Morashá
O Rebe Anterior, Rabbi Yosef Yitzhak Schneerson Foto Ilustrativa

O Rebe Anterior, Rabbi Yosef Yitzhak Schneerson

'Existem pessoas que não fogem de nada e que não conhecem o medo - nem de feras, nem de homens; nem da vida, nem da morte. Estes são os Tzadikim'. (Rabi Menachem Mendel Schneerson)

Edição 62 - Setembro de 2008


Rússia, 1924. Vladimir Lênin, pai da Revolução Comunista morre e Joseph Stálin se torna o ditador da União Soviética. Na tentativa de eliminar qualquer oposição a si próprio e a seu poder político, o ditador iria, pelo restante de sua vida, assassinar mais de vinte milhões de seus compatriotas.

Os judeus da União Soviética, cuja prática do judaísmo ele julgava ameaçadora, tornaram-se um de seus principais alvos. Stálin e seus subordinados estavam determinados a arrancar as raízes judaicas do país, fazendo com que os milhões de judeus que lá viviam entregassem suas almas ao Partido Comunista. Aquele império, mais forte a cada dia, e que um dia chegaria a intimidar os Estados Unidos, declarou guerra contra D'us perseguindo o Seu Povo. Para os judeus da União Soviética, que se viram indefesos e presos em uma armadilha, a situação parecia desesperançada.

Havia, porém, um homem na Rússia - um Rebe de 44 anos de idade, herdeiro de grandes Sábios e cabalistas - que não se deixaria intimidar pelo poderoso Império Soviético. Em sua casa na cidade que então se chamava Leningrado, ele reuniu nove de seus discípulos mais queridos. Ofereceu-lhes a oportunidade de executar uma missão muito perigosa: assumir a responsabilidade pela sobrevivência do judaísmo na União Soviética, a despeito do reino de terror imposto pelos comunistas. Em suas próprias palavras, ele lhes pedia que lutassem "até a última gota de sangue". Todos os nove concordaram. O Rebe deu a mão a cada um deles, sinalizando que a partir de então estavam ligados por uma jura de sangue. "Eu serei o décimo", disse-lhes. "Juntos, formamos um minián".

Dirigidos por seu líder, os nove foram enviados para todos os cantos da União Soviética com a missão de promover o judaísmo. Ajudaram a fundar sinagogas, escolas religiosas, micvaot para os banhos rituais, ieshivot, editoras de livros sagrados e açougues casher. Desta forma, davam às comunidades judaicas liderança espiritual e os meios de viverem vidas judaicas plenas. Nas décadas de 1920 e 1930, o "minián" do rabino conseguiu construir 600 escolas judaicas clandestinas, em todo o território da União Soviética. Mas, apesar de seu empenho e auto-sacrifício, parecia uma guerra em vão. Muitas das instituições judaicas que fundavam eram descobertas pelos soviéticos e imediatamente fechadas. Judeus eram presos, torturados, exilados e executados. Em meio a essa situação, um rabino e nove de seus discípulos, em batalha declarada contra um império cruel, totalitário, que governava milhões de pessoas e tinha a intenção de dominar o mundo. Finalmente, em 1927, as autoridades soviéticas perderam a paciência com aquele rabino, a quem consideravam um contra-revolucionário, um inimigo. Prenderam-no, sentenciando-o à morte. Seria fuzilado no dia seguinte.

Quando parecia que os comunistas iriam desfechar o golpe final contra os judeus da União Soviética executando o seu líder, ocorre um milagre. O regime de Stálin, que não hesitava em assassinar clérigos e que nunca rescindira uma sentença executória, comutou subitamente, a pena de morte do Rebe por dez anos no exílio. A seguir, a sentença foi reduzida para três anos. Alguns dias depois, outro milagre: o rabino fora inocentado, completamente. No dia de seu aniversário na data hebraica, o 12º dia do mês de Tamuz, ele foi libertado. Mas, como aquele dia era feriado nacional na União Soviética, ele só pôde sair da prisão no dia seguinte. As duas datas, 12 e 13 de Tamuz, tornaram-se dias de redenção - para o Rebe, seus alunos e seus adeptos, e, como ficou evidenciado com o passar do tempo, para todo o povo judeu. Sua libertação foi um momento de virada na história judaica: marcou o início de uma revolução que iria, um dia, disseminar o judaísmo nos quatro cantos do mundo.

Quem era esse Rebe que enfrentou a poderosa União Soviética? Seu nome era Rabi Yosef Yitzhak Schneerson. Ele é conhecido como "o Rebe Anterior", pois ele foi o penúltimo líder da dinastia Chabad-Lubavitch. Os outros nove homens a quem ele liderou na luta contra o império de Stálin eram seus discípulos mais próximos; ele os amava como se fossem seus próprios filhos. Esses homens mantiveram o juramento feito a seu líder: lutaram pelo judaísmo até sua última gota de sangue. E, por causa de suas atividades em prol do povo judeu, eles foram exilados e torturados; quase todos tombaram em meio à batalha. Mas tiveram êxito em sua missão: o judaísmo sobreviveu na União Soviética.

O sexto Rebe de Lubavitch

O Rabi Yosef Yitzhak Schneerson nasceu na cidade de Lubavitch, Rússia, no dia 12 de Tamuz de 5640 (1880). Era o único filho homem do Rabi Shalom Dov Ber, o quinto Rebe da dinastia Chabad-Lubavitch. Já adolescente, ele, tido como criança prodígio, servia como braço direito de seu pai, administrando muitas das atividades comunitárias. No dia 13 de Elul de 5657 (1897), ele desposou Nechama Dina, uma das netas do terceiro Lubavitcher Rebe. Durante as celebrações da semana seguinte ao casamento, o Rabi Shalom Dov Ber anunciou a fundação da Tomchei Tmimim, a ieshivá Lubavitch. No ano seguinte, ele indicou o filho como seu diretor executivo. Liderada pelo brilhante Rabi Yosef Yitzhak, a ieshivá floresceu, abrindo várias filiais na Rússia.

Mesmo antes de se tornar o chefe do movimento Chabad-Lubavitch, o Rabi Yosef Yitzhak já arriscava sua vida em prol da comunidade judaica russa. Sua acirrada e ininterrupta campanha pelos direitos dos judeus russos causou animosidade no regime czarista, anti-semita, e, após a Revolução de Outubro, foi preso várias vezes pelas autoridades comunistas. Mas como não encontrassem nada de incriminador em suas atividades, não tinham opção senão libertá-lo. Esperavam que se o prendessem e intimidassem, ele acabaria desistindo de seu empenho em favor do judaísmo e do povo judeu. Mas, como veriam mais tarde, suas ameaças foram em vão. Estavam diante de um homem que não temia nada nem ninguém - a não ser a D'us. Era o mesmo homem que certa vez dissera a um inquisidor que o ameaçava com uma arma: "Este brinquedo serve para assustar apenas pessoas iguais a você, que têm muitos deuses e só este mundo. Mas para uma pessoa que crê em um único D'us e em dois mundos, este brinquedo não causa a menor impressão".

O Rabi Yosef Yitzhak se tornou um Lubavitcher Rebe - o sexto de uma dinastia que se iniciara com o Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Baal HaTanya - após o falecimento de seu amado pai, no segundo dia de Nissan de 5680 (1920). Na qualidade de novo líder do judaísmo russo, ele se viu tendo que lutar simultaneamente em duas frentes: trabalhava para aliviar a pobreza e o sofrimento dos judeus da Rússia - um país que desde a Revolução de 1917 estava dilacerado por lutas intestinas - e ele lutava para preservar e fortalecer o judaísmo sob o olhar perscrutador do regime brutal e totalitário que, ademais, era violentamente anti-judaico. Foi graças aos esforços incansáveis dele e de seus alunos, para não deixar morrer o judaísmo na União Soviética, que ele foi preso, em 1927. O Rebe Anterior foi confinado em uma solitária na conhecida prisão Spalerno, em Leningrado, onde foi torturado e sentenciado à morte. O fato de que um milagre Divino - que derrubou os veredictos de pena capital e exílio contra ele - tenha-se manifestado na forma de pressão internacional, não o diminui enquanto milagre. Isto porque, à época, os soviéticos não rescindiam decretos de execução; e, por outro lado, estavam determinados a dar cabo daquele homem a quem rotulavam de perigoso contra-revolucionário.

Após sua milagrosa libertação, o Rebe Anterior não teve escolha senão deixar a Rússia. Com sua família, emigrou para Riga, na Lituânia, onde fundou uma ieshivá, retomando suas atividades. Em 1934, fixou residência em Varsóvia, que, à época, era o centro do judaísmo europeu. Lá vivia quando estourou a 2a Guerra Mundial e rechaçou todas as oportunidades que se apresentaram de deixar o inferno que envolvia a cidade. Apesar do horrível cerco e bombardeios, ele optou por permanecer e ajudar outros judeus a escapar. Sua audácia e coragem não foram em vão: salvou inúmeras pessoas e sua coragem se tornou fonte de inspiração para outros. Os comunistas não tinham conseguido dobrá-lo; tampouco o conseguiriam os nazistas. No calor do bombardeio, ele construíra uma Sucá e lá cumpria o mandamento de "habitar na Sucá", durante a festa de Sucot. Repetidas vezes, esse homem olhou a morte de frente sem sequer pestanejar.

Ele resistiu às muitas súplicas vindas de judeus de todas as partes do mundo para que deixasse imediatamente a Polônia. Mas, somente quando percebeu que nada conseguiria ficando na Europa - era inimigo da União Soviética e um alvo para os nazistas - emigrou para os Estados Unidos, aonde chegou no 9º dia do mês de Adar II do ano de 5700 (19 de março de 1940). Logo após sua chegada, anunciou que tinha vindo para a terra da liberdade não porque estivesse preocupado com sua segurança pessoal, mas porque ele tinha uma missão a desempenhar: a reconstrução do judaísmo que estava sendo devastado na Europa. Apesar de sua saúde frágil - no final da vida ele ficou gravemente doente, semi-paralizado, mal conseguindo falar - ele dedicou todas as fibras de seu ser a seu objetivo. Fundou sua sede e a Ieshivá Central Lubavitch em Brooklyn, New York. Tomchei Tmimim se tornou pioneira de muitas ieshivot e escolas judaicas em todos os Estados Unidos. Para disseminar o judaísmo na América - onde era crescente a assimilação - o Rebe Anterior fundou várias instituições dedicadas à educação judaica e à aproximação de judeus ao judaísmo. Fundou também a Kehot Publication Society, dando início a um projeto - à época, ambicioso e controvertido - de traduzir os textos sagrados judaicos. A Torá e os segredos místicos seriam estudados não apenas em hebraico e aramaico, mas também em inglês e nos demais idiomas, algo revolucionário, na época.

O Rebe Anterior nutria afeto por todos os segmentos do povo judeu, indo em seu alcance. Sob a seriedade que o rodeava existia um coração profundamente caloroso e generoso, a própria personificação da bondade. Ele amava os judeus incondicionalmente. Sacrificou sua vida por seu bem-estar espiritual e material. Sua maior preocupação era que cada judeu recebesse educação judaica completa. Como visionário e pioneiro, ele determinou o destino das gerações futuras de nosso povo. Aqueles que hoje disseminam o judaísmo traduzindo os livros sagrados e aqueles que trabalham para aproximar os judeus do judaísmo trilham nos caminhos traçados pelo Rebe Anterior.

Entre seus outros inúmeros feitos extraordinários, há um que se destaca: pouco antes de falecer, dirigiu a seguinte mensagem a seus seguidores e adeptos: "Há muito a ser feito no Norte da África. Os judeus do Marrocos precisam de professores e orientadores, e é nossa missão disseminar o conhecimento da Torá entre eles". Com essas palavras, o Rabi Yosef Yitzhak Schneerson iniciou uma campanha de envio de shlichim judeus - rabinos e professores - a outros países. Uma revolução espiritual se iniciava: o judaísmo estava para ser espalhado pelos quatro cantos do mundo.

Uma luz mais brilhante do que o Sol

O Talmud nos relata a seguinte história. Quatro Sábios de Israel - Rabi Akiva, Rabi Tarfon, Rabi Yehoshua e Rabi Elazar ben Azaria - fizeram uma visita a Seu Mestre, Rabi Eliezer, que estava enfermo. Rabi Tarfon lhe disse que ele era mais importante do que a chuva; Rabi Yehoshua, que ele era mais precioso do que o Sol; e Rabi Elazar ben Azaria disse que sua grandeza superava a de um pai e uma mãe. A razão para tais louvores, segundo explicaram, era que o Sol, a chuva e pai e mãe proviam nossas necessidades apenas neste mundo, enquanto um Mestre como Rabi Eliezer provia nossas necessidades neste mundo e no Mundo Vindouro.

O que disseram de Rabi Eliezer cabe, perfeitamente no Rebe Anterior: ele, também, dedicou sua vida a beneficiar, material e espiritualmente, o povo judeu. Ao se referir a homens de tal calibre, a Torá escreve que "O Tzadik é a base do mundo" (Provérbios, 10:25). Isto significa que a existência do mundo apóia-se no mérito do Tzadik - um verdadeiro Justo de sua geração. Assim foi o Rebe Anterior; um Tzadik de sua geração. A Divina Providência o escolheu para sustentar o mundo durante uma época em que sua existência perigava. Durante os 30 anos em que ele foi o sexto Lubavitcher Rebe, o Rabi Yossef Yitzhak presenciou dois infames regimes - comunismo e nazismo - assassinarem cerca de 100 milhões de pessoas e quase exterminar por completo o judaísmo europeu. E, como um líder de seu povo, o Rebe Anterior não viveu tão trágica era de forma ausente. Sofreu profundamente e lutou com todas as armas que possuía. A quase aniquilação dos judeus da Europa o tocou profunda e dolorosamente: os comunistas exilaram e executaram milhares e milhares de seus discípulos, amigos e parentes, enquanto os nazistas exterminaram 6 milhões de seu povo, pessoas a quem ele amava com todo o seu ser, inclusive uma de suas filhas com o marido.

Poder-se-ia imaginar que o Rebe Anterior, tendo testemunhado e vivenciado tanta escuridão e tanto mal, tivesse deixado este mundo ecoando as palavras do profeta Jeremias: "Sou o homem que conheceu a aflição" (Lamentações, 3:1). Não seria surpresa se ele tivesse expressado seu desgosto com este mundo, ao qual a Cabalá chama de Mundo de Mentiras - um lugar em que os maus freqüentemente prosperam e os bons sofrem. Mas, pelo contrário, seu testamento final - sua última mensagem para nosso povo antes de devolver sua alma a D'us - foi repleto de fé e esperança. Guiado pela Divina Providência, o último discurso que escreveu foi "Bati L'Gani", ou seja, "Cheguei (Eu, D'us) a Meu jardim". Este título foi tirado de um verso do Cântico dos Cânticos, livro da Torá que descreve metaforicamente o amor entre D'us e o povo judeu.

Seu genro e sucessor, o Rebe de nossa geração, explicou que, através de seu último discurso, Rabi Yossef Yitzhak nos deu uma estupenda lição de vida: ele nos ensinou que, a despeito de todo o sofrimento e maldade que há no mundo, a vida é bela. O Rebe Anterior partiu deste plano físico, afirmando que o mundo é bom, que vale a pena lutar por ele; e que a vida tem significado e é digna de ser celebrada. Em "Bati L'Gani", ele proclama que este mundo não é uma selva, mas o Jardim de D'us - um lugar que pode ser - e um dia há de ser - transformado na morada em que a Luz Infinita brilhará, abertamente.

No dia em que deveria proferir seu discurso chassídico - 10º dia de Shevat do ano de 1950 - Rabi Yossef Yitzhak Schneerson foi convocado por Aquele a quem ele servira e lutara durante toda sua vida. Seu falecimento se assemelha ao do Rabi Eliezer. Ambos tinham passado por grande dor física, ambos faleceram num Shabat e a morte de ambos foi pranteada especialmente por seus maiores discípulos. O Zohar relata que Rabi Akiva, que se tornaria o maior mestre do Talmud, esperou até o término do Shabat - pois é proibido se enlutar no dia sagrado - para chorar a morte de Rabi Eliezer. Após ver que seu Mestre falecera, Rabi Akiva rasgou suas vestes, chorou profusamente e proclamou: "Céus! Ó, Céus! Anunciem ao Sol e à Lua que uma luz muito mais brilhante do que ambos foi levada do mundo". Foi assim, também, que no dia em que o Rebe Anterior deixou este mundo, seu maior discípulo e amado genro, a própria encarnação da Lei Judaica, conteve seu luto até que o Shabat estivesse findo; e, só então, chorou profusamente pela perda de seu Rebe, que era uma fonte de luz mais brilhante do que o Sol.

O Rebe Anterior deixou este mundo, mas deixou de legado um presente extraordinário: seu sucessor, seu aluno mais brilhante, que era casado com sua filha, Rebetzin Chaya Mushka. Exatamente um ano após o passamento do Rebe Anterior, no 10º dia de Shevat de 1951, o Rabi Menachem Mendel Schneerson, após visitar o túmulo de seu Mestre e sogro, aceitou a liderança do Movimento Chabad-Lubavitch. Tornou-se o novo Rebe de Lubavitch.

O sétimo Lubavitcher Rebe

Rabi Menachem Mendel Schneerson, o sétimo Lubavitcher Rebe, foi "Moshé e Aaron" de sua geração. Era um verdadeiro homem de D'us, árduo defensor da humanidade. Era um Sábio que tinha conhecimento profundo de todas as facetas da Torá, um cabalista e um fazedor de milagres, um estadista e um cientista. E, sobretudo, era um homem que amava cada um dos judeus, incondicionalmente. Mas, mesmo ele, que era um homem da maior estatura espiritual que um homem pode ser, tinha um Rebe "seu", a quem ele pedia ajuda, aconselhamento e bênção. Este era seu sogro, o Rebe Anterior.

No mínimo duas vezes por semana, o Rebe jejuava e visitava o túmulo do Rebe Anterior, para pedir-lhe conselhos e que ele intercedesse perante D'us em favor de judeus e não-judeus necessitados de ajuda material ou espiritual. O Rebe recebia centenas de cartas diariamente, de todas as partes do mundo: judeus e não-judeus lhe escreviam pedindo bênçãos e milagres. Com freqüência, sua resposta era, "Vou levar o problema ao conhecimento de meu sogro, em seu túmulo". Em um evento público, o Rebe explicou: "Apesar de não poder responder individualmente a cada uma das cartas, quero que fique claro que todas são levadas ao lugar de descanso de meu sogro, o Rebe (Anterior). Da mesma forma como ele atendia seu rebanho, antes, ele o continua fazendo, das Alturas. Ele desperta a Misericórdia Divina sobre o Povo Judeu, assegurando que todos os pedidos levados a ele, em seu repouso, serão atendidos pela Mão plena, aberta e sagrada de D'us".

Como Moshe e Rabi Akiva, o sétimo e último Lubavitcher Rebe conduziu e ensinou os Filhos de Israel durante 40 anos. Tornou-se um dos líderes judeus mais celebrados e amados de todos os tempos. E quando fisicamente deixou este mundo, em 3 de Tamuz do ano de 1994, ele, que não tinha filhos, deixou órfão um povo inteiro - os filhos de Avraham, Itzhak e Yaacov.

Mas, assim como o Rebe permaneceu conectado com o Rebe Anterior após o falecimento deste, também nós continuamos conectados com o nosso Rebe. Um pai não abandona seus filhos e um verdadeiro pastor não abandona seu rebanho. O Rebe Anterior e o Rebe continuam a ajudar aqueles que a eles apelam. Seus corpos estão enterrados, lado a lado, em um cemitério de Queens, Nova York. Milhares de pessoas visitam seus túmulos; os que não podem fazê-lo enviam cartas ao local onde eles jazem, pedindo sua bênção e sua orientação. Mas suas almas pairam, também, por toda a parte. Como os dois não mais estão restritos a um corpo físico, podem estar em múltiplos lugares, a um só tempo. Suas almas visitam as casas e as sinagogas onde sua presença é lembrada e seus ensinamentos transmitidos. Eles vivem no coração de todos aqueles que pensam neles e os amam. Nada, nem mesmo a morte, pode romper o vínculo entre um judeu e seu Rebe. E, assim, o Rebe Anterior e o Rebe continuam ligados a nós, as pessoas a quem ambos amavam mais do que a si próprios, em um vínculo eterno de amor.

A luz de uma nova Era

Mais de 80 anos transcorreram desde que o Rebe Anterior declarou guerra espiritual aos comunistas que desejavam erradicar o judaísmo. Portanto, cabe a pergunta: quem triunfou? O império extraordinariamente poderoso de dezenas de milhões de pessoas ou um único Mestre judeu e seus discípulos? Hoje, a resposta é óbvia. O Império do Mal, como o falecido Presidente Ronald Reagan o chamava, que almejava ter o mundo todo a seus pés, desmoronou. Stálin é lembrado entre os grandes vilões da História humana. Por outro lado, por causa do Rebe Anterior e de outros heróis e mártires judeus, o judaísmo europeu sobreviveu e se torna mais forte a cada dia, inclusive na antiga União Soviética.

Durante o governo do Presidente Putin, no Kremlin servia-se comida casher e, durante a semana de Chanucá, um candelabro era aceso. Aparentemente, a Divina Providência gosta da justiça poética, pois o atual Rabino Chefe da Rússia é um Lubavitcher.

Na década de 1980, enquanto a União Soviética caía por terra, o movimento Chabad-Lubavitch, sob a liderança do sétimo Rebe, começou a se estabelecer em lugares onde nem mesmo os comunistas pretendiam alcançar. A missão de disseminar judaísmo em todo o mundo, iniciada com um emissário do Rebe Anterior ao Marrocos, cresceu até se tornar uma organização que hoje conta com mais de 3.500 centros judaicos. Há um Beit Chabad em todos os continentes habitados pelo homem e praticamente em todos os cantos do mundo onde os judeus residem ou visitam. Tais centros são construídos para que qualquer judeu, onde quer que esteja, possa sempre ter uma sinagoga onde orar e estudar, e uma casa aonde se dirigir atrás de ajuda material ou orientação espiritual.

Mas há, também, um propósito místico para a criação desses milhares de centros que disseminam os ensinamentos do judaísmo e do chassidismo em todos os lados. Conta-se que em um Rosh Hashaná, o fundador do Movimento Chassídico, Rabi Israel, o Baal Shem Tov, teve uma experiência extracorpórea. Sua alma ascendeu aos Céus, onde ele encontrou o Mashiach. "Mestre, quando virás?", perguntou o Baal Shem Tov. Ao que o Mashiach respondeu: "Quando as fontes de teus ensinamentos tiverem sido disseminadas aos quatro cantos do mundo". Portanto, cada vez que uma sinagoga ou centro judaico é aberto, trazendo os judeus para perto do judaísmo e disseminando os místicos ensinamentos do chassidismo - a redenção do mundo fica mais próxima.

Através de seus esforços combinados, o Rebe Anterior, o Rebe e aqueles que vivem por seus ensinamentos estão transformando este mundo no Jardim de D'us. A centelha acesa pelo Rebe Anterior tornou-se, através do Rebe, poderosa chama, que rasgou a escuridão e trouxe de volta a esperança e a fé e a canção ao coração de nosso povo. Juntos, esses dois Líderes de Israel disseminaram para os quatro cantos do mundo a Torá - a Luz do Mundo - que ilumina o caminho pelo qual virá o homem que levará cada um de nós, judeus, de volta à Terra de Israel, que erguerá o Terceiro Templo e inaugurará uma era de paz e prosperidade para toda a humanidade.

Bibliografia:

Rabbi Yosef Yitzhak Jacobson, Stálin vs. Schneerson, www.algemeiner.com

Rabbi Yosef Yitzhak Jacobson, Perashas Beshalach (Audio) http://yyjacobson.blogspot.com

Rabbi Nissan Mindel ,Rabbi Joseph Yitzchok Schneerson, www.chabad.org

Rabbi Yosef Yitzchak Schneersohn (1880-1950) 6th rebbe of Chabad-Lubavitch - www.chabad.org

Rabbi Tzvi Freeman, Bringing Heaven down to Earth, Adams Media Corporation

Rabi Simon Jacobson, Toward a Meaningful Life - The Wisdom of the Rebbe - Harper Paperbacks

Isaiah Tishby e David Goldstein The Wisdom of the Zohar: An Anthology of Texts - Littman Library of Jewish Civilization

Tradução: Lilia Wachsmann