Morashá
Resh Lakish - o gladiador que virou sábio

Resh Lakish - o gladiador que virou sábio

Rabi Shimon ben Lakish, mais conhecido como Resh Lakish, foi um dos mais notáveis Amoraim1 da Terra de Israel. Além de ser um dos pilares do Talmud Babilônico e do Talmud de Jerusalém, ele tinha uma personalidade extraordinária. É considerado excepcional mesmo entre os Sábios Talmúdicos.

Edição 92 - Julho de 2016


Resh Lakish nasceu no 3º século da Era Comum. Cresceu na Terra de Israel, ao que tudo indica na cidade de Tiberíades ou arredores. Acredita-se, ainda que não haja provas, que em sua juventude tenha estudado Torá com vários dos principais Sábios de sua geração. Contudo, por razões incertas – provavelmente devido a dificuldades econômicas – ele abandonou o judaísmo e o mundo dos estudos.

Rabi Shimon ben Lakish viveu durante um período difícil para os judeus na Terra de Israel. As autoridades romanas impunham editos implacáveis como parte de sua campanha para de lá expulsar os judeus, especialmente os lavradores. O ônus fiscal lhes era opressivo. Eram, pois, forçados a buscar fontes alternativas de renda. Resh Lakish possuía imensa força física e, aparentemente, não conseguiu encontrar outra forma de sustento a não ser a mais perigosa de todas, à época, mas também a mais lucrativa – lutar como gladiador.

Os gladiadores tinham vida curta. Sabendo que logo encontrariam a morte na cruel arena, a maioria deles vivia intensamente o momento. O derramamento de sangue e o desrespeito à lei eram parte de seu mundo. Conta a história que, em pouco tempo, Resh Lakish se tornou um famoso gladiador. E, diferente da maioria dos outros, ele sobreviveu. Segundo algumas fontes, ele também viveu algum tempo no deserto, onde conseguiu sobreviver como fora-da-lei. Liderava uma gangue de criminosos.

O relato que segue é do Pirkei D’Rebi Eliezer, uma obra do Midrash: “Ben Azzai dizia: Para entender o poder da Teshuvá (o retorno da pessoa a D’us e à Torá), venha e veja (o exemplo) de Rabi Shimon ben Lakish: ele e seus companheiros viviam nos montes e roubavam quem cruzasse seu caminho. O que fez Rabi Shimon ben Lakish? Deixou seus companheiros roubando sozinhos e retornou ao D’us de seus pais com o coração pleno, com jejum e preces. Chegava cedo, manhã e tarde, e ficava na Casa de Oração diante do Santo, Bendito é Ele. E passava os dias estudando Torá; e fazia doações aos pobres. Nunca voltou aos seus hábitos desprezíveis, e sua Teshuvá foi aceita. No dia de sua morte, morreram também dois de seus companheiros, ladrões das colinas. Rabi Shimon ben Lakish foi colocado no Tesouro da Vida (nos Céus), enquanto seus dois companheiros foram colocados nas câmaras mais baixas do Inferno.  Os dois companheiros disseram a D’us: ‘Senhor de todos os mundos, sem favoritismo...! Ele, que roubava  conosco, foi colocado nos Céus, enquanto nós fomos sentenciados para as câmaras mais baixas do Inferno’! Ao que D’us respondeu: ‘Ele fez Teshuvá em vida e vocês, não’. Os ladrões responderam:  ‘Se nos permitir, faremos uma Teshuvá incrível’. D’us retrucou:  ‘A Teshuvá só é possível até o dia da morte’ ” (Capítulo 42, Teshuvá e Boas Ações).

É surpreendente a extensão da metamorfose de Rabi Shimon  ben Lakish, de gladiador e integrante de uma gangue a Sábio da Torá. O Talmud Babilônico (Bava Metzia 84a) descreve o momento da transição:  Rabi Yochanan bar Nafcha, conhecido no Talmud como  Rabi Yochanan, um dos grandes Sábios de sua geração, banhava-se, certa vez, no rio Jordão. Nascido em Tzipori, Galileia, na Terra de Israel, ele era conhecido por sua beleza física. Por ele ser belo e não ter barba no rosto, quando Resh Lakish o viu de longe, pensou tratar-se de uma mulher. Ele atirou-se no rio Jordão, onde Rabi Yochanan se banhava, descobrindo se tratar de um homem.

Rabi Yochanan ficou impressionado com a força física de Resh Lakish e o cumprimentou: “Sua força deveria ser dedicada à Torá”. Em outras palavras, disse, um homem com sua bravura deveria canalizar sua energia para o estudo da Torá. Resh Lakish retrucou: “Sua beleza deveria ser dedicada às mulheres”. Rabi Yochanan lhe disse que tinha uma irmã tão bela quanto ele, e que Resh Lakish teria sua permissão para desposá-la se concordasse em retornar ao judaísmo e devotar sua energia ao estudo da Torá. Resh Lakish concordou e a irmã de Rabi Yochanan se casou com ele. Viveram juntos por muitos anos. Tiveram filhos e o mais novo era famoso, desde pequeno, por sua mente privilegiada (TalmudBabilônico, Taanit 9a).

Assim que Resh Lakish voltou ao estudo e prática do judaísmo, as suspeitas de Rabi Yochanan se confirmaram. A extraordinária força física de Resh Lakish era, de fato, uma manifestação de seu poder espiritual e intelectual. Ele logo se tornou um dos principais eruditos no Beit Midrash (Casa de Estudos) de Tiberíades, que, na época, era o centro judaico mais importante no mundo. Era lá que se reuniam para estudar os maiores Sábios da geração.

Rabi Yochanan foi mestre de Resh Lakish. Este, com seu enorme talento e inesgotável energia e diligência, logo adquiriu um conhecimento tão completo das Leis da Torá que ficou em pé de igualdade com Rabi Yochanan.  O Talmud de Jerusalém (Berachot) se refere a ambos como “as duas grandes autoridades” e “dois dos grandes homens do mundo”. Esses dois mestres da Torá se completavam, aguçando o intelecto um do outro. Resh Lakish era, geralmente, quem levantava objeções e desafios. Ele questionava praticamente tudo o que Rabi Yochanan dizia. Quem estuda suas discussões no Talmud, pensa que eles discordavam em tudo. De fato, uma grande parte dos assuntos discutidos tanto no Talmud de Jerusalém quanto no Babilônico se baseiam nas controvérsias entre os dois. É importante notar que Resh Lakish não pretendia questionar a veracidade ou a base das opiniões de Rabi Yochanan, mas sim, investigar e esclarecer melhor o assunto. Quando os dois debatiam, nunca era uma disputa para ver quem estava certo, mas queriam chegar a uma decisão clara e bem fundamentada. Quando Resh Lakish não encontrava base para sua opinião, não se acanhava de abandoná-la. Amava sobretudo a verdade. Rabi Yochanan apreciava isso profundamente.

Resh Lakish não era apenas seu cunhado, aluno e amigo, mas também parceiro nos estudos. Uma interessante história no Talmud de Jerusalém ilustra a ligação entre Rabi Yochanan e Resh Lakish e o destemor e o compromisso com a verdade do antigo gladiador.

Certa vez, Resh Lakish e outros eruditos em Torá estudavam as leis relativas a um Nasi – o líder espiritual do povo e chefe do Sanhedrin (Corte Suprema Judaica) – que comete uma transgressão. Rabi Shimon ben Lakish perguntou: “Se um Nasi cometeu um pecado, ele pode ser açoitado?”. Responderam-lhe afirmativamente. Mais tarde ele perguntou: “Se um Nasi foi açoitado, ele pode ser reconduzido a seu cargo?”. Responderam-lhe que não, por temor de que ele pudesse executar seus juízes. Quando Rabi Yehudah Nesiah – que era o Nasi e neto do famoso Rabi Yehudah HaNasi, autor da Mishná – soube dessa discussão, sentiu-se insultado e ordenou a prisão de Resh Lakish. Avisado de que seria preso, Resh Lakish escapou, ausentando-se do Beit Midrash. No dia seguinte, Rabi Yehudah Nesiah pediu a Rabi Yochanan que dissesse algumas palavras de Torá e este tentou bater palmas com uma só mão, como que a dizer que sem Resh Lakish ele era incapaz de pronunciar suas ideias, assim como uma mão não bate palmas sem a outra. Rabi Yochanan precisava de Resh Lakish para criar as discussões que ocorriam na Casa de Estudos: os contínuos debates sobre Torá – a pesquisa, a análise e o esclarecimento de assuntos que surgem de perguntas e respostas, do dar e receber.

Ao testemunhar a reação de Rabi Yochanan no Beit Midrash, Rabi Yehudah Nesiah, além de permitir a volta de Resh Lakish, pessoalmente foi procurá-lo e o trouxe de volta. Tocado pela modéstia do Nasi, Resh Lakish lhe disse: “Você agiu de forma semelhante a D’us. Em vez de me enviar um mensageiro, você veio pessoalmente”. Mas, quando o Nasi lhe perguntou por que ele havia feito perguntas insultuosas no Beit Midrash, Resh Lakish replicou: “Você realmente pensou que eu deixaria de ensinar as verdades da Torá por temor a você?” (Talmud de Jerusalém, Sanhedrin, 20a).

Esse e vários outros relatos talmúdicos revelam que Resh Lakish foi uma notável mistura de benevolência e grande humildade pessoal, por um lado, e brilho ideológico e até extremismo, por outro. No nível pessoal, ele nunca se zangava com ninguém. Mas em questões de Torá e princípio, ele não favorecia ninguém – nem mesmo o Nasi. Seus discursos continham declarações duras não apenas sobre as massas, mas também sobre os líderes e poderosos de seu tempo. Assim como ele fora um grande gladiador que nunca capitulara na arena, ele se tornou um Sábio da Torá que lutou por suas próprias opiniões e que nunca fez concessões sobre sua essência espiritual e intelectual. Mesmo em suas disputas com Rabi Yochanan – seu mestre e amigo – ele mantinha uma postura independente. Nunca mostrou o menor desrespeito a seus oponentes, mas, ao mesmo tempo, nunca abriu mão de seus ideais.

Nas várias disputas entre ele e Rabi Yochanan, a Halachá (lei da Torá seguida na prática) era geralmente determinada segundo Rabi Yochanan. É quase certo que Resh Lekish concordaria com o princípio de que era seu Mestre – não ele – quem tinha, geralmente, a razão. Contudo, em vários assuntos, a Halachá foi estabelecida segundo Resh Lakish. Às vezes, Rabi Yochanan era forçado pela lógica de Resh Lakish a abrir mão de sua opinião e agir de acordo com os pontos de vista de seu aluno. Apesar da grandeza e da liderança de Rabi Yochanan, bem como de sua personalidade dominante, Resh Lakish não ficava à sua sombra. Ele era um Sábio da Torá original e criativo, por seu próprio mérito. Ainda que tivesse adquirido a maior parte de seu saber de Rabi Yochanan, também estudou com outros Sábios, desenvolvendo ideias próprias.

A mudança na vida de Resh Lakish, quando ele voltou ao mundo do judaísmo, não foi tão surpreendente. Rabi Yochanan, erudito perspicaz, gênio e místico que era, diagnosticou-o com precisão quando o conheceu no incidente no rio Jordão. A extrema força de Resh Lakish não era apenas física. Rabi Yochanan estava certo. Se Resh Lakish canalizasse sua força da maneira adequada, ele seria capaz de atingir alturas espirituais e intelectuais inimagináveis. E foi o que ocorreu. O antigo gladiador canalizou seus grandes poderes para a Torá. “Quando ele discutia temas Haláchicos, era como se ele estivesse arrancando as montanhas pela raiz e as esfregando, uma contra a outra”, dizia o Sábio Ula. Ninguém se equiparou a ele em diligência e ânsia de estudar a Torá.

O antigo fora-da-lei também se tornou o maior símbolo de honestidade e integridade do Talmud. Ele evitava associar-se a qualquer pessoa sobre cuja probidade não estivesse plenamente convencido. Nunca falava em público com alguém cujo caráter ou confiabilidade fossem questionáveis. O Talmud ensina que qualquer pessoa com quem Resh Lakish conversasse na rua poderia receber um empréstimo sem a necessidade de fiadores (Talmud Babilônico, Yomá 9b).

Resh Lakish abandonou a vida de gladiador, mas manteve sua coragem e proeza física. O Talmud de Jerusalém conta uma história que bem o ilustra, revelando também quão fiel ele era a seus amigos e  sua disposição de se sacrificar  pelos outros. No Tratado Terumot, lê-se o seguinte: “Rabi Imi foi capturado por uma gangue. Rabi Yochanan disse: ‘Enrole o morto em sua mortalha’ (Ele está quase morto. Não há esperanças para ele).  Rabi Shimon ben Lakish disse: ‘Matarei ou serei morto  (para libertá-lo). Irei e o trarei de volta com minha força’. E foi e negociou (sua soltura) e o trouxe de volta” (Talmud de Jerusalém, Terumot 46b).

Nessa passagem notável, testemunhamos a fusão do antigo gladiador e fora-da-lei com o Sábio da Torá. Em vez de esquecer seu passado, ele o usa para salvar vidas. Resh Lakish conseguiu resgatar e salvar a vida de uma pessoa em virtude de sua força física, porque sabia como empunhar uma espada e também porque tinha experiência em lidar com criminosos. Essa ação de salvar vidas se tornou possível graças ao passado desse grande Sábio. A história simboliza o conceito talmúdico de “Teshuvá motivada pelo amor a D’us”: uma oportunidade rara, na qual um comportamento pecaminoso passado se torna positivo quando olhado através do prisma de um novo contexto e propósito. Quando Resh Lakish sofreu uma metamorfose, D’us lhe deu a oportunidade não apenas de se arrepender por seus maus atos, mas de transformá-los em algo meritório. Se ele nunca tivesse aprendido a usar a espada, se nunca tivesse conhecido a maneira de pensar e agir dos criminosos, Rabi Imi nunca teria sido libertado. Sua vida foi salva graças aos erros passados de Resh Lakish, que, em retrospecto, tornaram-se a base para o maior de seus atos – salvar uma vida e resgatar uma pessoa. Por isso não surpreende que Resh Lakish tenha sido quem proferiu o famoso ensinamento talmúdico: “O arrependimento oriundo do amor a D’us é tão grande que os pecados premeditados são julgados como se fossem méritos” (Talmud Babilônico, Yomá 86b).

Pensemos no que provavelmente se passou pela cabeça de Resh Lakish quando ele estava sozinho no Beit Midrash na noite após salvar Rabi Imi. Seu Mestre, Rabi Yochanan, comprovadamente o maior Sábio de seu tempo, já tinha dado o prisioneiro por morto, porque ele não tinha aptidão para tratar nem lutar com bandidos – ao contrário de Resh Lakish, que, além de ser um homem de uma força física extraordinária, sabia empunhar uma espada e intimidar os bandidos. Seu ato de salvar Rabi Imi teve o mérito de fazer de seus pecados – seus maus atos do passado – méritos.

Dois gigantes da Torá

A morte de Resh Lakish e de Rabi Yochanan foi comovente e difícil de entender. O Talmud narra como ocorreu: “Um dia, ambos debatiam em que estágio de sua produção as armas – como uma espada, uma faca ou uma lança – devem ser consideradas prontas e, portanto, passíveis de se tornarem ritualmente impuras. Durante a discussão, Rabi Yochanan, talvez pilheriando, disse que um “ladrão” (em referência ao passado de Resh Lakish) entende de seu negócio – é familiarizado com as armas e ferramentas de sua área. Muito ofendido que Rabi Yochanan trouxesse à baila seu passado, Resh Lakish retrucou:  “Se é assim, no que foi que você me aperfeiçoou me fazendo estudar Torá? Antes, entre os gladiadores, eu era chamado de Mestre, e agora, aqui, sou chamado de Mestre!” Rabi Yochanan, chocado com a aparente ingratidão dele, pergunta: “Não te é suficiente o fato de eu ter-te trazido para a proteção das asas da Shechiná, da Presença Divina?”.

A consequência do ocorrido entre os dois mestres da Torá lhes causou muito sofrimento. Rabi Yochanan sentiu-se profundamente ferido. Logo depois, Resh Lakish adoeceu, e se atribui a doença ao fato de ter desrespeitado seu Mestre. Pouco depois Resh Lakish faleceu.

Após sua morte, Rabi Yochanan mergulhou em profundo pesar. Os outros Sábios, testemunhando o sofrimento de Rabi Yochanan pela ausência do melhor amigo e companheiro de estudos, mandaram um dos melhores eruditos em Torá da época, Rabi Elazar ben Pedat, para acompanhá-lo. Conta-nos o Talmud que este último se sentava diante de Rabi Yochanan e, quando este falava, Rabi Elazar ben Pedat dizia: “Há uma Baraita (um ensinamento talmúdico) que consubstancia o que o Mestre diz”. Até que um dia Rabi Yochanan lhe disse: “Você julga ser como Resh Lakish? Quando eu proferia uma lei, ele argumentava  24 objeções e eu lhe dava  24 respostas, e aí chegávamos a um pleno entendimento daquela lei. Mas você me diz: ‘Há uma Baraita que apoia o que você diz’. Você pensa que eu não sei que minhas avaliações são corretas?”. Rabi Yochanan, então, saiu da Casa de Estudos, rasgou suas roupas em sinal de luto, e, enquanto soluçava, gritou: “Onde estás, ben Lakish? Onde estás, ben Lakish?”. Chorou e chorou até perder a cabeça. Os Sábios imploraram a D’us para ter piedade dele e, pouco depois, ele faleceu. (Talmud Babilônico, Bava Metzia 84a).

A morte dos dois Mestres fechou um capítulo na história do Talmud de Jerusalém e no estudo da Torá na Terra de Israel. Durante centenas de anos, ninguém tomou seu lugar. De fato, poucos Sábios em toda a História Judaica tiveram vida tão rica e comovente como eles.  Ao longo de quase dois milênios, Resh Lakish e Rabi Yochanan foram mestres e colegas de todos os judeus que estudaram o Talmud, através de gerações. Eles aparecem com tanta frequência no Talmud e suas discussões são tão envolventes e inspiradoras que, quando estudamos uma passagem em que eles estão presentes, sentimos como se estivessem vivos, sentados ao nosso lado. E, na verdade, quase 2.000 anos após sua morte, eles continuam muito vivos. Seus nomes e ensinamentos reverberam onde quer que os judeus estejam estudando o Talmud.

Um detalhe que ainda não mencionamos: Por que Rabi Shimon ben Lakish era chamado de Resh Lakish? Trata-se de seu apelido, mas diferentemente do apelido de outros Sábios, que são abreviaturas de seus nomes, este tinha um significado adicional. Seu nome foi simplificado para a inicial de Rabi Shimon, Resh e Shin — e Lakish era o nome de seu pai. Em aramaico, Resh significa “cabeça ou líder”. Seu apelido sugeria seu papel de líder de um grupo, não apenas dos Sábios da Torá. O nome expressava a estima geral por Resh Lakish como um grande líder tanto de gladiadores como de Sábios. Essa combinação de associações – de seu passado como gladiador e fora-da-lei, de um lado, e sua imagem erudita, de outro – criou o composto único de “Resh Lakish”.

Resh Lakish e Rabi Yochanan se completavam. Um ressaltava o brilho do outro. Seu predestinado encontro no rio Jordão mudou a vida dos dois – e mudou nossa vida, a vida do Povo Judeu, significativamente. Eles foram dois gigantes da Torá e dois heróis do Povo Judeu.

Entre as inúmeras declarações de Resh Lakish citadas no Talmud, há uma particularmente poética: “O mundo só existe em virtude do alento das crianças estudando a Torá. O estudo da Torá pelos jovens não deve ser interrompido, nem mesmo para construir o Templo”. (Talmud Babilônico, Shabat 119b). Zecher Tzadik Livrachá: Que a memória de um Tzadik seja uma bênção.

Bibliografia
Rabi Steinsaltz, Adin (Even Israel),Talmudic Images - Koren Publishers
Rabi Kahn, Ari,Teshuva from Love and Fear
Shimon ben Lakish, Rabbi (ca. 200 C.E. – ca. 275 C.E.)
www.ou.org/judaism