Morashá

Shemini Atseret

Shemini Atseret, celebrado no  22o dia do mês judaico de Tishrei  – o dia depois da festa de sete dias de Sucot – é a festividade mais alegre do calendário judaico. 

Em Israel, as festas de Shemini Atseret e Simchat Torá são comemoradas no mesmo dia. Na Diáspora, Simchat Torá é comemorada no dia após Shemini Atseret.


Shemini Atseret, celebrado no  22o dia do mês judaico de Tishrei  – o dia depois da festa de sete dias de Sucot – é a festividade mais alegre do calendário judaico. Shemini Atseret significa o “oitavo [dia] de assembleia”, o que leva muita gente a crer, erroneamente, que este dia sagrado seja o oitavo dia de Sucot. Na realidade, esta festa é “um dia sagrado por seu próprio mérito” (Talmud, Sucá, 48a).  É uma festividade independente, e é por isso que recitamos a bênção de Shehecheianu – que é recitada, entre outras razões, sempre que recebemos uma nova festividade, bíblica ou rabínica – após a recitação do Kidush noturno.

A festividade de Shemini Atseret é celebrada durante dois dias na Diáspora. O segundo dia é Simchat Torá. Mas, enquanto a maioria dos judeus conhece esta festa e muitos vão à sinagoga para dançar com os Sifrei Torá, poucos conhecem a de Shemini Atseret. A razão para isso talvez seja o fato de que a festa não envolva um ritual como o toque do shofar, comer matzá, o acender de velas ou as quatro espécies. E mesmo assim, ironicamente, como veremos, Shemini Atseret deveria ser a festividade mais celebrada do calendário judaico: pois apesar de não ter nenhum dos famosos rituais que marcam as outras datas judaicas, essa festa é caracterizada por dois temas, interligados, que são fundamentais para o judaísmo – o nosso íntimo relacionamento com D’us o nosso sentimento de grande alegria que tal intimidade deve evocar em nós.

Um dos princípios básicos da Torá – na realidade, um de seus mandamentos explícitos – é que devemos servir a D’us com alegria. O entendimento de que a Torá e seus mandamentos servem de interface entre o Infinito e o mundo finito que Ele criou deve infundir o serviço Divino praticado pelo Povo Judeu com um sentido de propósito e entusiasmo. Quando a pessoa percebe que ao realizar qualquer dos mandamentos Divinos ela se conecta com o Infinito e o Eterno, ela verá a Torá não como um peso, mas um privilégio. O mandamento que nos ordena servir a D’us com alegria não é uma imposição sobre nossa emoção, mas uma consequência inevitável da percepção do propósito supremo da Torá. Daí a razão de recitarmos todas as manhãs uma berachá agradecendo a D’us por nos ter escolhido dentre todos os povos do mundo para receber Sua Torá.

O mandamento de servir a D’us com alegria é, pois, um princípio fundamental e universal da Torá.  É essencial a todas as datas sagradas do judaísmo e, especialmente, às festas de Sucot Shemini Atseret, chamadas de “Zman Simchatenu” – “época de nosso júbilo”. Mas, em questão de alegria, Shemini Atseret até deveria ultrapassar Sucot. E a razão para tanto é que, como nos ensina o Talmud, em questão de santidade, sempre temos que ascender, jamais descender. Explicamos acima que no que concerne ao mandamento do júbilo, Shemini Atseret é o oitavo dia de Sucot. Como Shemini Atseret segue Sucot, e como em questões de santidade nunca diminuímos nem ficamos estacionários, mas sempre aumentamos, o mandamento de nos rejubilarmos se aplica ainda mais intensamente em Shemini Atseret do que nos sete dias de Sucot que antecedem.