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TALENTO ESPORTIVO

Pouca gente sabe que um dos pais do boxe moderno foi Daniel Mendoza, o primeiro judeu a obter o título de campeão da modalidade na Inglaterra, em 1792, que se tornou conhecido pela maneira como utilizava as mãos e a cabeça no ringue.

Edição 45 - Junho de 2004


Pouca gente sabe que um dos pais do boxe moderno foi Daniel Mendoza, o primeiro judeu a obter o título de campeão da modalidade na Inglaterra, em 1792, que se tornou conhecido pela maneira como utilizava as mãos e a cabeça no ringue.

Os ginastas e primos Alfred e Gustav Flatlow ganharam medalhas de ouro nos primeiros Jogos Olímpicos modernos, na Grécia, em 1896. Por serem judeus, no entanto, morreram vítimas do nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial. Harold Abraham, outro judeu inglês, conseguiu a medalha de ouro, nos Jogos Olímpicos de 1924, na corrida dos cem metros. Sua dedicação e perseverança fizeram com que fosse personagem do filme "Carruagens de Fogo", lançado na década de 1980, que narra sua determinação e vitória num período em que os judeus eram vítimas da discriminação na Europa.

Ainda nas Olimpíadas de 1924, o finlandês Elias Katz também foi destaque, integrando a equipe de corrida, de três mil metros, ajudando o grupo a conquistar a medalha de ouro. Na mesma competição, obteve a medalha de prata disputando os três mil metros da prova hípica, com obstáculos.

Se nem todos ouviram falar em Mendoza, Flatlow, Katz ou Abraham, certamente ninguém poderá negar que ouviu falar de Mark Spitz. O nadador norte-americano foi uma das grandes estrelas das Olimpíadas de Munique (Alemanha), em 1972. Manchados pelo assassinato de 11 atletas da delegação israelense por terroristas palestinos, os Jogos Olímpicos de 1972 deram a Spitz sete medalhas de ouro e o consagraram como um dos grandes atletas de todos os tempos. Vítima de uma sutil discriminação por parte de alguns companheiros de sua própria equipe, Spitz jamais negou sua identidade, sempre se orgulhando de ser um nadador judeu.

A galeria de ilustres e famosos inclui também mulheres, como a ginasta húngara Agnes Keleti, que conquistou três medalhas olímpicas. Nascida Klein, em 1921, participou pela primeira vez dos jogos de Helsinque, em 1952, na modalidade de exercícios de solo, obtendo a medalha de ouro. Nas mesmas Olimpíadas, Keleti ganhou também a medalha de prata na disputa por equipes e a de bronze, nas disputas em grupo nos exercícios de barra e aparelhos. Ela acumulou prêmios em várias competições internacionais ao longo de sua carreira.

Outra atleta judia, vitoriosa nas Olimpíadas de Helsinque, foi a também húngara Eva Szekely, nadadora, que levou o ouro por seu desempenho. Em 1956, ganhou uma medalha de prata. Antes de participar dos jogos de 1952, Szekely já vinha mostrando o seu talento, tendo estabelecido, em 1951, um novo recorde mundial para os 100 metros nado de peito, com a marca de 1:16.9. Em 1954, marcou novos tentos, com o recorde mundial de 5:50.4 para os 400 metros individual medley. Szekely se aposentou em 1958, passando a atuar como treinadora, inclusive de sua filha, Andrea. Nos Jogos Olímpicos de 1972, Andrea estabeleceu um novo recorde mundial na semi-final de 100 metros nado borboleta. Nas finais desta modalidade, obteve a medalha de bronze; e a de prata nos 100 metros no nado de costas. Em termos olímpicos, a ginasta norte-americana Kerri Strung também teve papel de destaque nos Estados Unidos. Nos Jogos de Atlanta, em 1996, ajudou a equipe de seu país a conseguir a medalha de ouro, tornando-se uma espécie deheroína nacional.

O mesmo sucesso atingiu também Esther Roth-Shachamorov, corredora israelense dos 100 metros que fez parte da delegação israelense que foi a Munique, em 1972. Sobrevivente da tragédia, era até então considerada pelo técnico Amitzur Shapira uma das grandes possibilidades de medalha para Israel. Assassinado pelos palestinos, Shapira não teve a oportunidade de acompanhar a carreira de sua pupila, que, já em 1970, obtivera três medalhas de ouro nos Jogos da Ásia e, em 1971, obtivera o título de Desportista do Ano de seu país e também do continente asiático. Em 1974, venceu os Jogos da Ásia, em Teerã (Irã), sendo novamente escolhida a melhor do ano. Obteve o mesmo título em 1975 e 1976, entre outras premiações ao longo de sua carreira. Seu nome faz parte do Hall da Fama do Comitê Olímpico e é considerada, até hoje, a maior atleta de Israel.

O sabor da vitória olímpica finalmente chegou a Israel através da judoca Yael Arad, que ganhou a primeira medalha de prata para seu país nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992. Presente às Olimpíadas desde 1952, em Helsinque, quando a delegação do país disputou apenas uma modalidade, Israel foi aos jogos em Sidney (Austrália), em 2000, levando 40 esportistas em várias modalidades. No dia seguinte à vitória de Arad, foi a vez do também judoca, Oren Smadja, conseguir o bronze; duas vitórias até então inéditas para o país. Em 1996, nos Jogos de Atlanta, o iatista Gal Friedman ganhou a medalha de bronze na categoria mistral, aos 21 anos. Em disputas anteriores na Europa, ele já havia conquistado duas medalhas de prata, na mesma modalidade.