Morashá
O Lechá Dodi do Rabi Shlomo Alkabetz Foto Ilustrativa

O Lechá Dodi do Rabi Shlomo Alkabetz

O Lechá Dodi é o ponto alto do Cabalat Shabat – o serviço de orações das noites de sexta-feira, quando recebemos o Shabat. De todas as orações desse dia, o Lechá Dodi é a mais famosa e bela, e nenhuma outra é recitada com tanto júbilo e fervor.

Edição 68 - Junho de 2010


Escrita pelo poeta e cabalista sefardita do século 16, o Rabi Shlomo HaLevi Alkabetz, o Lechá Dodi foi adotado por todas as comunidades judaicas, sefarditas e asquenazitas.

Pouco se sabe sobre Rabi Alkabetz, que nasceu por volta de 1505, até que ele se estabeleceu na cidade de Salônica, onde se tornou extremamente respeitado por seus profundos conhecimentos da Torá, Talmud e das obras místicas. Em meados de 1535, após vivenciar com Rabi Yossef Caro, autor do Shulchan Aruch, uma experiência mística, deixou essa cidade e fixou residência em Safed. A cidade era um grande centro de estudos místicos, onde viviam e ensinavam grandes sábios sefaraditas, profundos conhecedores do Talmud e da Cabalá, como Rabi Moshe Cordovero, Rabi Chaim Vital e o próprio Arizal, Rabi Itzahak Luria, o maior cabalista na história judaica.

Em Safed, às sextas-feiras, ao pôr-do-­sol, Rabi Alkabetz ia com outros cabalistas aos campos, para dar as boas-vindas ao Shabat. Foi nessa atmosfe­ra que Rabi Alkabetz escreveu a po­ema Lechá Dodi. Apesar de outras saudações poéticas ao Shabat terem sido compostas por outros Sábios, foi o Lechá Dodi que recebeu o endosso de Rabi Yitzhak Luria, discípulo do cabalista Rabi Cordovero, aluno e cunhado de Rabi Alkabetz.

Tendo sido composto por um homem que foi um grande erudito em Torá, cabalista e poeta, o Lechá Dodi tem muitas camadas de significado. Baseia-se em fontes encontradas nos Cinco Livros da Torá, nos Livros dos Profetas e nas Escrituras Sagradas, no Talmud e Midrash, e faz referências a alguns dos assuntos mais profundos e complexos da Cabalá. Mas como a interpretação cabalista de seus versos está além do escopo deste ensaio, elucidaremos o significado básico das estrofes do Lechá Dodi, para que cada um de nós possa ter condições de melhor apreciar suas palavras quando as recitamos durante as orações da noite de Shabat.

O tema geral do Lechá Dodi é que o Shabat é uma “Noiva” ou uma “Rainha”, a quem saímos para receber e dar as boas vindas. Estas metáforas se baseiam na descrição do Talmud sobre a alegre saudação dos Sábios ao Shabat (Shabat, 119a): Rabi Chanina costumava envolver-se em suas vestes especiais do Shabat e dizer: ‘Vamos, saiamos para saudar a Rainha do Shabat’ ”. Rabi Yannai se aparamentava com suas vestimentas especiais e dizia: “Entre, noiva! Entre, noiva!”. O Lechá Dodi divide-se em estrofes. Algumas congregações têm o costume de repetir a primeira estrofe (Lechá Dodi Likrat Kala, Penei Shabat Necabelá) após recitar cada uma das demais estrofes. Abaixo traduzimos e elucidamos cada estrofe individualmente.

Lechá Dodi

“Vem, meu Amado, saudar a Noiva, vem, vamos dar as boas vindas à Presença do Shabat.”

Lechá Dodi se inicia convidando nosso “Amado”, o Próprio D’us, a se unir a nós no Shabat. A “Noiva” é o próprio Shabat. O Midrash (Bereshit Rabá 11) ensina que quando D’us criou o tempo, dividindo-o em sete dias, Ele prometeu ao recém-criado Shabat que “Israel será seu novo par” para sempre. Conseqüentemente, a cada semana, o Povo Judeu saúda a aproximação do Shabat como se fosse um noivo que aguarda sua noiva, enquanto esta se aproxima do pálio nupcial.

Outro comentarista (Anat Yosef) interpreta a “Noiva” como sendo uma alusão à Shechiná, a Presença explícita de D’us, que foi retirada do homem devido aos pecados de Israel. Por isso, pedimos ao Eterno que se una a nós ao saudar Sua própria Presença; estamos orando a Ele pelo fim do exílio, para que a Shechiná volte novamente a brilhar sobre o Povo Judeu e sobre o mundo todo. Isto somente ocorrerá com a chegada do Mashiach e a reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém.

Shamor

“Guarda e Recorda, ditos em uma expressão única e simultânea, nos fez ouvir D’us, Uno e Único. O Eterno é Um e Seu Nome é Único – por seu bom nome, por sua beleza, por seu louvor.”

O Talmud (Shevuot 20b) ensina que quando D’us deu os Dez Mandamentos, Ele milagrosamente habilitou Israel a ouvir simultaneamente os dois aspectos complementares do mandamento do Shabat: Shamor (Deuteronômio, 5:12) – para guardar o Shabat – é a ordem de evitar sua profanação, ao passo que Zachor (Êxodo, 20:8) – para recordar o Shabat – é a ordem de realizar os mandamentos positivos associados a esse dia, tais como recitar o Kidush sobre um copo de vinho e dedicar o dia a atividades que são permitidas, espiritualmente elevadas e fisicamente alegres, tais como a oração, o estudo da Torá, o descanso e o prazer das refeições do Shabat. Apesar de a Torá escrever esses dois mandamentos, Shamor e Zachor, de forma separada, D’us os combinou no Sinai para que o Povo Judeu entendesse que os mesmos são inseparáveis.

Um dos comentários sobre o Sefer Yetzirá (o Livro da Formação), o livro mais antigo sobre a Cabalá, afirma que a capacidade de D’us de fundir os opostos é indicada pela descrição d’Ele como sendo “Um e Único”. O Infinito Criador, que não é limitado de forma alguma, realiza o feito impossível de pronunciar as palavras “Recorda” e “Guarda” de forma simultânea.

Licrat

“Para recebê-lo, vamos à frente do Shabat. Pois que ele é a origem de toda a bênção. Desde o início, desde tempos antigos, o Shabat foi glorificado. Foi o último a ser criado, mas é o primeiro em Seu pensamento.”

O Zohar nos ensina que todas as bênçãos e sucessos que desfrutamos durante a semana advêm em decorrência da santidade do Shabat. Este livro fundamental da Cabalá cita o Sábio, Rabi Yitzhak, que, referindo-se ao verso, “E D’us abençoou o sétimo dia” (Gênese, 2:3), declarou que “todas as bênçãos dos mundos superiores e inferiores derivam do sétimo dia”. De modo semelhante, o Talmud (Shabat, 118a) ensina que aquele que traz alegria ao Shabat é recompensado com um legado ilimitado de bênçãos e verá cumprirem-se todos os desejos de seu coração.

A idéia de “o último a ser criado, mas o primeiro em Seu pensamento” significa que apesar de que o Shabat foi o ato final da Criação – o sétimo dia, no qual D’us nada criou, mas apenas o conceito do descanso – o Shabat foi o propósito primordial de D’us ao criar este Mundo. De fato, quando se prevê um grande projeto, primeiro fazem-se os preparativos antes de começar a implementar o trabalho. No desígnio de D’us era da maior importância que houvesse um dia de santidade em meio à Criação, mas, antes disso, o universo inteiro tinha que ser criado. O Midrash explica este conceito através da seguinte analogia: um rei preparou um belo pálio e o decorou ricamente. O que faltava para completá-lo? A noiva, é claro. Evidentemente, enquanto o rei preparava e decorava o pálio, ele tinha em mente a noiva com quem estava prestes a se casar. O mesmo pode ser dito sobre o Rei do Universo, que criou todo o mundo para a Rainha Shabat (Bereshit 10:9).

Micdash

“Santuário Real, cidade de realeza, levanta-te e emerge de teus escombros. Muito tempo habitaste no vale das lágrimas. D’us misericordioso terá piedade de ti.”

Na Cabalá, o sétimo dia da semana, o Shabat, é associado com a sétima Sefirá emocional, Malchut (Realeza). O Shabat, o dia da Realeza, está interligado com Jerusalém, a cidade da Realeza, com o Rei David (que a estabeleceu como a capital eterna do Povo Judeu) e com seu descendente, o Rei Mashiach, que irá reinar a partir de Jerusalém. Ensinam-nos que quando o Mashiach vier, Jerusalém e o Templo Sagrado serão reconstruídos, e que na Era Messiânica, todo dia será Shabat – um dia de paz e júbilo – para todos os seres humanos.

Jerusalém personifica o Povo Judeu. Lechá Dodi chama esta cidade sagrada de “Santuário do Rei” – um título emprestado do profeta Amós. Jerusalém é chamada de cidade real porque nela a presença de D’us, o Rei supremo, era particularmente sentida, especialmente no Templo Sagrado, que ficava no centro espiritual de Jerusalém. De fato, a Shechiná residia no Templo Sagrado, como reza o verso: “E me farão um Santuário para que Eu possa habitar no meio deles” (Êxodo, 25:8). Jerusalém era, também, o lar do maior rei terreno de todos os tempos – o Rei David – e será também a residência real do descendente de David, o Rei Mashiach, que liderará o mundo a caminho de uma era de utopia.

Hitnaari

“Sacode o pó e levanta-te! Adorna-te com teus belos vestidos, meu povo, pela mão do filho de Ishai, de Betlechem. Aproxima-te de minha alma, para redimi-la!”

Esta estrofe faz referência a um verso em Isaías (52:2), no qual o profeta se dirige a Jerusalém como se fosse uma mulher se esvaindo no pó da humilhação. Ele a intima a se erguer, vestir-se com suas mais belas vestes, e retomar seus modos nobres. Iyun Tefilá comenta: “Jerusalém – suas mais belas vestes são Israel. Deixa vir a redenção para que eles novamente possam habitar-te em santidade”.

A referência ao filho de Ishai representa o próprio Mashiach, que irá descender do Rei David, filho de Ishai. É o Mashiach que irá redimir a alma do Povo Judeu e de cada judeu individualmente. O apelo, “Aproxima-te de minha alma, para redimi-la”, pode ser interpretado de duas maneiras: como uma exortação a D’us para redimir nossas almas com a Redenção Messiânica, ou como uma declaração que é como se essa era já tivesse chegado com o advento do Shabat, que é comparado à Redenção. A estrofe seria traduzida como: Você chegou perto de minha alma: Você a libertou.

Hitoreri

“Desperta, desperta! Pois tua luz chegou; levanta e ilumina. Desperta, desperta! Entoa um cântico. A glória do Eterno sobre ti foi revelada.”

O poeta conclama o Povo Judeu a despertar de seu exílio, que é comparado a um estado de torpor – onde ocorrem pesadelos absurdos e assustadores. Ele também volta a se dirigir a Jerusalém, exortando-a a se erguer da morosidade espiritual do exílio e exibir o brilho que outrora fizera a sua grandeza. A estrofe termina declarando que a glória de D’us retornou – como se a Redenção já houvesse ocorrido. Trata-se da paráfrase de um verso do profeta Isaías, que diz: “Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Eterno nasce sobre ti” (Isaías, 60:1).

Lo Tevoshi

“Não te humilhes mais, não mais te envergonhes, por que te curvas? Por que te desconsolas? Em Ti os pobres de Meu povo encontrarão um refúgio e no Monte será reconstruída a Cidade.”

Lechá Dodi segue adiante com os temas de Jerusalém e da Redenção Final. O poeta assegura ao Povo Judeu que com o advento da Era Messiânica, este povo jamais voltará a conhecer a vergonha ou a desgraça. O Templo Sagrado de Jerusalém foi destruído duas vezes, e o Povo Judeu sofreu muitos exílios, perseguições e massacres, mas, após a Redenção, tais coisas jamais voltarão a ocorrer: o Terceiro Templo permanecerá para sempre, e o Povo Judeu jamais voltará a ser exilado da Terra de Israel.

Dirigindo-se a Jerusalém, o poeta assegura a Cidade Santa de que a mesma será um porto seguro para os judeus que para lá retornarem dos quatro cantos da Terra. O tema dessa estrofe ecoa a profecia de Isaías que diz: “D’us fundou Tzion (Jerusalém) e os pobres de Seu povo nela encontrarão refúgio” (Isaías, 14: 32). Segundo Rashi, o comentarista clássico da Torá, “os pobres de Seu Povo” incluem as Dez Tribos de Israel, que foram exiladas pelos assírios mais de um século antes da destruição do primeiro Templo Sagrado.

A última linha da estrofe é tirada de uma profecia que aparece no Livro de Jeremias: “Assim disse D’us, ‘Eis que restaurarei a sorte das tendas de Yaacov e me compadecerei das suas moradas; a cidade será reedificada sobre o seu monte de ruínas (o Monte do Templo) e o palácio (o Templo sagrado) será restaurado como outrora’ ” (Jeremias, 30:18).

Vehaiu

“Serão pisoteados aqueles que te pisotearam, e serão afastados aqueles que te destruíram. Teu D'us se rejubilará contigo como o noivo se alegra com sua noiva.”

Esta estrofe também se baseia em citações dos profetas Isaías e Jeremias, que, falando em nome de D’us, prometeram que na Era Messiânica, quem oprimiu e perseguiu o Povo Judeu, será tratado “medida por medida” (na medida exata).

A cidade santa de Jerusalém foi destruída inúmeras vezes, e Sua Terra Santa foi devastada, mas D’us nos assegurou, através de Seus profetas, que Jerusalém, bem como as cidades e aldeias da Terra de Israel, não apenas seriam reconstruídas, mas se tornarão mais abarrotadas do que antes de judeus que irão retornar à sua Pátria.

Sobre a analogia da estrofe do noivo e da noiva, o famoso comentarista Rabi David Kimchi (Radak) observa: Assim como o noivo e a noiva são fiéis um ao outro, excluindo-se todos os demais, assim também a Terra de Israel, quando esteve ocupada por outras nações, nunca aceitou outros habitantes, e permaneceu deserta e desolada durante milênios. Somente o Povo Judeu, seus verdadeiros habitantes, são bem vindos por ela, e a terra apenas responde aos judeus, rejubilando com eles como um noivo e a noiva que pertencem um a outro e se amam.

De fato, a história comprovou quão verdadeira é a observação de Radak: desde que os judeus foram expulsos de sua Pátria, a Terra Santa nunca se tornou um país independente, e Jerusalém nunca se tornou capital de uma nação. O solo da Terra Santa, que permaneceu deserto por séculos, somente começou a gerar frutos quando os judeus retornaram à sua antiga Pátria e lá estabeleceram um moderno estado, com Jerusalém como sua capital.

Iamin

“À direita e à esquerda, tu estenderás o teu poder, e glorificarás o Eterno através do descendente do filho de Peretz. Então alegrar-nos-emos e regozijar-nos-emos.”

Com a Redenção Messiânica advirá o cumprimento da profecia de Isaías de que Jerusalém irá sobrepujar seus adversários à esquerda e à direita. Nossos Sábios ensinam que quando o Mashiach vier, a Terra de Israel irá cobrir toda a Terra: isto significa que todo o mundo será permeado com a santidade que emana da Terra Santa.

Esta estrofe novamente se refere ao Mashiach – o profeta e agente de D’us que irá restaurar a grandeza de Jerusalém e trará a era utópica pela qual a humanidade há tanto almeja. O Mashiach é “o homem que descende de Peretz”, pois ele é o descendente do Rei David, cuja linhagem se iniciou com Peretz, o filho de Yehudá, que era um dos 12 filhos de nosso patriarca Yaacov.

A palavra “Tifrotzi” (“te disseminarás poderosamente”) tem a conotação de uma erupção. Deriva-se da mesma raiz do nome Peretz, que “irrompe para diante” do útero de sua mãe (Gênese, 38:29). O Talmud ensina que isto indica a herança ilimitada que o Povo Judeu irá receber na Era Messiânica em virtude de seu antepassado Yaacov ter personificado o atributo Divino de Tiferet – Verdade e Beleza. É a Sefirá de Tiferet que une Chessed (Bondade) à Guevurá (Severidade), referidas, respectivamente, como a direita e a esquerda.

As palavras finais da estrofe são parte de um bem conhecido versículo de Isaías (25:9) que descreve o regozijo que o Povo Judeu vivenciará quando D’us Se revelar a eles, no momento da Redenção Final: “E naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso D’us em quem esperávamos e Ele nos salvará: este é o Senhor, a Quem aguardávamos: exultaremos e nos alegraremos em Sua salvação”.

Os místicos judeus ensinam que o júbilo e a alegria não são meros resultados da Redenção. Pelo contrário, é o próprio júbilo o que rompe as fronteiras da limitação e do exílio, trazendo consigo a Redenção.

Iamin

“À direita e à esquerda, tu estenderás o teu poder, e glorificarás o Eterno através do descendente do filho de Peretz. Então alegrar-nos-emos e regozijar-nos-emos.”

Com a Redenção Messiânica advirá o cumprimento da profecia de Isaías de que Jerusalém irá sobrepujar seus adversários à esquerda e à direita. Nossos Sábios ensinam que quando o Mashiach vier, a Terra de Israel irá cobrir toda a Terra: isto significa que todo o mundo será permeado com a santidade que emana da Terra Santa.

Esta estrofe novamente se refere ao Mashiach – o profeta e agente de D’us que irá restaurar a grandeza de Jerusalém e trará a era utópica pela qual a humanidade há tanto almeja. O Mashiach é “o homem que descende de Peretz”, pois ele é o descendente do Rei David, cuja linhagem se iniciou com Peretz, o filho de Yehudá, que era um dos 12 filhos de nosso patriarca Yaacov.

A palavra “Tifrotzi” (“te disseminarás poderosamente”) tem a conotação de uma erupção. Deriva-se da mesma raiz do nome Peretz, que “irrompe para diante” do útero de sua mãe (Gênese, 38:29). O Talmud ensina que isto indica a herança ilimitada que o Povo Judeu irá receber na Era Messiânica em virtude de seu antepassado Yaacov ter personificado o atributo Divino de Tiferet – Verdade e Beleza. É a Sefirá de Tiferet que une Chessed (Bondade) à Guevurá (Severidade), referidas, respectivamente, como a direita e a esquerda.

As palavras finais da estrofe são parte de um bem conhecido versículo de Isaías (25:9) que descreve o regozijo que o Povo Judeu vivenciará quando D’us Se revelar a eles, no momento da Redenção Final: “E naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso D’us em quem esperávamos e Ele nos salvará: este é o Senhor, a Quem aguardávamos: exultaremos e nos alegraremos em Sua salvação”.

Os místicos judeus ensinam que o júbilo e a alegria não são meros resultados da Redenção. Pelo contrário, é o próprio júbilo o que rompe as fronteiras da limitação e do exílio, trazendo consigo a Redenção.

Lechá Dodi conclui pedindo para que o Shabat venha para nós em paz. De fato, paz é a essência do Shabat; a própria saudação do dia é “Shabat Shalom”. Os temas do Lechá Dodi giram em torno da paz. Nossos Sábios ensinam que a paz é um dos nomes de D’us (cuja Shechiná nós invocamos), e que o próprio Shabat traz paz – paz nos mundos superiores e paz neste nosso mundo inferior. O nome Jerusalém – a cidade que é o maior tema do Lechá Dodi – tem vários significados, um dos quais é “cidade da paz”, e a Redenção Messiânica é, antes de mais nada, uma era de paz.

Mas o Shabat não trata apenas de paz, mas também de satisfação e de prazer. Como já dissemos, o júbilo do Shabat, não apenas nos assuntos espirituais mas também materiais, é um dos maiores mandamentos da Torá. Portanto, convidamos o Shabat para nos trazer júbilo e satisfação.

Se um Shabat coincide com uma festividade, incluindo-se Chol Hamoed – os dias intermediários de Pessach e Sucot – há uma ligeira, mas significativa variação na recitação dessa estrofe: algumas congregações substituem BeSimchá, (em alegria), por Beriná (em jubilosa canção); outras agregam a palavra BeSimchá.

Ao concluir o Lechá Dodi, procedemos – agora inundados com a alma adicional do Shabat, e na Presença da Shechiná – a recitar as orações tradicionais da noite do Shabat, que forjam um elo entre o homem e seu Criador, e trazem santidade e paz a todos os mundos criados por D’us.

Bibliografia:

Rabbi Menachem Davis, Siddur – Interlinear: Shabbat 
and Festivals, Artscroll-Mesorah
Rabbi Nissan Mindel, My Prayer volume 2, Ed. Merkos L’Inyonei Chinuch
www.chabad.org, Kabbalah Online, Lecha Dodi.