Morashá
Jacob, o amado por D-us Foto Ilustrativa

Jacob, o amado por D-us

Jacob, filho de Isaac e neto de Abraão, é o terceiro e último patriarca do Povo Judeu. É dele que descendem todos os Filhos de Israel, pois, diferentemente de seu avô e pai, todos os seus doze filhos têm parte ativa na história judaica. foram os fundadores das Doze Tribos de Israel.

Edição 56 - Abril de 2007


Jacob, "o amado por D'us" (Malachi, 1:2), teve como missão de vida forjar a harmonia entre forças espirituais opostas para trazer a verdadeira paz a este mundo e aos mundos espirituais. Mas, apesar disso, ou talvez justamente por isso, sua vida não foi de paz. Ele foi forçado a lidar com homens perversos e a se engajar em lutas físicas para garantir sua sobrevivência e a continuidade de seus descendentes. Tímido e introvertido, um erudito que amava a paz e a verdade, Jacob enfrentou tanto homens como seres espirituais para garantir a continuidade do legado espiritual de Abraão e Isaac. Ensinam nossos Sábios que foi D'us quem atribuiu ao terceiro patriarca o nome de Jacob, em hebraico Yaacov, trocando-o mais tarde por Israel. Ambos os nomes foram dados após lutas por sua sobrevivência: uma travada contra seu irmão Esaú, no momento de seu nascimento, e outra contra um anjo de D'us.

A vida de Jacob

A vida de Jacob é descrita em detalhes na segunda metade do Livro de Gênese (Bereshit) - desde a gravidez de sua mãe até a sua morte. A Torá, assim como o Talmud, o Midrash e o Zohar, relatam minuciosamente suas visões, seus encontros com D'us e com os anjos, bem como suas preocupações, seus momentos de dor, medo e amor. Os Livros Sagrados descrevem seu relacionamento com seu pai, Isaac, com sua mãe, Rebeca, e com Esaú, seu irmão gêmeo e rival.

Yaacov, Jacob em hebraico, é o patriarca a quem a Torá mais dedica espaço: descreve seu amor por Rachel, a mulher pela qual aceitou trabalhar durante 14 anos para o pai dela, seu tio Labão; relata os atos deste último, o mais desonesto dos homens, que o enganou e ludibriou inúmeras vezes, inclusive no dia de seu primeiro casamento, colocando Lea no lugar de Rachel, sob o pálio nupcial. Conta também acerca de seus 12 filhos, dos quais descendem as Doze Tribos de Israel, e de sua filha, Diná. Os Livros Sagrados relatam as dificuldades que Jacob enfrentou no decorrer de sua vida: o sofrimento com os filhos, o ciúme entre os irmãos, a desgraça que se abateu sobre Diná e, em seguida, sua imensa dor por acreditar que estava morto José, seu filho com sua amada Rachel.

É uma vida marcada por revelações proféticas e eventos dramáticos. Sua contínua luta com Esaú; o recebimento das bênçãos proferidas por Isaac, que o tornaram o herdeiro do pacto espiritual de D'us com Abraão; o sonho de uma escada que atingia os Céus; o combate que travou com um anjo que o fere, mas que não consegue derrotá-lo e, por fim, o abençoa, conferindo-lhe um novo nome - Israel - que passa a ser símbolo de tenacidade e luta. Após anos de sofrimento, a descoberta de que José, seu amado filho, estava vivo e se tornara governador do Egito; a ida de Jacob e todos seus descendentes para esta terra, onde se cumpriria a Promessa que D'us fizera a Abraão, onde sofreriam mas se tornariam "numerosos como as estrelas no céu".

E, por fim, nos instantes derradeiros de sua vida, a visão da Era Messiânica, que surgiria somente depois de grandes sofrimentos se terem abatido sobre seus descendentes. Diz o Talmud que nosso patriarca Yaacov nunca morreu: "Seus filhos vivem e, portanto, também ele vive". Nossos Sábios explicam que todo judeu é a personificação de nosso pai Yaacov; e, como nosso povo é um povo eterno, Yaacov estará sempre presente em nosso mundo.

Jacob e Esaú

O Talmud ensina que Jacob e Esaú, e seus respectivos descendentes, estão engajados numa luta perpétua, que representa o eterno conflito entre o espiritual e o material - entre a paz e a guerra. O conflito entre os dois filhos de Isaac e Rebeca se manifesta ainda no ventre materno.Durante a gravidez, Rebeca sentia em seu interior uma agitação incomum. Quando passava por uma casa de estudos ou de idolatria, sentia algo em suas entranhas que lhe causava muita dor. Não entendendo a razão e temendo estar carregando um filho espiritualmente instável, vai à Academia de Shem e Ever, localizada onde um dia seria erguida Jerusalém, à procura de uma explicação. A Profecia Divina lhe revela, então, que carregava gêmeos: "Há duas nações em seu ventre... O mais velho servirá ao mais jovem" (Gênese 25:24).

Segundo o Midrash, Rebeca é também informada que apenas um de seus filhos continuaria fiel aos ensinamentos de Abraão e Isaac, ao passo que o outro os rejeitaria e viveria em idolatria e violência. "Dois grandes povos orgulhosos, com duas ideologias distintas, descenderão de teus dois filhos", anuncia a Profecia Divina. "De um descenderão profetas e, do outro, nobres". Um deles, Jacob, priorizaria a espiritualidade, a força moral e a Lei Divina, enquanto o outro, Esaú, priorizaria o material, a espada e a força bruta e, acima de tudo, a conquista.

Rebeca deu à luz gêmeos e, assim como advertira a Profecia, eram totalmente diferentes, física e moralmente. O primogênito ruivo e peludo é chamado, em hebraico, de Essav, que significa peludo; e o segundo recebe o nome de Yaacov, que significa "ele irá nos calcanhares". Jacob deveria ter sido o primeiro a nascer, mas na hora do parto Esaú pisa sobre o irmão, esgarça o útero de Rebeca, que não mais poderá gerar filhos, e é o primeiro a nascer. Segundo o Midrash, Esaú tenta impedir o nascimento de Jacob, mas este consegue nascer, agarrando-se ao calcanhar do irmão. O Zohar afirma que o nome Yaacov significa que "ele será senhor do calcanhar de Esaú", pois com sua inteligência foi capaz de frustrar as investidas do irmão, desde o ato do nascimento.

Jacob e Esaú eram tão opostos quanto o podem ser duas pessoas. Contudo, suas diferenças e hostilidades não derivam de ciúmes, mas de idéias diferentes. Esaú, forte e perspicaz, era "perito caçador, um homem do campo" (Gênese 25:28). Jacob, que segundo o Midrash já nascera circuncidado, era radiante e sua beleza igualava-se à de Adão, o mais belo de todos os homens. A Torá se refere a Jacob como "um homem íntegro" (Gênese 25:28) - justo, generoso, que amava "viver em tendas", nas quais estudava a fé num D'us Único e os segredos espirituais do mundo que, posteriormente, foram revelados ao Povo Judeu através da Torá. Este patriarca passou grande parte de sua juventude na Academia dos profetas Shem e Ever, onde estudou a Lei Divina e aprimorou seu espírito. Apesar de ter extrema força física, Jacob, que amava a paz e a harmonia, tentou durante a vida esquivar-se de confrontos físicos violentos. Principalmente com seu irmão Esaú, pois, segundo uma profecia, ambos seriam enterrados no mesmo dia - o que, de fato, ocorreu. Jacob, amante da vida, temia ser obrigado a matar; e este temor era maior do que o de sua própria morte.

As características inatas dos dois irmãos desenvolveram visões opostas do mundo. Esaú, o antecessor de futuros imperadores romanos, vivia inteira e unicamente o presente, o "aqui e agora". Sua pessoa simboliza o instinto, as paixões, a busca pela gratificação imediata, a conquista física e a guerra. Tinha como certa a idéia de que os fortes e poderosos conquistariam e regeriam a Terra.

Jacob, antecessor de profetas e sábios, almejava o mundo da eternidade e sabia sacrificar o conforto do presente por um futuro mais pleno e profundo. Representa a superioridade do espírito sobre a matéria. Entendia que o potencial e a grandeza de um homem não se mediam por seu poder nem pela força de suas paixões, mas em sua alma e em sua habilidade de agir racionalmente, com compaixão. Jacob deixou como legado a seus descendentes a noção de que a grandeza humana reside na capacidade do homem de transcender o finito e o mundo material e desenvolver uma relação com D'us. Jacob e Esaú personificam o eterno conflito entre a Lei Divina e a lei da selva.

Por valorizar somente "o aqui e agora", Esaú, um dia, faminto, vende sua primogenitura a Jacob por um mero prato de lentilhas. Através da venda, Jacob obteve de volta o que lhe fora tirado quando ainda estava no ventre de sua mãe. O privilégio maior do filho primogênito era receber a bênção paterna, de importância incomensurável. Mas Esaú, que vivia apenas pelo presente, não via valor algum em uma bênção futura, que recairia sobre seus descendentes: "Se estarei morto, de que me servirá a bênção?", exclamara.

Jacob, herdeiro espiritual

Quando Isaac envelhece, chega o momento de abençoar seus filhos e transmitir a herança espiritual que recebera de seu pai. Nosso patriarca, como lemos na Torá, "amava Esaú" e desconhecia a compra da primogenitura pelo outro filho, Jacob. Desconhecia, também, a profecia recebida por Rebeca, de que "o mais velho servirá ao mais jovem". Convoca, pois, seu filho mais velho para lhe conceder a bênção patriarcal. Ele conhecia os defeitos de Esaú, mas via nele grande potencial, acreditando que a bênção o faria um homem melhor. Mas Rebeca conhecia melhor do que ele, a natureza dos filhos. Sabia que Esaú era inadequado para levar avante o legado de Abraão, pois, como mãe, entendia o perigo de um homem como Esaú receber uma bênção que lhe daria ainda mais poder. Rebeca não enfrenta Isaac com a verdade sobre seus filhos, mas usa de um estratagema: ordena a Jacob que se disfarce de Esaú para, em seu lugar, ser abençoado pelo pai.

Quando Jacob se aproxima de Isaac para ser abençoado, este sente "o perfume do Paraíso" e percebe que era Jacob quem tinha diante de si. Vê profeticamente que os descendentes daquele seu filho estavam destinados a construir o Templo Sagrado em Jerusalém. Então Isaac abençoa o filho e confirma seu ato, mesmo perante Esaú, quando este entra em sua tenda com a mesma finalidade, e percebe que a bênção já fora dada ao irmão. Conferida por Inspiração Divina, era irrevogável. Vendo, porém, o desespero de Esaú, o pai o abençoa com grande riqueza material, profetizando ainda que "por tua espada, viverás".

Frustrado e furioso, Esaú planeja matar seu irmão e, mais uma vez, a Profecia Divina alerta Rebeca sobre tais intenções. Temerosa de um embate que, conforme a profecia, resultaria no enterro de ambos os irmãos no mesmo dia, ela pede que Jacob fuja e vá para a sua terra natal, onde poderia casar-se com uma das filhas de Labão, seu irmão. Antes de partir, Jacob é abençoado novamente por Isaac. Nosso segundo patriarca faz de Jacob seu sucessor espiritual - o terceiro elo da corrente inquebrantável iniciada por Abraão.

Jacob deixa a casa paterna. Mas, antes de se dirigir a Charan, onde vivia a família de sua mãe, vai à Academia de Shem e Ever. Lá permanece 14 anos estudando a Lei Divina e seus mistérios.

O sonho de Jacob

Diz a Torá que, ao se dirigir a Charan, Jacob parou em um "lugar familiar e lá passou a noite... Tomando algumas pedras, ele as colocou sob a cabeça e adormeceu... Teve uma visão, em sonho: surge diante de si uma escada, que se apoiava no chão e alcançava os Céus. Anjos de D'us por ela subiam e desciam" (Gênese. 28:10-13). Segundo nossos Sábios, o "local" no qual Jacob pernoitou era o Monte Moriá, o Monte do Templo - o mesmo onde Adão fora criado, onde seu pai Isaac foi levado por Abraão para ser sacrificado e onde, no futuro, seriam construídos o Primeiro e o Segundo Templo. Jacob chegou ao lugar sentindo-se vulnerável e só, um fugitivo despojado de quaisquer riquezas materiais. Tudo o que possuía era um imenso desejo de se aproximar de D'us e a Ele servir. Após anos de estudo e meditação, estava pronto para seu primeiro encontro com o Criador.

No sonho, D'us, Ele Próprio, aparece no topo da escada. A Torá assim relata: "E eis que o Eterno estava sobre ela e dizia, 'Eu sou o Eterno, D'us de Abraão e D'us de Isaac' " (Gênese 28:13). Naquele sonho profético, D'us abençoa Jacob, confirma ser ele o herdeiro espiritual dos dois primeiros patriarcas, promete novamente que a Terra de Israel será de Jacob e de seus descendentes e que estes serão numerosos. O Eterno promete proteger Jacob e nunca abandoná-lo nem a seus descendentes: "E eis que Eu estou contigo, e Te guardarei por onde quer que fores e Te farei voltar a esta terra; porque não Te abandonarei..." (Gênese 28:15).

Ao acordar, Jacob percebe a profunda importância do lugar: "É a casa de D'us e este é o portão dos Céus" (Gênese 28:17). Percebera que aquele era o lugar onde todas as forças espirituais se unem para influenciar o mundo físico. Aquele local era o foco da elevação espiritual através do qual o homem pode subir a níveis espirituais ainda mais elevados. E promete Jacob: "Então esta pedra, que coloquei como monumento, será a casa de D'us " (Gênese 28:22).

A pedra sobre a qual Jacob apoiara a cabeça e na qual, ao acordar, derramou azeite, era o local do Templo onde, no futuro, seria colocada a Arca da Aliança - o ponto mais sagrado de todo o Templo - o Kodesh HaKodashim, o Sagrado dentre os Sagrados.Segundo o Midrash, no sonho, D'us quis desvendar a Jacob não tanto o seu próprio destino individual, mas principalmente o destino e o futuro de seus descendentes. "Não temas, Jacob", consola-o D'us, prometendo não só que não abandonaria seus descendentes, mas, sobretudo, que o Povo Judeu perduraria para sempre.Ensina o Talmud que a escada do sonho de Jacob simboliza a História e que os anjos que subiam e desciam eram os protetores celestiais dos grandes impérios do Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma. O sonho era uma profecia de que os descendentes de Jacob teriam que passar por todos estes impérios e, em suas mãos, penariam. Mas os impérios cairiam todos e somente os Filhos de Jacob sobreviveriam como povo, através da História.

O sonho de Jacob também ensina que a vida do homem é uma escada e que, portanto, nada é estático na mesma - não há sofrimento que dure para sempre, nem erro que não possa ser corrigido. O próprio homem é muitas vezes comparado à escada do sonho, "apoiada na terra, e seu topo chegava aos Céus". O Criador quis revelar a Jacob o nível moral e ético que o homem é capaz de alcançar caso aspire ao seu constante aperfeiçoamento. Mesmo ao lidar com as realidades terrenas, o homem pode-se alçar a realidades espirituais através de seus atos, pois todos nós, se desejarmos, temos como nos aproximar da Luz Divina. Acima de tudo, a escada representa a ligação entre os Céus e a Terra - e é esta a essência da nação que Jacob está prestes a fundar.

Teu nome será Israel

Após o encontro com o Eterno, Jacob parte para o Norte, como prometera a seus pais. Lá vive durante 20 anos a serviço de Labão. Casa-se com duas filhas deste, Léa e Rachel, esta última o grande amor de sua vida. Durante os anos em que viveu e trabalhou em Charan, Jacob teve 11 filhos. D'us, então, ordena a Jacob deixar esta cidade e retornar à Terra Prometida, com toda a sua família. E é a caminho da Terra de Israel que nasce seu décimo segundo filho, Benjamin - o segundo e último filho de Rachel.

No caminho de volta para casa, Jacob é atacado por um anjo, o anjo da guarda de Esaú. Trata-se de um dos momentos mais dramáticos de sua vida, quando estão em jogo o seu destino e o de todos os seus descendentes. Numa das passagens mais místicas e dramáticas da Torá, Jacob derrota o anjo. Este o abençoa e lhe dá um nome adicional - Israel - que significa "príncipe de D'us".

Seguindo a Ordem Divina, Jacob volta ao Monte Moriá, onde tivera o sonho da escada que alcançava os Céus. Lá D'us confirma ao patriarca as palavras do anjo: "Teu nome será também Israel", e lhe revela que a missão de seus descendentes - do povo de Israel - é a de manter viva a crença na Unidade e Unicidade de D'us. Caberia aos Filhos de Israel guardar eterna lealdade a D'us - lealdade que os 12 filhos de Jacob prometeram ao pai, em seu leito de morte.

Ouve, ó Israel...

A última porção do primeiro livro da Torá relata os instantes derradeiros da vida de Jacob, já no Egito há 17 anos, com todos seus filhos. "E chamou Jacob por seus filhos", pois queria reconfortá-los revelando o que aconteceria no fim dos tempos, pois sabia das terríveis dificuldades pelas quais passariam seus descendentes. "Juntai-vos e ouvi, ó filhos de Jacob; e ouvi a vosso pai, Israel" (Gênese 49:1). Mas no momento em que inicia a revelação, a Shechiná, a Presença Divina, se afasta do patriarca e ele não consegue revelar o futuro aos filhos. Então os abençoa e estes, daquele momento em diante, passam a ser os fundadores das Doze Tribos de Israel.

Conta o Midrash que, antes de abençoar seus filhos, Jacob ainda lhes faz uma última pergunta: estariam eles firmes na crença em um D'us Único? Ao que todos eles levantam as mãos aos Céus e, juntos, respondem com a frase que se tornou a própria essência do judaísmo: "Shemá Israel, Ad'nai Elo-kenu Ad'nai Ehad" - "Ouve, ó Israel, o Eterno é nosso D'us, o Eterno é Um" (Deuteronômio, 6:4).

Nesse momento, desvanece-se o sofrimento de nosso patriarca, pois ele tem a certeza de que, apesar de tudo o que irá ocorrer no futuro, o legado de Abraão e Isaac será transmitido "le'dor va'dor", de geração em geração, em uma inquebrantável corrente milenar. A eternidade de Israel estava garantida. Reconfortado e em paz, Jacob responde: "Bendito seja, para sempre, o Nome de seu Reino Eterno", Baruch Shem Kevod Malchutó Leolam Vaêd!

Bibliografia

· Rabbi Elie Munk, The Call of the Torah, Bereshit, An anthology of interpretation and commentary, Mesorah Publications

· Rabino A. Kaplan, A Torá Viva, editora Maayanot , The Midrash Says - The Book of Bereshit