Morashá
O KIDDUSH Foto Ilustrativa

O KIDDUSH

O kidush é um preceito positivo santificar o dia de Shabat com palavras, como está escrito: Lembre do dia do Shabat para santificá-lo. Os sábios explicaram que cumprimos está santificação fazendo o kidush sobre um copo de vinho, pois esta é a base do

Edição 29 - Junho de 2000



O kidush é um preceito positivo da Torá. Maimônides, no capítulo 29 das Leis de Shabat, fez a seguinte afirmação: "É um preceito positivo santificar o dia de Shabat com palavras, como está escrito: Lembre do dia do Shabat para santificá-lo". Os sábios explicaram que cumprimos está santificação fazendo o kidush sobre um copo de vinho, pois esta é a base do fundamento da fé do povo judeu: o Eterno criou os céus e a Terra em seis dias e no sétimo descansou.

Em sua obra A rosa de treze pétalas, o rabino Adin Steinsaltz escreve que a taça do kidush simboliza o recipiente através do qual a bênção chega até nós. O valor numérico das letras que formam a palavra Kos, copo em hebraico, é 86 e equivale àquele do nome de D’us. A palavra vinho tem o valor numérico 70, equivalente ao número da véspera de Shabat. Então o vinho – vermelho – representa a sefirat de guevurá, força, julgamento severo. Na taça quase cheia, pode-se colocar um pouco de água, gesto que significa que se está pedindo um julgamento com misericórdia.

No livro Shomer Shabat está escrito que, ao se chegar em casa na sexta-feira à noite, deve-se recitar o kidush sem ter comido ou bebido nada após o pôr-do-sol. A taça é colocada na palma da mão direita, com os dedos em concha. Tanto o kidush da sexta-feira à noite, quanto o de sábado devem ser feitos na mesma mesa onde a refeição será servida. Todos os que ouvem o kidush devem fazer esta mitzvá em silêncio, só dizendo amém após as bênçãos. Todos devem provar o vinho e, durante o kidush, tudo o que estiver na mesa, inclusive o pão, deve ser coberto. É costume ficar-se de pé enquanto o kidush é recitado.

Prece

O kidush é composto de duas partes. Começa com o trecho da Torá (Gênese 2:1-3) no qual pela primeira vez menciona-se o Shabat e depois segue-se a oração feita pelos sábios especialmente para o kidush. Entre as duas partes está a bênção do vinho – Borê pri haguefen. Antes da bênção do vinho há duas palavras em aramaico, avisando aos presentes que se preparem para a oração. A declaração "Bendito sejas... por cujos mandamentos somos santificados" significa que a mitzvá é uma maneira de se alcançar um nível de santidade.

Em seguida, a prece menciona a escolha de Israel, que, mais do que qualquer outra nação, tem o dever de continuar o ato da criação e, em conseqüência, o repouso e a santidade. Em seguida, menciona-se o êxodo do Egito, quando o Shabat relembra os tempos de escravidão. Segundo Steinsaltz, "o Shabat é o dia da semana que lembra a liberdade, celebrando a libertação e o êxodo do Egito, assim como o conceito de salvação que, como derradeira no mundo, é o Shabat do mundo. A oração do kidush conclui com a relação do povo judeu com o Shabat, fechando assim o círculo da relação entre D’us e o mundo...".