Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXV N.101 SETEMBRO 2018

Um dos principais temas da festa de Rosh Hashaná, Ano Novo Judaico, é o Shofar, que se tornou o próprio símbolo da festividade e constitui seu principal mandamento. De acordo com Maimônides, nosso maior filósofo e um dos grandes legisladores da Torá, o Shofar é um despertador de D’us para todos nós, transmitindo a mensagem de que devemos sair da letargia e atentar para as possibilidades que D’us nos concede e assim contribuir ao mundo. Por meio dos toques do Shofar, D’us nos conclama a consertar este mundo fraturado.

Rosh Hashaná é o início do ano judaico e também o aniversário da humanidade. Um dos principais temas da festa é o fato de que o ser humano é o centro da Criação. A Torá nos ensina que entre todas as obras de D’us, somente o homem foi criado à Sua imagem. Significa que ao homem foi dado um poder Divino: o livre arbítrio. Nem os animais e nem mesmo os anjos mais elevados receberam tal dádiva.

Este dom foi o maior presente de D’us para o homem. O livre arbítrio faz com que o ser humano se assemelhe ao seu Criador, pois lhe dá a liberdade de ser dono de seu destino e a oportunidade de influenciar o curso do mundo. Contudo, isto representa ter poder, e ter poder significa ter grandes responsabilidades. Graças ao livre arbítrio que D’us nos confiou, podemos tanto ser construtores quanto destruidores de mundos.

Permite-nos, também, elevar-nos espiritualmente aos mais altos níveis ou afundar-nos aos níveis mais baixos. Na Torá e ao longo da História, houve inúmeros homens e mulheres que superaram enormes obstáculos e se tornaram gigantes espirituais. Por outro lado, houve filhos de reis e profetas e justos que, a despeito de sua família, berço e educação, optaram por se afundar, moral e espiritualmente.

Já que apenas o homem foi agraciado com o livre arbítrio, apenas ele é responsabilizado por suas decisões e ações. Rosh Hashaná, o aniversário da humanidade, é também o Dia do Julgamento: data em que D’us convoca o ser humano a prestar contas de quão bom uso ele fez do dom Divino do livre arbítrio.

Em Rosh Hashaná, diferentemente de Yom Kipur, não se mencionam erros, pecados ou transgressões. Antes de bater no peito e confessar uma longa lista de transgressões, o homem deve primeiro prestar contas a D’us acerca das decisões que tomou por meio do livre arbítrio que lhe foi concedido. E um dos motivos para o fato de Rosh Hashaná anteceder Yom Kipur é que as grandes decisões precisam ser tomadas antes de se lidar com os detalhes.

 

Na tradição judaica, a data dos aniversários não é um dia de festejos, com bolo e velas, mas um dia de exame de consciência e de uma prestação espiritual de contas. Da mesma forma, Rosh Hashaná, o aniversário do homem, é o dia em que a humanidade deve fazer uma avaliação honesta de quão bem está cuidando do mundo que D’us nos confiou.

Rosh Hashaná é tanto uma festa alegre como um dia que deve invocar sentimentos de reverência, pois é a data em que D’us julga o mundo, individual e coletivamente. Mas Maimônides nos ensina que D’us considera o conjunto da obra. Se a maioria de nossos atos foram benéficos e de boa fé, seremos julgados favoravelmente. Além disso, em Rosh Hashaná, o Todo Poderoso, que conhece os segredos de todos os corações, leva em conta nossas boas intenções e resoluções para o ano que se iniciou.

Assim sendo, fazemos votos de que D’us nos conceda sabedoria, força e compaixão para que, em Rosh Hashaná, tomemos boas decisões e resoluções – para o nosso bem e para o bem de nossa comunidade, de nosso país e do mundo como um todo.

Shaná Tová Umetucá!

Um ano bom e doce para todos!

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXV N.101 SETEMBRO 2018

Um dos principais temas da festa de Rosh Hashaná, Ano Novo Judaico, é o Shofar, que se tornou o próprio símbolo da festividade e constitui seu principal mandamento. De acordo com Maimônides, nosso maior filósofo e um dos grandes legisladores da Torá, o Shofar é um despertador de D’us para todos nós, transmitindo a mensagem de que devemos sair da letargia e atentar para as possibilidades que D’us nos concede e assim contribuir ao mundo. Por meio dos toques do Shofar, D’us nos conclama a consertar este mundo fraturado.

Rosh Hashaná é o início do ano judaico e também o aniversário da humanidade. Um dos principais temas da festa é o fato de que o ser humano é o centro da Criação. A Torá nos ensina que entre todas as obras de D’us, somente o homem foi criado à Sua imagem. Significa que ao homem foi dado um poder Divino: o livre arbítrio. Nem os animais e nem mesmo os anjos mais elevados receberam tal dádiva.

Este dom foi o maior presente de D’us para o homem. O livre arbítrio faz com que o ser humano se assemelhe ao seu Criador, pois lhe dá a liberdade de ser dono de seu destino e a oportunidade de influenciar o curso do mundo. Contudo, isto representa ter poder, e ter poder significa ter grandes responsabilidades. Graças ao livre arbítrio que D’us nos confiou, podemos tanto ser construtores quanto destruidores de mundos.

Permite-nos, também, elevar-nos espiritualmente aos mais altos níveis ou afundar-nos aos níveis mais baixos. Na Torá e ao longo da História, houve inúmeros homens e mulheres que superaram enormes obstáculos e se tornaram gigantes espirituais. Por outro lado, houve filhos de reis e profetas e justos que, a despeito de sua família, berço e educação, optaram por se afundar, moral e espiritualmente.

Já que apenas o homem foi agraciado com o livre arbítrio, apenas ele é responsabilizado por suas decisões e ações. Rosh Hashaná, o aniversário da humanidade, é também o Dia do Julgamento: data em que D’us convoca o ser humano a prestar contas de quão bom uso ele fez do dom Divino do livre arbítrio.

Em Rosh Hashaná, diferentemente de Yom Kipur, não se mencionam erros, pecados ou transgressões. Antes de bater no peito e confessar uma longa lista de transgressões, o homem deve primeiro prestar contas a D’us acerca das decisões que tomou por meio do livre arbítrio que lhe foi concedido. E um dos motivos para o fato de Rosh Hashaná anteceder Yom Kipur é que as grandes decisões precisam ser tomadas antes de se lidar com os detalhes.

 

Na tradição judaica, a data dos aniversários não é um dia de festejos, com bolo e velas, mas um dia de exame de consciência e de uma prestação espiritual de contas. Da mesma forma, Rosh Hashaná, o aniversário do homem, é o dia em que a humanidade deve fazer uma avaliação honesta de quão bem está cuidando do mundo que D’us nos confiou.

Rosh Hashaná é tanto uma festa alegre como um dia que deve invocar sentimentos de reverência, pois é a data em que D’us julga o mundo, individual e coletivamente. Mas Maimônides nos ensina que D’us considera o conjunto da obra. Se a maioria de nossos atos foram benéficos e de boa fé, seremos julgados favoravelmente. Além disso, em Rosh Hashaná, o Todo Poderoso, que conhece os segredos de todos os corações, leva em conta nossas boas intenções e resoluções para o ano que se iniciou.

Assim sendo, fazemos votos de que D’us nos conceda sabedoria, força e compaixão para que, em Rosh Hashaná, tomemos boas decisões e resoluções – para o nosso bem e para o bem de nossa comunidade, de nosso país e do mundo como um todo.

Shaná Tová Umetucá!

Um ano bom e doce para todos!


SUPLEMENTO

Edição 101 - Setembro de 2018

ANTISSEMITISMO

Judeus na "Guerra de Malvinas" - 1982

Judeus na "Guerra de Malvinas" - 1982

As cicatrizes ainda continuam abertas e as controvérsias entre argentinos e britânicos sobre as Malvinas seguem marcadas por provocações e tensões, basicamente pela importância econômica e relevância territorial para cada uma das partes. A seguir, um breve estudo sobre a repercussão deste conflito na vida de toda uma comunidade judaica.

Edição 101 - Setembro de 2018

ANTISSEMITISMO

O antissemitismo no Partido Trabalhista britânico

O antissemitismo no Partido Trabalhista britânico

Fantasma a rondar novamente a Europa, sobretudo nos últimos anos, o antissemitismo encontrou mais um ambiente para brotar: a liderança do Partido Trabalhista britânico. Jeremy Corbyn, a dirigir a oposição desde 2015, destila preconceitos, enfrenta críticas de setores de sua agremiação e da mídia, e joga luzes sobre um fenômeno em expansão: visões antissemitas em grupos de esquerda.

Edição 101 - Setembro de 2018

HOLOCAUSTO

O segredo de Jacob Sztejnhauer

O segredo de Jacob Sztejnhauer

A família Sztejnhauer jamais poderia imaginar a importância da participação de seu patriarca, Jacob, junto a Chiune Sugihara e Jan Zwartendijk, respectivamente, cônsules do Japão e da Holanda, na Lituânia, durante a 2a Guerra Mundial. Seu papel foi fundamental no salvamento DE milhares de judeus do Leste Europeu. A revelação dessa história mudou a vida da família para sempre.

Edição 101 - Setembro de 2018

HOLOCAUSTO

Biblioteca Wiener, um dos maiores acervos da Shoá

Biblioteca Wiener, um dos maiores acervos da Shoá

Em Londres, Praça Russel, Bairro de Camden, uma construção em meio a tantas casas de classe média alta abriga um dos mais antigos e maiores acervos sobre o regime nazista e o Holocausto - a Biblioteca Wiener, criada na Alemanha em 1920 e reinaugurada na Inglaterra, em 1939, na mesma época em que as tropas alemãs invadiam a Polônia. Soma atualmente mais de um milhão de itens.

Edição 101 - Setembro de 2018

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

Judeus na Argélia Francesa

Judeus na Argélia Francesa

A vida dos judeus da Argélia mudou drasticamente no século 19. A conquista do país pela França, em 1830, iniciara o último capítulo da história judaica argelina. Aos poucos, os judeus se “afrancesaram”, tornando-se cidadãos franceses. A independência da Argélia, em 1962, marcou o fim de dois mil anos de sua presença no país. Os judeus, em grande maioria, foram para a França. Hoje não há judeus na Argélia.

Edição 101 - Setembro de 2018

SUCOT

Sucot: As Nuvens de Glória  e as Quatro Espécies

Sucot: As Nuvens de Glória e as Quatro Espécies

Sucot, festa de sete dias que se inicia no dia 15 do mês judaico de Tishrei, celebra a proteção que D’us ofereceu ao Povo Judeu durante sua jornada de 40 anos a caminho da Terra Prometida. Em nossas orações, nos referimos a Sucot como Zman Simchateinu – “Época de nosso júbilo” – porque o tema da festa é o amor Divino por nós e Sua preocupação com nosso bem-estar.

Edição 101 - Setembro de 2018

ROSH HASHANÁ

Por que tocamos o Shofar em Rosh Hashaná

Por que tocamos o Shofar em Rosh Hashaná

O principal mandamento da festa de Rosh Hashaná, Ano Novo Judaico, é ouvir os toques do Shofar. Trata-se de um mandamento bíblico. Todas as demais leis e costumes de Rosh Hashaná, como as refeições festivas, as maçãs imersas no mel e, mesmo as orações, têm importância secundária. Em Rosh Hashaná, a prioridade para todos os judeus deve ser ouvir os toques do Shofar.

Edição 101 - Setembro de 2018

YOM KIPUR

Dez Ensinamentos para os Dez Dias de Teshuvá

Dez Ensinamentos para os Dez Dias de Teshuvá

Os Dez Dias de Teshuvá, também conhecidos como os Yamim HaNorayim (“Dias Temíveis”), iniciam-se em Rosh Hashaná – o Ano Novo Judaico – e terminam no final de Yom Kipur. O Talmud ensina que esses dez dias constituem um período de julgamento Divino. Os Yamim HaNorayim são, pois, uma época de profunda introspecção que deve ser dedicada a orações, exame de consciência e tomada de boas resoluções.

Neste artigo, preparamos dez ensinamentos que tocam alguns dos temas relevantes para os Dez Dias de Teshuvá.

Edição 101 - Setembro de 2018

YOM KIPUR

Algumas leis relacionadas a Yom Kipur

Algumas leis relacionadas a Yom Kipur

Neste ano, Yom Kipur se inicia na terça-feira, 18 de setembro, e termina na noite de quarta-feira, 19 de setembro .

Edição 101 - Setembro de 2018

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Os Heróis Esquecidos da Operação Tocha

Os Heróis Esquecidos da Operação Tocha

Argel, manhã de 8 de novembro de 1942. Liderados por Bernard Karsenty e José Aboulker, 377 combatentes da Resistência anti-Vichy, praticamente desarmados, tomam pontos estratégicos e paralisam as forças de Vichy. O levante facilita a entrada na cidade de tropas norte-americanas da Operação Tocha. A grande maioria dos combatentes e seus líderes eram judeus. Esses jovens destemidos jamais receberam crédito por sua bravura. Simplesmente foram esquecidos pela História.

Edição 101 - Setembro de 2018

HISTÓRIA DE ISRAEL

Segredos Guardados  da Guerra do Yom Kipur

Segredos Guardados da Guerra do Yom Kipur

Um campo de batalha tem pouco a ver com as cenas que nos acostumamos a ver no cinema. A rigor, por causa da distância que separa os combatentes, quem está do lado de cá não sabe o que está acontecendo do lado de lá. A guerra só se faz presente quando se ouve o estrondo de um tiro de canhão e, em seguida, há o sopro de um vento quente, resultante do disparo. Eu sei que é assim porque estive no canal de Suez e no campo de batalha das colinas do Golã, 45 anos atrás, durante a Guerra do Yom Kipur.

Edição 101 - Setembro de 2018