Morashá
Recordando Amalek Meguilat Esther ricamente ilustrada. Qmsterdã, ca. 1701

Recordando Amalek

Um dos principais temas de Purim é a guerra entre o Povo de Israel e Amalek. Essa festa é a mais feliz do calendário judaico, pois celebra o triunfo de nosso povo sobre Haman, um primeiro-ministro persa que tentou exterminar a totalidade do Povo Judeu. Haman era não apenas um descendente, mas também a própria personificação de Amalek. O tema da festa de Purim é relevante para todas as gerações, inclusive para a nossa.

Edição 90 - Dezembro de 2015


No Shabat que precede a festa de Purim, após a leitura da porção semanal da Torá, lemos a passagem intitulada Zachor, que aparece no Livro de Deuteronômio. A passagem diz: “Recorda-te do que te fez Amalek no caminho quando saíeis do Egito, quando te encontrou pelo caminho e feriu todos os enfraquecidos que ficavam atrás de ti, e tu estavas sedento e cansado, e Amalek não temeu a D’us. [Portanto,] quando, pois, o Eterno, teu D’us, te der descanso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Eterno, teu D’us, te está dando por herança para possuí-la, apagarás a memória de Amalek de debaixo dos céus; não te esquecerás!” (Deuteronômio 25:17-19). É um mandamento da Torá ouvir a passagem de Zachor. O fato de que o Shabat em que lemos essa passagem leve o nome de Shabat Zachor enfatiza a importância do mandamento.

E a lemos no Shabat que precede Purim porque Haman, o antagonista na história relatada pela Meguilat Esther, foi descendente de Amalek. Ele não apenas é seu descendente, mas é sua própria personificação. Quando nos lembramos do que Haman pretendia fazer – exterminar cada um dos judeus da face da Terra: homens, mulheres e crianças – podemos começar a entender por que a Torá nos ordena recordar e aniquilar Amalek.

Não se trata aqui do típico antissemita. Amalek é a maldade pura – um inimigo da humanidade e arqui-inimigo do Povo Judeu. Enquanto ele existir no mundo, a humanidade e, especialmente, o Povo Judeu, estarão vulneráveis. Podemos, portanto, nunca esquecê-lo nem ignorar sua existência.

É verdade que Amalek não é a única fonte de maldade e conflito no mundo, e que há outros inimigos do Povo Judeu. De fato, a história humana, inclusive a história judaica, está repleta de guerras, conflitos e problemas. As nações frequentemente entram em guerra por uma série de razões. No entanto, as guerras raramente duram mais do que uma ou duas décadas, e, quando mudam as circunstâncias, o inimigo de hoje pode tornar-se o aliado de amanhã.

Em contraste, Israel e Amalek lutam um contra o outro há milhares de anos e sempre têm estado em lados opostos. Amalek sempre odiou o Povo Judeu e sempre odiará. Como escreve a Torá em sua primeira descrição da Guerra com Amalek: “Escreve isto para lembrança no livro, e leva-o aos ouvidos de Yehoshua” (Êxodo 17:14). A Torá ordenou ao Povo Judeu que lembrasse e fizesse lembrar a Yehoshua – o general que sucederia Moshé como seu líder e que lideraria a conquista da Terra de Israel – que um inimigo implacável se escondia na escuridão e, certamente, reapareceria no futuro.

Na Torá, duas passagens nos ordenam lembrar e apagar a lembrança de Amalek. A primeira é Êxodo 17:8-16 e, a segunda, Deuteronômio 25:17-19. Apesar de não serem muito detalhadas, essas passagens nos fornecem uma visão geral da natureza de Amalek. Como relata a Torá, após o Êxodo do Egito, enquanto o Povo Judeu estava a caminho do Monte Sinai para receber a Torá, os amalequitas os atacaram, matando certo número de judeus. Após ter lutado quase um dia inteiro, Israel venceu. Os amalequitas não lutaram até a morte – ao contrário, fugiram. Segundo o relato da Torá, eles nem sequer conseguiram invadir o acampamento dos judeus. Pelo contrário, feriram apenas os que “ficavam atrás de ti” (Deuteronômio 25:18) – aqueles que ficaram para trás provavelmente porque estavam enfraquecidos ou cansados.

Israel teve certa dificuldade em repelir os amalequitas, mas a batalha, em si, foi um incidente relativamente de pouca importância. Os judeus lutaram várias guerras, muito mais importantes, em seu caminho para a Terra Prometida. Por que, então, a Torá se preocupou em mencionar a batalha com Amalek? Porque há algo de muito perturbador nela – ele atacou Israel sem motivo algum. Os judeus não haviam invadido seu território. Na verdade, nem se haviam voltado na direção dos amalequitas. Estes não poderiam alegar que lutavam para se defender e que atacaram os judeus porque estavam com medo do Povo de Israel, por conta de quem, o Egito, grande superpotência da época, fora destruída.

Diferentemente de certas nações que tinham lutado guerras territoriais contra o Povo Judeu, Amalek não fazia parte dos planos de Israel, e eles tampouco residiam nos territórios que Israel pretendia conquistar. O fato de que seu ataque não tinha nenhuma justificativa racional apresentava uma única possibilidade: ódio gratuito. Amalek não atacou Israel visando a um objetivo em particular. Não se tratou de uma guerra por território, fronteiras, terras, recursos hídricos, tesouros ou mesmo religião. Nem sequer foi motivada por medo. Foi puramente uma expressão de ódio: o desejo de prejudicar e matar judeus.

Entre todos os inimigos do Povo Judeu, Amalek se destaca por seu ódio gratuito e sem limites. Ele não precisa de razão ou justificativa para odiar e atacar os judeus. Um inimigo como esse é muito perigoso porque não pode ser aplacado nem convencido pela lógica. Seu propósito de vida é o ódio a Israel. Nada no mundo o fará renunciar a isso.

Amalek e o antissemitismo

Durante milhares de anos, muitas pessoas, judias ou não, empenharam-se em encontrar uma explicação para o antissemitismo. Filósofos, escritores, sociólogos e historiadores apresentaram listas de razões: xenofobia, as diferenças teológicas entre o judaísmo e as demais religiões, ressentimento das extraordinárias contribuições do Povo Judeu, e muitas outras. Nenhuma delas justifica o antissemitismo, mas, ao menos, têm uma base na natureza humana.

De fato, os seres humanos têm o terrível hábito de generalizar e escolher um bode expiatório. Contudo, no ódio aos judeus, há também um vestígio de um elemento adicional que não pode ser racionalmente explicado – um ódio misterioso, fundamental, fanático. Por exemplo, por que Hitler odiava tanto os judeus? Por que ele tinha uma obsessão maior em aniquilá-los do que em ganhar a guerra? Ele odiava o Povo Judeu mais do que odiava as nações que o venceram e destruíram seu país. Na véspera de se suicidar, ele fez seu testamento final, cuja última palavra é “judeus”.

Esse elemento misterioso de ódio obsessivo é inexplicável e irracional. É uma reação à própria existência dos judeus no mundo. Hitler, que era provavelmente a reencarnação de Haman e certamente a personificação de Amalek, odiava os judeus simples e exclusivamente pelo fato de existirem.

Haman e Hitler exemplificam a razão para Amalek ser um inimigo diferente de todos os demais, e por que a Torá nos ordena lembrá-lo e aniquilá-lo. O ódio por ele não tem motivo político, religioso ou econômico. Ele atacou Israel simplesmente porque odeia todos os judeus. A passagem de Zachor transmite essa mensagem, e é por isso que a Torá ordena a todos os judeus que a ouçam.

“E Amalek não temeu a D’us”

A Torá transmite informações adicionais sobre Amalek de importante significado. Relata a Torá: “E Amalek não temeu a D’us” (Deuteronômio 25:18). Aparentemente, a Torá não nos está dizendo algo que não pudéssemos ver sozinhos. É óbvio que alguém que ataca e mata pessoas, sem motivo algum, não teme a D’us. O que a Torá sim nos ensina com essa frase é que nem mesmo o temor a D’us evitaria que Amalek atacasse Israel.

Quando Israel saiu do Egito, não se tratou apenas da migração de um povo. As pragas do Egito e a divisão do Mar dos Juncos se tornaram amplamente conhecidas. Ficou claro não só para o Faraó e para os egípcios, mas também para as outras nações, que estavam ocorrendo eventos únicos. Era evidente que o Povo de Israel estava sob a proteção de D’us – que Ele havia manifestado Sua Presença em seu meio e lutava por eles. Poder-se-ia esperar que sob tais circunstâncias, ninguém neste mundo teria ousado desafiar o Povo de Israel. De fato, nem mesmo Balak, Rei de Moav, que tinha boas razões para temer a presença dos judeus na fronteira de suas terras, ousou confrontá-los militarmente, porque temia a sua Divina Proteção. Balak, pelo contrário, contrata um profeta antissemita, Bilaam, para amaldiçoar os judeus, esperando que isso fizesse D’us renunciar aos Filhos de Israel.

Diferentemente das outras nações, Amalek “não temeu a D’us”. Qualquer pessoa ou nação, tendo ouvido como o D’us de Israel aniquilou o Egito, superpotência da época, não deveria ter ousado aproximar-se do Povo Judeu. Mas Amalek não é racional. Ele tem a audácia de atacar Israel ainda que isso signifique a autodestruição.

O Midrash descreve o comportamento de Amalek e seus efeitos com a seguinte parábola: Com o que isto pode ser comparado? Com um banho quente, fervente a tal ponto que ninguém ousaria entrar. Veio um joão-ninguém e entrou. Apesar de ter-se escaldado, ele resfriou a água para os demais. Também no caso de Amalek, quando Israel saiu do Egito, D’us separou o mar perante eles e os egípcios se afogaram nele, [e, como consequência], o temor por Israel caiu sobre todas as nações. Quando Amalek veio e os atacou, mesmo tendo recebido o que merecia por meio de suas mãos, ele os fez parecer mais frios perante as nações do mundo (Midrash Tanchuma, Ki Tetzeh 9).

Na parábola do Midrash, aquele que pulou no banho fervente o fez sabendo perfeitamente que se escaldaria, e o único resultado de fazê-lo seria resfriar a água fervente. Da mesma forma, ao atacar os Filhos de Israel, Amalek perdeu a batalha, mas conseguiu enviar uma mensagem a todo o mundo: o Povo Judeu, apesar da proteção Divina, não é invulnerável: ainda é possível lutar contra ele. Essa mensagem seguiu seu caminho a todas as demais nações. Elas ficaram com medo – “todos os habitantes de Canaã derreteram-se” (Êxodo 15:15), mas, após o ataque de Amalek, eles se armaram de coragem para lutar contra os judeus.

Há outra forma de entender a expressão da Torá de que Amalek “não temeu a D’us”. Essa frase não apenas é uma negativa, mas também uma designação positiva: não apenas ele não teme a D’us, mas de fato se coloca contra Ele. Não apenas rejeita a autoridade Divina, mas abertamente se opõe à mesma. Amalek odeia Israel e luta contra D’us. Portanto, ele não é meramente antissemita, mas também anti-Divino. A nação de Amalek direciona seu ódio ao Criador e ao Povo de Israel – que é o povo com quem o Nome de D’us é associado (Deuteronômio 28:10) – o povo que é testemunha de D’us na Terra (Isaías 43:12).

Amalek e Purim

A Meguilat Esther, um dos livros do Tanach, conta a história de Purim. Relata que enquanto o Povo Judeu vivia no exílio, sob o reinado do Rei Achashverosh, um homem chamado Haman subiu ao poder, tornando-se Primeiro Ministro. Haman fica indignado quando Mordechai – líder dos judeus – se recusa a se curvar perante ele, e pede ao Rei Achashverosh que lhe dê permissão de exterminar todos os judeus – homens, mulheres e crianças. Haman fica obcecado em matar todos os judeus. Ele não pode nem desfrutar seu poder e posição de Primeiro Ministro se Mordechai e o Povo Judeu estiverem vivos.

Se a história da Meguilat Esther fosse ficção, não registro histórico, teríamos que indicar ao autor que o enredo não faz muito sentido. Ninguém decide exterminar um povo inteiro apenas porque se sente menosprezado por seu líder. Se a Meguilat Esther fosse um livro, seu autor teria que fornecer um motivo racional para o ódio de Haman aos judeus. A recusa de Mordechai de se curvar é um pretexto ridículo para o decreto de genocídio. Por que, então, não estamos perplexos com a história de Purim? Por que não procuramos outras fontes que possam explicar o que fez Haman decidir exterminar todos os judeus? Porque sabemos quem ele é. Ele é o líder de Amalek em sua geração. Sabemos por que Haman queria matar os judeus: não por causa de Mordechai, mas simples e exclusivamente porque eles são judeus. Amalek tem um objetivo e obsessão na vida – aniquilar Israel. Ele usará qualquer pretexto para justificar sua guerra contra os judeus. Se não encontrar um pretexto, ele o inventará. Se Mordechai se tivesse curvado perante Haman, não teria feito a menor diferença: Haman teria arranjado um pretexto diferente para justificar sua tentativa de genocídio do Povo Judeu.

De fato, é inútil tentar convencer, subornar ou aplacar Amalek. É por isso que a Torá destaca Amalek entre todos os nossos outros inimigos. Outras nações perseguiram e infligiram grandes dores ao Povo Judeu, mas nenhuma delas possuía o ódio visceral e irracional de Amalek. Os antigos egípcios escravizaram e afligiram nossos ancestrais, atirando crianças judias no Nilo, e ainda assim a Torá nos ordena não odiar os egípcios, pois fomos hóspedes em sua terra. A Torá nos ordena honrar a vida e respeitar todos os povos, com uma exceção: Amalek. O mandamento da Torá de “Amar teu próximo como a ti mesmo”, que é um princípio fundamental, não se aplica a ele. Pelo contrário, a Torá nos ordena lembrar Amalek e aniquilá-lo.

Amalek em nossos dias

Amalek não é um país, uma nação nem uma religião. Não mais é uma tribo nômade e ninguém hoje se identifica como sendo “amalequita”. No entanto, Amalek possui certas marcas identificadoras. A principal é um ódio obsessivo pelo Povo Judeu. Outra marca identificadora é que ele não se confronta diretamente com o “acampamento judaico”, mas ataca aqueles que estão para trás – ou seja, os desprotegidos. Vale lembrar que Haman e Hitler, que comandavam forças armadas poderosas, levantaram-se contra os judeus enquanto viviam no exílio e não tinham exército próprio. Um terceiro sinal identificador é o fato de não temer a D’us. O povo de Amalek deseja atacar os judeus apesar de saber que será vencido e que D’us está protegendo Israel.

Essas marcas nos ajudam a identificar Amalek em nossos dias. Assim como Amalek atacou Israel no deserto, sem motivo, também o Irã de hoje planeja exterminar o Estado Judeu sem qualquer razão racional. Irã e Israel não compartilham fronteiras. Não há disputas territoriais entre ambos, e nunca lutaram uma guerra um contra o outro. Os líderes do Irã odeiam os judeus gratuitamente, assim como Haman odiava. A alegação de que sua campanha contra Israel visa a defender os árabes é um pretexto porque o Irã é inimigo de muitos países árabes. Os líderes do Irã não odeiam Israel porque amam os adversários de Israel. Odeiam Israel porque seus líderes são filhos de Amalek e Israel é o único Estado Judeu.

Mas os filhos de Amalek não vivem apenas no Irã. Vivem em vários países do Oriente Médio, inclusive alguns que fazem fronteira com Israel. Desde 2005, quando Israel se retirou da Faixa de Gaza, os “amalequitas” que lá vivem lançaram mais de 12.000 mísseis contra os centros populacionais de Israel para matar o maior número possível de judeus – homens, mulheres e crianças.

Lembremo-nos de que no deserto, o povo de Amalek não penetrou no acampamento judaico. Em vez disso, eles lutaram contra os judeus mesmo sabendo que seriam vencidos. Hoje, os “amalequitas” em Gaza, que oprimem e aterrorizam as pessoas que lá vivem, fazem o mesmo. Atacam por trás: cavam túneis para sequestrar judeus. Em junho de 2014, Amalek sequestrou três alunos de Yeshivá que voltavam para casa para passar o Shabat com sua família, e os assassinou a sangue frio.

Amalek também vive em Jerusalém e na Judeia e Samaria (Cisjordânia). No Deserto de Sinai, os amalequitas atacaram os judeus por trás. Hoje também eles atacam-nos por trás. Eles usam facas – para derramar sangue judeu. Eles atacam, em geral, os jovens e os frágeis. Amalek também floresce na Diáspora, especialmente nas Nações Unidas, na mídia, na Europa e em algumas faculdades americanas. É verdade que Israel está envolvido em disputas territoriais com alguns países árabes, e que ocasionalmente entra em guerras para proteger seu povo. Infelizmente, tais guerras resultam em mortes de civis, principalmente porque organizações terroristas os utilizam como escudo humano. Mas todos sabem que muitos países, hoje, inclusive os Estados Unidos e a Rússia, lutam contra terroristas e que tais conflitos resultam em baixas civis. Contudo, o mundo só critica Israel. Quando Israel bombardeia uma escola em Gaza usada para disparar foguetes contra os judeus, o mundo, inclusive a Casa Branca, condenam o Estado Judeu. Quando os Estados Unidos bombardeiam um hospital no Afeganistão, a maioria do mundo nem ouve falar nisso. E mais, é muito estranho que Israel seja o país mais atacado e condenado nas Nações Unidas e nas faculdades americanas. O que perturba ainda mais é o fato de que entre todos os países do mundo, o único que sofre ameaças de aniquilação seja Israel. Não ouvimos líderes de países ou alunos nas faculdades pedindo pela destruição de certos países, nem dos mais perigosos. Mas muitos já pediram o fim do Estado Judeu. E quando isso acontece, o mundo reage com indiferença.

Como na história de Purim, não temos que buscar razões para esse ódio. Podemos definir esse fenômeno aparentemente espantoso com uma palavra: Amalek. Quando alguém odeia os judeus obsessivamente – quando ele só visa a Israel e quer sua destruição – ele certamente é um amalequita.

Como podemos nós, judeus, lidar com esse arqui-inimigo? A Torá nos ensina como: primeiro, Zachor – lembra-te. Para confrontar um inimigo, especialmente um vil como Amalek, precisamos saber identificá-lo. Uma vez tendo-o identificado, podemos tomar as medidas necessárias para proteger nosso povo e confrontá-lo. Segundo, precisamos não nos enganar sobre suas intenções. Como Amalek não pode ser aplacado, a guerra contra ele não é sobre o Monte do Templo ou sobre Jerusalém ou sobre Judeia e Samaria (a Cisjordânia). O Estado de Israel pode fazer concessões territoriais inimagináveis, mas Amalek não deporá suas armas. Ele queria aniquilar os judeus quando não havia Estado de Israel e quer aniquilar o Estado de Israel agora porque lá vive a maioria dos judeus. A guerra contra o Povo de Israel começou muito antes da fundação do Estado de Israel. Começou há milhares de anos.

No entanto, não é apenas o Povo Judeu que Amalek detesta e prejudica. No passado, quando os terroristas atacavam o Estado Judeu e os judeus na Diáspora, muita gente os chamava de “guerrilheiros” que lutavam por liberdade contra o Estado de Israel. Foi somente após 11 de setembro de 2001 que muitos americanos começaram a entender o que significava ser alvo do terrorismo. Hoje, testemunhamos que o terrorismo se espalha por todo lado. Assim como Hitler começou exterminando os judeus e depois se virou contra muitos outros, Amalek também começou mirando o Estado de Israel e agora espalha o terror e a destruição por todo o Oriente Médio e a Europa. O mundo permitiu que ele plantasse o mal e agora, tragicamente, está colhendo suas consequências.

Geração após geração, Amalek engana o mundo. Ele é geralmente charmoso, inteligente e eloquente. Dá grandes entrevistas. E o mundo está desejoso de ser indulgente com ele. Israel, por outro lado, em geral se apresenta como autoritário, até belicoso. Seu Primeiro Ministro se opõe aos tratados e geralmente repreende as Nações Unidas. Por quê? Porque diferentemente da maioria do mundo, nós, judeus, sabemos muito bem quem é Amalek. Ele não consegue enganar-nos, pois nos conhecemos há mais de 3.000 anos.

Se o mundo quer aplacar o Amalek desta geração, da mesma forma como se curvou a Hitler, não deve esperar que o Povo Judeu faça o mesmo. Mordechai não se curva a Haman. Os judeus somente se curvam perante D’us.

Nós, judeus, enfrentaremos Amalek mesmo se ficarmos sozinhos. Cada ano, no Shabat que precede Purim, ouvimos a Torá, a Palavra de D’us, nos dizendo para lembrar Amalek e o aniquilar. Nós nos lembraremos dele e, cedo ou tarde, removeremos essa fonte de maldade do mundo. A declaração de que o “Nome de D’us e Seu Trono não estarão completos até a erradicação da memória de Amalek” (Midrash, Salmos 9), nos ensina que a Era Messiânica somente chegará quando Amalek for extirpado do mundo. Por essa razão, a guerra contra Amalek continua “através das gerações” – uma “guerra por D’us contra Amalek” (Êxodo 17:16).

O Povo Judeu lutará essa guerra e sairá vitorioso. Amén, Ken Yehi Ratson.

BIBLIOGRAFIA
Rabi Steinsaltz, Adin (Even Israel), Talks on the Parasha, Koren Publishers