Morashá
Os judeus e a indústria dos diamantes Foto Ilustrativa

Os judeus e a indústria dos diamantes

Durante séculos os judeus dominaram o comércio e a indústria dos diamantes, estando, até os dias de hoje, na dianteira de todos os seus estágios, desde a extração até a chegada ao consumidor. Hoje Israel é um dos três maiores centros desta indústria.

Edição 68 - Junho de 2010


Durante séculos os judeus dominaram o comércio e a indústria dos diamantes, estando, até os dias de hoje, na dianteira de todos os seus estágios, desde a extração até a chegada ao consumidor. Hoje Israel é um dos três maiores centros desta indústria. Onde quer que o comerciante se encontre, na Antuérpia, Mumbai ou em um escritório na Bolsa de Diamantes de Ramat Gan, Tel Aviv, os negócios de compra ou venda são selados com um aperto de mão e a expressão em iídiche, “mit Mazel und Bruche”, com sorte e bênção. Para os comerciantes judeus, isso tem o mesmo valor que um contrato legal e significa que o preço combinado é final e deverá ser respeitado.

Conhecidos desde o séc. 8 a. E.C., os diamantes eram muito raros até a segunda metade do séc. 19, quando foram descobertas as ricas minas da África. Desde então, a De Beers, que detém o monopólio quase absoluto do produto, controla a produção, mantendo-a reduzida para que seu preço se mantenha elevado em conseqüência da escassez da oferta. Este fato contribui para que no século 20 o diamante seja alçado a objeto de desejo, símbolo de amor, status e poder. Em 1948, a agência publicitária N.Y. Ayer criou para a De Beers o famoso slogan: “Um diamante é para sempre”, eleito o melhor do século pela revista de publicidade “Advertising Age” e que espelha muito bem a estratégia da empresa, que afirma: “Nós vendemos sonhos, não produtos!”. No entanto, nem tudo em relação aos diamantes é brilho e sonho... Na África, eles também são símbolo de violência e sofrimento. Além das populações nativas serem tratadas com brutalidade e semi-escravidão por “líderes” locais ou bandos armados para que trabalhem apenas em garimpos, deixando de lado qualquer outra atividade econômica, em inúmeras ocasiões os diamantes foram o principal motivo de sangrentos conflitos. O filme “Blood Diamond” chamou a atenção do público para esses fatos.

Em Israel a preocupação com o afluxo de diamantes provenientes de áreas de conflito, levou à adoção de uma série de medidas para se certificar de que as pedras não fossem provenientes de regiões onde há violações dos direitos humanos e que sua comercialização não financiasse guerrilhas. Entre outros, foi um dos primeiros países a adotar o sistema de certificação do processo de Kimberley (SCPK) – um sistema internacional de certificação para os diamantes em bruto, a fim de prevenir a entrada de “diamantes de guerra” no comércio legítimo. Atualmente, 69 países adotaram esse mesmo sistema de certificação.

Das Índias para Lisboa e depois para Amsterdã e Londres

Até o início do século 18, eram as Índias que forneciam diamantes para o mundo. Na Idade Média, atravessando a Arábia, as caravanas os levavam até Aden ou Cairo onde eram trocados com mercadores judeus por ouro ou prata. Estes por sua vez as revendiam a seus correligionários de Veneza, Lituânia ou Frankfurt. Na Europa cristã eram poucas as profissões permitidas aos judeus. A lapidação de diamantes era uma delas, sendo um dos poucos ofícios permitidos a eles pelas corporações de artes e ofícios medievais. Aos judeus também era permitido e incentivado emprestar dinheiro a juros. Era fácil para os que trabalhavam como prestamistas avaliar e vender pedras preciosas que eram oferecidas em garantia nas transações. Tinham também estreitos laços com os judeus que viviam nos centros comerciais do Império Otomano, por onde transitavam os diamantes provenientes das Índias.

No século 16, quando os portugueses conseguiram alcançar as Índias por rota transoceânica, os judeus portugueses faziam acordos com os capitães dos navios para que comprassem os diamantes diretamente dos mineiros de Goa. Assim, Lisboa acabou por se transformar na principal porta de acesso dos diamantes na Europa. Oficinas de lapidação foram montadas em Lisboa e em menor medida na Antuérpia, onde judeus do Leste Europeu trabalhavam como lapidadores e polidores. A indústria de diamantes de Portugal prosperou até o final do século 16, quando recrudesce a perseguição aos judeus em Portugal.

Com o estabelecimento do Tribunal da Inquisição em Portugal, muitos mercadores judeus deixam Lisboa para se estabelecer num primeiro momento em Amsterdã e num segundo na Antuérpia, sendo ambas rapidamente transformadas nos centros diamantários da Europa.

Durante a Inquisição os diamantes se tornaram um bem de valor inestimável para os judeus; pequenos o suficiente para ser escondidos no corpo, podiam ser trocados imediatamente por dinheiro em qualquer país da Europa. Para quem vivia sob a ameaça e o medo da expulsão de sua própria casa, as preciosas gemas representavam um meio eficaz de preservar e acumular riqueza.

Em meados do século 17, há inúmeros judeus entre os comerciantes que financiaram a Companhia Holandesa das Índias Orientais para que a mesma organizasse sua própria rota comercial para as Índias. Desta forma, Amsterdã toma o lugar de Lisboa como porto de entrada na Europa para os diamantes das Índias. Assim que as minas dessa procedência começam a esgotar sua produção, outras foram descobertas, em 1725, no Brasil. Os holandeses tentaram dominar o tráfico desta nova rota, mas tiveram que competir com a ascensão do poderio marítimo inglês.

Em meados do século 18 a Grã Bretanha já dominava o comércio de diamantes, tanto provenientes das Índias quanto do Brasil, e Londres se tornara um dos centros de distribuição de diamantes brutos. Inúmeros comerciantes judeus, a maioria sefaraditas, adquirem licenças para residir na Inglaterra e poder importar diamantes. Nos registros da Companhia das Índias Orientais consta que a maioria dos importadores eram judeus. Estes organizaram um comércio triangular entre Londres, Livorno e as Índias: a prata era exportada para a cidade toscana de Livorno onde era trocada por coral, que, por sua vez, era usado na Inglaterra para comprar diamantes brutos, vindos das Índias ou do Brasil. Em seguida, os diamantes eram enviados para as oficinas de lapidação de Amsterdã e da Antuérpia. As pedras acabadas eram, em seguida, distribuídas para toda a Europa.

Nessa época, as pedras eram destinadas às cortes européias e cabia aos chamados “judeus da corte” selecionar e avaliar os diamantes e pedras preciosas. Na Suécia, por exemplo, esta tarefa cabia à família Isaac; em Hamburgo, à família Lippold, ao passo que em Viena, à família Oppenheim.
 
As minas da África e a “De Beers”

Nas últimas quatro décadas do século 19, quando as reservas brasileiras estavam-se esgotando e já não vinham mais diamantes das Índias, foram descobertas as ricas minas da África do Sul. Em fevereiro de 1867 é encontrado às margens do rio Orange um diamante de 21,25 quilates, conhecido como Eureka. Três anos mais tarde, na fazenda dos irmãos De Beers, nas encostas do Colesberg Euryptila, são encontradas inúmeras pedras, entre as quais um diamante de 83,50 quilates. O local revelou ser o maior depósito de diamantes do mundo.

Para evitar que, com o aumento da oferta, o preço do diamante despencasse, os dez principais comerciantes judeus de Londres formaram um consórcio cuja finalidade era comprar a produção inteira dessas novas minas. Alguns passaram a adquirir também participações nas minas, contribuindo para a formação de um verdadeiro monopólio dos diamantes.

A criação da De Beers é o resultado de uma fusão dos dois maiores grupos de mineração na África do Sul: a Kimberley Central Mine e a De Beers Consolidated. A primeira havia sido fundada por um judeu britânico, Barney Barnato, (1852-1897), e a segunda por Cecil Rhodes (1853-1902). Esta última deve seu nome aos antigos proprietários das terras, os irmãos De Beer, onde foram encontrados as pedras que deram início à corrida de diamantes. Após tentar inutilmente superar a Kimberley Central Mine, Rhodes consegue convencer Barnato a se associar à De Beers, transformando em parceiro seu maior concorrente e consolidando, assim, o monopólio da De Beers. Mas foi Ernest Oppenheimer (1880-1957), judeu de origem alemã, quem fundou, praticamente sozinho, o que se tornaria a moderna indústria de diamantes, no início do século 20.

Oppenheimer, que se mudara para Londres ainda jovem, chegara em Kimberley em 1902, como agente de Anton Dunkelsbuhler, um comerciante de diamantes londrino. Começou sua fortuna adquirindo uma participação em minas de ouro e, após a 1ª Guerra Mundial, fundou a Anglo-American Corporation. Em seguida, voltou sua atenção à industria de diamantes, seu objetivo era conseguir o monopólio mundial, mas para isso, precisava antes obter o controle da De Beers. Usou o método que servira a Rhodes na geração anterior: adquiriu uma grande propriedade de diamantes situada na colônia alemã da África Sul, atual Namíbia. Como a De Beers precisava dessas minas para manter seu monopólio, ofereceu-as em troca de uma participação substancial na própria De Beers.

Nos anos seguintes foi comprando cada vez mais ações da De Beers. Quando, em 1929, se tornou seu acionista majoritário, foi nomeado presidente do conselho. Foi agraciado com o título de Cavaleiro pelo rei da Inglaterra, por serviços prestados ao Império Britânico.

Oppenheimer queria ver a De Beers no controle absoluto do mundo dos diamantes, desde sua extração até sua distribuição. Acreditava que a única forma de elevar seu valor era reduzindo a produção e que “o maior perigo para a indústria do diamante não era a descoberta de novas jazidas, mas sua exploração irracional”. Se a De Beers conseguisse bloquear a venda irracional das gemas, evitaria um excesso de oferta e uma queda nos preços no varejo.

Em 1929, a Grande Depressão coloca à prova, em Londres, a capacidade do consórcio de absorver a produção mundial. O mercado de diamantes era excessivamente sensível às condições adversas que rapidamente faziam despencar os preços. Como não havia vendas, o consórcio londrino tinha que manter estocada a produção para que o preço não desabasse. Oppenheimer, que sabia que isso destruiria para sempre a confiança nos diamantes como bem de valor, assumiu o controle do consórcio. Como as vendas eram irrisórias, meros US$ 100.000 em 1932, Oppenheimer fechou todas as maiores minas da África do Sul e da Namíbia, e fez a produção cair – de 2.200.000 quilates em 1930 para 14.000 em 1933.

Ele podia fechar suas próprias minas, mas não conseguia evitar que novas minas descobertas no Congo Belga e na Angola Portuguesa continuassem a extração. Mesmo sem mercado, a De Beers tinha que continuar comprando os diamantes para evitar que fossem despejados no mercado.

Em 1937, os estoques da De Beers estavam na ordem de 40 milhões de quilates, equivalentes a 20 anos de provisão. O império de Oppenheimer estava à beira da falência, pois tomara emprestado milhões de dólares para investir em diamantes que não podiam ser vendidos. Oppenheimer chegou a cogitar despejar toneladas de diamantes ao Mar do Norte para evitar que os mesmos chegassem ao mercado caso seus credores o forçassem a uma liquidação.

Ele foi salvo pela invenção da roda com lâmina de diamante e pelas suas aplicações na indústria. Trata-se de uma superfície cortante impregnada de pó de diamantes, método que permitiu um grande salto quantitativo e qualitativo na produção em massa de automóveis, aviões e na indústria mecânica, em geral. O diamante é o material mais duro que existe e a lâmina de diamante tem muitas aplicações. Serve para cortar ferro e aço, serrar pedras, polir e afiar, com precisão, vários instrumentos.

Em vez de descartar os diamantes pequenos e de má qualidade, a De Beers começou a reduzi-los a pó e distribuí-los à indústria automobilística, aeronáutica e mecânica. Com a Europa se rearmando para a guerra, milhões de toneladas iriam ser absorvidas. Oppenheimer compreendeu imediatamente o potencial do diamante industrial, e, para manter o monopólio da De Beers, precisava controlar também o fornecimento desta variedade. O que mais o preocupava eram as minas Forminière, no Congo Belga, onde um diamante negro e pouco cristalizado era extraído às toneladas. Sabia que teria que controlar a produção do Congo para que sua De Beers mantivesse a liderança. Portanto, para se certificar de que as minas do Congo ficassem no controle da De Beers, Oppenheimer negociou diretamente com o governo da Bélgica.

Em troca da venda de toda a produção das minas Forminière para uma subsidiária da De Beers em Londres, chamada Industrial Diamond Corporation, Oppenheimer garantiu fornecer à indústria de lapidação da Bélgica a maior parte da produção das minas da De Beers. Londres teria o monopólio completo da distribuição do pó de diamantes, enquanto Antuérpia, que empregava cerca de 20 mil pessoas em sua indústria de lapidação e polimento, se tornaria o principal centro de corte de diamantes. Assim a Bélgica retomaria sua posição de destaque no trabalho das pedras, posição que havia perdido com a ocupação nazista. Durante e após a 2ª Guerra Mundial, vários outros centros de lapidação foram estabelecidos por refugiados judeus, especialmente em Israel.

Antuérpia

No séc. 16, a Antuérpia era um dos principais centros comerciais da Europa e por seu porto circulavam 40% do total das mercadorias. 
Judeus sefaraditas que haviam-se estabelecido na cidade tinham trazido consigo as técnicas de trabalho das gemas.

Amsterdã passou a competir com Antuérpia no negócio dos diamantes, à medida que um grande número de judeus sefaraditas foram-se estabelecendo atraídos pela tolerância religiosa da república neerlandesa. A importância da cidade foi crescendo e, no século 18, esta já detinha o monopólio da fabricação e comércio das importantes gemas. Era Amsterdã que fornecia à Antuérpia diamantes brutos de qualidade inferior, o que representou um desafio para que se desenvolvesse a técnica de transformar pedras menores e medíocres em gemas muito bem trabalhadas.

A Antuérpia voltou a ser o principal centro mundial dos diamantes, em meados do século 19, após a descoberta dos grandes depósitos de diamantes da África e o grande afluxo de pedras brutas à Europa. Para atender a crescente demanda, milhares de artesãos fizeram reviver as oficinas de talho da cidade.

A Depressão dos anos 1930 afetou o comércio dos diamantes da cidade, até este desaparecer com o início da 2ª Guerra Mundial, em 1939. Após a tomada da cidade pelos nazistas, negociantes judeus conseguiram refugiar-se em Israel, na Inglaterra, nos Estados Unidos e em Portugal, e mais de 500 continuaram sua atividade nesses países. A maioria dos judeus da cidade, no entanto, não consegue fugir e 30.000 foram assassinados pelos nazistas.

Durante a 2a Guerra, para os diamantes não caírem em mãos alemãs, as pedras foram transferidas para a Inglaterra e devidamente registradas, para serem guardadas durante a guerra. Ao término da Guerra, os diamantes foram devolvidos aos antigos proprietários, quando possível, e a Antuérpia retomou essa atividade.

O distrito de diamantes da Antuérpia se concentra no bairro judaico, próximo da estação de trem, e principalmente na Hovenierstraat, onde é comum encontrar grupos de Hassidim negociando. Isto dá ao bairro um ar de shtetl moderno. Lá se encontram umas 25 sinagogas e várias escolas judaicas. A cidade, de meio milhão de habitantes, possui 1.500 empresas que lidam com diamantes no atacado ou no varejo, e quatro Bolsas de Diamantes, a mais antiga fundada por judeus, em 1904. Quase 90% dos diamantes brutos e 50% dos polidos são comercializados na cidade.

Desde o final dos anos 1980, os judeus ortodoxos europeus, que lá fundaram o maior distrito de diamantes do mundo, tiveram que lidar com a crescente concorrência dos comerciantes indianos. Estes enviavam os diamantes brutos para serem trabalhados em oficinas de propriedade de seus familiares, em Mumbai ou no estado de Gujarat, ao norte da Índia, onde a mão-de-obra é 80% mais barata do que na Antuérpia. Esse esquema lhes permitia vender as pedras a preços muito mais competitivos do que o dos judeus, que, até há pouco tempo, talhavam e poliam seus diamantes in loco. Os judeus demoraram a procurar locais com mão-de-obra mais barata, como a Tailândia ou a China. Assim, dos 26 bilhões de dólares de vendas anuais, a participação dos indianos subiu em 20 anos de 25% para 65%, enquanto que a dos judeus caiu de 70% para 25%. Os judeus da Antuérpia se perguntam se a concorrência com a Índia significa o fim da supremacia judaica no ramo dos diamantes da cidade. Nos últimos anos, de fato, centenas deles têm abandonado esta atividade.

Israel

A indústria de diamantes de Israel nasceu antes da 2a Guerra Mundial. Foi fundada por judeus provenientes dos Países Baixos, que trouxeram consigo as habilidades técnicas e os importantes contatos comerciais. Durante a 2ª Guerra, a então Palestina tomou o lugar da Bélgica e da Holanda como principal centro dos diamantes do mundo livre. O fornecimento de pedras brutas era garantido pela  De Beers e os diamantes, devidamente talhados e polidos, eram exportados especialmente  para os Estados Unidos. Nessa época, a indústria empregava cerca de quatro mil artesãos principalmente em Natânia. O valor das exportações era de cerca 16 milhões de dólares por ano.

Após a guerra, Bélgica e Holanda reativaram suas oficinas e a De Beers desviou para lá o envio de matéria prima.Também Israel estava enfrentando a Guerra de Independência, portanto até 1949 a indústria de diamantes esteve praticamente paralisada. No ano seguinte começou a crescer, até se tornar, no início dos anos 1960, a segunda maior do mundo, logo após a da Bélgica. Sua participação no comércio mundial dos diamantes polidos era de um terço do total.

A maior preocupação da indústria israelense era garantir a si própria um fornecimento estável e constante de diamantes brutos. Com a De Beers controlando mais de 80% do abastecimento mundial e congelando suas vendas a Israel, entre 1950 e 1959, a apenas 7 milhões de dólares por ano, a indústria israelense de diamantes viu-se forçada a comprar pedras de outras fontes. Isso correspondia a 24% do total em 1950, mas chegou a 84% em 1959. Com o pagamento de elevado ágio, a rentabilidade do negócio se viu ameaçada.

As agências israelenses começaram a explorar fontes diretas de fornecimento na África Ocidental, até entrar em acordo com a De Beers para que esta garantisse um fornecimento adequado. Em conseqüência disso, desde 1961 o abastecimento cresceu, representando mais da metade de todas as importações de Israel.

A indústria israelense se especializou nas pedras “melée”, formadas por duas pirâmides que produzem um brilhante redondo de 57 facetas, e nas formas chamadas “fantasia”, como as “navettes”, as “baguettes” e outras formas patenteadas.

No final dos anos 1960 a indústria israelense contava umas 400 oficinas, a metade delas empregando menos de 15 artesãos; só 45 possuíam mais de 50 funcionários e só 3 mais de 100. Mais da metade das empresas se situava nos arredores de Tel Aviv, e cerca de um quarto em Natânia. Na década seguinte Israel superou a Antuérpia como maior atacadista, dando conta de mais da metade do fornecimento mundial de diamantes polidos.

Com a reestruturação da indústria nos anos 1980 e a criação de 800 pequenas oficinas, teve um crescimento nas vendas de 900 milhões de dólares para 1,7 bilhões de dólares em 1986, representando 24% do total das exportações de Israel. Estas cifras estão em constante crescimento: 5,5 bilhões em 2003 e 6,3 bilhões em 2004, com 67% das exportações encaminhadas aos Estados Unidos. Hoje em dia a indústria dos diamantes movimenta cerca de 13 a 15 bilhões de dólares por ano. Há alguns anos foi inaugurado o novo Diamond Exchange District, em Ramat Gan, Tel Aviv, constituído por um complexo de quatro grandes torres interligadas. No edifício chamado Diamond Tower ocorrem as operações do maior pregão de diamantes do mundo.

O governo israelense foi um dos primeiro países do mundo a se preocupar com o afluxo de diamantes provenientes de áreas em conflito. Por isso proibiu as importações de Sierra Leone e, em 1999, a Bolsa de Diamantes decidiu revogar a inscrição dos negociantes que lidavam com pedras ilícitas. Em outras palavras, após essa revogação, eles eram excluídos e não podiam mais negociar em nenhuma Bolsa de Diamantes do mundo. Em 2003, Israel adotou o certificado Kimberley, para garantir que as pedras comercializadas não são provenientes de áreas de conflito ou controladas por rebeldes, ou seja, que sua compra ou venda não financia guerrilhas sangrentas e violações dos direitos humanos.

Bibliografia:

http://www.jewishvirtuallibrary.org/source/judaica/ejud_0002_0005_0_05194.htm: Diamond Trade and Industry. 
http://www.edwardjayepstein.com/diamond/chap8.htm: The Jewish Connection. 
http://www.stefangeens.com/wsj.htm: Dan Bilefsky: Indian unseat Antwerp’s Jews as the Biggest Diamond Traders. The Wall Street Journal, May 27 2003
http://www.diamondland.be/antwerp-world-diamonds/antwerp-diamond-history: Diamond History
http://rac.org/Articles/index.cfm?id=1701&pge_prg_id=8105&pge_id=2389: Jews and The Diamond Industry.