias de uma a?rvore sera?o os de meu povo” (Isai?as, 65:22)

Edição 82 - Dezembro de 2013


Tu b’Shvat, o 15o dia do mês hebraico de Shvat, é um dos quatro Anos Novos do calendário judaico. Os outros três são o dia primeiro de Tishrei (Rosh Hashaná), o 1o de Nissan e o primeiro de Elul. Apenas um dos Anos Novos judaicos, Rosh Hashaná, é um dia santificado, um Yom Tov. Os outros três são datas civis do calendário. Se o conceito de ter mais do que um Ano Novo parece estranho, cabe recordar que no calendário secular o ano novo fiscal e o ano novo letivo não se iniciam no dia 1º de janeiro. De modo similar, há diferentes Anos Novos no calendário judaico, cada um deles representando diferentes aspectos.

O Talmud se refere a Tu b’Shvat como o “Ano Novo das Árvores”. Essa data é relevante para certas leis da Torá que dizem respeito à agricultura na Terra de Israel. Pode, portanto, parecer estranho celebrar essa data. Mas o dia 15 de Shvat sempre foi um dia festivo para o Povo Judeu, mesmo quando a grande maioria dos judeus viviam na Diáspora. Segundo as leis judaicas para a data, não recitamos Tachanun – as orações de súplica nas quais confessamos nossos pecados e pedimos o perdão Divino. Ademais, como Tu b’Shvat é o “Ano Novo das Árvores”, costuma-se comer frutas na data, especialmente as que são típicas da Terra de Israel.

Trata-se de um dia festivo porque mesmo não sendo uma data sagrada, tem grande significado para nosso povo. Seu tema principal é a conexão entre Am Israel (o Povo Judeu) e Eretz Israel (a Terra de Israel). O fato de a Torá reger até mesmo as leis agrícolas na Terra de Israel é um poderoso lembrete de que Eretz Israel é a herança por direito e eterna do Povo Judeu, e de que D’us deseja que os judeus nela habitem e vivam de acordo a Suas Leis mesmo quando estão engajados no trabalho secular e nas empreitadas do cotidiano. Tu b’Shvat transmite a mensagem que foi eloquentemente enfatizada pelo Arcebispo de Viena, Christoph Schorborn: “Uma única vez na história da humanidade D’us escolheu um país como legado, e Ele o ofereceu a Seu Povo Eleito”.

Mas o Ano Novo das Árvores também possui um tema universal, uma lição de como viver, que serve a todos os seres humanos. É uma lição relevante para todas as pessoas, independentemente de gênero, idade, religião, nacionalidade ou etnia.

“O Homem é a árvore do campo”

A palavra Torá deriva da palavra hebraica Hora’á, que significa ensinamento. A Torá não é apenas um livro de autoria Divina, contendo relatos e leis, mas também um projeto de vida. Tudo o que estudamos na Torá deve servir de lição a ser implementada em nossa vida. Portanto, quando a Torá afirma que HaAdam Etz HaSadeh – “O Homem é a árvoredo campo” (Deuteronômio, 20:19), está transmitindo um ensinamento relevante para nossa vida. Esse versículo pode ser interpretado de diversas formas, mas, qualquer que seja a interpretação, está claro que a Torá ensina que há um íntimo relacionamento entre seres humanos e as árvores dos campos. Assim sendo, o Ano Novo das Árvores pode ser, também, um Novo Ano para os homens.

A ideia de que os seres humanos e as árvores estejam, de certa forma, relacionadas, encontra eco em um dos Livros dos Profetas, onde está escrito: “Como os dias de uma árvore serão os de Meu Povo” (Isaías, 65:22). Para apreciar o que esse verso transmite e o que a Torá ensina ao afirmar que Ha’Adam Etz HaSadeh, é necessário primeiro considerar de que forma os seres humanos levam sua vida.

Um dos maiores problemas dos seres humanos, em todas as partes, e especialmente na cultura ocidental, é como se relacionar com sua idade. Biologicamente, os seres humanos têm uma infância muito mais longa do que as outras espécies, pois somos criaturas complexas que exigem um treinamento mais prolongado. São necessários muitos anos para nos tornarmos autossuficientes. Além disso, em virtude do enorme potencial do intelecto humano, a maioria de nós dedica muitos anos de vida em busca de educação e treinamento. No Brasil e em outros países modernos, as crianças frequentam a escola até completarem dezessete ou dezoito anos, e a maioria dos que têm condições de frequentar a faculdade, o fazem. Em anos recentes, muitas pessoas decidiram que um título acadêmico não era suficiente e continuaram estudando para obter um título de mestrado e até de doutorado. Esses anos de instrução, que podem durar entre dezoito a trinta anos ou mais, são considerados como preparação para a vida – um prólogo da vida. Quando um aluno está na escola, está-se preparando para a faculdade; quando está na faculdade, prepara-se para a pós-graduação; e quando está na pós-graduação, faz seu preparo para a vida. Segundo esse ponto de vista, a vida apenas começa quando a pessoa deixa a “Torre de Marfim” e entra no “mundo real”.

Pode-se argumentar que uma das razões pelas quais as pessoas dedicam cada vez mais anos a se preparar para a vida é que os seres humanos estão vivendo mais. Já não é tão raro uma pessoa viver mais de 90 anos. Mas apesar desse aumento da longevidade, na maioria das sociedades as pessoas percebem que seus anos de ouro são o período de sua vida em que se torna menos relevante. Os muitos anos que passa na escola são o prólogo de sua vida, ao passo que a velhice é o epílogo – geralmente também um período longo. Entre esses dois períodos, prólogo e epílogo, transcorre “a história” – o tempo no qual as pessoas se consideram seres humanos capazes de realizar, ao máximo, o seu potencial.

Há uma parábola árabe que ilustra essa ideia. Um leão que deseja ensinar seu filhote acerca do mundo, lhe diz: “Nós, leões, não tememos nenhuma criatura exceto os seres humanos. Eles são perigosos. Quero mostrar-lhe qual a aparência deles, para que você os conheça e fique à espreita”. Eles veem uma criança e o filhote pergunta: “Isto é um homem?” O leão responde: “Ainda não”. Eles veem, então, um velho, e o filhote pergunta: “Isto é um homem?”. O leão responde: “Não mais”. Essa parábola retrata a maneira pela qual muitos de nós vemos a vida: até que um ser humano atinja o estágio em que ele é “adulto”, ele ainda não vive; e quando ele já ultrapassou certa idade, ele já viveu, ainda que permaneça fisicamente vivo. Assim, quando somos jovens, fazemos planos e nos preparamos para o futuro e sonhamos com o que ele nos trará; e quando somos idosos, lembramo-nos do passado, com prazer ou com pesar. Essa forma de ver e viver a vida abrange apenas uma pequena parte de nossa vida. Essa vida é semelhante a uma viagem de férias cujo trajeto de ida e volta demora muito: passa-se muito tempo na estrada, em viagem, e pouco tempo no local das férias.

Um dos problemas de se viver dessa forma – acreditando que há um “antes” e um “depois” – é que nossas vidas se tornam segmentadas e curtas, mesmo se vivermos muitos anos. Geralmente dedicamos tempo em demasia ao “antes” e nos resignamos ao “depois” e, como consequência, não dedicamos tempo suficiente a viver. Quando a pessoa está no estágio do “antes”, pensa no que acontecerá, e quando está no “estágio posterior”, pensa no que aconteceu ou em como poderia ter sido. Em ambos os casos, não dá atenção suficiente ao presente. Como resultado, as pessoas passam a maior parte de sua vida no futuro ou no passado, mas raramente no presente. Esse tipo de vida pode ser cheia de frustração, desapontamento e estresse, pois o futuro geralmente é diferente do que se imaginava e o passado não pode ser revivido ou modificado.

Há um poema famoso de um de nossos grandes Sábios, Ibn Ezra, que diz: “O passado já se foi, o futuro, ainda não chegou. O presente é como um piscar de olhos. Qual o motivo, então, para nossas preocupações?”. Esse poema pode ser traduzido assim: “Se o passado já se foi e o futuro ainda não chegou, e o presente passa tão rápido como um piscar de olhos, o que, então, é a nossa vida?”. Não se trata de uma pergunta trivial. Na realidade, é uma pergunta que trata do que representa a vida. Talvez seja a pergunta mais importante que temos que nos fazer.

A lição de Tu b’Shvat

Tu b’Shvat, o ensinamento de que o Homem é a árvoredo campo, e o versículo de Isaías – “Como os dias de uma árvore serão os dias de Meu Povo” – fornecem uma resposta a essa pergunta. A resposta é universal e se aplica a todos os seres humanos. É, também, atemporal, relevante a todas as gerações e especialmente à nossa. “Como os dias de uma árvore serão os de Meu Povo” nos ensina que todo ser humano precisa, como uma árvore do campo, viver uma vida de crescimento constante e ininterrupto. Há diferentes tipos de árvores: algumas são grandes, outras são pequenas, e o ritmo de crescimento ou a qualidade dos frutos de cada uma pode variar enormemente. Mas as árvores nunca param de crescer. Esse é o crescimento constante a que todos os seres humanos deveriam aspirar – essa é a lição que D’us transmite, a cada um de nós, através de Seu profeta. Devemos viver no presente, como um bebê que não desperdiça tempo especulando sobre como sua vida será quando ele tiver 30 ou 80 anos. Devemos viver e tentar tirar o melhor proveito de cada dia. Isso não significa que devemos viver como se não existisse um amanhã. A ideia de que “devemos comer e beber e nos divertir, porque amanhã morreremos” é fortemente condenada pelo judaísmo. Viver no presente – carpe diem, tirando o máximo proveito do dia – não significa viver uma vida hedonista e inconsequente. Tampouco significa que devemos abreviar a educação e a preparação. Na verdade, a Lei Judaica ordena que todas as crianças recebam uma educação adequada. O estudo está na raiz da vida judaica; o estudo da Torá é o principal mandamento do judaísmo e a Torá ordena que todas as crianças sejam treinadas em uma profissão. O que viver no presente significa é que em vez de desperdiçar tempo precioso fazendo conjeturas sobre o que o futuro nos reserva ou sobre o que o passado foi ou deveria ter sido, devemos, pelo contrário, pensar sobre o tipo de vida que vivemos agora. O presente é onde há vida, e como uma pessoa viva e funcional, cada ser humano deve fazer uso, ao máximo, do tempo de vida que possui. Uma criança de oito anos deve viver a vida de uma criança de oito anos – e não passar os dias preocupada acerca de sua profissão futura dali a 20 anos. Um conceito semelhante se aplica a uma pessoa de 90 anos. Talvez ela não consiga fazer tanto quanto fazia aos 30, mas há inúmeras coisas que consegue fazer que são compatíveis com sua idade. Com a velhice vem um dom precioso que não pode ser comprado nem aprendido na faculdade: a experiência. É uma pena que a arrogância da juventude geralmente não nos faça perceber esse fato. Talvez a pessoa de 90 anos não consiga correr tão rápido ou usar o computador tão bem quanto alguém de 20 anos. Mas o que ela tem a ensinar é inestimável. Como ensina o Talmud: “Se os anciãos dizem “destrua” e os jovens dizem “construa”, destrua e não construa, porque a destruição feita pelos anciãos é construção e a construção pelas mãos dos jovens é destruição” (Nedarim, 40a).

No Pirkei Avot, livro sagrado de sabedoria e ética judaica, está escrito: “Uma criança de cinco anos começa a estudar as Escrituras; uma de dez, a Mishná; uma de treze é obrigada a observar os mandamentos; uma de quinze começa a estudar a Guemará…”. Esse ensinamento do Pirkei Avot, um livro que é estudado há 2 mil anos, reflete as ideias que discutimos acima: que cada idade tem suas próprias tarefas, responsabilidades e exclusivas possibilidades. Em vez de alguém dizer: “Agora que tenho treze anos de idade, o que deverei fazer quando chegar aos dezoito?, essa pessoa deveria pensar: “Estou com treze anos; o que deveria estar fazendo, agora?”

Essa é a maneira como viveram nossos Sábios ao longo das gerações. O ponto focal de sua vida não foi o que o amanhã lhes traria ou quão bom ou ruim tinha sido o passado. Ao contrário, seu foco era o que deveria ser feito hoje. Perguntaram ao filho de um famoso Tzadik, homem verdadeiramente justo: “O que foi a coisa mais importante que seu pai fez?”. Ao que ele respondeu: “Aquilo que estava fazendo a cada momento”.

As pessoas geralmente passam a vida se perguntando: “O que o amanhã me reserva?”, ou “O que será do mundo quando o Mashiach vier?”. Tais perguntas não são tão relevantes. O importante é perguntar: “Esta é a situação da minha vida, do que me cerca e do mundo como um todo. O que devo fazer hoje para melhorá-lo?”. A crença na Era Messiânica é um dos fundamentos da Fé Judaica, mas o mundo não será consertado por pessoas que passam seus dias meditando e sonhando com isso. Nosso trabalho é liderar o mundo para chegar nessa era – não fazendo conjeturas ou argumentando sobre a mesma, mas envolvendo-nos em atos construtivos e positivos.

O conceito de viver no presente é fortemente sustentado não apenas pelo pensamento e filosofia judaicos, mas também na prática da Lei Judaica. A Torá nos proíbe adiar um mandamento para cumprir outro. Se um homem fosse preso e lhe fosse permitido deixar a prisão por apenas um dia, recebendo as seguintes opções: deixar a prisão hoje, véspera de Yom Kipur, e colocar Tefilin; ou sair amanhã da prisão, Yom Kipur, e cumprir os mandamentos do dia mais sagrado do ano, ele deveria escolher o primeiro, não o último. A razão é que não apenas não devemos fazer distinção entre os Mandamentos Divinos, mas também porque temos que viver o dia de hoje; não há garantia alguma de que haverá um amanhã. O presente não pode ser sacrificado pelo futuro e nenhuma oportunidade pode ser desperdiçada.

A maioria de nós, no entanto, não vive dessa maneira. A implementação de boas decisões geralmente é postergada. Raramente vivemos no presente e raramente estamos concentrados naquilo que estamos fazendo. Durante nossas orações, pensamos, em geral, sobre assuntos de negócios ou questões mundanas e, no trabalho, geralmente pensamos sobre o que iremos fazer ao deixar o escritório. Com frequência, nosso corpo está em um lugar e nossa mente e coração, em outro. Se conseguíssemos nos concentrar apenas no que estamos fazendo, se aprendêssemos a maximizar nosso tempo e viver no presente, nossa vida se tornaria muito mais dotada de objetivo e tão mais eficaz.

O Rabi Menachem Mendel Schneerson, o Lubavitcher Rebe, contou certa vez esta história sobre seu sogro, o Rabi Yosef Yitzhak Schneerson, o Lubavitcher Rebe anterior, que bem ilustra esse conceito:

“Ele vivia em Leningrado, à época, e tinha planejado uma viagem a Moscou. Seu trem deveria partir dentro de meia hora. Isso foi durante o período quando os comunistas haviam declarado guerra contra a religião e, em particular, contra o empenho de meu sogro em promover o judaísmo.
Ele era seguido onde quer que fosse e se espalhara a notícia de que o Governo estava pronto para detê-lo, a qualquer custo. Quando entrei na sala, fiquei surpreendido ao ver que, apesar de seu trem estar programado para partir dentro em pouco, ele estava perfeitamente composto, trabalhando em sua mesa, totalmente despreocupado com o perigo iminente. Perguntei-lhe: ‘Como consegue ter tanto autocontrole em uma hora dessas? ’

Ele me contou que seu pai lhe falara, certa vez, de algo chamado de ‘sucesso com o tempo’. ‘O que isso quer dizer?’, perguntei. Ele explicou: ‘Você não pode adicionar mais horas ao dia; então, quando está envolvido em uma atividade, deve ficar totalmente imerso na mesma, como se nada existisse antes ou depois dela”.

Viver dessa maneira, concentrados no presente e naquilo em que estivermos envolvidos, não significa que não nos estamos preparando ou não estamos fazendo planos para o futuro; nem tampouco significa que esquecemos ou não aprendemos do passado. Viver no presente não significa levar uma vida irresponsável ou descuidada. Bem ao contrário, significa levar uma vida mais intensa, livre de fantasias e remorsos. Significa esforçar-se para atingir “sucesso com o tempo”, que leva ao crescimento genuíno – a uma vida produtiva e rica em conteúdo, na qual cada dia e cada hora do dia são bem aproveitados.

Os dias de cada ser humano devem ser “como os dias de uma árvore”– de incessante e frutífera vitalidade. Devemos realmente aprender com as árvores: se olharmos para o que restou de uma árvore cortada, podemos ver pequenos brotos verdes dos galhos. O que parece morto, na verdade contém uma seiva vital que irrompe com força: uma folhinha nova, um novo galho. A árvore cresce, mesmo que tenha sido derrubada, porque ela não lamenta o passado nem se permite ficar paralisada, preocupada se crescerá ou não no futuro. Simplesmente segue seu ritmo de crescimento e, no momento certo, dá os frutos.

Há uma outra vantagem em se viver a vida como uma árvore do campo: é o fato de podermos desfrutar as diferentes fases da vida e as vantagens que oferecem, cada uma delas. Quando se vive no presente, não se é aprisionado na armadilha do tempo: é possível desfrutar-se os benefícios únicos de cada uma das fases da vida – infância, adolescência, idade adulta e velhice. Aqueles que tentam driblar esse processo viajando no tempo, seja no passado ou no futuro, geralmente não levam vidas muito produtivas e saudáveis. Por outro lado, aqueles que vivem como nos aconselha a Torá – entendendo que independentemente da idade da pessoa ou de sua situação, cada dia tem seu propósito e D’us espera que façamos bom uso do tempo que Ele nos dá na Terra – geralmente levam uma vida justa e rica, deixando ao mundo um legado de muito significado.

Esta é, pois, uma das principais lições de Tu b’Shvat. O Novo Ano das Árvores é, também, um Ano Novo para os homens, pois oferece a todos nós um novo começo: a oportunidade de começar a vida de novo. Tentemos, então, individual e coletivamente, ser árvores do campo, empenhando-nos em ter “sucesso com o tempo”, e crescer incessantemente e produzir muitos frutos bons em todas as facetas de nossa vida, seja física seja espiritualmente.

Bibliografia:
Rabi Steinsaltz, Adin (Even Israel), Tu b'Shvat – steinsaltz.org
Rabi Schneerson, Menachem Mendel, (Adapted by Simon Jacobson). Toward a Meaningful Life – The Wisdom of the Rebbe – William Morrow and Company, Inc.