Morashá
Da Escravidão à Liberdade Foto Ilustrativa

Da Escravidão à Liberdade

O Seder de Pessach é uma cerimônia religiosa e mística que celebra a libertação do povo judeu da escravidão egípcia.

Edição 64 - Abril de 2009


As leis, rituais e costumes do Seder giram em torno do tema central da festividade: o fato de termos sido escravos, no Egito e hoje sermos homens livres. A questão da liberdade é expressa de várias formas durante o Seder. Convidamos para a cerimônia familiares e amigos, mostrando que somos donos de nossas casas; sentamos reclinados enquanto bebemos dos copos de vinho, pois, em tempos antigos, os homens livres comiam reclinados; temos uma refeição suntuosa que contrasta frontalmente com o "pão da pobreza" de nossos antepassados, no Egito; e recitamos a Hagadá, que narra a história de Pessach com júbilo e canções.

Mas o tema da liberdade, tão decantado durante o Seder e ao longo da semana de Pessach, pode ser facilmente mal-entendido e mal-interpretado. De forma literal, liberdade é o oposto de escravidão.

Mas, a bem da verdade, um estado não é necessariamente definido pela ausência do outro. Pois, o que é a escravidão? Não é meramente o aprisionamento ou confinamento físico, o estado de submissão forçada. Escravidão é um estado em que o indivíduo não tem condições ou motivação para expressar sua individualidade ou sua identidade. Quem não sente o desejo de se auto-expressar - por ter o espírito alquebrado ou por não perceber sua singularidade ou seu próprio valor - não é um indivíduo livre, ainda que tenha liberdade de ir e vir, a seu bel prazer. Pelo contrário, tal pessoa é um escravo, distante fisicamente de seu amo, mas vivendo como que ainda estivesse acorrentado.

Este conceito é algo que Moisés, o protagonista da história de Pessach, entendeu muito bem. Pois, além de trazer dos Céus a Torá, Moisés dedicou sua vida ao exercício de duas importantes missões. Primeiro - e esta foi a mais fácil - a missão de tirar os judeus do Egito. E a segunda, com a qual se digladiou durante 40 anos no deserto - tirar o Egito de dentro dos judeus.

A escravização do Espírito

A nação judaica, que começou como a família de Jacob, nosso patriarca, viveu no Egito durante 210 anos. Vieram a esta terra porque José, filho de Jacob, era o poderoso vice-rei do Egito, o homem que salvara o país da inanição. Jacob e sua família foram convidados pelo rei do Egito para aí se estabelecerem, pois os egípcios acreditavam que a família de José traria bênçãos ao país, a exemplo do que ele, o jovem hebreu, o fizera. E, de fato, é isto o que ocorre: após a chegada de Jacob, a fome que deveria durar 7 anos chega a seu fim. O Egito percebe que tamanha bênção se deve à graça de Jacob. Quando este Tzadik falece, todo o país chora por ele.

Mas, após a morte de Jacob e de todos os seus filhos, o Egito passa a ver seus descendentes, os judeus, sob uma óptica diferente. Apesar de tudo o que Jacob e José haviam feito pelo Egito, os judeus se tornam objeto de inveja e ressentimento. A qualquer um que tenha estudado a história judaica, isto soa muito familiar. Os judeus, outrora bem-vindos em terra estranha, se tornam párias e vítimas: são perseguidos pela população local e ficam na mira do governo, que tenta destituí-los de tudo o que conseguiram por mérito próprio. Mas, diferentemente da maioria dos demais países, o antigo Egito não buscou expulsá-los ou exterminá-los. Optou por escravizá-los. O Faraó usou de uma estratégia maliciosa contra o povo judeu. Aquilo que se iniciara como um serviço público para o governo egípcio se converteu em um regime escravagista, cruel e sistemático, sob tutela governamental. Cabiam aos judeus trabalhos muito pesados, de quebrar o corpo, para que também seu espírito se dobrasse. Sofreram tortura e genocídio. Sob a liderança de seu rei sanguinário, que personificava o mal, o Egito privou os judeus de sua dignidade e liberdade. Seu corpo já não lhes pertencia, tampouco seu tempo e o fruto de seu labor. Suas posses lhes foram usurpadas; os recém-nascidos do sexo masculino foram atirados no Nilo, e as meninas foram arrebatadas aos seus pais para que se assimilassem; cônjuges foram separados para não mais procriar. Com vagar e consistência, os judeus começaram a agir, falar e - o pior - pensar como escravos. Muitos deles já toleravam a escravidão. Aceitavam-na como a dura realidade; como conseqüência de terem nascido judeus em terra estranha. Tamanho era seu sofrimento, tão quebrado o seu espírito, que eles se tornaram incapazes de sequer aspirar à liberdade. Apesar de seu lamento a D'us, tão deplorável era o estado de seu físico e de sua alma que eles não dão ouvidos a Moisés quando este lhes assegura que sua salvação estava próxima. Haviam-se resignado à condição de escravos.

É interessante que quando D'us aparece diante de Moisés, Ele lhe diz: "Diz aos Filhos de Israel: Eu sou D'us, e Eu os tirarei das aflições do Egito; Eu os resgatarei da escravidão; Eu os redimirei". A palavra hebraica para "aflições", sivlot, também pode ser traduzida por "tolerância". Tolerância é a forma de arcar com um peso, com uma aflição, ou seja, a forma de aceitar uma situação difícil. D'us anunciou a Moisés que Ele libertaria o povo judeu do peso e da aflição de tolerar o Egito. Libertá-los da escravidão não seria suficiente; eles também tinham que reaprender que a escravatura não era aceitável, como forma de vida humana. E, de fato, no Egito e ao longo da jornada de 40 anos a caminho da Terra Prometida, Moisés, o mensageiro de D'us, teve que relembrar aos judeus, repetidas vezes, que eles não eram uma nação de escravos, mas de sacerdotes - o povo a quem Ele escolhera para Si, para receber Sua Torá e para servir de guia e inspiração aos demais povos do mundo.

O Príncipe do Egito

À luz do acima exposto, podemos melhor entender um dos aspectos mais intrigantes da história de Pessach: o passado de seu protagonista maior, Moisés. Esse grande líder e profeta, o homem que falou com D'us, face a face, e que trouxe a Torá dos Céus, não cresceu em um lar judeu; cresceu no palácio do Faraó. Não cresceu como um prodígio judeu, não aprendeu com seu pai, Amram, que, à época, liderava o seu povo. Ele cresceu como príncipe egípcio, criado como sendo filho de Batya, filha do Faraó.

Segundo o Rabi Abraham Ibn Ezra, a razão para a Divina Providência ter feito Moisés crescer na corte egípcia foi para que "sua alma se acostumasse a um sentido mais elevado de estudo e de comportamento, sem que se sentisse rebaixado e habituado à casa da servidão" (Ibn Ezra, Êxodo 2:3).

Podemos supor que se Moisés tivesse crescido entre os seus, ele também, apesar de possuir a mais nobre das almas, teria sido influenciado a pensar como escravo. Talvez tivesse aprendido a tolerar a escravidão, a tirania e a crueldade como a realidade deste mundo terreno. Mas, por ter crescido na realeza, ele apreciava a liberdade e jamais temia lutar pela justiça. Tal espírito de nobreza lhe seria muito útil, pois a Divina Providência o convocaria a confrontar muitos oponentes e desafios. Ao longo de sua vida, Moisés enfrentou a todos para proteger seu povo: matou um egípcio que tentava matar um judeu; deixou o poderoso Faraó de joelhos; lutou e venceu reis e exércitos poderosos no deserto; e até enfrenta D'us quando Seu Atributo de Justiça é lançado contra o povo judeu. Moisés foi criado como príncipe egípcio para que, quando homem, fosse um rei judeu. Ele é lembrado não apenas por ter sido o maior dos profetas, mas também o modelo supremo do líder. Seu amor pela liberdade e sua paixão pela justiça, sua humildade e coragem, sua total integridade e abnegação e, acima de tudo, seu amor e devoção por cada um de seus concidadãos têm inspirado os líderes de todas as nações e de todos os tempos.

Mas aqueles a quem Moisés retirou do Egito foram criados como escravos. No que lhes sobrou de vida tiveram que se esforçar para se livrar da mentalidade escravizada que tinham entranhada em sua mente e em seu coração. Mesmo depois de as 10 pragas terem dobrado o espírito do Faraó e do Egito, os judeus não se sentiram como homens livres, mas apenas como escravos em fuga. O Rabi Ibn Ezra descreve como, às margens do Mar de Juncos, os judeus desesperadamente buscavam escapar dos egípcios. Mas, tendo vivido como escravos durante toda a vida, sentiam-se paralisados.

É claro que esse sentimento não mudou nem mesmo depois que D'us dividiu o mar e afogou os egípcios, pois lemos na Torá que, muitas vezes, durante sua jornada em direção à Terra de Israel, a geração que deixou o Egito pensou em voltar à terra que os escravizara e brutalizara. Parece que preferiam ser escravos em terra familiar a serem homens livre no deserto inóspito e desconhecido. De fato, sempre que se apresentava alguma dificuldade nesse longo percurso, eles expressavam o desejo de voltar ao Egito, ao qual se referiam com nostalgia. Essa mentalidade escrava explica os múltiplos erros cometidos durante os 40 anos em que vagaram pelo deserto, a queixa constante contra D'us e Seu profeta, o incidente com o Bezerro de Ouro e o trágico episódio envolvendo os dez espiões, em que eles choraram porque tinham medo de adentrar na Terra de Israel e novamente manifestaram o desejo de voltar ao Egito. O episódio dos dez espiões revelou que eles se viam como escravos fugitivos, despidos de poder. É compreensível a conseqüência, ou seja, a punição Divina por terem chorado - isto é, o decreto de que morreriam no deserto sem jamais ter pisado na Terra Prometida - pois ficara claro que aquela geração de escravos não tinha o espírito elevado o bastante para adentrar na Terra de Israel, conquistá-la e lá construir uma nação forte e independente. E, portanto, apenas os seus filhos, nascidos em liberdade e endurecidos pelo deserto, teriam permissão de pisar no solo sagrado da Terra Prometida.

Vemos, pois, que liberdade não é meramente a ausência da escravidão física. A verdadeira liberdade é alcançada quando o indivíduo se liberta do jugo do exílio. Não basta viver fisicamente livre de amarras, pois não é livre aquele que ignora ou teme desempenhar sua missão nesta vida ou que sufoca sua alma. Assim sendo, quando um judeu abdica de seu verdadeiro eu, de sua identidade real, quando ele permite que sua vida espiritual seja determinada por forças alheias, ele está em estado de exílio, ainda que não mais receba ordens de terceiros de como agir. O judeu que troca seu judaísmo pelas tentações do mundo pode iludir-se pensando que está exercendo seu direito de liberdade. Mas, na realidade, ele apenas é um escravo fugitivo cuja alma está à míngua, despida de alimento espiritual. Ele pode dar a impressão de ser livre, mas seu espírito está acorrentado, porque ele permitiu que seus desejos e seus medos o subjugassem, e que crenças e valores estranhos e hostis lhe ditassem como pensar, sentir, falar e agir. Onde quer que vá, ele leva o exílio dentro de si. Esta é a forma mais insidiosa de servidão, como o disse um grande místico acerca desta nossa geração: "É mais fácil tirar o judeu do exílio do que o exílio de dentro do judeu".

Dois níveis de liberdade

O misticismo judaico ensina que há dois níveis de liberdade, e isto é revelado pela maneira como ocorreu o Êxodo do Egito. A porção da Torá intitulada Bó descreve as últimas três das dez pragas que se abateram sobre o Egito. Quem ler esta porção sem conhecer o desenlace da história, presumirá que a praga final foi o golpe de misericórdia que acabou de vez com os egípcios. Mas na porção que se segue, na Torá, Beshalach, lemos acerca do famoso episódio no Mar de Juncos.

Apesar das Dez Pragas, apesar da morte e destruição sofridas pelo Egito, o Faraó lamenta ter deixado partir os judeus. Põe-se, então, em seu encalço, acompanhado por seus homens, na esperança de os capturar e novamente escravizar. Mas, o milagre da divisão do mar liberaria os judeus do jugo egípcio. O incidente no Mar de Juncos traz à tona a pergunta: se o Faraó havia libertado os judeus, por que iria, correndo, em sua perseguição? Não fora ele a implorar a Moisés e Aarão para que livrasse seu país dos judeus, imediatamente, por temer mais outra praga que resultaria na aniquilação de todos os egípcios? Como é possível que o Faraó, de uma hora para outra, mudasse de idéia e saísse em seu encalço?

A resposta a tais questionamentos, explica a mística judaica, é que há dois níveis de liberdade, e é por isso que a redenção do Egito ocorreu em dois estágios, relatados por duas porções diferentes da Torá. O primeiro nível de libertação ocorreu quando as Dez Pragas fizeram cair o Faraó de joelhos, permitindo, pois, que os judeus fossem fisicamente libertados de seus opressores. O segundo nível de redenção ocorreu no Mar de Juncos, onde as águas se dividiram para que os judeus pudessem atravessá-lo, a salvo, retornando depois à sua vastidão e, assim, afogando o exército egípcio. O misticismo judaico ensina que o primeiro nível de escravidão é físico e tangível. Pode assumir uma forma extrema, justamente a que vivenciaram nossos antepassados no Egito, mas é mais comum vê-la manifesta de outras formas, mais brandas. Um tal nível de escravidão ocorre quando somos compelidos a fazer aquilo que não queremos, quando somos forçados a estar onde não queremos e quando somos obrigados a tolerar aqueles a quem desprezamos.

As Dez Pragas que dobraram o poder e quebraram o vigor do Egito libertaram os judeus desse nível de escravatura: cessara seu trabalho escravo, no Egito; terminara o jugo de seus opressores. Eram, pois, livres para partir.

Mas, mesmo após partirem, os judeus não eram homens livres. Tinham transposto apenas o primeiro nível de servidão - pois o segundo nível habita o coração do ser humano. Não depende de circunstâncias externas. É menos tangível, mas nem por isso menos real que o primeiro. É o nosso amo interior quem atormenta nossa alma. É a soma de nossos medos e vícios e de todos os pensamentos derrotistas e negativos que foram incutidos dentro de nós. Usando uma metáfora, a caça do Faraó atrás do povo judeu após tê-lo libertado simboliza que os judeus corriam para abandonar o Egito na qualidade de escravos em fuga, não de povo livre. Eles tinham sido resgatados do exílio, mas o exílio ainda não tinha sido resgatado de seus corações. Somente Moisés, o homem que apesar de ter sido príncipe do Egito, nunca se deixou influenciar ou corromper pelas práticas desse país, teve o mérito de atravessar seu povo pelo mar, a caminho da liberdade. Mas, mesmo o milagre da divisão do Mar, um evento que atribuiu grandes poderes proféticos ao mais simplório dos judeus, foi apenas uma libertação temporária do nível de escravidão interior incutido em muitos judeus. Durante a jornada de 40 anos pelo deserto, foi evidenciado que a liberdade física é mais facilmente alcançável do que a espiritual. Foram necessárias dez pragas para remover os judeus do Egito, mas nem os inúmeros outros milagres vivenciados por nosso povo no deserto conseguiram remover o Egito de dentro deles.

O exílio atual

A geração que Moisés liderou era realmente notável. Tratava-se de um povo que superara o genocídio e a morte, mas que, ainda assim, continuava fiel a suas raízes judias. Apesar de suas reclamações e erros, eles mereceram testemunhar as Dez Pragas, a divisão do mar, a entrega da Torá, o maná que caía dos Céus e muitos, muitos outros milagres. Eles mereceram ser conduzidos e orientados por Moisés, o maior judeu de todos os tempos, e foram os únicos seres a ouvir a Voz de D'us, no Monte Sinai. Essa geração não pode ser menosprezada. Certamente eles não eram piores do que qualquer das gerações que os sucederam. E, portanto, a Torá fala de seus erros não para humilhá-los, mas para fazer-nos aprender desses erros. Nossa geração, em particular, tem muito a aprender com a geração que vagou pelo deserto.

De várias maneiras, somos semelhantes a nossos antepassados que foram libertados do Egito. Somos sobreviventes ou filhos de sobreviventes que sofreram escravidão física, tortura e uma minuciosa campanha genocida que superou em crueldade aquela perpetrada pelo Faraó. Mas, assim como a geração do Êxodo, nós, também, testemunhamos muitos milagres: a criação do Estado Judeu, o retorno de Jerusalém a nossas mãos, a liderança de Sábios e Cabalistas extraordinários que, de inúmeras formas personificaram Moshé Rabeinu, e vivenciamos um florescer, sem precedentes, do judaísmo que é a reverberação da Voz de D'us ouvida no Monte Sinai.

À semelhança da geração que deixou o Egito, nós, também, carregamos o exílio dentro de nós. Somos uma nação que contribuiu tanto para a humanidade e para o mundo; contudo, muitos de nós sentem a necessidade de justificar seu direito à existência soberana e à auto-determinação. Somos um povo forte, protegido pelas forças armadas mais bem treinadas no mundo; contudo, muitos de nós ainda vivem temerosos daqueles que nos ameaçam. Ensinamos ao mundo o monoteísmo e lhes demos a nossa Torá, que é a base da civilização e da fé entre os homens; contudo, com freqüência ignoramos o judaísmo e não o deixamos inspirar-nos. Conseqüentemente, o povo que sobreviveu ao Holocausto - um povo ancestral e eterno - está perdendo muitíssimos de seus melhores jovens para a assimilação e a indiferença.

A razão para todos esses problemas é que o exílio vive dentro de nós. É compreensível que os horrores do passado ainda estejam entranhados dentro da alma de muitos. O Faraó foi derrotado, mas nós vivemos com medo de que ele volte a aparecer, novamente. Saímos do Egito e entramos na Terra Prometida, mas tememos que o opressor venha em nosso encalço e nos expulse de nossa Pátria. Mas, para sermos um povo verdadeiramente livre, para podermos traçar o futuro da Nação Judaica, precisamos ser fortes e determinados, não permitindo que outros ditem o caminho que devemos tomar para proteger nosso povo de danos físicos e espirituais.

Durante o Seder de Pessach, recordamos as agruras e o sofrimento do passado: escravidão, tortura e decretos maléficos contra nossa gente. Mas a cerimônia se reveste de júbilo e canção com as quais celebramos nossa liberdade e a eternidade de nosso povo. Não há por que negar que outrora fomos escravos; que outrora comemos o pão da pobreza; que nossos filhos varões foram afogados nos rios; e que fomos sujeitos a trabalhos forçados, torturas e genocídio. Mas o Seder e a festa de Pessach nos fazem lembrar, ano após ano, que somos homens livres. Falta-nos, no entanto, a cada um de nós e ao nosso povo como um todo, extirpar de nosso íntimo os monstros que aí residem e alcançar a verdadeira liberdade espiritual. Por essa razão, a Torá nos ordena recordar o Êxodo todos os dias de nossa vida, pois que a liberdade é um processo contínuo. Não foi conquistada quando os judeus deixaram o Egito e seus filhos conquistaram a Terra Prometida, nem quando a geração que nos antecedeu sobreviveu ao Holocausto e fundou o Estado de Israel, pátria do povo judeu. A liberdade é adquirida todos os dias por aqueles que, como Moisés, apenas temem a D'us e não toleram os Egitos de sua vida. E assim, extirpam completamente o exílio de seu coração.

Em uma de suas belas metáforas, o Talmud compara o exílio do povo judeu a crianças que são expulsas da mesa de seus pais. Após os 2 mil anos de exílio físico do nosso povo, D'us mandou buscar-nos, a nós, Seus filhos. Estamos retornando à casa paterna, à Mesa de nosso Pai, para jamais voltar a deixá-la, outra vez.