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Israel recebe mais um fragmento do Códex de Alepo Foto Ilustrativa

Israel recebe mais um fragmento do Códex de Alepo

No último mês de novembro, um fragmento de uma das folhas de pergaminho do Códex de Alepo foi entregue ao instituto Ben-Zvi, de Jerusalém, instituição que desde 1958 abriga o que resta do antigo manuscrito.

Edição 59 - Dezembro de 2007


O Códex de Alepo, chamado em hebraico de Keter Aram Tsoba, datado do século 10 E.C., é o mais antigo e completo manuscrito conhecido da Torá. É, também, a fonte mais autorizada e precisa, tanto do texto bíblico como do sistema massorético de vocalização e acentuação. Isto o torna o manuscrito de maior valor religioso e científico, entre outros vários. O Keter é composto por folhas de pergaminho de 33 x 26,5 cm. O número exato de páginas é desconhecido, mas supõe-se que eram 480, das quais restam apenas 295 páginas - as demais desapareceram durante o Pogrom de Alepo, em 1947 (ver pág. 19).

O fragmento entregue ao Instituto Ben-Zvi mede oito centímetros quadrados e possui inscrições dos dois lados, trazendo em sua pequena área versos do capítulo 8 do Livro Êxodo, incluindo as palavras Divinas transmitidas por Moisés ao Faraó, no Egito: "Deixe partir o Meu povo, para que possam Me servir...".

Este pequeno pedaço do famoso manuscrito estava em mãos de Sam Sabbagh, judeu de Alepo, desde dezembro de 1947, quando o encontrou em meio aos destroços da Grande Sinagoga. Em depoimento feito a representantes do Instituto Ben-Zvi, sobre como o encontrara, Sabbagh afirmou: "Vi as páginas danificadas pelo fogo espalhadas no chão. Poderia ter pego todas as que restavam, mas minhas mãos tremiam de horror e de medo diante do que via. Cheguei a pensar que os sírios nos massacrariam assim como os turcos haviam massacrado os armênios. Então, peguei apenas um dos fragmentos, aquele que estava mais afastado, e o guardei comigo por anos e anos".

Sam Sabbagh manteve aquele pequena parte do Keter sempre consigo, por quase seis décadas, até seu falecimento. Acreditava que o fragmento o protegera nos momentos mais difíceis de sua vida, inclusive em 1948, durante a Guerra de Independência de Israel. E, quando chegou, em 1968, aos Estados Unidos, ajudou-o a refazer a vida no Brooklyn. Estava com ele, também, quando se submeteu a uma complicada cirurgia.

O Instituto Ben-Zvi tomou conhecimento, em 1987, de que um fragmento do Keter estava com Sabbagh. Na época, o professor Menahem Ben-Sasson, então presidente da entidade, viajou aos EUA para conseguir fundos para a restauração do Códex junto a Steve Shalom, líder comunitário norte-americano oriundo de Alepo. Ben-Sasson lembra que "enquanto conversava com Shalom, outro membro da comunidade se aproximou e disse que o Códex havia sido queimado, mas que seu irmão, Sam, tinha uma folha. Entrei logo em contato com Sam, mas ele me disse que não estava disposto a abrir mão do fragmento, pois este o salvara de desastres. Pedi, então, permissão de fotografá-lo e ele concordou".

Pesquisas feitas por especialistas em Israel, após verem a foto, confirmaram a autencidade do documento. Era realmente parte do Códex de Alepo.

Há dois anos, Sam Sabbagh faleceu. Apesar de ter concordado em doar, após sua morte, o fragmento ao Instituto, em Israel, as negociações com a família demoraram até que isso acontecesse, de fato, segundo conta Zvi Zameret, diretor do Ben-Zvi. No dia 1 de novembro último, o fragmento foi entregue a um representante da instituição pela filha de Sam Sabbagh, Rachel Magen.