Morashá
Vinte anos sem Rabin Leah e Yitzhak Rabin

Vinte anos sem Rabin

Um dos maiores heróis de Israel, foi duas vezes primeiro-ministro. Soldado que se transformou em estadista, Rabin liderou Israel por caminhos não trilhados na tentativa de fazer a paz com os palestinos. Ao partir rumo a Washington para aprovar os Acordos de Oslo, disse: “Temos que tentar acabar com as hostilidades para que nossos filhos e os filhos de nossos filhos não tenham que experimentar o doloroso custo da guerra”.

Edição 90 - Dezembro de 2015


Yitzhak Rabin, o primeiro “sabra” a ocupar o posto de primeiro ministro, nasceu em 1º de março de 1922, em Jerusalém. Era o primeiro filho de Nehemiah e Rosa, judeus russos que se estabeleceram na então Palestina durante a Terceira Aliá. Seu pai, Nehemiah Rubitzov, nascera em uma família de poucos recursos em Smidowitz, um shtetel na Ucrânia. Aos 18 anos, emigrou para Chicago, nos Estados Unidos, e, em seguida, para St. Louis, onde entrou no Poalei Tzion, mudando o sobrenome para Rabin.

Em 1917, durante a 1ª Guerra Mundial, Nehemiah foi para Eretz Israel para se juntar à Legião Judaica. No final da guerra tornou-se membro da Haganá. Quando, em abril de 1920, eclodiram em Jerusalém violentas revoltas árabes contra os judeus, Nehemiah participou da defesa do bairro judeu. Nos anos seguintes ajudou na organização dos sindicatos no Partido Trabalhista de David Ben-Gurion.

A mãe de Yitzhak, Rosa Cohen, era filha de uma próspera família em Mogilev, na Bielorrússia e, em 1919, emigrou para Eretz Israel. Politicamente ativa em sua terra natal, ao chegar na então Palestina juntou-se à Haganá. Ela estava também entre os voluntários que em 1920 defenderam o bairro judeu, em Jerusalém. Conheceu Nehemiah e os dois se casaram em 1921, mudando-se para Haifa. Rosa trabalhava como guarda-livros, mas se dedicava primeiramente a proteger os direitos dos operários, como parte de seu trabalho na Histadrut, a Central dos Trabalhadores. Também trabalhou com a Haganá, no comando da defesa da cidade. O pai, Nehemiah, trabalhava na Empresa de Eletricidade Pin’has Rutenberg e também tinha grande envolvimento na Haganá, bem como na Histadrut.

Durante uma visita a Jerusalém, Rosa deu à luz ao seu primeiro filho, Yitzhak. Em 1923, a família se mudou para Tel Aviv, onde dois anos mais tarde nascia a segunda filha, Rachel. Em Tel Aviv seus pais seguiram suas atividades na Histadrut, na Haganá e eram ativos no Achdut Ha’avodá, partido político que seguia os mesmos princípios do Movimento Trabalhista.Pais tão envolvidos tiveram enorme influência sobre Yitzhak. Certa vez, ele disse: “Na minha infância, absorvi em casa um sistema de valores que me guiou por toda a vida. A figura inspiradora de meus pais, a inspiração que foi nosso lar, um lar onde o senso de missão prevalecia em todos os momentos, tudo isso foi decisivo para moldar meu caminho”.

Yitzhak frequentou a escola Beit Chinuch, à qual chamava de seu segundo lar. Prosseguiu os seus estudos secundários na escola agrícola em Givat Ha-Shloshah, pois queria ser agrônomo. Em 1937 é aceito na conceituada Kadourie Agricultural High School, em Kfar Tabor.

Durante a revolta árabe contra o domínio britânico e a imigração judaica (1936-39), a escola Kadourie foi atacada. Esse evento fez os alunos compreenderem as dificuldades que os judeus do Yishuv iriam enfrentar em relação à população árabe. Todos os jovens se alistaram na Haganá e aprenderam a usar armas; o instrutor era Yigal Allon. Era o início de uma estreita amizade entre Rabin e Allon.

Excelente aluno, Rabin se graduou com honra ao mérito, em 1940. Chegou a ganhar uma bolsa de estudos da Universidade da Califórnia em Berkeley para cursar Engenharia Hídrica, mas Allon o convenceu de que a segurança do Yishuv era mais importante.

Quando, no verão de 1941, as tropas alemãs chegaram ao Oriente Médio, a Haganá criou o Palmach, seu braço militar, para defender a Terra de Israel de qualquer ataque vindo das Forças do Eixo. Yitzhak foi recrutado por Moshé Dayan, integrando-se à sua unidade baseada no Kibutz Hanita, próximo à fronteira libanesa. Durante os dois anos de cooperação entre o Palmach e os ingleses, Rabin participou de ações no Líbano, então governado pela França de Vichy, pró-nazismo. Foi sua primeira prova de fogo. A unidade de Dayan também se uniu às forças britânicas que invadiram a Síria, também sob controle de Vichy. Rabin, o mais jovem da unidade, foi enviado através da fronteira com a missão de cortar os cabos telefônicos impedindo os franceses de pedirem reforços. Meses após os ingleses vencerem os alemães na Batalha de El Alamein, que marcou o início da derrota das forças do Eixo na África do Norte, terminou a cooperação entre a Haganá e os britânicos.

Com a expansão do Palmach e sua organização em batalhões, Rabin foi nomeado Vice Comandante do 1º Batalhão, e, em 1943, Comandante de Pelotão. Ele já era conhecido como solucionador de problemas em situações complexas.

Com o fim da a 2ª Guerra, na Terra de Israel as relações entre o Yishuv e os britânicos pioraram, os aliados tornaram-se inimigos. Pois, a Inglaterra estava irredutível em sua posição de não permitir a entrada de judeus na então Palestina, além das cotas estabelecidas pelo Livro Branco impedindo assim aos 250 mil sobreviventes do Holocausto a entrada no país.

Em junho de 1945, Rabin comandou uma arriscada ação para libertar cerca de 200 imigrantes judeus “ilegais” detidos pelos britânicos no campo de Atlit, ao sul de Haifa. Era a primeira experiência de Rabin no comando de uma força militar. Acredita-se que essa operação tenha inspirado uma ação semelhante no romance de Leon Uris, “Exodus”, e que Rabin tenha servido de inspiração na criação do personagem Ari Ben Canaan, o herói do romance.

Em 29 de junho de 1946, data que se tornou conhecida como Shabat Negro, os ingleses prendem lideranças do Yishuv, entre eles Rabin e seu pai.  Rabin ficou preso durante cinco meses no campo de detenção de Raphiach, em Gaza. Libertado em novembro, retomou seu posto no Palmach. E, no início de 1947, foi nomeado comandante do 2º Batalhão, responsável pelo fornecimento de água para a região do Neguev e, em outubro, Chefe de Operações do Palmach.

O ano de 1947 foi decisivo para Israel. A Grã-Bretanha decidira levar às Nações Unidas a questão da então Palestina. Em 29 de novembro a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Partilha da Palestina em dois estados – um judeu e um árabe. A liderança do Yishuv aceitou a partição, mas os árabes a rejeitaram.

Ataques árabes contra comunidades judaicas se tornaram frequentes. Instigados por promessas e ameaças, os árabes que viviam na então Palestina passam a atacar veículos com judeus a bordo.   A “Guerra nas Estradas” é hoje vista como sendo a fase inicial na Guerra da Independência. Rabin tinha a incumbência de reforçar as unidades com armas e pessoal e de salvaguardar as estradas que levavam a Jerusalém, que eram atacadas pelos árabes, e de organizar os comboios que para lá se dirigiam.

Em abril de 1948, aos 26 anos de idade, Rabin foi nomeado para o comando da Brigada Harel. Em 31 de maio eram criadas as Forças de Defesa de Israel, as FDI.
Durante a Guerra de Independência, comandando a Brigada Harel, Rabin participou das lutas para acabar com o cerco a Jerusalém. A cidade estava totalmente isolada. Rabin e sua brigada lutaram ferozmente para tentar manter a cidade em mãos de Israel.

Em julho, no meio da guerra, Yitzhak decide casar-se com Leah Schlossberg, sua namorada. Um dos mais corajosos comandantes do Palmach, Yitzhak era um jovem bonito de olhos azuis e Leah se apaixonara por ele. Ela nascera em 1928 em Königsberg, na Alemanha, e se mudara com sua família para Eretz Israel em 1933. A jovem que conhecera Yitzhak quando ela estava cursando o ensino médio, havia-se integrado ao Palmach servindo no batalhão  de Rabin. O casal teve dois filhos, Yuval e Dalia, e três netos.

Em agosto de 1948, Yigal Allon, nomeado Comandante da Frente Sul, escolheu Rabin como seu vice e Chefe das Operações. Rabin ajudou a elaborar uma bem-sucedida estratégia militar que expulsou as forças egípcias e jordanianas da região do Neguev. Em janeiro de 1949, Rabin participou em Rodes como representante de Allon nas negociações que levaram ao armistício entre israelenses e egípcios. Foi sua primeira experiência diplomática.

Líder militar e diplomata

Na década de 1950 Rabin ascendeu rapidamente na hierarquia nas Forças de Defesa de Israel (FDI). Brilhante estrategista militar, ajudou a consolidar a doutrina de que a luta deveria ser transferida ao território inimigo sempre que Israel fosse atacado.

Em 1953, ele foi enviado pelas FDI à Inglaterra para estudar em Camberley, Colégio do Estado Maior, de treinamento para o Exército Britânico, passando seis meses na Inglaterra com sua família.

No início de abril de 1959, Haim Laskov, então Chefe do Estado Maior, nomeou Rabin como seu Chefe de Operações. E, em 1964, ele tornou-se o sétimo Chefe do Estado Maior das FDI, cargo no qual permaneceu durante quatro anos. Rabin foi o primeiro a emergir das fileiras do Palmach, pois até então o posto havia sido ocupado por militares oriundos das fileiras da Brigada Judaica, unidade do 8º Exército Britânico composta por voluntários judeus recrutados na então Palestina, durante a 2ª Guerra Mundial.

Rabin era Chefe do Estado Maior quando, em 5 de junho de 1967, temendo um ataque, a Força Aérea Israelense fez um ataque preventivo relâmpago às principais bases aéreas do Egito, destruindo todos os seus aviões no solo e inutilizando as pistas. Era o início da Guerra dos Seis Dias.

O exército que lutou a Guerra dos Seis Dias foi um exército que Rabin liderou e treinou. A guerra terminou com uma vitória atordoante dos israelenses, que derrotaram exércitos árabes em três frentes e ocuparam a Península do Sinai, as Colinas de Golã, a Margem Ocidental e Jerusalém. Foi o exército de Rabin que entrou na Cidade Velha de Jerusalém e chorou ao chegar ao Muro das Lamentações. A foto de Yitzhak Rabin, Moshé Dayan e Uzi Narkiss, encarregado das operações para conquistar Jerusalém Oriental, na Porta dos Leões, imortalizou a dimensão histórica da guerra e da vitória israelense.

Seis meses após a Guerra dos Seis Dias,em janeiro de 1968, Rabin aposentou-se das FDI. Foi indicado Embaixador de Israel em Washington, cargo que ocupou por cinco anos, durante os governos dos presidentes Lyndon Johnson e Richard Nixon. Como diplomata, Rabin dedicou-se ao fortalecimento das relações entre os Estados Unidos e Israel para garantir ao seu país o rápido e contínuo fornecimento de armamentos sofisticados. Esteve, também, envolvido em uma iniciativa diplomática, com a mediação dos EUA, que levou a um cessar-fogo entre Israel e o Egito.

Primeiro-ministro

Em 1973, Rabin retornou a Israel e passou a atuar ativamente no Partido Trabalhista, que conseguiu vencer as eleições apesar das críticas decorrentes à Guerra de Yom Kipur. Os líderes do país à época, a primeira-ministra Golda Meir e o ministro da Defesa, Moshe Dayan, foram responsabilizadas pela falta de preparo bélico do país perante o ataque realizado pelo Egito e Síria. Ainda assim, os trabalhistas obtiveram os votos suficientes para formar um novo governo. Rabin foi indicado ministro do Trabalho, mas o cenário político mudou quando Golda Meir renunciou ao cargo de primeiro-ministro apenas um mês após as eleições. O partido recorreu então a Rabin que, estando fora do governo durante a Guerra, não fora atingido pelas críticas.

Em 1974, aos 52 anos, Yitzhak Rabin tornou-se o nono primeiro-ministro, o primeiro sabra. Como primeiro-ministro, Rabin enfrentou várias turbulências: o embargo de petróleo orquestrado pelos árabes, além de vários outros desafios econômicos.

Durante seu mandato enfrentou, também, o sequestro de um avião da Air France por terroristas durante um vôo de Tel Aviv a Paris, que acabou sendo levado para Entebe, em Uganda. Cento e três passageiros foram mantidos como reféns – cidadãos israelenses e judeus. Os demais passageiros foram soltos. O capitão e a tripulação optaram por permanecer no local com os reféns. Os sequestradores exigiam a libertação de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e do Quênia, e 40 em Israel.

Rabin chegou a ser duramente criticado por ter esperado vários dias antes de autorizar uma tropa de assalto a Entebe. Quando ele finalmente deu o sinal verde a ousada ação militar foi muito bem-sucedida, e ele foi ovacionado como herói. Apenas uma pessoa morreu durante a operação de resgate: o comandante da força-tarefa, o tenente coronel Yonatan Netanyahu, irmão mais velho do atual primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. A missão de resgate era uma mensagem clara: Israel não negocia com terroristas!

Como primeiro-ministro de Israel Rabin foi o primeiro a fazer uma visita oficial à Alemanha Ocidental e encontrou-se, secretamente, com o rei Hussein, da Jordânia, em várias ocasiões, em uma série de tentativas infrutíferas de conseguir negociar a paz com o monarca. Negociou, ainda, um segundo acordo de separação de forças com o Egito no Sinai, mas somente depois de ter enfurecido Kissinger ao recusar a proposta americana. Para Rabin, ela exigia o máximo de concessões territoriais israelenses em troca do mínimo de concessões políticas por parte dos egípcios.

As relações com Kissinger ficaram bastante estremecidas. Ao retornar a Washington, em março de 1975, Kissinger persuadira o presidente Gerald Ford a rever a política americana em relação a Israel, um gesto visto como uma ameaça de suspender os envios de armamentos. Rabin acabou por aceitar o que chamou de “um risco pela paz” e assinou um acordo com o Egito de separação de forças no Sinai, o que abriu caminho para a assinatura dos Acordos de Camp David, alguns anos mais tarde.

Em 1977, devido a um escândalo envolvendo-o e à sua esposa Leah por manterem uma conta em um banco americano, após retornarem a Israel, Rabin renunciou ao cargo de primeiro-ministro. Na época, manter a conta era uma violação das leis vigentes, a legislação foi modificada pouco tempo após seu afastamento do cargo. Sua renúncia abriu caminho para a vitória de Menachem Begin e do Partido Likud nas eleições de 1977. Dois anos mais tarde, Rabin publicou sua autobiografia, The Rabin Memoirs.

Rabin retornou à política sete anos mais tarde, em 1984, como ministro da Defesa do governo de União Nacional do Likud com o Partido Trabalhista, trabalhando com o primeiro-ministro Shimon Peres. Como ministro da Defesa, ele orquestrou a retirada israelense do Líbano. Reagiu com força aos ataques terroristas perpetrados contra as forças israelenses que se retiravam do Sul do Líbano. E, em dezembro de 1987, enfrentou a Primeira Intifada. A geopolítica da região mudou drasticamente quando o rei Hussein fez o inesperado anúncio que a Jordânia abria mão de sua soberania em relação à Margem Ocidental.

A partir de então, os palestinos teriam que ser os parceiros reais para qualquer acordo com Israel. Rabin tentou, então, encontrar canais de comunicação confiáveis junto aos palestinos. Uniu-se a Shimon Peres nos esforços de paz. Peres era seu rival político; durante décadas lutaram pela liderança do Partido Trabalhista e do país; mas uniram-se na busca pela paz.

Em 1989, Rabin apresentou seu plano para negociações com os palestinos, plano que veio a ser a base para a Conferência Internacional de Paz de Madri e para o início do processo de paz. Ele defendia um acordo com a população palestina, baseado em eleições e ampla autonomia durante um período interino em troca do fim da Intifada. O plano foi adotado pelo primeiro-ministro Yitzhak Shamir.

A volta ao posto de primeiro ministro

Em 10 de março de 1992 Rabin foi eleito presidente do Partido Trabalhista. Ele levou o partido à vitória em junho do mesmo ano, sendo eleito primeiro-ministro.
Já no poder, imediatamente iniciou sua caminhada em direção à tão almejada paz. Ele acreditava que o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética eram uma oportunidade histórica. As relações soviético-palestinas tinham tido um papel importante na Guerra Fria. Com o fim da União Soviética, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) perdera seu apoio diplomático, político e financeiro. Ademais, o apoio de Yasser Arafat ao Iraque durante a Guerra do Golfo, em 1991, custara-lhe o suporte financeiro dos países árabes ricos.

Para conseguir um acordo com os palestinos, Rabin trabalhou lado a lado com seu ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres. Eles negociaram com Arafat e, finalmente, em 20 de agosto de 1993, assinaram os Acordos de Oslo, na Noruega.

Em 1994, Rabin também assinou um acordo de paz com o rei Hussein, da Jordânia.

Acordos de Oslo

Em uma cerimônia no Gramado Sul da Casa Branca, em Washington, no dia 13 de setembro de 1993, foi assinada a Declaração de Princípios Israelense-Palestina.

Rabin, com muita relutância, se viu obrigado a estender sua mão para Arafat, o homem que fora responsável por tramar incontáveis ataques que tiraram a vida de muitos israelenses. Mas, o aperto de mão selou um acordo que poderia levar à paz.

Conhecido como Acordo de Oslo 1, a Declaração de Princípios garantia aos palestinos o direito de se autogovernar nos territórios, após processo gradual de transição. Na primeira fase Israel se retiraria da Faixa de Gaza e da cidade de Jericó. Posteriormente, poderia sair de algumas áreas da Margem Ocidental e seriam realizadas eleições. Os acordos incluíam, entre outros, um autogoverno palestino interino e uma solução para outras questões ainda em aberto no prazo de cinco anos.

“O tempo para a paz chegou. Nós, os soldados que retornamos dos campos de batalha manchados com sangue, nós que temos visto nossos familiares e amigos mortos diante de nossos olhos... nós, que viemos de uma terra onde pais enterram seus filhos, nós temos lutado contra vocês, os palestinos – nós dizemos hoje em um alto e bom tom: Chega de sangue e de lágrimas. Chega”, declarou Rabin.

Rabin acreditava que os passos em direção a paz eram dolorosos, porém necessários, pois Israel não estava em busca de vingança, mas sim de paz.

“Não é tão fácil, nem para mim, como soldado das guerras de Israel, nem para o povo de Israel (... ) Certamente não é fácil para as famílias das vítimas das guerras de violência, terror, cuja dor nunca há de sarar, nem para os centenas de milhares que defenderam nossa vida e a sua própria e os que chegaram a sacrificar sua vida pela nossa. Para eles, esta cerimônia chega com muito atraso”…

Para a oposição que o acusou de ser um “traidor”, ele respondeu que a paz é feita com os inimigos, não com os amigos. Em dezembro de 1994, Rabin, Peres e Arafat receberam o Prêmio Nobel da Paz.

A assinatura do Acordo de Oslo 2 por Israel e pela OLP, em 28 de setembro de 1995, ampliou as áreas da Margem Ocidental sob controle da recém-criada Autoridade Palestina.

O assassinato de um líder

Rabin foi assassinado covardemente por um extremista judeu de direita, há 20 anos, em 4 de novembro de 1995, em Tel Aviv, depois de discursar em uma manifestação pela paz. Ao deixar a manifestação, Rabin levou um tiro pelas costas, disparado por Yigal Amir, um estudante de Direito. Foi uma noite terrível, uma noite negra na história judaica e israelense. Há muitas teorias de conspiração associadas à morte de Rabin, como ainda há inúmeras perguntas sem resposta...

Líderes de mais de 80 países comparecerem ao funeral de Rabin. Onze discursos foram feitos – por amigos, conselheiros, chefes de estado e reis. Mas foi o emocionante elogio fúnebre de sua neta, Noa Ben-Artzi, que mais sensibilizou a nação. Ao falar, Noa lembrou a todos o lado humano de Rabin: o belo sabra, o marido fiel e dedicado, o pai e avô carinhoso, lembrou como nas horas de lazer ele gostava de saborear um bom whisky, jogar tênis e assistir jogos de futebol...

O presidente norte-americano Bill Clinton encerrou seu elogio fúnebre a Yitzhak Rabin com uma despedida inesquecível: “Shalom, Chaver”, disse ele. “Adeus, Amigo”.

BIBLIOGRAFIA
Webber, Shaul, Yitzhak Rabin – The Growth of a Leader. 2013, Ed. Kindle
http://www.rabincenter.org.il/
http://www.knesset.gov.il/rabin
http://www.jpost.com/Israel-News/Yitzhak-Rabin-A-leader-with-vision