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Israel na vanguarda tecnológica Foto Ilustrativa

Israel na vanguarda tecnológica

Como já dizia, em 1962, o ex-primeiro-ministro David Ben-Gurion, 'a pesquisa científica e suas conquistas deixaram de ser mero objetivo intelectual abstrato; ... são fator central na vida de todo povo civilizado'. Confirmando o que já preconizava o grande líder sionista, uma das principais características da inovação em Israel é sua capacidade de integração no cotidiano da sociedade, melhorando a qualidade de vida.

Edição 58 - Setembro de 2007


Sem grandes recursos naturais e cercado por vizinhos hostis, o país foi obrigado, desde os primeiros anos, a definir claramente as prioridades que garantiriam sua sobrevivência e seu desenvolvimento. Seguindo esta diretriz, de 1948 até os dias de hoje, os sucessivos governos israelenses fizeram dos investimentos em ciência e tecnologia a principal ferramenta para o crescimento nacional, reforçando sua capacidade competitiva e criando, também, mecanismos para estimular a atuação da iniciativa privada. Atualmente, como resultado desta conjugação de esforços, a indústria israelense caracteriza-se por forte presença nos setores de alta tecnologia, aviônica, telecomunicações, manufatura, equipamentos médicos eletrônicos e de fibra óptica. Atualmente, a indústria high-tech de Israel responde por 12% do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais de 80% das exportações.

Grande parte das inovações israelenses em tecnologia de ponta podem ser vistas nas exposições internacionais que o país organiza, ao longo do ano, como a Agritech (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola), Biomed (Feira Internacional de Biotecnologia) e Telecom (Feira Internacional de Telecomunicações). Vitrines do que há de mais avançado na indústria do país, recebem visitantes do mundo inteiro, além de contar com a participação das principais multinacionais, como Intel e Microsoft, por exemplo, que mantêm centros de pesquisas, laboratórios e fábricas no país. O setor de tecnologia israelense, nos últimos anos, tem também atraído a atenção de investidores internacionais que, além de injetar recursos em projetos e companhias específicas, marcam presença nas aquisições e fusões com grupos locais.

Um dos grandes negócios realizados em 2006 foi a compra por Warren Buffett, um dos maiores investidores norte-americanos, da empresa israelense Iscar Metalworking Companies-IMC. Buffett adquiriu 80% das ações da companhia por US$ 4 bilhões. Além de ser o maior investimento de Buffett fora dos Estados Unidos e o terceiro maior feito por sua empresa, foi também o mais alto valor já pago pela compra de uma empresa de Israel. Pertencente à família Wertheimer, a IMC é líder na área de matrizes de corte para metalurgia e laminação e opera em quase todos os países através de suas subsidiárias Iscar. Buffet já garantiu que a matriz da Iscar permanecerá no Parque Tefen, na região de Nahariya, norte de Israel.

Mas esta transação foi apenas uma entre as inúmeras aquisições que, no ano passado, ocuparam espaço nos jornais internacionais. A Hewlett-Packard anunciou em julho último o acordo para comprar a Mercury Interactive, especializada em soluções de otimização de TI, por aproximadamente US$ 4,5 bilhões. No mesmo mês, a SanDisk, multinacional fabricante de memória-flash para telefonia móvel e câmeras digitais, comprou a israelense Msystems por US$ 1,55 bilhão, em ações. E o Grupo Ex- Libris, pioneiro mundial na área de soluções de software para bibliotecas e centros de informação, foi comprado pelo Fundo Francisco Partners de investimentos. Considerado um dos maiores fundos privados voltados à área da tecnologia, o grupo pagou US$ 62 milhões pela empresa israelense. No total, em 2006, cerca de 76 empresas israelenses foram adquiridas ou se fundiram com estrangeiras. Outro dado importante sobre o setor: Israel é o segundo país, depois dos Estados Unidos, com empresas negociadas na Nasdaq (Bolsa de Tecnologia de Nova York).

Parcerias High Tech

Com vendas que somam milhões de dólares por ano, o setor de Tecnologia da Comunicação e Informação de Israel congrega nomes como Comverse (com forte atuação no setor de sistemas para comunicação multimídia); Check Point (líder mundial na área de firewalls para segurança na internet) e Alvarion (um dos principais nomes em acesso de banda larga, sem fio); e o Grupo Rad - com ampla atuação na área de comunicação de dados, entre outros. Todas são empresas que empregam milhares de pessoas, seja em Israel seja em suas subsidiárias e escritórios espalhados pelo mundo.

Conhecido como o "Vale do Silício do Oriente Médio", em uma alusão ao centro tecnológico dos Estados Unidos, Israel conta também com granes empresas multinacionais, com unidades das quais saem inovações imediatamente integradas à carteira de produtos destas companhias.

O chip Centrino para notebooks, da Intel, por exemplo, saiu do laboratório de P&D da empresa, em Haifa. A história da Intel Israel começou em 1974, quando a multinacional escolheu o país para implantar o seu primeiro Centro de Design e Desenvolvimento fora dos Estados Unidos. Desde então, a empresa vem ampliando sua presença na indústria israelense, mantendo atualmente oito unidades no país, com mais de 5.400 funcionários, dos quais cerca de dois mil envolvidos em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

A Intel é uma dentre as inúmeras gigantes da área de tecnologia com forte presença em Israel. Uma das pioneiras na implantação de fábricas, no país, foi a General Electric (GE), que inaugurou sua primeira unidade ainda em 1950. Atualmente, possui inúmeras companhias em diferentes segmentos. Outra pioneira foi a IBM Corp., que se estabeleceu no país também em 1950, atraída pela excelência de suas instituições acadêmicas e qualidade de sua mão-de-obra. Contando atualmente com dois mil funcionários, a IBM Israel começou suas atividades com a implantação de um Centro de Pesquisa para a realização de programas conjuntos com instituições governamentais e sem fins lucrativos, desenvolvendo aplicações computadorizadas para as áreas de medicina, agricultura, irrigação e elaboração de modelos para políticas em fertilização.

Já a Motorola Israel Ltd. foi fundada em 1964, possuindo atualmente quatro mil funcionários espalhados em cinco centros de desenvolvimento, 15 escritórios de vendas e serviços e oito subsidiárias. Entre o final da década de 1980 e o início da de 1990, registrou-se a chegada de outras multinacionais. Em 1989 foi a vez da Microsoft Corporation, que também fez de Israel a sede de sua primeira subsidiária fora dos EUA. Em 1991 instalou-se a Applied Materials. A alemã SAP também investe pesado no país e inaugurou, em 2005, a mais nova software-house da empresa, em Raanana - um edifício de 12 andares, com 11 mil m2 e investimentos da ordem de US$ 10 milhões. A maioria das empresas internacionais estão localizadas na região de Haifa, em função dos incentivos governamentais e da proximidade com dois grandes centros acadêmicos - a Universidade de Haifa e o Technion.

Centro de pesquisas

Além de atraente para corporações internacionais, Israel começa a receber núcleos ligados a instituições de pesquisas, que chegam ao país atraídos pela qualidade dos profissionais israelenses da área de P&D. Em maio de 2006, a cidade de Cesaréia tornou-se sede do primeiro centro regional do Instituto Europeu para Administração de Negócios (o conceituado Institut Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), famoso centro europeu instalado na cidade francesa de Fontainebleau. Patrocinada pela Fundação Césarée Edmond Benjamin de Rothschild, a instituição é voltada ao estudo do empreendedorismo - área na qual Israel atua com destaque.

Segundo Doron Nahmias, diretor-geral da regional e ex-aluno do INSEAD na França, "nosso objetivo é criar um centro de estudos compatível com a qualificação e o universo high-tech dos israelenses. Israel é um país no qual a criatividade começa a ser cultivada desde muito cedo e os resultados desta prática são bem conhecidos: mais de uma centena de empresas locais negociam suas ações na Nasdaq", ressalta Nahmias. Outro tema de interesse do novo centro de estudos é a análise da experiência da transferência da tecnologia militar de Israel para aplicações civis, a evolução das start-ups (empresas embrionárias) e sua capacidade de penetrar rapidamente no mercado internacional, atraindo investidores, entre outros.

O relacionamento entre a França e Israel possui raízes antigas, com a participação de inúmeros imigrantes franceses na área de tecnologia. Entre estes, destaca-se Charley Attali, considerado um dos pioneiros na indústria aeronáutica israelense; David Harari, diretor-geral da Indústria Aeronáutica de Israel (IAI) e Claude Samson, diretor da Divisão Elta, filial da IAI. Na área de energia, destaca-se Lucien Bronicki, formado pela École des Arts e Métiers, que fundou a Ormat Industries, maior companhia israelense no segmento de energias renováveis e líder mundial em usinas geotérmicas.

Um longo caminho

A história da pesquisa científica em Israel é parte integrante da saga do retorno do povo judeu à sua pátria. Ao preconizar a criação de um lar nacional para os judeus, Theodor Herzl pensava não somente em um lar físico, mas também em um grande centro espiritual, cultural e científico. O desejo de transformar a Terra de Israel, então região estéril e infestada de doenças, em um estado moderno foi o fator-chave no desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica subseqüente.

A pesquisa agrícola remonta ao fim do século 19, com a criação, em 1870, da Escola Mikve Israel.

A Estação Agrícola, estabelecida em 1921 em Tel Aviv, tornou-se, posteriormente, o Instituto Volcani, hoje principal instituição de pesquisa e desenvolvimento agrícola em Israel. A Universidade Hebraica de Jerusalém foi fundada em 1925, período em que se instituíram as bases para o Hospital Hadassah, uma das mais importantes instituições de pesquisa médica de Israel.

Na mesma época, também foram criados o Instituto de Tecnologia Technion, em Haifa, em 1924, e o Centro de Pesquisa Daniel Sieff, fundado em 1934, em Rehovot, que, posteriormente, em 1949, tornar-se-ia o Instituto Weizmann de Ciências.

Assim, quando o Estado de Israel foi criado, sua infra-estrutura científica e tecnológica já estava estabelecida, permitindo o progresso posterior. Atualmente, o coeficiente entre a população israelense que se dedica à pesquisa científica e tecnológica, assim como os recursos destinados ao setor de P&D, e o Produto Interno Bruto (PIB), está entre os mais altos do mundo; e relativamente ao tamanho da mão-de-obra, Israel ostenta o maior número de autores publicados nos campos das ciências naturais, engenharia, agricultura e medicina.

A criatividade israelense na prática

A genialidade industrial dos profissionais e pesquisadores de Israel está presente em inúmeros segmentos necessários ao cotidiano de muitos países. Veja como:

A Msystems foi pioneira no desenvolvimento da memória-flash DiskOnKey e DiskOnChip, transformando gerenciamento e armazenamento de informações.

A GE Healthcare Israel lançou o primeiro equipamento tamanho miniatura de ultra-som cardíaco portátil, do mundo.

O scanner de tomografia computadorizada Philips Brilliance faz um diagnóstico abrangente do paciente, em poucos segundos, nas salas de emergência, onde cada segundo é vital.

A telefonia pioneira através do protocolo IP foi lançada pela Vocaltec.

A tecnologia de compressão ZIP foi desenvolvida por dois professores do Instituto Tecnológico - Technion de Haifa. ?

A pílula endoscópica com microcâmera foi lançada pela Given Imaging.

A ferramenta ICQ do AOL Instant Messenger foi desenvolvida, em 1996, por quatro jovens israelenses.

Os microprocessadores Centrino e Pentium-4 Dotan foram desenvolvidos pela Intel Israel.

A Keter Plastic, com 23 fábricas espalhadas pelo mundo, é considerada a maior empresa de produtos em plástico da Europa.

Dois professores do Technion ganharam o Prêmio Nobel de Química, em 2004. Seu trabalho de identificação da proteína Ubiquitin é uma inovação nas pesquisas do câncer, doenças degenerativas do cérebro e muitas outras.

A empresa israelense Lumus Optical criou os vídeo-óculos PD-20, para assistir a TV e vídeos em qualquer lugar.

As imagens são refletidas diretamente no globo ocular pelo aparelho, preso na armação dos óculos que podem ser usados até mesmo com telefones celulares.