Morashá
Massacre na sinagoga de Har Nof em Jerusalém Foto Ilustrativa

Massacre na sinagoga de Har Nof em Jerusalém

Eram sete horas da manhã do dia 18 de novembro de 2014 quando dois homens irromperam na sinagoga da comunidade de Har Nof, bairro ultra-ortodoxo situado ao noroeste de Jerusalém. Com exclamações histéricas, gritando em árabe Allah Akbar, atacaram os judeus que, envoltos em talitim e com tefilins na testa e no braço, silenciosamente rezavam a Amidá do Shacharit, primeira reza da manhã.

Edição 86 - Dezembro de 2014


Portando uma arma de fogo, facas e um machado, os dois palestinos se lançaram sobre os devotos. Seis ficaram feridos e quatrofaleceram. Os atacantes afligiram-lhes mortes horríveis e covardes. Foram encontrados deitados em poças de sangue, seus talitim e livros de orações encharcados de sangue no chão da sinagoga. As quatro vítimas fatais foram os Rabino Moshe Twersky, 59, Rabino Aryeh Kopinsky, 43, Rabino Avraham Shmuel Goldberg, 68, e o Rabino Calman Levine, 55. Vinte e seis crianças ficaram órfãs.

O que aconteceu em seguida está registrado nos relatórios criminais, dando conta de que a polícia israelense chegou rapidamente e os dois assassinos foram mortos em um tiroteio. Dois oficiais israelenses foram feridos. Um deles, Zidan Saif, druso, morreu em consequência de seus ferimentos, na noite do ataque. Ele tinha sido o primeiro a chegar ao local do massacre e se colocara entre os terroristas e os fiéis.

O ataque, o mais sério atentado contra judeus em Jerusalém desde 2008, foi reivindicado pelas Brigadas Ali Abu Mustafa, braço armado da radical Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

Resta pouco a acrescentar, mas muito para refletir. Como escreveu o Rabino Benjamin Blech em carta aberta, “A morte é um infortúnio. O assassinato é bem mais terrível de se suportar. E quando se trata de um massacre, choca-nos e torna-se um sofrimento difícil de ser mitigado. Mas o ataque terrorista em Israel, teve algo mais. Ocorreu na cidade sagrada de Jerusalém, um lugar onde devemos sentir a proximidade a D’us. Ocorreu em uma sinagoga frequentada por fiéis madrugadores que ali estavam apenas diante da presença do Todo Poderoso, em total devoção perante o Criador do Universo”. O que mais nos comove, o que mais nos espanta e indigna não foram apenas as imagens dos rabinos assassinados.

Comovente é a mensagem das quatro viúvas, que, em meio ao horrível pesadelo, estendem a mão para alcançar o mundo judaico com sua mensagem de união e esperança no Todo Poderoso.

Espantosa e indignante é a resposta do mundo árabe. São as imagens, captadas logo após o morticínio, de homens, mulheres e crianças, agitando flores, bandeiras e lenços nas ruas de Gaza para celebrar o feito alcançado em Har Nof. São as demonstrações de júbilo e de aprovação nos quatro cantos do mundo árabe. São as vozes de milhares, que louvam nas ruas a ação dos “mártires gloriosos”, perpetradores do massacre. O assassinato de inocentes não precisa nenhuma justificação quando é feito em nome de suas crenças religiosas; mas quando as vítimas são judias, a hora é de regozijo. É a atitude do líder palestino, Mahmoud Abbas, que condenou proforma o massacre para o Ocidente, o mundo de língua inglesa – enquanto, ao mesmo tempo, elogiava para seu próprio povo aqueles que realizaram a violência contra os judeus, condizente com o que vem incentivando, de forma ruidosa, nos últimos meses.
A verdade é que os assassinos dos rabinos não agiram por impulso. Seu ato covarde é apenas a ponta visível de uma longa série de acontecimentos que os levaram àquela insanidade, incentivada constantemente por seus líderes. É um complemento para os recentes, sucessivos e propositais atropelamentos de judeus em Jerusalém perpetrados por palestinos.

Deixa-nos perplexos, porém não surpreende a resposta dos que estão na vanguarda da crítica de Israel; daqueles que estão pedindo o boicote do Estado judeu; daqueles que marcham nas ruas da Europa, os que afirmam não poder ficar calados diante da situação dos palestinos. Os horrendos assassinatos não provocaram demonstrações, não inspiraram repugnância, não levaram os governos a denunciar, aberta e firmemente, o terror árabe.

Fazemos nossas as palavras do Rabino Blech: “O resultado da carnificina me faz chorar mais do que tudo – chorar por um mundo que ainda não entendeu que – ao não lamentar adequadamente pelos judeus assassinados – está lançando as sementes de sua própria destruição”.

Carta das viúvas dos rabinos assassinados

“Em lágrimas e com o coração partido pelo sangue que foi derramado, o sangue de pessoas santificadas, nossos maridos, chefes de nossas famílias (Hy’d), dirigimo-nos a nossos irmãos e irmãs, a todos da Casa de Israel, onde quer que estejam, para que fiquem unidos para merecer a compaixão e a misericórdia do Altíssimo. Devemos aceitar sobre nós a responsabilidade de aumentar o amor e a afeição uns pelos outros, quer seja entre uma pessoa e seu semelhante, quer seja entre irmãos de diferentes comunidades dentro do Povo Judeu. Rogamos a vocês que cada um aceite sobre si a responsabilidade, na hora do recebimento do Shabat, para que este Shabat, Shabat Parashat Toldot, seja um dia no qual expressemos nosso amor uns pelos outros, um dia em que nos abstenhamos de falar de forma a criar discórdia ou de crítica aos outros. E assim, estaremos fazendo-o em grande mérito pelas almas de nossos maridos, assassinados em nome de D’us. D’us nos vê do Alto e vê nossa dor, e Ele enxugará nossas lágrimas e declarará: ‘Basta de toda a dor e sofrimento’. E nós teremos o mérito de testemunhar a vinda daquele que foi Ungido, dentro em breve, em nossos dias, Amén, Amén.

Chaya Levine, Breine Goldberg, Yakova Kupinsky, Bashi Twersky e suas famílias”.