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A HISTÓRIA DO PRÊMIO NOBEL Alfred Nobel

A HISTÓRIA DO PRÊMIO NOBEL

Os prêmios Nobel tornaram-se a recompensa mais prestigiosa nos meios acadêmicos do planeta. Os laureados, além de modelos em pesquisa científica, são também os mais dignos representantes no campo da defesa dos direitos do homem.

Edição 32 - Abril de 2001


Os laureados, a cada ano, com o Prêmio Nobel devem sua glória e sucesso ao inventor e filantropo Alfred Nobel. Nascido em 1833, em Estocolmo, Suécia, é filho de um casal de engenheiros que descendiam de Olof Rudbeck, o mais conhecido gênio da tecnologia na Suécia, no século XVII. Aos nove anos, sua família emigrou para a Rússia, onde Alfred e seus irmãos receberam excelente educação ministrada por tutores particulares tanto no campo de ciências humanas quanto no das naturais.

Nobel tornou-se milionário por causa de suas numerosas descobertas na área de explosivos, em especial a dinamite, a qual descobriu em 1866 e que passou a ser comercializada em grande escala no final do século XIX. Detentor de mais de 350 patentes, fundou compan-hias e laboratórios em cerca de 20 países. Escreveu poesia e drama e chegou a pensar em se tornar escritor. Idealista e consciente dos pe-rigos que envolviam o uso indevido de sua invenção, sempre apoiou os movimentos em prol da paz.

Dono de um gigantesco império industrial, Nobel deixou, ao falecer em 1896, uma grande fortuna destinada à criação de uma fundação que deveria financiar, anualmente, cinco grandes prêmios internacionais. Dentre esses prêmios, quatro deveriam destinar-se àqueles que se destacassem em suas descobertas em Física, Química, Medicina e Literatura. Seu testamento especificava também um prêmio para quem mais se empenhasse em prol da paz e da amizade entre as nações. Em 1969, foi acrescentado mais um prêmio, para as Ciências Econômicas.

A cerimônia de premiação é realizada anualmente em Oslo, Noruega, e em Estocolmo, Suécia, em 10 de dezembro, dia do aniversário da morte de Nobel. Várias instituições participam da escolha dos premiados, entre as quais a Academia Real de Ciências da Suécia para a Física, Química e Economia; a Academia de Literatura da Suécia; e o Comitê Nobel da Noruega, este último responsável pela entrega do Prêmio da Paz. Anualmente, cada comitê manda convites aos meios científicos de vários países, pedindo-lhes para nomear seus eventuais candidatos. As nomeações são recebidas pelos comitês e, depois de serem estudadas e analisadas por especialistas, são transmitidas às instituições que votam para escolher os vencedores. Os escolhidos recebem uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, gravada com o seu nome, um diploma e um prêmio em dinheiro.

Os laureados têm o direito de recusar os prêmios. Entretanto, fatos assim só ocorreram por pressões políticas, como em 1937, quando Hitler proibiu os alemães de receber o Prêmio Nobel, pois ficara furioso quando o Prêmio da Paz de 1935 fora concedido a um jornalista antinazista, Carl Von Ossietz, que havia revelado os planos secretos de rearmamento da Alemanha.

De acordo com a filosofia de Nobel, a política do comitê Nobel da Paz visa recompensar os esforços daqueles que lutam em favor do entendimento entre as nações. As premiações simbolizam o reconhecimento àqueles que conseguem solucionar crises internacionais. Assim, de uma forma às vezes paradoxal, inimigos eternos se encontram associados no reconhecimento por seus esforços, com o intuito de estimular a resolução de conflitos.

Em 1978, Menachem Begin, então primeiro ministro israelense, e Anuar El Sadat, presidente egípcio, receberam o prêmio visando incentivá-los a resolver o conflito egípcio-israelense, iniciado em 1948, logo após a criação do Estado de Israel. Em 1994, Yasser Arafat, então líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Shimon Peres, que ocupava o cargo de ministro das Relações Exteriores de Israel, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro, receberam o prêmio em conjunto apesar dos desacordos dentro do comitê de decisão. Um dos membros do comitê preferiu se demitir para não apoiar a escolha de Arafat, a quem considerava terrorista. Nota-se claramente nessa indicação o estímulo à paz, já que o prêmio foi atribuído logo após a assinatura do acordo de paz entre Israel e os palestinos, exortando ambos à busca por uma paz definitiva. O tratado, assinado em 1993, tornou-se conhecido como Acordos de Oslo.

Outro objetivo desse prêmio é o reconhecimento de certos valores universais, como a liberdade e a defesa dos direitos do homem, proclamados pelos grandes humanistas. A escolha de Elie Wiesel para o Prêmio Nobel da Paz, em 1986, ilustra de maneira significativa o conceito. Escritor e jornalista, sobrevivente do campo de concentração de Buchenwald - libertado em 1945, conta em seu primeiro livro, “A noite”, sua experiência nos campos de concentração nazistas. Desde então, não parou de lembrar ao mundo as atrocidades cometidas durante as guerras e promove uma luta constante contra as torturas e outros atentados à integridade física ou moral do ser humano. Junto com Lech Walesa, proclamou em Auschswitz o direito das pessoas a não sofrer. É presidente do “USA Holocaust Memorial Council”. O prêmio que lhe foi outorgado em 1986 transforma-o, de certa forma, em memória e consciência das nações, consagrando toda ação humanista.

Uma rápida análise da lista dos agraciados com o Prêmio Nobel revela uma participação mais destacada da comunidade judaica nos campos científicos (Física, Química e Medicina) e uma menor na Literatura. Entre os laureados, destaca-se o israelense Shmuel Agnon, premiado em 1966 por sua arte de narração. Em suas obras, o escritor conta a vida do povo judeu durante a emigração para a então Palestina, área sob mandato britânico, após a Segunda Guerra Mundial. O filósofo Henri Bergson e a poeta alemã Nelly Sachs também foram premiados. Através de seus escritos, Sachs tornou-se porta-voz dos judeus que sobreviveram aos campos da morte e foi uma das raras mulheres laureadas.

Entre médicos e físicos premiados, 25% pertencem à comunidade judaica. Para alguns observadores, este dado deve-se ao fato de que talvez tenham o que se chama de vocação. Para outros, a explicação mais lógica é que muitos premiados são oriundos de famílias de imigrantes cuja prioridade era a educação. Muitos sobreviventes do Holocausto costumam dizer que a única coisa que ninguém pôde tirar-lhes na guerra foi sua educação e seu conhecimento. O prêmio Nobel de Medicina de 1958, Joshua Lederberg, conta que se sentiu mais atraído pela ciência da mesma forma que outros sentem mais identificação com a religião. Claude Cohen-Tannoudji, premiado em 1997 pelo desenvolvimento de métodos de apreensão de átomos por laser, manifestou desde muito cedo uma grande curiosidade intelectual e seu percurso se explica em um princípio da tradição judaica: aprender e compartilhar seu conhecimentos.

Servindo ao mesmo tempo ao desenvolvimento das letras e ciências e à promoção da paz, o prêmio Nobel dá a todos laureados uma projeção tão grande que modifica suas vidas. Nenhum outro prêmio obteve tanto prestígio a nível mundial como o Nobel.

Os Judeus na Medicina

Seu testamento especificava também um prêmio para quem mais se empenhasse em prol da paz e da amizade entre as nações.

Cerca de 30% dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina são judeus. Este é um dado significativo considerando-se que apenas 0,3% da população mundial é judia. Esta e outras informações fazem parte de uma exposição especial organizada pelo Centro Médico B’nai Tzion sobre a participação judaica na história mundial da medicina.

A mostra está sendo patrocinada por Leon e Zelda Street e pelo Museu da Diáspora e mostra a relação entre os judeus e a medicina. A exposição está dividida por épocas, como por exemplo, o Período Talmúdico, o Renascimento e outros.

 

Entre 1901 e 1995, 663 Prêmios Nobel foram outorgados, dos
quais 140 foram concedidos a judeus ou descendentes de judeus

Literatura Paz Mundial
1910 – Paul Heyse
1927 – Henri Bergson
1958 – Boris Pasternak
1966 – Shmuel Yosef Agnon
1966 – Nelly Sachs
1976 – Saul Bellow
1978 – Isaac Bashevis Singer
1981 – Elias Canetti
1987 – Joseph Brodsky
1991 – Nadine Gordimer
1911 – Alfred Fried
1911 – Tobias Michael Carel Asser
1968 – Rene Cassin
1973 – Henry Kissinger
1978 – Menachem Begin
1986 – Elie Wiesel
1994 – Shimon Peres
1994 – Yitzhak Rabin
 
Química Economia
1905 – Adolph Von Baeyer
1906 – Henri Moissan
1910 – Otto Wallach
1915 – Richard Willstaetter
1918 – Fritz Haber
1943 – George Charles de Hevesy
1961 – Melvin Calvin
1962 – Max Ferdinand Perutz
1972 – William Howard Stein
1979 – Herbert Charles Brown
1980 – Paul Berg
1980 – Walter Gilbert
1981 – Roald Hoffmann
1982 – Aaron Klug
1985 – Albert A. Hauptman
1985 – Jerome Karle
1986 – Dudley R. Herschbach
1988 – Robert Huber
1989 – Sidney Altman
1992 – Rudolph Marcus
1970 – Paul Anthony Samuelson
1971 – Simon Kuznets
1972 – Kenneth Joseph Arrow
1975 – Leonid Kantorovich
1976 – Milton Friedman
1978 – Herbert A. Simon
1980 – Lawrence Robert Klein
1985 – Franco Modigliani
1987 – Robert M. Solow
1990 – Harry Markowitz
1990 – Merton Miller
1992 – Gary Becker
1993 – Robert Fogel
 
Medicina Física
1908 – Elie Metchnikoff
1908 – Paul Erlich
1914 – Robert Barany
1922 – Otto Meyerhof
1930 – Karl Landsteiner
1931 – Otto Warburg
1936 – Otto Loewi
1944 – Joseph Erlanger
1944 – Herbert Spencer Gasser
1945 – Ernst Boris Chain
1946 – Hermann Joseph Muller
1950 – Tadeus Reichstein
1952 – Selman Abraham Waksman
1953 – Hans Krebs
1953 – Fritz Albert Lipmann
1958 – Joshua Lederberg
1959 – Arthur Kornberg
1964 – Konrad Bloch
1965 – Francois Jacob
1965 – Andre Lwoff
1967 – George Wald
1968 – Marshall W. Nirenberg
1969 – Salvador Luria
1970 – Julius Axelrod
1970 – Sir Bernard Katz
1972 – Gerald Maurice Edelman
1975 – David Baltimore
1975 – Howard Martin Temin
1976 – Baruch S. Blumberg
1977 – Rosalyn Sussman Yalow
1978 – Daniel Nathans
1980 – Baruj Benacerraf
1984 – Cesar Milstein
1985 – Michael Stuart Brown
1985 – Joseph L. Goldstein
1986 – Stanley Cohen
(& Rita Levi-Montalcini)
1988 – Gertrude Elion
1989 – Harold Varmus
1991 – Erwin Neher
1991 – Bert Sakmann
1993 – Richard J. Roberts
1993 – Phillip Sharp
1994 – Alfred Gilman
1995 – Edward B. Lewis
1907 – Albert Abraham Michelson
1908 – Gabriel Lippmann
1921 – Albert Einstein
1922 – Niels Bohr
1925 – James Franck
1925 – Gustav Hertz
1943 – Gustav Stern
1944 – Isidor Issac Rabi
1952 – Felix Bloch
1954 – Max Born
1958 – Igor Tamm
1959 – Emilio Segre
1960 – Donald A. Glaser
1961 – Robert Hofstadter
1962 – Lev Davidovich Landau
1965 – Richard Phillips Feynman
1965 – Julian Schwinger
1969 – Murray Gell-Mann
1971 – Dennis Gabor
1973 – Brian David Josephson
1975 – Benjamin Mo

ttleson
1976 – Burton Richter
1978 – Arno Allan Penzias
1978 – Peter L Kapitza
1979 – Stephen Weinberg
1979 – Sheldon Glashow
1988 – Leon Lederman
1988 – Melvin Schwartz
1988 – Jack Steinberger
1990 – Jerome Friedman
1995 – Martin Perl