Morashá
MAIS LONGE DO QUE O PARAÍSO Foto Ilustrativa

MAIS LONGE DO QUE O PARAÍSO

Toda sexta-feira, durante o mês de Elul, o rabino de Nemirov desaparecia. Ninguém conhecia o seu destino. Onde o rabino poderia estar? No paraíso, sem dúvida, pedindo a D’us que trouxesse a paz no Ano Novo, acreditava a população da pequena cidade.

Edição 34 - Setembro de 2001


Uma noite, escondeu-se embaixo da cama do rabino e esperou. Pouco antes do amanhecer, o rabino acordou e começou a se vestir. Pôs calças de trabalhador, botas de cano alto, um grande chapéu, um casaco e um cinto largo. Colocou, também, uma corda em seu bolso, amarrou um machado no cinto e partiu, seguido pelo morador do vilarejo.

O rabino mergulhou nas sombras, afastando-se da cidade e subitamente parou. Pegou o machado, derrubou uma pequena árvore, transformando seu tronco em toras. Então juntou a madeira, amarrou-a com a corda, colocou-a sobre suas costas e começou a andar, até chegar a uma pequena cabana em cuja janela bateu.

"Quem está aí?" Perguntou assustada uma mulher doente.

"Sou eu, Vassil, o camponês", respondeu o rabino, entrando na cabana. "Tenho madeira para vender".

"Sou uma pobre viúva; onde arranjarei dinheiro?", perguntou.

"Eu lhe emprestarei", respondeu o rabino.

"Mas como vou devolver-lhe o dinheiro?", replicou a mulher.

"Confio em você", disse o rabino.

Colocando a madeira no fogão, acendeu o fogo e partiu em silêncio.

Desde então, sempre que alguém diz que o rabino vai ao paraíso, o morador que o seguira apenas acrescenta: "Paraíso? Se não mais alto".

Extraído de The Book of Days